O Colinho mais Gostoso da Minha Vida

Da série Pamela Domingues
Um conto erótico de Pamelinha
Categoria: Heterossexual
Contém 1195 palavras
Data: 28/04/2026 16:57:42
Assuntos: Heterossexual

Eu sei que foi só um sonho.

Sei disso porque, quando acordei, o relógio marcava 4:47 da manhã, o Antônio ainda estava no berço ressonando feito um motorzinho de geladeira, e Fernando dormia ao meu lado com a boca aberta e o braço jogado sobre o rosto, parecendo um homem que acabou de perder uma briga com o travesseiro.

Era um sonho. Eu sei.

Mas meu corpo não sabia.

Meu corpo estava em chamas. Minha calcinha estava encharcada. Minhas pernas tremiam debaixo do lençol, e meu coração batia tão rápido que eu conseguia ouvir as pulsações na garganta.

Respirei fundo. Fechei os olhos.

E o sonho voltou.

A portaria estava vazia. Silenciosa. A luz amarelada da lâmpada fluorescente criava sombras compridas nas paredes, e o balcão de granito parecia maior do que eu lembrava.

Ele estava sentado na cadeira giratória.

Seu Antônio.

Não de uniforme — isso era estranho, porque na vida real ele nunca tirava o uniforme. No sonho, ele vestia uma camisa branca de botão, dessas de ir à missa, as mangas arregaçadas até os cotovelos. Os braços escuros, fortes, a barriguinha de cerveja e o sorriso faltando um dente. A calça era preta, social, o cinto de couro gasto e aquele volume enorme entre as pernas que me enchia de curiosidade e imaginação.

E ele me olhava.

Aquele olhar. Não o de sempre, o disfarçado, o respeitoso. O outro. O que eu vi naquela tarde. O que me despiu inteira no hall do prédio.

— Vem cá, Dona Pamela — ele disse.

A voz era mais grave no sonho. Mais lenta.

Eu fui.

Meus pés não tocavam o chão. Ou tocavam, mas não sentia. O importante é que eu estava indo, me aproximando, entrando no espaço dele. O cheiro de café e alfazema. O brilho da pele negra sob a luz fraca. Os olhos castanhos que não desviavam.

Ele abriu as pernas. Me puxou pelo quadril. Soltei um gritinho.

Sentei no colo dele.

Meu shortinho — o mesmo daquela tarde, o estampado, o pequeno — rangeu contra a calça social. Eu senti o tecido fino grudar nas coxas, sentir o calor do corpo dele subindo pela minha pele, meu corpo contra aquela barrigona.

Fiquei vermelha de vergonha, meu estômago doía e meu cuzinho piscava sem parar de tão nervosa que eu estava. Só conseguia dar risada. Uma mistura de vergonha, tesão e nervosismo. Deu muita vontade de fazer cocô.

— A senhora sabe — ele murmurou, a boca perto do meu ouvido — que eu vejo tudo.

Me arrepiei toda.

— Sei — respondi, já sem ar.

— Sabe que eu vejo quando a senhora desce de manhã, com o cabelo molhado, aquele cheiro de shampoo. Vejo quando a senhora vem buscar encomenda de shortinho, as perna toda de fora. Vejo quando a senhora se debruça no balcão e eu tenho que segurar o balcão também pra não tremer.

— Sei.

— E sabe que eu vejo quando a senhora provoca?

Meu corpo congelou.

— Eu nunca…

— Pro-voca — ele repetiu, cortando a palavra em duas, como quem mastiga caramelo. — Desce com a blusa mais aberta. Se curva mais devagar. Ri mais alto quando eu faço graça. Olha pro meu balcão, depois olha pra mim, depois sorri.

Engoli seco.

— Sabe que eu vejo, Dona Pamela?

Não consegui responder. Só acenei, ofegante, que sim, com a cabeça.

— E sabe que eu gosto?

Não respondi. Meu corpo respondeu por mim: umidade quente entre as pernas, o mamilo endurecendo contra o tecido fino da blusa.

Ele viu. Ele sempre via.

A mão dele deslizou das minhas costas pro meu quadril. Devagar. Respeitoso. E então deslizou mais um pouco, até encontrar a barra do meu shortinho.

— Pode? — ele perguntou.

— Pode — quase implorando.

Ele enfiou a mão dentro do meu short.

Os dedos dele eram grossos, calejados, quentes. Escuros contra a pele clara da minha barriga. Deslizaram devagar pelo meu ventre, contornaram o osso do quadril, encontraram o elástico da calcinha.

— Molhada — ele murmurou. Quase surpreso. Quase reverente. — A senhora já tava molhada antes mesmo de sentar aqui.

— Uhum — mordendo os lábios.

— Sabia que ia acontecer?

— Sabia — sorrindo.

— E veio mesmo assim?

— Vim — envergonhada.

Ele gemeu. Baixinho, rouco, um som que veio do fundo do peito. Os dedos dele deslizaram mais um pouco, encontraram minha boceta aberta, escorrendo, pronta.

— Dona Pamela — a senhora não sabe o que faz comigo.

— Então me mostra — implorei.

Ele mostrou.

Os dedos entraram devagar, um, dois, abrindo caminho naquele calor. Eu senti cada falange, cada calo, cada centímetro daquela mão de trabalhador invadindo meu corpo. Apoiei as mãos nos ombros dele, arfando, os olhos semicerrados.

— Assim? — ele perguntou.

— Assim — eu gemia.

— Mais rápido?

— Mais rápido.

— Mais fundo?

— MAIS SEU GOSTOSO — eu gritava.

Ele acelerou. A mão dele sumiu dentro do meu short, dentro de mim, e eu sentia o movimento no balcão, na cadeira, nas paredes da portaria. Meu corpo balançava no colo dele, minhas pernas abriam e fechavam, meus gemidos escapavam sem controle.

— Que gostosa — ele sussurrou, a boca no meu pescoço. — Que mulher mais gostosa.

— Seu Antônio…

— Me chama pelo nome.

— Antônio.

— De novo.

— Antônio… — eu gemia.

— De novo.

— ANTÔNIO GOSTOSO

Eu gozei.

Não foi um orgasmo. Foi um colapso. Meu corpo inteiro se contraiu ao mesmo tempo, os músculos das pernas, da barriga, da boceta, todos se fechando em volta dos dedos dele como uma mão que não quer largar o que segura. Eu ouvi minha própria voz gemer alto, sem vergonha, sem pudor, sem nada além de prazer puro.

Ele me segurou. Me apertou contra o peito. Me deixou tremer até o fim.

Fiquei ali um tempinho delirando enquanto sentia o cheiro forte de buceta. Com a mão ainda dentro de mim, ele não parava de dar beijinhos no meu pescoço.

— Melhor colinho que já ganhei. - declarei apaixonada com um sorriso enorme na cara

- Gostou né piranha kkkk - ele riu

Acordei.

4:47. Antônio roncando. Fernando dormindo.

Minha calcinha encharcada.

Respirei fundo. Várias vezes. Tentei esquecer a voz dele, as mãos dele, os dedos grossos e quentes dentro de mim. Tentei esquecer o gosto do nome dele na minha boca.

Não consegui.

Levantei devagar, pra não acordar ninguém. Fui ao banheiro. Tirei a calcinha molhada, joguei no cesto. Me olhei no espelho: rosto corado, olhos brilhando, lábios entreabertos.

A mesma Pamela de sempre. Mas diferente.

Tomei um copo d'água. Respirei mais um pouco. Quando voltei pra cama, Fernando tinha virado de lado e ocupado meu lugar. Deitei na ponta, longe dele, de costas.

Fechei os olhos.

O sonho não veio de novo. Mas o corpo ainda ardia.

6:23. O despertador tocou.

Dia normal. Café, banho, bebê acordando, mamadeira, fralda, roupa, encomenda pra buscar.

Desci. A porta do elevador abriu.

— Bom dia, Dona Pamela — Seu Antônio disse, do balcão.

— Bom dia.

Ele sorriu. O mesmo sorriso de sempre, faltando um dente, simpático, respeitoso.

— Hoje tem bolo? — perguntou.

Segurei a alça da bolsa com tanta força que meus dedos doeram.

— Amanhã eu trago — respondi.

— Vou esperar então.

Me virei. Atravessei o hall. A porta do elevador fechou atrás de mim.

No caminho pro sétimo andar, encostei a testa na parede fria e deixei escapar um suspiro que eu segurava desde as 4:47.

Tô sempre aqui.

Eu sei, Seu Antônio.

Eu sei.

Siga a Casa dos Contos no Instagram!

Este conto recebeu 0 estrelas.
Incentive Pamela D a escrever mais dando estrelas.
Cadastre-se gratuitamente ou faça login para prestigiar e incentivar o autor dando estrelas.

Comentários