O silêncio do corredor foi cortado apenas pelo clique da porta do quarto se fechando após o Paulo entrar. Eu voltei para o quarto, mas o sono era um artigo de luxo que eu não possuía naquela noite. Deitei-me ao lado da Lia, que dormia um sono profundo e pesado, o corpo ainda exalando o cheiro do nosso sexo e do suor da tarde.
Eu olhava para o teto, conectando os pontos. O Paulo não era apenas um amante; ele era um acessório. Lia o usava para suprir sua sede de adrenalina e novidade, enquanto Clara o usava como um "certificado de pureza" para exibir à família e à sociedade, enquanto o tal Sérgio financiava a vida de luxo que ela tanto amava.
Amanheceu com o cheiro de café fresco. Lia já estava de pé, radiante, como se a traição do dia anterior fosse um tônico de juventude.
— "Bom dia, dorminhoco! Esqueceu que eles vão hoje embora?
Paulo e a Clara já estão lá fora, o Paulo disse que precisa ir embora cedo hoje, tem 'compromissos' na cidade," ela disse, terminando de abotoar o vestido leve.
Eu pensei, com essa loucura que está aqui em casa, nem me lembrei que hoje eles iam para casa
Fui para a varanda. O Paulo estava com uma aparência péssima, olheiras profundas e as mãos inquietas. A Clara, por outro lado, estava impecável. Ela segurava uma xícara de café com uma elegância que não pertencia àquele cenário rural.
— "Uma pena vocês terem que ir, cunhadinha," eu disse, sentando-me à mesa e servindo-me de um pedaço de queijo. — "Estava gostando tanto da nossa convivência aqui em casa. Ontem no rio foi... revelador."
Clara parou a xícara a meio caminho da boca. O olhar dela cruzou com o meu, uma faísca de inteligência e perigo.
— "O que quer dizer com isso, Robson?"
— "Digo que a gente descobre coisas interessantes quando presta atenção. O gado, o rio, os 'investimentos' que as pessoas fazem..."
O Paulo se levantou abruptamente.
— "Temos que ir, Clara. O trânsito para a capital vai estar horrível."
Enquanto eles guardavam as malas no carro, a Lia foi para a cozinha buscar um pote de doce de leite para eles levarem. Fiquei sozinho com a Clara perto do porta-malas.
— "Sabe, Clara," eu sussurrei, aproximando-me o suficiente para que apenas ela ouvisse. — "O Sérgio mandou dizer que a foto de costas ficou realmente muito boa. O depósito valeu a pena."
O rosto dela não empalideceu; ele endureceu. Ela virou-se para mim, os olhos agora frios como navalhas. O disfarce de santinha caiu por um segundo, revelando a mulher calculista que ela realmente era.
— "Quanto você quer, Robson?" ela perguntou, a voz baixa e cortante.
Eu ri, um som seco e sem humor.
— "Eu não quero seu dinheiro, Clara. Eu quero ver até onde essa comédia vai."
— "Cuidado," ela avisou, fechando o porta-malas com força. — "Quem brinca com o segredo dos outros acaba esquecendo que também tem o rabo preso.
Ela sabia. Ou pelo menos desconfiava eu pensei.
Então eles se despediram, e Paulo saiu cantando pneu, levantando poeira na estrada de terra. Lia acenava da varanda, um lenço na mão, a imagem da esposa perfeita. Ela se virou para mim e me abraçou pela cintura.
— "Finalmente sós, amor. O que vamos fazer hoje?"
Eu olhei para a Lia e forcei o meu melhor sorriso de "marido exemplar", aquele que ela sempre usou para me fazer de bobo.
— "Vamos cuidar das nossas coisinhas, Lia. Da nossa fazenda, da nossa vida... afinal, ninguém cuida do que é nosso melhor do que nós mesmos," eu disse, dando um tapinha carinhoso no rosto dela.
Ela sorriu, aliviada, achando que o perigo tinha passado. Enquanto ela entrava para o banho, cantarolando uma música qualquer, vi o celular dela dando bobeira em cima da mesa de cabeceira. Com a agilidade de quem já não tem mais nada a perder, peguei o aparelho. Não precisei de muito esforço para desbloquear.
Lá estava a notificação do Paulo, enviada há poucos minutos:
> Paulo:"Ainda sinto o seu cheiro no meu corpo, Lia. Foi bom demais te comer naquele quartinho. A adrenalina de saber que ele estava por perto só deixou tudo mais gostoso. Quero mais."*
Meu sangue ferveu, mas eu não quebrei o celular. Pelo contrário, eu precisava que ele continuasse inteiro para o meu próximo movimento. Entrei nos contatos e busquei por "Clara". Se ela achava que o jogo de chantagem dela ia funcionar comigo, ela não perdia por esperar.
Peguei o contato dela e envie para meu WhatsApp.
Depois apaguei histórico do celular da Lia imediatamente. Recoloquei o aparelho no mesmo lugar, exatamente na mesma posição.
Saí para a varanda e acendi um cigarro, observando o horizonte da fazenda. Eu sabia que, naquele momento, a Clara estaria pensando se eu iria conta para a Lia.
A fumaça do cigarro subia lenta, misturando-se com o ar úmido da manhã. Lia saiu do banho, enrolada na toalha, secando o cabelo.
— "Vou preparar um almoço especial para nós, amor," ela disse, depositando um beijo rápido no meu rosto antes de voltar para a cozinha.
Aproveitei o barulho das panelas e peguei o meu celular. O número da Clara brilhava na tela, uma granada pronta para ser detonada. Eu não queria dinheiro, e a diversão de apenas observar já não era suficiente. O que o Paulo escreveu para a Lia tinha mudado o tom do jogo. Se ele a "comeu" naquele quartinho com o prazer da traição, eu ia retribuir o gosto, mas da minha maneira.
Abri o WhatsApp e digitei a mensagem para a Clara. Sem rodeios, sem jogos de palavras.
"O trânsito deve estar péssimo, né, cunhadinha? Aproveita esse tempo no carro para refletir."
Eu: Eu disse que não queria seu dinheiro, e é verdade. Papel moeda não paga o que eu estou sentindo agora.
Eu: A verdade é que eu não consigo tirar da cabeça aquela cena no rio. O disfarce de santinha te deixa sexy, mas a mulher que eu vi ali, calculista e perigosa, é a que eu realmente quero.
Eu: Vou ser direto: eu quero você, Clara. Quero te comer de um jeito que nem o Paulo, nem o Sérgio com o dinheiro dele, jamais chegaram perto de fazer.
Bloqueei a tela e guardei o celular no bolso. Senti um prazer frio percorrer minha espinha. Eu sabia que, naquele momento, o celular dela vibraria no console do carro, bem ao lado do Paulo. Ela não poderia reagir, não poderia gritar. Teria que engolir o seco enquanto lia meus desejos mais crus.
Lia me chamou da cozinha, a voz doce escondendo a podridão debaixo do tapete.
— "Robson? Vem me ajudar com o vinho!"
— "Já vou, querida," respondi, sentindo um sorriso genuíno surgir pela primeira vez no dia.
O jogo agora era outro. Se a Lia queria adrenalina, eu ia dar a ela um espetáculo que ela nunca esqueceria. E a Clara? Ela seria a novinha que eu iria arrombar.
O almoço seguiu sob uma névoa de hipocrisia. A Lia falava sobre planos para a cerca do pasto e como a fazenda ficaria linda na próxima estação, enquanto eu saboreava o vinho , sentindo o peso do celular no meu bolso como se fosse uma arma carregada.
Eu imaginava a cena no carro: o silêncio tenso entre ela e o Paulo, o brilho da tela iluminando o rosto dela a cada notificação. Eu sabia que ela tinha lido. Clara era rápida demais para ignorar uma ameaça direta, especialmente uma que feria sua dignidade de "mulher de classe".
O celular vibrou. Uma vez. Curta.
Aproveitei que a Lia foi buscar a travessa de arroz e desbloqueei a tela por baixo da mesa.
> **Clara:** "Você é um animal, Robson. Um bicho do mato que não sabe o seu lugar. Eu sou uma princesa, sou alguem que uma pessoa como você nunca vai ficar, Você não tem noção? Você só deve ta brincando."
Eu sorri. A raiva dela era o melhor combustível. Digitei rapidamente, sentindo a adrenalina subir:
Eu: "Eu sei exatamente o meu lugar, Clara. É em cima de você, ouvindo você implorar para eu não parar enquanto o o Paulo dirige sem desconfiar de nada. O bicho do mato aqui sabe rastrear a presa. E você já caiu na armadilha."
Bloqueei a tela no exato momento em que a Lia voltou.
— "Está rindo de quê, amor? Alguma piada no celular?" ela perguntou, colocando a comida no meu prato com aquela delicadeza fingida que agora me causava náuseas.
— "Lembrei de uma coisa que o Paulo disse antes de sair. Ele é um cara engraçado, não acha?" respondi, olhando fixamente nos olhos dela.
Lia desviou o olhar por um milésimo de segundo, o suficiente para confirmar que a culpa ainda tinha um resto de espaço ali, mesmo que enterrada sob camadas de cinismo.
— "É... ele é um bom rapaz. Um pouco imaturo, talvez," ela comentou, mudando de assunto logo em seguida.
A tarde passou devagar. Eu ajudei a Lia em algumas tarefas, agindo como o marido prestativo, mas minha mente estava na rodovia, acompanhando aquele carro em direção à capital. Às 17h, o golpe de misericórdia. O celular vibrou novamente. Dessa vez, não era apenas texto. Era um áudio de três segundos, gravado em um ambiente silencioso — provavelmente ela tinha ido ao banheiro em algum posto de gasolina.
Apertei o play com o volume no mínimo, encostando o celular no ouvido enquanto a Lia estava distraída fazendo algo. A voz da Clara veio carregada de um veneno que eu quase podia sentir na pele; não era apenas raiva, era o desespero de quem se sente acuada e tenta atacar com a única arma que tem: o desprezo.
> Áudio da Clara:"Escuta aqui, seu idiota... Você nunca vai me comer. Entendeu? Nunca! Você não passa de um caipira nojento, um bicho do mato que fede a estrume. Eu tenho nojo de você."
Logo abaixo do áudio.
a tela brilhou com uma foto. Meu coração deu um solavanco.
Era uma foto, tirada no banheiro de um posto, da sua buceta de labios salientes com pelos em formato de um triângulo, tinha um pequeno piercing no seu grelo.
E, para fechar, a mensagem de texto que era o xeque-mate do seu orgulho ferido:
> Clara: "Morra de vontade. Olha bem pra isso, porque é o mais perto que você vai chegar na sua vida medíocre. Você nunca vai me ter, seu caipira nojento. Volta pro seu curral e deixa quem é de elite em paz."
Eu senti o sangue pulsar na minha testa. O insulto de "caipira nojento" ardeu, mas a foto... a foto era era demais,aquela putinha arrogante, achava que servia apenas para me torturar. Mal sabia ela que, ao me mandar aquilo, ela tinha acabado de me dar a chave da cela dela. Ela achava que estava me diminuindo, mas estava apenas alimentando o fogo.
Guardei o celular e respirei o ar puro da fazenda, que agora parecia carregado de eletricidade.
— "Robson? Vamos jantar? Já está começando a anoitece," a Lia gritou.
— "vamos, Lia!" respondi, a voz firme. — "Só estava pensando em como a colheita desse ano vai ser... diferente."
Fui jantar com um plano se formando. A Clara achava que o piercing e a beleza dela eram escudos, mas agora eram evidências. Se ela queria jogar no nível do insulto e da exposição, eu ia mostrar que um "caipira" sabe muito bem como domar uma safadinha que se acha princesa.
A noite caiu sobre a fazenda, mas para mim, o dia estava apenas começando. Peguei meu celular e comecei a digitar a resposta para a foto, sentindo o peso do piercing dela já sob o meu domínio mental. Ela achava que eu ia morrer de vontade? Ela não conhecia a fome de quem não tem mais nada a perder.
O jantar com a Lia foi estranho . Eu mastigava a comida sem sentir o gosto, observando-a do outro lado da mesa. Ela falava sobre a reforma do curral, mas eu só conseguia visualizar a buceta da Clara com aquele piercing que ela ostentava secretamente. A "princesinha" de elite tinha me entregado o mapa da mina achando que estava apenas me mostrando o que eu nunca teria.
Pobre Clara. Ela ainda acreditava que o poder estava no corpo, quando, na verdade, o poder sempre esteve na informação.
— "Você está tão calado, Robson. Algum problema com o gado?" — Lia perguntou, apoiando o queixo na mão, os olhos simulando uma preocupação que eu sabia ser falsa.
— "Pelo contrário, meu amor. O gado está exatamente onde eu quero. Só estou planejando como vai ser o abate," — respondi, dando um gole longo no vinho tinto.
Lia sorriu, sem entender a metáfora, e levantou-se para levar os pratos. Assim que as costas dela sumiram na cozinha, eu saquei o celular. A foto da Clara ainda estava ali, desafiadora. Aquele triângulo de pelos e o brilho do piercing eram um insulto à minha origem, mas seriam a corda com que eu a enforcaria.
Abri o chat. Meus dedos voaram pela tela, movidos por uma calma fria.
Eu:"Engraçado você falar de 'nojo', Clara. Porque essa foto não diz isso. Ela diz que você é uma exibicionista desesperada por atenção que o Paulo não consegue te dar."
Eu: "O bicho do mato aqui acabou de notar um detalhe interessante... esse piercing. O Sérgio sabe dele? Ou será que ele acha que a 'santinha' dele não tem acessórios tão... interessantes?"
Eu não esperei a resposta dela. Sabia que ela estava no limite. Digitei o golpe final, aquele que transformaria o orgulho dela em pó.
> **Eu:** "Vou te dar 24 horas para baixar o tom e o nariz. Se eu não receber um vídeo seu usando esse piercing do jeito que eu mandar, a próxima pessoa a ver essa foto não serei eu. Vai ser o paulo. Vou falar para ele que tem um velho te bancando."
Guardei o celular no bolso e fui para o quarto. A Lia já estava deitada, folheando uma revista de moda, a imagem da futilidade. Eu me deitei ao seu lado, sentindo o cheiro de lavanda que ela usava para esconder o rastro do Paulo.
— "Apaga a luz, Robson? Estou exausta," — ela bocejou.
— "Pode deixar, Lia. Durma bem. Amanhã o dia vai ser longo."
O silêncio da noite foi interrompido, cerca de uma hora depois, pela vibração curta do celular sob o meu travesseiro. Eu esperei a respiração da Lia estabilizar, sinal de que ela tinha mergulhado no sono profundo dos cínicos, e deslizei o aparelho para fora.
Era uma mensagem de texto, mas não tinha mais insultos. A arrogância tinha sido substituída pelo pânico contido.
> Clara:sergio??, ele que me deu dinheiro para eu colocar, Você não teria coragem. Isso destruiria a vida de todo mundo. Inclusive a sua. Eu sei que paulo comeu a lia, eu posso ate ter fama de puta, mas você teria de corno."
O silêncio do quarto era denso, quebrado apenas pela respiração da Lia ao meu lado. Olhei para a tela do celular, a luz azulada iluminando meu rosto no escuro. A resposta da Clara tinha um tom diferente agora; o veneno ainda estava lá, mas a estrutura da confiança dela começava a apresentar rachaduras profundas.
Ela achava que o trunfo do "corno" era o que me pararia. Mal sabia ela que a vergonha é um luxo para quem ainda tem algo a zelar, e eu já tinha atravessado essa fronteira no momento em que vi o rastro do Paulo no pescoço da minha esposa.
Senti um riso mudo vibrar no meu peito. A "princesa" estava tentando negociar destroços.
Recostei a cabeça no travesseiro, sentindo a adrenalina fria percorrer minhas veias. Digitei com calma, saboreando cada palavra como se fosse um corte cirúrgico.
Eu: "Destruir a minha vida, Clara? Você ainda não entendeu. Minha vida já foi para o destruida no momento em que o cheiro do Paulo entrou nesta casa com o seu consentimento silencioso. Eu não tenho medo de ser o corno da história, porque o corno aqui é quem está com a faca e o queijo na mão."
Eu: "O Paulo pode ter comido a Lia, mas ele é um frouxo que depende da sua imagem de santinha para manter a pose de família. Se ele souber do Sérgio, o castelo de cartas de vocês desmorona. E se o Sérgio souber que você anda mandando fotos desse piercing nessa buceta linda para o 'caipira', o fluxo de caixa fecha, não acha?"
Deixei o celular de lado por alguns segundos, observando a escuridão do teto. Eu sabia que ela estava digitando e apagando.
O aparelho vibrou novamente. Três mensagens em sequência.
Clara: "Você é doente. Um psicopata."
Clara: "O que você quer, afinal? Já disse que não vou da minha buceta para você."
Clara: "O Paulo está olhando. Para de mandar mensagem agora."
Sorri. O "Para de mandar mensagem" era o sinal de que ela tinha perdido o controle da situação. Ela estava sob vigilância, .
Eu: "Eu já disse o que eu quero. Amanhã, quando você estiver sozinha, em um lugar onde ninguém te interrompa, eu quero uma chamada de vídeo."
Eu: "E não é para conversarmos sobre o gado. Eu quero ver esse piercing de perto, Clara. Quero que você se exiba para o 'caipira nojento' com a mesma audácia que teve ao mandar aquela foto. Se você não atender... bem, o Paulo vai receber um presente de bom dia."
Não houve resposta imediata. O "visto" ficou lá, estático, como uma sentença de morte para a dignidade dela. Eu sabia que ela estava fervendo por dentro, humilhada por ter que se submeter a alguém que ela desprezava tanto.
Bloqueei o celular e o coloquei debaixo do travesseiro. A Lia se mexeu ao meu lado, murmurando algo entre sonhos, e eu apenas fechei os olhos, sentindo uma satisfação sombria.
Amanhã, a fazenda acordaria com o mesmo sol de sempre, mas o jogo de poder teria um novo mestre. A "elite" ia ter que aprender a dançar conforme a música do bicho do mato. E a música, para a Clara, seria bem alta.
