O dia amanheceu com uma névoa de tensão pairando sobre o apartamento. O café da manhã foi um exercício de tortura silenciosa. Tomás sentou-se à mesa com olheiras fundas e um olhar esquivo, o reflexo de quem quase não pregara os olhos na noite anterior. O som dos gemidos agudos de Marina, ecoando pelas paredes finas, ainda devia estar gravado em seu cérebro.
Gustavo bebia seu café com uma tranquilidade cínica, enquanto Marina deslizava pela cozinha.
Ela vestia um roupão curto de seda preta, propositalmente mal amarrado na cintura, com a abertura frontal cedendo de forma agressiva. O tecido fino marcava nitidamente os bicos dos seios entumecidos. Ela parou e se inclinou para frente sobre a bancada de mármore, apoiando o peso nos braços. A ação fez com que a seda escorregasse pelos ombros, revelando de forma escancarada o decote profundo, os seios fartos e o contorno de sua bunda farta sob a bainha curtíssima do roupão.
— Dormiu bem, Tomás? — perguntou Marina, com um sorriso inocente que escondia um veneno letal. — A parede é fina, sabe... a gente não quer te incomodar.
Tomás engoliu em seco, o rosto corando violentamente. Os olhos dele, vermelhos de sono e de culpa, tentavam se fixar na xícara, mas a visão dos seios dela querendo escapar no decote tiravam sua concentração.
As provocações continuaram. Marina ria de forma predatória, tocando no ombro de Gustavo enquanto conversava, mas mantendo o olhar fixo em Tomás, que suava frio. Após o café, Gustavo se trancou no escritório para trabalhar. Marina, ainda com a roupa de roupão, avisou que ia para a academia.
No meio da tarde, Tomás estava sozinho na sala, tentando ler algo no notebook, mas sua concentração era nula. Foi quando a porta da frente se abriu com uma respiração pesada, ofegante.
Era Marina. Ela havia voltado de uma sessão com Thiago, seu personal, que fora muito mais do que apenas musculação. A legging preta estava colada ao corpo suado, o top esportivo marcando os seios firmes. O cabelo, preso num coque bagunçado, estava completamente descabelado, com mechas molhadas escapando e colando no pescoço ruborizado.
Ela não tentava esconder nada. Pelo contrário. O perfume doce dela estava misturado a um cheiro cru, acre, inconfundível. Cheiro de suor e... cheiro de sexo. Ela se deliciava com o cheiro do pecado.
Gustavo sabia que, pelo menos uma vez por semana, a academia de Marina era em um motel com Thiago. Normalmente ela voltava direto para seus braços. Dessa vez foi diferente.
Marina caminhou direto para Tomás, que estava parado ao lado do sofá, paralisado. Antes que ele pudesse reagir, ela se enfiou nos braços dele. Foi um abraço apertado, prensando o corpo molhado e quente contra o dele. O cheiro de sexo invadiu as narinas de Tomás.
"Ahh, Tomás... O Thiago não me deu descanso hoje," ela sussurrou, a voz ofegante e rouca, os lábios roçando a orelha dele. "O treino foi duro. Pesado mesmo. Ele não teve piedade."
Ela se afastou lentamente, com um sorriso cínico, deixando Tomás petrificado. Ele sentiu o corpo dela tremer, a umidade do suor dela passando para a sua roupa. A ereção dele era dolorosa, rasgando o short de moletom, enquanto ele lutava contra a vontade de agarrá-la ali mesmo.
— Vou pro banho — decretou ela, ajeitando o cabelo bagunçado. — A água da nossa suíte tá com aquela frescura na pressão, vou usar o banheiro social, tá? Se importa?
— Claro... sem problema. Fica à vontade — Tomás gaguejou, a voz falhando.
O banheiro social ficava exatamente no corredor, bem em frente à porta do quarto de hóspedes. Marina entrou, mas, num ato milimetricamente calculado, não trancou a porta. Deixou-a apenas encostada, com uma fresta de dois dedos de largura.
Ligou a água quente. Despiu-se lentamente, deixando as peças de roupa da academia caírem no chão, inclusive a calcinha encharcada que ela usara durante o sexo com o personal.
O som da água batendo no azulejo preencheu o silêncio do corredor.
Tomás, destruído pelo abraço e pelo cheiro, não resistiu. Ele caminhou até o corredor. A fresta da porta era um convite para o inferno. Ele parou, sustendo a respiração, e espiou.
A visão foi deliciosa. Pela fresta, o vidro do box era transparente. Marina estava de costas, a água escorrendo pelos cabelos úmidos, até sua bunda farta e firme.
Tomás a observou passar as mãos ensaboadas pelo próprio corpo, apertando os seios com uma lentidão que parecia ensaiada. O sangue de Tomás ferveu. Aterrorizado pelo próprio tesão e com medo de ser pego, ele recuou rapidamente para o quarto de hóspedes e trancou a porta.
Minutos depois, Marina saiu do banheiro enrolada em uma toalha, com o sorriso de triunfo. Ela sabia que tinha sido observada. Antes de sair, deixou sua calcinha de academia — uma peça minúscula de renda preta, ainda úmida e cheirando cru — caída estrategicamente em cima do cesto de roupa suja.
Horas mais tarde, no início da noite, a casa continuava silenciosa. Marina voltou ao banheiro social com a desculpa de arrumar a bancada. Quando pegou sua calcinha de renda, o sorriso se transformou em uma expressão de prazer puro.
O fundo de algodão da peça estava endurecido, manchado, e exalava o cheiro de gozo.
O amigo certinho não aguentara.
Tinha ido ao banheiro depois do banho dela, pegado a peça de roupa íntima e se masturbado como um adolescente sedento, gozando todos os seus anos de repressão moral diretamente na calcinha da mulher do melhor amigo.
Naquela mesma noite, a escuridão do quarto principal escondia o segredo mais sujo do casal. Gustavo estava deitado de barriga para cima, e Marina estava deitada sobre o peito dele, desenhando círculos invisíveis na pele do marido com a unha.
— Maridinho... — sussurrou ela, os lábios roçando a orelha de Gustavo. — Ele não resistiu.
Gustavo virou o rosto, o coração começando a bater mais forte.
— O que foi que ele fez? — sussurrou de volta.
— Quando cheguei de uma foda com Thiago, abracei o Tomás na sala. O coitado ficou duro como pedra. — Marina fez uma pausa dramática, sentindo o peito de Gustavo arfar debaixo dela. — Depois, quando fui tomar banho, deixei a porta encostada. Vi a sombra dele no corredor.
Ele ficou me espiando nua.
Deixei a minha calcinha suja no cesto. Quando voltei lá... estava dura. O seu amigo certinho esporrou na minha calcinha de academia, Gustavo.
A revelação foi como gasolina jogada em uma fogueira. A ideia de Tomás, isolado no quarto, cheirando a intimidade da sua mulher e gozando sozinho, destruído pela culpa, fez com que Gustavo ficasse imediatamente duro. Ele agarrou a cintura de Marina com uma força quase bruta e inverteu as posições, prendendo-a contra o colchão.
Não precisaram dizer mais nada. Gustavo a penetrou com fúria e propriedade, focado apenas na excitação de saber que a sanidade de seu amigo já não existia.
O poder psicológico de Marina sobre Tomaz estava consumado, e aquele era apenas o começo.