*13:24 - Refeitório do hospital*
Lucas resolveu almoçar. A comida desceu pesada, porque a mente estava a milhão. Cada garfada era mecânica, sem gosto. Ele mastigava e pensava no pesadelo que ele estava vivendo.
De repente o telefone toca. Lucas olha o visor do celular, se espanta e atende a ligação.
"Alô?"
"Seu Agenor... o senhor me ligando? Aconteceu algo?"
"Não, Lucas, espero que não." A voz do sogro veio grave, com sotaque italiano carregado. "Será que não posso mais ligar pro meu genro?"
"Pode sim, mas o senhor andou desaparecido desde que voltou para Itália . A última vez que nós falamos foi no Natal."
"Sabe como é, Lucas. Aqui na Itália venho tendo muito trabalho com a empresa. E também falta pouco tempo pra minha esposa, a Francesca. Mas assim que possível iremos passar um tempo no Brasil. Mas o motivo da minha ligação é o seguinte: o que está acontecendo agora entre você e a minha filha? Esta semana eu falei com ela duas vezes. E sinto que ela parece assustada, triste, mesmo por telefone. Um pai conhece sua filha."
_Porra, como eu explico pra ele?_ Lucas fechou os olhos. Resolveu desconversar.
"Não sei, Agenor. Nada demais. Só briga de casal. É impressão sua."
"Assim espero, Lucas. Cuida da minha menina. Confio em você."
Aquilo atingiu ele como um soco no estômago.
"Pode deixar." Inventou uma desculpa qualquer e desligou.
Seu Agenor meu sogro casado seu segundo casamento ,no primeiro ,o casamento acabou por que a esposa traiu ele com seu melhor amigo.
Marina não se dar bem com a mãe até hoje pelo que aconteceu .
Por isso não consigo crê que o que ela mais odeia queé a traição,ela seria capaz de fazer o mesmo que mãe.
Mal bloqueou a tela, Marina ligou.
"Amor, se meu pai te ligar, evita falar do que rolou esses dias, ok? Não quero ninguém se metendo no nosso casamento."
Lucas respirou fundo.
"Ele já ligou. Relaxa, já resolvi."
"Obrigada, amor. Vou desligar, trabalho aqui. Beijos."
Ela desligou na hora, sem dar espaço pra mais nada.
Lucas ficou olhando pro celular. _Ela nem perguntou como eu tô. Só quis blindar o pai._ Guardou o aparelho no bolso com força.
"Eu confio... desconfiando. Estarei lá. E essa merda acaba hoje."
Terminou o almoço engolindo seco, se dirigiu até o carro e, perdido em pensamentos, acabou dormindo dentro do carro.
Acordou com o visor do celular aceso.
*Mensagem de Isabela:* Já estamos na minha casa, Gatão. Vem pra cá.
*16:20*
Lucas ligou o carro e foi em direção à casa de Isabela. O volante duro, o pé no acelerador parecia chumbo. Ao chegar na portaria do condomínio de Isabela, o coração acelerou, as mãos suadas.
Parou, se identificou.
"Boa tarde, Lucas."
"Boa tarde, seu Lucas. A Isabela falou do senhor. Pode entrar."
Estacionou o carro, desceu, entrou no prédio. Foi em direção ao elevador. Cada passo parecia uma eternidade. Pegou o elevador, saiu no 5º andar.
Se dirigiu e parou na frente do apartamento 571. Pensou: _71. Número bem sugestivo pra essas pessoas._ De fora ele escutava a faladeira.
Lucas tocou a campainha e a porta se abriu.
Era Isabela.
"Oi, Doutor Gatão. Que surpresa, kkkk."
Ao ouvir isso, Marina se virou e viu o marido. O rosto dela foi de espanto pra pânico em um segundo.
"Amor... você aqui?"
Nessa hora Ricardo abriu um sorriso e disse:
"Que surpresa, Doutorzinho."
O ar gelou. Henrique estava sentado no sofá, copo na mão, engolindo seco. Isabela encostou a porta e trancou com um _clique_ que ecoou na sala.
Lucas entrou dois passos, o maxilar travado.
"Pois é. Surpresa. A reunião tá completa agora."
Ricardo se recostou na poltrona, pernas abertas, dono do pedaço.
"Kkkk, veio conferir se a esposa tá trabalhando direitinho, Doutor? Fica tranquilo. A gente tá só... alinhando a apresentação."
Marina não conseguiu falar. Só olhava pra Lucas, com os olhos arregalados, tentando entender se ele sabia da ligação do pai ou não.
Isabela foi até a mesa, pegou a taça de vinho e deu um gole, rindo.
"Ai, Gatão. Eu falei que ia ser divertido. Todo mundo reunido. Sem mentira. Sem câmera apagada. Só a verdade."
Henrique levantou, nervoso.
"Gente, peraí. Lucas, calma. A gente só tá..."
"Senta, Henrique." A voz do Lucas saiu baixa, mas cortou a sala. "Você vai falar. E vai ser agora. Os 10 minutos na sala com o Ricardo e a Marina. O que aconteceu?"
O silêncio caiu pesado. Marina começou a chorar. Ricardo só sorria. Isabela lambia a borda da taça, esperando o circo pegar fogo.
A tensão era tanta que ar cortava sala como um bisturi
*Sala do apartamento:35*
O ar estava tão pesado que ninguém respirava direito. Todos atônitos, olhando pra Lucas como se ele fosse uma bomba prestes a explodir.
Isabela quebrou o silêncio, girando a taça de vinho na mão.
"Foi eu que chamei ele aqui. Sou doidinha, mas também sou humana. E estou vendo esse homem lindo sofrendo. Então eu pedi pra terminarmos o projeto aqui em casa de propósito e chamei o Doutor pra participar."
Ricardo rosnou, levantando da poltrona.
"Isabela, sua cobra."
"Calma, Ricardo." Henrique levantou as duas mãos, tentando segurar a situação. "Bem... o que pretende com isso, Lucas?"
Marina deu um passo à frente, a voz embargada.
"Amor, isso não é hora..."
"Calada, Marina." Lucas não gritou. A voz saiu cortante, gelada. "Hoje eu vou saber que merda está acontecendo."
Isabela sorria, encostada na bancada, o copo de vinho na altura dos lábios. Os olhos brilhavam de puro prazer com o caos.
Henrique engoliu seco.
"Ok, Doutor. O que você quer saber?"
Lucas cravou os olhos nele.
"Eu quero a verdade. O que rolou no escritório na noite em que a Marina chegou em casa tarde, chorando."
Nessa hora Ricardo interrompeu, rindo.
"Kkkk, Doutorzinho, você já sabe o que aconteceu. Será que não cansa de ouvir?"
O sangue de Lucas ferveu. Em dois passos ele estava em cima de Ricardo. O soco pegou em cheio no rosto. Ricardo caiu da poltrona no chão, cuspindo sangue, mas continuou sorrindo.
Nisso Henrique segurou Lucas por trás.
"Calma, cara! Calma!"
Marina se colocou na frente de Lucas, as mãos no peito dele.
"Calma, amor..."
Lucas se desvencilhou, o peito subindo e descendo. Marina então apontou pro Ricardo no chão, a voz tremendo de ódio:
"O que você disse pro meu marido?"
Ricardo lambeu o sangue que escorria do canto da boca e riu.
"Só a verdade, kkk. Que rolou mais que um beijo aquela noite."
Marina irada, avançou.
"Seu desgraçado! O que deu em você? Você sabe muito bem que só aconteceu o beijo e nada mais! Eu jamais me envolveria com você, maldito!"
Ricardo se apoiou na mesa pra levantar, ainda sorrindo com a boca sangrando.
"Kkkk, para de fingir, amor. Foi gostoso."
Nessa hora Marina voou em cima de Ricardo. Henrique novamente interveio e segurou Marina pelos braços.
"Calma! Estão todos muito alterados!"
Lucas respirava fundo, as veias do pescoço saltadas.
"Alterados não. Esse cara mandou uma foto falsa pra mim com a Marina chupando ele. E ainda disse que estava transando com ela e que transou em Búzios também. Mas as informações são falsas."
Ricardo deu de ombros, cuspindo mais sangue no chão.
"Você não tem como provar que eu enviei as fotos."
"Sorte sua estar como número desconhecido. Se não, você ia parar na cadeia." Lucas rosnou. "E o pior: no dia do acontecido no escritório, os 10 minutos de filmagem tinham sido apagados. Foi esse merda que apagou."
Ricardo sorriu de novo, o dente da frente manchado de vermelho.
Nessa hora Henrique se meteu, a voz firme pela primeira vez.
"Chega dessa merda."
Marina só chorava e dizia, apontando pro Ricardo:
"Maldito, desgraçado, mentiroso! Ricardo, você nunca vai me tocar. Nunca!"
Henrique virou pra Lucas, ignorando todo mundo.
"Lucas, eu estava lá. Eu conseguia olhar de onde eu estava pra dentro da sala. Rolou um beijo, sim. Eu até pensei que ia pegar fogo. Mas logo a Marina empurrou ele e eu ouvi ela dizer: 'Não, isso é um erro'. E correu chorando. Eu até tentei segurar ela, mas ela não quis saber. Essa é a verdade."
Virou pro Ricardo, duro.
"E Ricardo, seja homem. Confessa."
Ricardo passou a língua nos dentes, olhou pra Marina, depois pra Lucas. Deu uma risada sem humor, o sangue ainda escorrendo da boca, e disse:
"Ok. Eu confesso, sim. Eu beijei ela e quase deu certo. Lucas, você não serve pra Marina. Eu sou o homem certo pra ela. Vamos lá... Búzios. Eu soube que ela ia pra lá."
Marina arregalou os olhos.
"Desgraçado! Como você soube que eu ia pra lá?"
Ricardo riu, debochado.
"Simples. Você levou seu celular de trabalho, kkkk. Todo celular da empresa é rastreado. Então foi fácil ir atrás de você. E levei junto a putinha da estagiária. E eu estava doido pra comer vocês duas juntas. Mas parece que você não desgruda esse sentimento por esse merda do seu marido."
Marina tremia de ódio.
"Eu te odeio, Ricardo! Nunca mais se dirija à palavra pra mim! Depois do projeto, esquece que me conheceu!"
Ricardo deu um passo na direção dela, ignorando o sangue na boca.
"Marina, sua idiota. Não consegue ver? Eu sou o homem certo pra você. Podemos fazer uma vida boa longe desse merda."
Nessa hora Isabela bateu palmas, rindo da porra toda.
"Kkkk, isso é melhor que novela mexicana!"
Henrique perdeu a paciência.
"Chega, Lucas. Você já sabe o que queria."
Lucas olhava pro Ricardo. As mãos fechadas tão forte que os nós dos dedos estavam brancos.
"Sim. Eu sei. Olhou pra Ricardo e disse:
E agora eu vou arrebentar você, Ricardo."
Henrique segurou Lucas pelo braço, firme.
"Não. Não faça isso. Para não perder a razão."
Marina chorando, se colocou na frente de Lucas, segurando o rosto dele.
"Não, Lucas. Ele não merece que você suje suas mãos com o sangue dele. Quer saber? Vamos embora. Isso aqui já deu."
Lucas respirou fundo três vezes, olhando pra Marina, depois pra Ricardo cuspindo sangue no chão. Cuspiu as palavras:
"Você é um bosta, Ricardo. E se eu te ver perto da minha mulher de novo, eu não vou segurar."
Marina virou pra Isabela, que ainda sorria.
"A apresentação já está pronta. Amanhã a gente se encontra lá. E Isabela... se você continuar conversando ou dando em cima do meu marido, eu vou arrebentar sua cara de uma forma que nem o melhor cirurgião do mundo vai consertar."
Isabela ergueu a taça, cínica.
"Sim, senhora, kkkk. É uma pena. Mas sei que o Doutor só tem olhos pra você."
Lucas pegou Marina pelo braço. Não com força, mas com firmeza.
"Vamos."
Saiu da casa de Isabela batendo a porta com tanta força que o quadro na parede tremeu.
No elevador, silêncio. Só a respiração dos dois, pesada. Marina chorava em silêncio, encostada na parede de inox. Lucas olhava pro número descendo.
Quando a porta abriu no térreo, ele não olhou pra trás.
*17:30 - Dentro do carro, estacionamento do prédio da Isabela*
Lucas bateu a porta do carro com força e enfiou a chave na ignição. As mãos ainda tremiam de ódio. Não ligou o carro. Só ficou olhando pra frente, mandíbula travada.
Virou pra Marina, puto.
"Marina, agora está explicado como ele soube onde estávamos ele rastreou o telefone da empresa por que vc levou o celular o combinado era sem celular e vc descoloriu combinado ? O combinado era sem celular, e você levou a merda do celular. Quebrou a confiança, porra!"
Marina encolheu no banco, as lágrimas já escorrendo.
"Me perdoa, amor. Esse projeto é a minha vida. Eu juro que não tinha a intenção de ficar com o celular, mas eu tinha que levar pra uma emergência. Eu não pensei... eu fui idiota."
Lucas passou a mão no rosto, bufando.
"Emergência uma ova, Marina. Por causa dessa 'emergência' aquele filho da puta foi atrás de você. Podia ter acontecido uma desgraça."
Marina segurou a mão dele, desesperada.
"Mas não aconteceu, Lucas. Eu saí de lá inteira. Pra você. Bom... pelo menos tudo foi esclarecido, né?"
Lucas soltou a mão dela, frio.
"Esclarecido o caralho. O que você conversou com seu pai?"
"Ele..." Marina engoliu seco. "Ele disse que você estava triste. Aliás... que tristeza é essa? Você viu eu chorando. O que está acontecendo com você?"
Marina mordeu o lábio, os olhos marejados transbordando.
"Nada... é toda essa tensão. Você acha que foi fácil? Pra mim? Ver você desconfiando, o Ricardo no meu pé, o projeto, meu pai ligando... eu tô quebrando por dentro, Lucas."
Lucas ficou em silêncio dois segundos. Só o som da respiração dos dois. Depois ligou o carro, o motor roncando alto.
"Vamos pra casa."
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*18:40- Casa*
Mal a porta fechou, Lucas agarrou Marina pela cintura e colou ela na parede. Sem palavra. Só fúria, alívio, posse.
Mordeu o pescoço dela, com força, puxando o ar entre os dentes.
"Você é minha. Quer você todinha. Agora."
Marina arfou, cravando as unhas nas costas dele. O corpo todo tremendo.
"Aiiii, Lucas... cachorro..."
Vadia....
Ele rasgou o blazer dela sem dó. Os botões pularam no chão.
"Sem celular. Sem Ricardo. Sem Isabela. Sem porra nenhuma. Só eu e você. Entendeu?"
"Entendi..." Ela gemeu, já puxando o cinto dele. "Só você, Lucas. Eu juro. Só você."
Sua puta gostosa
A roupa foi caindo pelo corredor. Blazer, camisa, calça social branca, sapato. Cada passo era um beijo violento, uma mordida, um arranhão. Chegaram no quarto como dois animais. Sem delicadeza. Só necessidade.
Lucas jogou ela na cama e ficou por cima, os olhos dela nos dele.
"Olha pra mim, Marina. Olha bem. Quem é seu marido?"
"Você." Ela chorava e sorria ao mesmo tempo. "Você, Lucas. Só você."
Ele entrou nela com força, com raiva, com amor, com tudo misturado.
Socando fundo com força com raiva .
"Repete, porra."
"Só você! Eu sou sua! Eu te amo!" Marina gritou, as pernas em volta da cintura dele, as unhas descendo pelas costas dele. "Me perdoa! Me perdoa por ser burra!"
Lucas socava o quadril contra ela, a cama batendo na parede.
"Calada. Não fala de perdão agora. Fala que é minha."
Sua puta,vc é minha .
"Sou sua! Toda sua, Lucas! Aiiii..."
Marina gritava e gozava como nunca gozou na vida
O quarto virou campo de guerra. Gemido, tapa, mordida, choro. Por 40 minutos eles se destruíram e se curaram ao mesmo tempo. Até gozarem juntos, gritando o nome um do outro, suados, marcados, acabados.
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*20:30 - Deitados, escuro*
Marina deitada no peito de Lucas, desenhando círculos com a mão no abdômen. Os dois ofegantes, pele colada com suor.
"Acabou, né?" Ela sussurrou. "O Ricardo confessou. O Henrique confirmou. Não teve nada. Foi só um beijo. A gente venceu."
Lucas olhava pro teto, o braço em volta dela. Por fora, calmo. Por dentro, uma tempestade.
"É. Acabou."
_Pelo visto tudo resolvido. Será?
Porque na cabeça dele passava um filme em loop:
Ricardo confessou fácil demais. Isabela batendo palma e rindo. E a apresentação é amanhã._
Marina levantou a cabeça e beijou o queixo dele.
"Te amo. Amanhã a gente termina esse projeto e serei promovida aí gente recomeça de novo. Só nós dois."
Lucas forçou um sorriso e beijou o topo da cabeça dela.
"Só nós dois."
_Faltam poucas horas pro projeto.
Ele fechou os olhos.
Mas o sono não veio.
Mesmo sabendo a verdade algo ainda corroia seu coração .
Pessoal estamos chegando acerta final do conto ,atenção no detalhes agora e crucial .