Às vezes eu me pego olhando no espelho e tentando encontrar aquela Marina de anos atrás. Hoje, aos 34, por fora eu ainda sendo bonitas. Tenho os mesmos olhos azuis acinzentados que olhavam para o espelho e me encarando de volta, o mesmo cabelo escuro que eu sempre fiz questão de manter impecável. Eu sempre fui vaidosa, sabe? Gosto de me sentir bonita, de passar meus cremes, de escolher uma roupa que me caia bem. Mas, hoje, nesse exato dia, eu to me sentindo mal, destruída.
Sempre fui feliz com Diego, ele não imagina as coisas que já fiz por ele. Tudo entre nós era paz, calmaria. Ou, pelo menos, era assim que as coisas funcionavam antes de o mundo desabar sobre a gente.
Hoje o silêncio da casa me incomoda. Eu penso no Diego, agora com seus 30 anos, e sinto um aperto no peito que nem sei explicar. Dói lembrar de como começamos, da pureza que a gente tinha e de como hoje estamos, nem a sombra do que éramos. Me dá uma saudade danada daquela época em que tudo era mais simples, mesmo quando eu achava que a minha vida era um caos.
Tudo começou por causa de um Fusca velho e uma cabeça cheia de problemas, naquele trânsito a tarde.
Naquele dia, estava voltando pra casa, de algumas compras que fiz no mercado. Confesso que estava distraída, minha cabeça estava em outro lugar. Talvez, na forma como eu não me dava muito bem com meu pai, ou com os problemas que estava enfrentando. O caminho que eu escolhi, que o desagradou totalmente.
De repente, senti um tranco seco. O carro deu um solavanco e senti meu para-choque batendo numa moto que estava na minha frente. Estava tão distraída que acabei não vendo o que eu tinha feito, que iria dar uma guinada na minha vida.
Parei o carro no susto e, quando olhei pelo retrovisor, vi a cena que qualquer motorista teme: eu tinha atropelado um entregador. A moto estava caída, e o rapaz estava se levantando, por sorte, não tinha sofrido nada, além da sua moto ali, estendida sob o asfalto. Saí do Fusca tropeçando nas minhas próprias pernas, com as mãos tremendo.
— Meu Deus, moço! Você está bem? Pelo amor de Deus, me diz que você não se machucou! — eu gritei, já chegando perto dele, desesperada. Eu tinha certeza de que tinha acabado com a vida do sujeito.
Ele começou a levantar, meio grogue, limpando a poeira da calça. Estava bravo, dava para ver pela forma como ele falava.
— Você não olha por onde... — ele começou a dizer, com a voz ríspida, mas a frase morreu no meio do caminho.
Sabe aquela cena de filme onde o tempo parece que dá uma freada? Foi bem assim. Ele tirou o capacete ou ajeitou a visão, não lembro bem, mas quando os olhos dele bateram nos meus, ele travou. Ele ficou me encarando, estático, como se tivesse visto um fantasma ou um anjo, sei lá. Os olhos dele eram intensos. Ele começou a gaguejar, perdendo toda a postura de brabo que tinha segundos antes.
— Me... M-me desculpa... eu acho q-que foi culpa minha — ele disse, tropeçando nas palavras.
Eu não acreditei no que ouvi. Eu tinha batido nele!
— Não, moço! — eu disse, já estendendo a mão para ajudar ele a se firmar. — A culpa foi totalmente minha. Eu é que peço desculpas. Eu fui uma idiota, estava distraída e não vi você na minha frente.
— Você não é culpada, eu que... Bom, importante é que não ocorreu nada demais. — ele respondeu, tentando parecer bem, mas a moto dele contava outra história.
— Como não ocorreu? Sua moto ta toda ferrada, não posso deixar assim!
A gente foi olhar o estrago. A carenagem estava amassada, a lataria do lado esquerdo onde ele tinha caído, tinha sofrido arranhões e amassados e o radiador tinha furado, começando a vazar aquele líquido no chão. Eu me senti a pior pessoa do mundo. Ele era um entregador, aquela moto era o sustento dele.
— Eu assumo total responsabilidade, moço. Não se preocupe, a gente faz o orçamento, e vamos ver como fica. — eu falei, firme, tentando compensar o erro. — Você não quer me passar seu telefone? Eu não sei como, mas eu vou dar um jeito de pagar o conserto, ou uma moto nova. Por favor, me desculpa.
— Não se preocupa, sério. Eu tenho seguro, vou ligar para pedir um guincho e eles resolvem — ele insistiu, mas dava para ver que ele só queria ser gentil comigo.
— Não aceito. A responsabilidade é minha, eu bati em você. Por favor, me passa seu número. Eu faço questão.
Ele relutou um pouco, mas acabou cedendo. Pegou o celular, digitou o número e me entregou. Eu salvei na hora, sentindo um alívio bobo por ele não ter gritado comigo.
— Qual é o seu nome? — perguntei, olhando bem para aquele rosto jovem e cheio de vida.
— Diego. E o seu?
— Marina.
Naquela semana, a gente trocou várias mensagens. Eu não descansei enquanto não dei um jeito de pagar uma moto novinha para ele. Eu tinha minhas economias, e gastar aquilo no Diego parecia a coisa mais certa que eu já tinha feito em anos. Eu mal sabia que aquele acidente, aquele tranco no meio da rua, ia ser o começo de tudo.
Naquela época, eu morava de aluguel em uma casinha pequena no subúrbio. Era um lugar simples, mas era o meu lugar. O meu velho Fusca ficava ali na frente, pronto para qualquer parada. Gostava de ser independente, longe das garras da minha família, e sinceramente, era uma vida boa.
A segunda vez que a gente se viu foi o destino brincando com a gente. Eu estava em casa, de bobeira, quando ouvi alguém chamando no portão. Era uma encomenda. Quando eu abri o portão, dei de cara com ele. Diego estava ali, com o uniforme de entrega, e assim que me viu, abriu um sorriso que ia de orelha a orelha.
— Eu não imaginava que iria ver você de novo — ele disse, com aquele brilho nos olhos. — Depois do lance da moto, a gente não se falou mais.
— Pois é... coincidência, né? — eu respondi, sentindo meu rosto esquentar. Peguei o pacote das mãos dele, sentindo um frio na barriga que eu não sentia há muito tempo.
— Bom... assina aqui, por favor.
Ele me entregou o tablet, eu assinei com as mãos ainda meio trêmulas e a gente se despediu com aquele "tchau" que quer dizer "queria ficar mais um pouco". Entrei em casa e abri o pacote. Era um presente do meu pai. Junto, veio uma carta. Ele pedia para eu voltar, dizia que estava com saudades, que eu não precisava viver daquele jeito.
Respirei fundo. Peguei o celular e mandei uma mensagem curta para ele. Eu não queria voltar. Eu só queria viver no meu mundo, na minha casinha, com as minhas coisas.
Naquela noite, como eu fazia quase sempre, sentei na frente do computador. Eu amava escrever. Digitava tudo o que vinha na mente, criava histórias, desabafava no teclado. Era ali que eu me sentia livre de verdade.
Com o tempo, o Diego criou coragem e me chamou no Whatsapp de novo. Dessa vez, pra conversar. E da conversa, saiu um pedido para sair. Nosso primeiro encontro foi em um barzinho de esquina, desses bem simples. A gente ficou ali, jogando conversa fora, trocando olhares que diziam mais do que qualquer frase bonita. Em um momento, ele encostou a mão na minha, passando os dedos de leve sobre a minha pele enquanto me encarava.
Senti um choque percorrer meu corpo. Ele foi se aproximando, devagar, querendo me beijar. Mas eu recuei um pouco, com um sorriso bobo.
— Não agora, Diego — eu disse, baixinho. Era o nosso primeiro encontro, e eu queria saborear aquela expectativa. Queria deixar o beijo para quando a gente não aguentasse mais de vontade.
E oportunidades não faltaram. A gente saiu de novo para jogar boliche, só nós dois, e naquele dia, eu descobri que sou péssima nisso, o que rendeu boas risadas dele. Depois, fomos ao cinema.
O que eu achava engraçado era a reação dele quando a gente ia nesses lugares simples. Para mim, cada saída era uma descoberta. De fato, nunca fui a um cinema ou a um boliche na vida, e tudo pra mim foi impactante. Com ele, tudo parecia novo. Era gostoso demais sentir aquela liberdade de ser só uma garota comum com um cara legal.
No cinema, a gente foi ver um filme de romance. Era aquela história clássica da dama rica que se casava com o plebeu, enfrentando tudo e todos.
— Esse filme é tão romântico... — eu comentei, sentindo o clima do filme me pegar.
Diego, então, segurou a minha mão com força, entrelaçando nossos dedos.
— Tomara que você me dê uma chance igual a moça desse filme deu — ele soltou, com uma voz sincera que quase me fez chorar.
— Diego, seu bobo! — eu ri, tentando disfarçar a emoção. — Nós nem somos esse filme. Eu nem herdeira sou, para com isso!
— Mas você tem a maior das riquezas, Marina.
— Tenho? — perguntei, curiosa, olhando para ele no escuro da sala de cinema.
— Tem. Você é tão linda e tão pura... Não existe riqueza maior do que essa no mundo.
Meu coração passou a bater mais do que o meu fusca, quando bateu na moto dele.
— Seu bobo! — eu disse de novo, mas dessa vez dei um beijo na bochecha dele, sentindo o calor da pele dele. — O que vpcê faria se fosse rico?
Ele pensou um pouco antes de responder, olhando para a tela, mas falando para mim.
— Bom, de certa forma eu sou rico. Tenho você na minha vida...
— Fofo... Respondi. — Ele continuou:
— A riqueza material em excesso somente muda as pessoas. Eu prefiro continuar do jeito que eu sou. Tá certo que eu queria poder ter uma vida melhor, eu tenho ambição, sim, quero ganhar mais, dar conforto para quem eu amo... mas eu realmente não queria ser rico por ser rico. Eu só queria ficar com você.
Foi ali. Naquele momento, no meio de um filme qualquer, que a gente se beijou pela primeira vez. Nossos lábios se encostaram devagar, se reconhecendo. Eu sentia a boca dele roçando na minha e o toque da mão dele nos meus cabelos negros, acariciando os fios de cima a baixo, com uma delicadeza que me fez sentir a mulher mais protegida do mundo.
A partir dali, a gente engatou um namoro sério. Passamos a nos ver mais vezes, era tudo muito natural, gostoso. Eu nunca tinha me sentido assim. A gente não se desgrudava mais. Eu ia para a casa dele, ele ia para a minha, e o mundo lá fora parecia não existir.
Tudo estava indo maravilhosamente bem. Diego era o homem que eu sempre sonhei, sem nem saber que sonhava. E então, veio aquele jantar.
Ele me chamou para ir à casa dele. Naquele mês, as coisas estavam apertadas para ele, o dinheiro estava curto e ele não podia me levar a um restaurante "decente", como ele dizia. Mas eu não ligava. Para mim, estar com ele era o que importava.
Ele preparou um macarrão com almôndegas. O cheiro estava maravilhoso, e a gente estava ali, na cozinha pequena dele, ele estava falando do dia dele, mas eu senti, não sei porque, que ele estava era ganhando tempo pra algo. De repente, ele ficou sério. Colocou os talheres de lado, respirou fundo e tirou uma caixinha do bolso.
Quando ele abriu, eu perdi o fôlego. Era uma aliança de diamante. Era linda, brilhava sob a luz fraca da cozinha. Eu sabia o quanto ele ganhava, e percebi na hora que ele tinha gasto tudo o que tinha — e provavelmente o que não tinha — para comprar aquilo. Ele queria ser digno de me dar o melhor, mesmo que o "melhor" custasse o sacrifício dele.
Ele me olhou com aqueles olhos que me ganharam desde o dia do acidente e disse:
— Marina, quer se casar comigo?
Eu olhei para o macarrão, para a casinha simples, para o homem maravilhoso na minha frente e para aquele anel que representava todo o esforço dele por mim. Meu passado, minha família, as pressões... nada disso importava.
— Quero — eu respondi, com as lágrimas já escorrendo. — É claro que eu quero.
Eu era a mulher mais feliz do mundo. Ou, pelo menos, eu tinha certeza de que seria para sempre. Mal sabia eu que a vida tem um jeito muito estranho de cobrar o preço pelas nossas escolhas. Mas, naquele momento, sentada naquela mesa simples, eu só conseguia ver o futuro brilhando tanto quanto aquele diamante.
Depois do sim, eu era definitivamente a mulher dele, e ele era meu homem. Diego me puxou devagar e me deu um beijo que começou doce, mas logo virou outra coisa. Era apaixonado, cheio de amor acumulado, mas não só isso. Era um desejo, algo intenso que eu sentia também, compartilhava e desejava. Nossas línguas se enrolaram, nossas respirações ficaram curtas e eu senti meu corpo inteiro esquentando contra o dele.
A gente se abraçou forte ali na sala, quase sem conseguir se soltar. Quando finalmente nos separamos, ele me olhou com aqueles olhos cheios de desejo e carinho e sussurrou:
— Marina...?
— Oi, amor. — Respondi.
— Eu quero... Você. Daquele jeito, sabe? Mas não sei o que fazer, eu nunca fiz isso.
— Eu também não. — Respondi, e fiquei feliz que seria a primeira dele, e ele seria meu primeiro homem.
— Então... Vamos nos fazer um do outro. — Ele respondeu.
Eu só consegui fazer que sim com a cabeça.
Chegando no quarto dele, a gente se beijou de novo, agora com mais urgência. Minhas mãos tremiam um pouco quando comecei a tirar a camisa dele. Diego fez o mesmo comigo, tirando minha blusa devagar, como se quisesse aproveitar cada segundo. Quando meu sutiã caiu, ele parou um instante só olhando meus seios, ele parecia bem nervoso.
— Você pode fazer o que quiser. — Eu disse.
Ele então hesita no começo, mas logo foi tomado pelo desejo. Depois se abaixou e colocou a boca em um deles.
Ele chupou devagar no começo, com carinho, com a sua língua quente rodeando meu mamilo. Depois sugou mais fundo, puxando levemente com a boca. Eu gemi sem conseguir segurar, e minhas mãos foram direto pro cabelo dele, segurando e puxando de leve enquanto ele alternava de um seio pro outro. Cada chupada mandava uma onda de prazer direto pro meio das minhas pernas.
— Ah, Diego... Não para...
Ele me deitou na cama com cuidado. Seus beijos desceram pela minha barriga, deixando um rastro molhado e quente. Quando chegou na minha calça, tirou junto com a calcinha bem devagar, olhando pra mim o tempo todo. Eu estava encharcada de nervoso e excitação.
— Eu irei agora, Marina...
— Vem...
Diego abriu minhas pernas com delicadeza e baixou a cabeça. Quando senti a língua dele na minha buceta pela primeira vez, eu soltei um gemido mais alto. Ele começou chupando devagar, explorando, mas logo encontrou meu grelinho e focou ali. A boca dele era quente, molhada, e ele chupava com vontade, mas ao mesmo tempo com tanto carinho que eu não sabia se gemia ou chorava de prazer. Ele lambeu toda a extensão da minha xoxota, enfiando a língua um pouco pra dentro, depois voltava pro grelinho e sugava suavemente. Eu estava segurando o lençol com força, o quadril se mexendo sozinho contra a cara dele.
— Diego… ai, caralho… assim… — escapei, sem conseguir me controlar.
Ele continuou até minhas pernas começarem a tremer. Só então subiu, tirou a calça e a cueca. O pau dele estava duro, latejando, bem maior do que eu imaginava. Ele pegou uma camisinha era fofa a cena, ele não sabia colocar direito no começo, mas logo ele tinha conseguido, e enfim, colocou com as mãos um pouco trêmulas e se posicionou entre minhas pernas.
— Se doer, me fala, tá? — pediu, a voz rouca.
— Sim...
Ele encostou a cabeça do pau na entrada da minha buceta e começou a empurrar bem devagar. Era uma pressão estranha no começo, um ardor misturado com um prazer gostoso que eu nunca tinha sentido. Ele entrava milímetro por milímetro, parando sempre que eu apertava o braço dele. Quando finalmente estava todo dentro, a gente ficou parado uns segundos, só sentindo. Era uma sensação incrível de estar cheia, de estar conectada com ele daquele jeito tão íntimo.
Diego começou a se mexer devagar, metendo com cuidado, mas profundo. Cada estocada mandava ondas de prazer pelo meu corpo. O ardor inicial foi passando e só ficou o prazer puro. Ele gemia baixinho no meu ouvido, o corpo quente colado no meu.
— Você é tão apertadinha… tão gostosa… — murmurou.
Depois de um tempo, eu pedi pra ficar por cima. Ele se deitou e eu subi devagar, segurando o pau dele e encaixando de novo na minha buceta. Desci sentindo cada centímetro me abrindo. Era mais fundo nessa posição. Eu comecei a rebolar devagar, depois subi e desci, me acostumando com o tamanho, com a sensação de ter ele todo dentro de mim. Diego segurava minha cintura, os olhos semicerrados de prazer, gemendo meu nome.
Eu aumentei o ritmo aos poucos, quicando mais firme enquanto ele subia o quadril pra encontrar minhas descidas. O som molhado dos nossos corpos se chocando enchia o quarto junto com nossos gemidos. Meu grelinho esfregava contra ele a cada movimento e o prazer foi crescendo rápido demais.
— Marina… eu tô quase… — avisou, a voz apertada.
Eu continuei, querendo sentir ele gozando. Diego segurou minha bunda com força, deu algumas estocadas pra cima mais fortes e gemeu alto quando gozou, o corpo todo tremendo debaixo de mim. Eu senti o pau dele pulsando forte dentro de mim, mesmo com a camisinha.
Caí em cima do peito dele, estávamos completos, os dois suados, respirando pesado, ainda conectados. Ele me abraçou forte, beijando minha testa, meu rosto, minha boca.
Ficamos ali um bom tempo, só sentindo o calor um do outro, com o coração batendo acelerado. Era nossa primeira vez. Dois virgens aprendendo juntos, se descobrindo, se entregando completamente.
Depois daquela noite, as coisas entre a gente fluíram de um jeito tão bonito que parecia até sonho.
O casamento foi bem simples, exatamente como a gente queria. Apenas alguns amigos próximos, um bolo pequeno, música tocando baixinho e muita risada. Ninguém da minha família apareceu. Eu já não tinha mais relação com meu pai faziam alguns anos, então nem esperava que ele viesse. Mas, no meio da festa, meu celular tocou. Era ele.
Eu atendi um pouco nervosa, me afastando um pouco do barulho. A voz dele estava estranhamente calma:
— Marina… sou eu. Só queria te desejar toda a sorte do mundo hoje. Que você seja muito feliz.
Fiquei em silêncio por uns segundos. Não esperava aquilo. Engoli o nó na garganta e respondi baixinho:
— Obrigada, pai. Eu… espero que você esteja bem também.
— Eu gosto do seu noivo. Ele é... Como eu fui, a muito tempo atrás.
— Eu só espero que ele não seja como o senhor hoje, pai.
Foi só isso. Curto, sem drama, sem pedidos de desculpas. Mas foi o suficiente pra não estragar meu dia. Desliguei o telefone, guardei no bolso e voltei correndo pro Diego, que me esperava com um sorriso enorme. Ele me puxou pela cintura e me deu um beijo bem na frente de todo mundo.
— Quem era, amor? — Ele perguntou.
— Meu pai. — Respondi, com um sorriso amarelo.
Diego não sabia exatamente o que aconteceu entre eu e o meu pai, mas naquele dia ele me contou que tinha problemas com a mãe, mas ela acabou falecendo antes dele perdoá-la. Ela havia traído seu pai, por causa disso ele virou alcoólatra e acabou tirando sua própria vida. Diego por anos guardou muita mágoa dela mas quando soube que ela estava morrendo, o amor de filho falou mais alto mas já era tarde. Ele me disse que eu deveria fazer o mesmo, perdoar meu pai. Futuramente, foi isso que me fez se aproximar dele inclusive.
Depois do casamento, começamos a morar juntos de verdade. Arrumamos nosso cantinho, colocamos nossas coisas misturadas, compramos novas, e assim seguiu nossa vida, que tinha muito amor, carinho e claro, sexo. Diego era um gostoso, sabia muito bem onde eu gostava de ser tocada, chupada, e ele fazia muito bem. Sempre começava devagar, e depois se tornava um gostoso, do jeito que eu gostava.
Às vezes a gente transava devagar, cheio de carinho, fazendo amor por horas. Outras vezes era mais bruto, ele me pegando por trás enquanto puxava meu cabelo, metendo forte até eu gemer alto e gozar apertando ele inteiro dentro de mim. Era gostoso de todas as formas. A gente era jovem, apaixonado e com fome um do outro.
Ele cozinhava comigo no fim de semana, me ajudava nas coisas de casa, no dia de semana, ele seguia com as entregas, tudo parecia perfeito. Ele com o tempo me disse que pretendia se especializar, estava fazendo um curso, ele era recém formado em administração, queria se especializar e conseguir um emprego melhor.
Eu dei muito apoio nesse momento, ajudando sempre no que eu podia.
Eu me sentia completa. Diego era meu melhor amigo, meu amante, meu marido. A casa era cheia de risada, de sexo bom e de planos pro futuro. A gente falava em ter um filho um dia, em viajar, em construir uma vida linda juntos.
Parecia que nada podia dar errado.
Mas a vida tem um jeito cruel de mudar tudo quando a gente menos espera.
Aquela foi a melhor fase do nosso casamento… antes de tudo virar um inferno.