Descobri que Minha Namorada Era Filhinha do Papai III

Um conto erótico de Pedro
Categoria: Heterossexual
Contém 1194 palavras
Data: 06/04/2026 19:47:11

Eu não sei explicar direito como consegui voltar para casa naquele dia.

Lembro de ter ligado a scooter com as mãos trêmulas, de ter saído dali quase sem enxergar a rua, como se o meu corpo estivesse pilotando sozinho enquanto a minha cabeça continuava presa naquela cozinha. O vento batia no meu rosto, mas eu não sentia nada. Ou talvez sentisse tudo ao mesmo tempo. Nojo, raiva, vergonha, incredulidade. Era tanta coisa misturada que meu peito parecia pequeno demais para segurar.

Quando cheguei em casa, larguei o carregador em cima da mesa e fiquei parado no meio da sala, sem saber o que fazer. Não sentei. Não tirei o sapato. Não bebi água. Só fiquei ali, respirando feito um idiota, tentando entender se o que eu tinha visto tinha realmente acontecido.

Mas tinha.

Cada detalhe voltava para a minha cabeça com uma clareza cruel.

Bianca.

João.

A mesa.

Os gemidos.

A intimidade.

A naturalidade absurda dos dois.

Passei as mãos no rosto, tentando afastar aquelas imagens, mas era inútil. Quanto mais eu tentava empurrar aquilo para longe, mais forte tudo voltava. E o pior não era nem a cena em si. O pior era perceber que vários sinais estavam ali o tempo todo, na minha cara, e eu escolhi fingir que não via.

O selinho.

A intimidade exagerada.

O jeito como ela andava à vontade pela casa.

Os olhares dele.

O jeito como eu mesmo arrumava desculpa para tudo.

Meu celular começou a vibrar no bolso.

Nem precisei olhar para saber que era ela.

Ignorei.

Vibrou de novo.

E de novo.

E mais uma vez.

Quando finalmente peguei o aparelho, a tela estava cheia de notificações. Ligações perdidas. Mensagens. Áudios. Tudo dela.

Abri a conversa e encontrei uma sequência desesperada.

“Amor, me responde.”

“Por favor.”

“Pedro, não faz isso.”

“Me deixa te explicar.”

“Você viu da pior forma possível.”

Eu fiquei olhando para aquelas palavras com o sangue fervendo.

Da pior forma possível.

Não tinha negação.

Não tinha “não é o que você está pensando”.

Não tinha “você entendeu errado”.

Era só o arrependimento de ter sido pega.

Joguei o celular no sofá com tanta força que ele quicou no estofado. Comecei a andar de um lado para o outro dentro da sala, sentindo uma vontade absurda de quebrar alguma coisa. Mas não quebrei. Talvez porque ainda estivesse em choque demais até para isso.

Depois de alguns minutos, o celular vibrou de novo.

Dessa vez, o nome que apareceu na tela fez meu estômago embrulhar.

João.

Fiquei olhando para o nome dele por alguns segundos, sem acreditar na audácia. Ele ligou duas vezes. Não atendi nenhuma. Logo depois, veio uma mensagem.

“Rapaz, eu sei que você está nervoso, mas precisamos conversar.”

Eu li aquilo e senti uma raiva tão grande que comecei a rir sozinho. Um riso seco, sem humor, de quem está perto de perder o controle.

Conversar.

Sobre o quê?

Sobre como os dois tinham feito de mim um imbecil?

Sobre como eu tinha sido recebido naquela casa, sentado à mesa, tratado como quase da família, enquanto eles escondiam aquela merda de mim?

Fui até a cozinha e enchi um copo d’água. Minhas mãos tremiam tanto que um pouco caiu na pia. Bebi em dois goles e fiquei olhando para a janela, vendo meu reflexo escuro no vidro.

Eu parecia outro homem.

Naquela manhã, eu ainda tinha uma namorada.

Naquela tarde, eu já não sabia nem o nome daquilo que eu tinha.

O celular continuava vibrando.

Peguei de novo.

Mais mensagens de Bianca.

“Pedro, por favor.”

“Não some.”

“Eu preciso falar com você.”

“Você precisa ouvir a minha versão.”

Versão.

Aquilo me deu um gosto amargo na boca.

Como se existisse alguma versão capaz de apagar o que eu vi.

Sentei no sofá e, pela primeira vez desde que saí da casa dela, deixei a dor vir inteira. Não era só ciúme. Não era só traição. Era humilhação. Era a sensação de que eu tinha entrado numa história que já estava podre antes mesmo de eu chegar. E, pior ainda, comecei a me perguntar se em algum momento aquilo entre nós tinha sido realmente verdadeiro.

Ela gostava mesmo de mim?

Ou eu era só um passatempo bonito, uma distração conveniente, alguém que servia para manter aparências?

A pergunta me atingiu com tanta força que senti o peito apertar.

Meu celular vibrou de novo.

Dessa vez, não era mensagem. Era ligação.

Bianca.

Fiquei alguns segundos olhando para a tela. Depois, atendi.

Não falei nada.

Do outro lado, ouvi a respiração dela, apressada, nervosa.

- Pedro...

A voz dela saiu baixa, quase quebrada.

Continuei em silêncio.

- Amor, por favor, fala comigo.

Fechei os olhos.

- Não me chama assim.

Ela também ficou em silêncio por um momento.

- Me deixa te explicar.

- Explicar o quê, Bianca?

Minha voz saiu fria. Dura. Mais dura do que eu imaginava que conseguiria.

- Explicar o que eu vi? Explicar há quanto tempo vocês dois me fazem de idiota? Explicar por que eu sentei naquela mesa, bebi naquela casa, dormi com você, enquanto isso existia?

- Não é assim...

- Então como é?

Ela respirou fundo do outro lado da linha.

- Não dá para falar por telefone.

- Para mim deu para ver ao vivo.

Silêncio.

Eu ouvi um soluço preso na garganta dela, mas naquele momento até aquilo me irritou. Eu não queria choro. Eu queria verdade. E, ao mesmo tempo, não queria ouvir verdade nenhuma.

- Pedro - ela disse, mais baixa. - Eu sei que você está com raiva. Eu sei que você deve estar me odiando. Mas eu preciso ir aí. Você precisa me ouvir.

- Não vem.

- Eu vou.

- Bianca, eu estou falando sério.

- Eu também.

Desligou.

Fiquei olhando para o celular na minha mão, sentindo o coração bater forte. Parte de mim queria trancar a porta, apagar a luz e fingir que não estava em casa. A outra parte queria olhar nos olhos dela e ver se ela tinha coragem de sustentar, cara a cara, o tamanho daquela mentira.

Passei a mão pelo cabelo, andei até a janela e afastei a cortina com os dedos.

A rua estava quieta.

Os minutos começaram a passar devagar demais. Minha cabeça continuava me torturando com lembranças, detalhes, frases soltas. O jeito como ela sorria para mim. O jeito como ele me chamava de rapaz. O jeito como eu me sentia quase sortudo por estar namorando uma mulher daquelas.

Eu fui um idiota.

Essa era a única certeza limpa que eu tinha.

Quase meia hora depois, faróis pararam em frente ao meu portão.

Meu corpo inteiro ficou tenso.

O carro dela.

Vi Bianca descer sozinha. Ela não entrou imediatamente. Ficou alguns segundos parada do lado de fora, como se estivesse criando coragem. Mesmo de longe, dava para perceber que ela já não tinha nada daquela mulher segura que consertou a minha descarga no dia em que nos conhecemos. Os ombros estavam tensos. O rosto, abatido.

Quando ela finalmente tocou a campainha, o som atravessou a casa inteira como um aviso.

Eu fiquei imóvel no meio da sala.

Ela tocou de novo.

E, naquela hora, eu entendi que abrir aquela porta seria a mesma coisa que atravessar um lugar do qual eu talvez não conseguisse mais voltar.

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Comentários

Foto de perfil de Super Canalha

Me fez lembra de um conto antigo daqui, Meu tio e Gabi na fazenda. Muito bom.

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Foto de perfil de Super Canalha

Um conto interessante, pela primeira vez em muito tempo, espero que não acabe aqui.

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Foto de perfil de Samas

Sinceramente eu no lugar do namorado terminava por telefone o relacionamento e mandava ela ficar longe de min

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Foto de perfil genérica

E aí vai bancar o corno conformado ou vai desmanchar o falso namoro e partir para outra?

Cara falando sério, ficar com uma pessoa dessa, depois dela dar o cu para o pai sorrindo é burrice.

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Foto de perfil de Samas

Depois do que ele viu não era nem para dar chance ela tentar se explicar, eu ja mandava ela para o raio que o parta kkk.

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