Amor do passado, dor do presente. Parte 11

Um conto erótico de Guilherrme
Categoria: Heterossexual
Contém 3531 palavras
Data: 25/04/2026 22:19:27

Era chegado o grande dia da festa de casamento. Pelo menos antes de um imprevisto. Pois a ironia do destino é algo que a gente não controla, e dessa vez, ela resolveu jogar no meu time.

A responsável pelo salão onde seria a nossa festa de noivado teve um falecimento na família e, por conta disso, tudo precisou ser adiado por três dias. Para a Raquel, foi um balde de água fria. Ela ficou frustrada, reclamou, andou de um lado para o outro no apartamento dizendo que era um "mau sinal", mas por dentro ela ainda transbordava aquela empolgação quase infantil de quem finalmente está prestes a colocar as mãos no que sempre quis.

Para mim, porém, aqueles três dias foram um presente caído do céu. Foi o tempo exato que eu precisava para que a minha última carta na manga ficasse pronta. Era um detalhe técnico, algo que dependia de terceiros e que não estaria na minha mão na data original. Quando recebi a notícia do adiamento, respirei fundo e senti um alívio que não sentia há meses. Eu tinha mais setenta e duas horas para garantir que o golpe final fosse perfeito.

Nesse meio tempo, eu continuei mantendo a máscara. Era exaustivo. Eu olhava para a Raquel e via uma estranha, uma pessoa que eu achei que conhecia, mas que na verdade era um personagem muito bem construído. A gente passava as tardes na sala, sentados no sofá com listas de convidados e catálogos de decoração, fingindo que estávamos construindo um futuro, quando, na verdade, eu estava apenas esperando o momento certo para acabar com toda aquela porcaria.

Em uma dessas tardes, a gente estava combinando quais familiares ela ia chamar. Eu não tenho ninguém, né? Meus pais se foram, não tenho irmãos, e o pessoal que cresceu comigo no orfanato se espalhou pelo mundo e devem cada um estar vivendo suas vidas. Eu sou um homem sozinho no papel, e ela sabia disso.

— Você vai chamar até aqueles primos distantes que você me contou uma vez? — perguntei, tentando manter o tom de voz casual, enquanto olhava para a lista enorme que ela escrevia.

— Sim, amor, vou chamar todo mundo. Meus tios, os primos de segundo grau... É coisa da minha mãe, sabe como é? Ela faz questão de que a família esteja toda presente nesses momentos. É tradição. — ela respondeu, sem tirar os olhos do papel, com um sorriso de satisfação que me dava náuseas.

— Entendi — murmurei.

— E você, Gui? Só vai convidar aquele seu amigo mesmo? — ela perguntou, parando a caneta e me olhando com aquela carinha de preocupação fingida.

— Estou pensando em convidar mais alguém do escritório. Mas, para ser sincero, eu queria mesmo era tentar achar alguém da minha época do orfanato. Queria dividir isso com quem viveu aquela fase comigo. Eu andei pensando muito na Melissa... aquela garotinha que era quase minha irmã de coração. Ela era tudo o que eu tinha naquela época, assim como outros amigos queridos. Mas ela foi adotada por uma família rica, sumiu no mapa e eu não faço ideia de onde ela foi parar. Queria que ela estivesse aqui agora. Tem outras pessoas também, mas ela... ela era especial.

Quando eu disse o nome "Melissa", o silêncio que se seguiu na sala foi tão pesado que eu conseguia ouvir a minha própria respiração. A Raquel ficou estática. Ela não desviou o olhar do papel imediatamente, mas eu percebi que a mão dela, que segurava a caneta, deu uma leve tremida. Ela ficou ali, processando o que eu disse, talvez se perguntando até onde a minha memória ia. Eu olhei para ela e sabia exatamente o que estava passando naquela cabeça. Eu sabia quem ela era, e naquele momento, eu tive a certeza de que ela também sabia que o passado estava batendo à porta.

— O que foi, amor? — Perguntei.

— Na-nada. Não é nada demais... — Ela respondeu.

— Amanhã vai ser um dia muito especial para nós... — comentei, quebrando o gelo e levando a mão ao rosto dela, num carinho que me custou cada grama de autocontrole.

— Você vai finalmente marcar a data do nosso casamento, né? — ela perguntou, voltando ao personagem, com os olhos brilhando de uma expectativa que agora eu entendia ser puramente estratégica.

Eu deslizei meus dedos pelos fios de cabelo dela, sentindo a textura que eu tanto conhecia, mas que agora parecia estranha ao toque.

— Sim. Amanhã, diante de todos, eu pretendo convidar todo mundo para o nosso casamento. Vai ser inesquecível, Raquel. Eu garanto.

O dia seguinte chegou. Eu tinha pedido uma licença curta no trabalho, não estava atendendo mais ninguém. Minha cabeça era um tribunal em constante sessão. Passei a tarde me preparando.

Escolhi o melhor traje que eu tinha. Um terno azul marinho, de um tom tão escuro que beirava o preto dependendo da luz. A calça social tinha o caimento perfeito. Combinei com uma camisa preta, que dava um ar de sobriedade e, talvez, um pouco de luto antecipado pelo que estava por vir. A gravata era a peça final: listras que intercalavam entre o branco, o azul marinho e o preto. Tudo milimetricamente pensado.

No espelho, eu vi um homem que não parecia em nada com o Guilherme que foi enganado por tanto tempo. Borrifei um perfume de madeira, forte, masculino, marcante. Coloquei o meu relógio mais caro no pulso, aquele que eu guardava para ocasiões realmente importantes. Pentei o cabelo, ajeitei o colarinho e respirei fundo. Eu estava impecável. Eu estava pronto para o acerto de contas.

Antes de ir para a festa, peguei o envelope. Revisei cada papel, cada prova, cada print, cada laudo. Estava tudo ali. Fechei o envelope com cuidado e saí.

No caminho, não fui direto para o salão. Passei na casa de uma certa pessoa. Ela seria a minha convidada de honra, a testemunha silenciosa da queda de um império de mentiras.

Quando chegamos ao local, o manobrista veio logo recepcionar o carro. O salão de festas que tinha alugado para o dia era um escândalo. Linda, imponente. Tinha faixas brancas por todos os lados, cercada por flores de todas as cores imagináveis. O cheiro era doce, quase enjoativo. No lado de fora, a piscina refletia as luzes da festa, e dentro, o luxo era absoluto. O material estofado das cadeiras, o brilho dos cristais, a música suave ao fundo... tudo montado para celebrar uma união que era, na verdade, uma farsa.

Me separei do meu "convite especial", e assim segui para caminhar por ai. Quase todos os convidados já estavam lá. E, claro, a Raquel. Ela estava deslumbrante, tenho que admitir. Usava um vestido preto tomara que caia, longo, que exibia um decote generoso e o pescoço adornado por uma pulseira de ouro que brilhava sob os lustres. Ela estava carregada de acessórios, cada um mais caro que o outro, como se estivesse tentando gritar para o mundo o quanto era poderosa. O sorriso dela era radiante, a personificação da noiva perfeita.

Assim que ela me viu, veio caminhando na minha direção com aquela elegância e charme, poder que só ela tinha. Ela me envolveu num beijo e sussurrou:

— Se eu já não fosse apaixonada por você, com certeza me apaixonaria agora. Você está maravilhoso, Gui.

— Que bom que gostou, meu amor — respondi, com a voz firme. — Hoje o dia precisa ser impecável. Nada pode sair do lugar.

Peguei a mão dela e fomos cumprimentar os convidados. Eu sorria, apertava mãos, recebia abraços de pessoas que eu mal conhecia, enquanto sentia o envelope pesado debaixo do meu braço.

— O que é isso na sua mão? — ela perguntou, curiosa, apontando para o envelope.

Eu dei um sorriso de lado, aquele que ela sempre achou charmoso.

— Um presente de noivado meu para você.

— Mas amor, noivos não se presenteiam assim na festa... Pelo menos não até onde eu sei — ela disse, rindo, com aquele tom de voz superior.

— Nós não somos um casal normal, Raquel. Nós somos noivos especiais. E você... você é uma mulher muito especial. Merece algo que ninguém mais pode te dar.

Ela me deu outro beijo longo, e por um segundo, eu senti uma pontada de tristeza. Não por ela, mas pelo que eu achei que a gente tinha. Por dentro, eu era um misto de decepção e uma melancolia profunda. Era o fim de um ciclo de cegueira.

— Olha só quem está aqui! O meu futuro genro! — o pai da Raquel se aproximou, com aquele ar de importância de quem manda em tudo.

Apertei a mão dele. O aperto era firme, o olhar era de aprovação. Ele não fazia ideia do que eu tinha reservado pra ele também. Pegamos taças de champanhe e começamos a circular. Risadas, comentários sobre o casamento, elogios à decoração... o barulho da festa estava começando a ficar insuportável para mim.

Chegou o momento em que eu deveria subir e fazer o discurso. Todo mundo estava esperando. Mas antes, eu me aproximei da Raquel e do pai dela.

— Raquel, chama o seu pai. Preciso falar uma coisa com os dois antes, ali naquela sala reservada.

— O que foi, amor? Aconteceu alguma coisa? — ela perguntou, com um leve traço de preocupação nos olhos.

— É uma coisa muito importante que a gente precisa tratar. Assunto de família, digamos assim — respondi, mantendo a calma.

— Vou chamar ele, amor.

Entramos os três na sala. O silêncio ali dentro era o oposto do barulho lá fora. Era uma sala elegante, com paredes de madeira e poltronas de couro. Assim que a porta se fechou, o ar pareceu ficar mais escasso. Eu não esperei. Fui direto até a mesa central e abri o envelope. Joguei tudo ali. Papéis, fotos, laudos, prints de conversas. Foi um estardalhaço de papel sobre a madeira escura.

A Raquel não entendeu de primeira. Ela olhou para a bagunça com um ar de dúvida, mas à medida que os olhos dela foram focando nas imagens e nos nomes nos documentos, eu vi o sangue fugir do rosto dela. Ela gelou. Ficou estática, como se tivesse sido transformada em pedra. O pai dela, ainda tentando manter a pose, pegou um dos documentos e começou a ler, atentamente.

— O que significa isso, futuro genro? Que tipo de brincadeira é essa? — ele perguntou, mas a voz já não tinha a mesma firmeza de antes.

— Amor... o que é isso? Por que você está fazendo isso? — Raquel perguntou, a voz trêmula, as mãos subindo para o peito.

— Eu já sei de tudo, Raquel. Não precisa mais atuar. O público está lá fora, mas aqui dentro a cortina já caiu. Eu já sei que você forjou aquela foto onde a Fernanda aparecia beijando o Roger. Foi uma montagem bem feita, eu admito, mas a tecnologia hoje em dia prova qualquer coisa. Assim como eu sei que você me deu "boa noite Cinderela" para que eu pudesse dormir e você armasse aquele teatro, do mesmo jeito que você fez com ela.

— É mentira, Guilherme! Você sabe que eu não faria isso! Estão tentando colocar você contra mim porque têm inveja do nosso sucesso! — ela gritou, a voz subindo de tom, o desespero começando a transbordar.

— Mentira? Não, Raquel. Mentira é o que eu vivi com você. — Comentei.

— Essas acusações são graves, futuro genro. — O velho continuou. — Você sabe que machucar a minha menina assim pode sair caro pra você.

Eu continuei calmo. A calma de quem detém a verdade absoluta.

— Aqui está o exame toxicológico, Raquel. Esse exame foi feito na Fernanda. O resultado está aqui, para quem quiser ler. Ela tinha uma substância específica no corpo naquela noite. E adivinha? Esse tipo de substância você não encontra em qualquer farmácia. É medicação hospitalar restrita. Você teve ajuda, não é? Alguém com contatos, alguém com poder para conseguir isso sem deixar rastros oficiais.

Nesse momento, eu olhei diretamente para o pai dela. Ele sustentou o meu olhar por dois segundos antes de desviar para o papel na mão dele. O silêncio dele era a confissão que eu precisava.

— Você está me acusando? — Questionou.

— Isso não será difícil de provar, já que medicações assim precisam de registros específicos para sair do seu estoque. Você tem, não?

— Que advogado mais ardiloso. — Respondeu.

— Raquel, parece que não vai ter mais o casamento — eu disse, e cada palavra pesava como chumbo. — Você me enganou. Você me fez de idiota esse tempo todo só para conseguir me conquistar, para me ter sob o seu controle. Você prejudicou a Fernanda, você caluniou uma mulher inocente, você praticamente me destruiu... e agora eu sei por que.

— FOI A FERNANDA NÃO É? — Ela assim gritou, desesperada. — Foi ela quem te envenenou contra mim.

— Para com esse cinismo, Raquel. — Comentei, levando ambas as mãos pro rosto, passeando as mãos ali em seguida, soltando. — Isso não tem nada a ver com a Fernanda , e você sabe muito bem disso. Isso tudo sou eu e você , isso tudo sou eu tentando acreditar em você enquanto isso você pisou em cima da minha confiança e você criou todo um relacionamento entre nós na base da mentira.

— Meu amor, eu admito. Eu realmente pedi ajuda pro meu pai, ele me deu dicas de como separa-los, eu acabei fazendo, me desculpa... — Disse Raquel, desesperada, enquanto o pai dela deu de ombros.

— Era só isso, futuro genro? — O pai dela questionou. — Bom, então eu vou indo né, vamos os três, pois um casamento irá acontecer em breve.

— Você é surdo, cara? — Eu falei. — Não terá mais casamento.

— Você tem certeza meu caro? — Ele, com uma voz debochada, falou. — Você faz ideia de que você só está trabalhando naquele escritório de advocacia porque eu arrumei esse trabalho para você. Ou você acha que eles te aceitaram lá por causa disso? Você acha que você ainda não foi demitido depois de ter vasculhado o computador de terceiro e conseguido essas provas porque?

Naquele momento senti pela primeira vez uma fisgada e percebi que eu estava lidando com um cara que sabia tanto quanto eu. Mas não me desmontei, pois eu tinha algo para revelar que iria coloca-lo no meu bolso.

— Senhor Moreira, sinceramente? Depois de hoje tanto faz se o senhor quiser me demitir lá ou não , até porque eu tenho algo aqui a propor tanto para você quanto para a Raquel , pelo menos da minha parte é claro.

— Está falando do que? — Ele comentou.

Foi então que peguei o meu celular e mostrei algumas conversas encaminhadas do WhatsApp para Raquel e também para o senhor Moreira e ali tinha conversas da própria Raquel para um garoto chamado Lucas onde ela falava todo tipo de obscenidade com ele mostrando que estava me traindo. Mas não é só isso , Raquel também o intimidava, Seduziu o rapaz para convencê-lo a falar para o seu pai, que era um promotor, que mexesse seus pauzinhos e anulasse o processo que ela mesma estava recebendo.

— Você achou que ia me fazer de corno por muito tempo, Raquel? Eu descobri a traição , depois disso eu descobri aonde esse garoto morava , eu acabei dando uma surra nesse garoto e graças a ajuda da namorada dele que você fez questão de destruir o relacionamento dos dois , eu acabei. Imagina o que eu não posso fazer com elas.

— Você é idiota, se fizer isso, se mostrar essas mensagens, tudo que vai conseguir é um inimigo que vai te destruir. — Comentou o sr. Moreira. — Decepção, e pensar que eu te considerei um filho. Vai deixar tudo a perder por causa de uma escapada. Por favor...

— Gui! — Comentou Raquel, desesperada. — Meu amor, me perdoa, eu tava desesperada, eu conhecia ele, ele vivia dando em cima de mim no hospital, eu acabei procurando ele, eu queria.... — Eu a interrompi.

— CHEGA, RAQUEL. — GRITEI. — Chega desse cinismo, desse vitimismo do caralho.

— Tá, você foi corno. E dai? A gente resolve isso rapaz. Me fala, o que você quer? A minha filha te ama, você ama ela, esquece essa porra, quer comer outra pra ficar quite? Vai, a Raquel não falará nada.

— PARA, PAI! — Gritou Raquel, que foi logo repreendida.

— Cala a boca, porra. Fica na miuda, eu estou tentando negociar aqui. — Disse.

— Vamos negociar então. Senhora Ana, pode entrar. — Comentei.

Então apareceu em uma das portas da sala isolada, uma mulher, de seus 52 anos, com cabelos grisalhos, com uma roupa simples, de face abatida, mas com uma feição que qualquer um que a conheceu no passado poderia lembrar.

— Mas... — Disse Raquel.

— Cala a boca, Raquel. — Disse o sr Moreira, seu pai. — O que essa mulher ta fazendo aqui?

— Raquel eu descobri seu segredo. Eu descobri por que da sua obcessão por mim.

— Finalmente... — Ela disse, levando ambas as mãos ao seu peito.

— Eu lembrei de você Raquel quando vi esta foto. Esta foto aqui representa todo o nosso passado , aqui está eu você e todas as crianças daquele orfanato naquele dia em que a tia Ana tirou a foto. No dia que você foi embora. Que você foi adotada pelo casal Moreira.

— E você tinha prometido que iria me buscar quando crescesse, Guilherme. Você se lembrou até da Melissa, quando me falou de nossos dias lá, mas de mim? Você me esqueceu, quando eu finalmente te achei, você tava nos braços daquela infeliz e esqueceu completamente de mim.

— Raquel, éramos crianças. Você era mais nova que eu, eu acho que falei no impulso que... — Logo em seguida, fui interrompido.

— Que você ia casar comigo? Foi por impulso? — Ela então respondeu. — Você sabe muito bem que naquele lugar eu quase não tinha amigos , as únicas amizades que eu tinha era você e a Melissa. Eu nunca mais pude ver nenhum de vocês , a Melissa se foi, e depois eu acabei indo.

— Eu realmente não me lembrei de você. Eu peço desculpas por isso. Mas isso não justifica, sinceramente, Raquel, como eu ia se lembrar de você e como eu poderia advinhar que você era a pequenina Raquel que eu costumava brincar? Você está diferente. Estamos, e sinceramente, ter feito tudo o que fez pra ficar comigo é coisa de gente obcessiva. Pra dizer o mínimo.

O Pai dela ficou ali, de braços cruzados, e não tirava o olho da Ana. E eu sabia o porquê, e esse assunto precisava ser abordado.

— Senhor Moreira, agora é o seguinte. — Comentei. — Quero 10 milhões de reais transferidos na minha conta agora, ou a sua esposa vai ficar sabendo de algo que eu sei muito bem.

— Você não ousaria? — Ele comentou. — Eu acabo com a sua vida, moleque.

— Não vai. — Comentei. — Pois o senhor não irá querer um escândalo em toda a sua família sobre isso. Não é, senhora Ana?

— Raquel... Você é tão querida, como cresceu... — A senhora Ana, foi até ela e a abraçou, ela ficou sem entender o que eu queria, mas estava num misto de sensações de angústia, tristeza e uma euforia, talvez por eu ter descoberto quem é ela, ou por reviver algum momento feliz da infância.

— Eu vou te transferir o dinheiro. Mas se vazar isso, eu acabo com você. — Ele então pegou seu celular e assim entrou no aplicativo do banco, começando então a transferência e logo no meu celular eu vi a notificação chegar com todo o montante que eu havia pedido para ele .

— Bom, eu não tenho mais nada a fazer aqui então. Eu vou embora, vamos, senhorita Ana? — Perguntei.

— Não, eu não quero. Eu.. Queria aproveitar e ficar um pouco mais, tem algo que eu queria falar com eles.

— Pois nós dois aqui não temos nada a falar com a senhora. — Comentou o sr. Moreira.

— Meu amor, você vai mesmo me abandonar assim? — Disse Raquel.

— Não vai existir mais casamento entre nós Raquel , eu acho que você já deve estar ciente de que não existe mais nenhuma possibilidade de que nenhum dos nós dois possamos dar certo nessa relação. Eu pretendo ir embora dessa cidade, eu não sei o que você vai fazer da sua vida, mas esse casamento não acontecerá.

Raquel foi pra cima de mim e assim segurou meu terno com força usando uma das mãos Mas a Sra Ana acabou indo atrás dela e assim a abraçou pela cintura para tentar impedi la enquanto eu olhei pra trás e disse.

— Vamos evitar mais escândalos, não é, senhor Moreira? — Comentei. — Converse com a sua filha, convença-a de me esquecer, e não deixe de revelar a verdade pra ela.

— Que verdade? — Raquel ficou ali na sala, enquanto eu saí.

Os convidados ainda continuavam alheios a tudo o que estava acontecendo enquanto eu mesmo acabei pegando o meu carro e indo embora daquela festa . Eu sabia que os dias seguintes iria cheio de dor de cabeça e que muito provavelmente eu teria perdido o meu emprego. Mas eu tinha dinheiro suficiente para recomeçar em outro lugar. Um lugar aonde eu estivesse longe de toda essa corrupção da Raquel e de tudo o que prejudicou a minha vida aonde eu poderia recomeça-la de verdade.

Peguei então meu celular e liguei para o meu melhor amigo Doda, onde, desesperado, pedi para ele me encontrar. Marcamos em um barzinho, pelo horário, sei que é complicado, mas eu queria um ombro amigo para chorar e beber, e sinceramente, pelas coisas que ainda se ocorreram a seguir, eu precisava da bebida pra aguentar o tranco.

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Comentários

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Será que Raquel é filha consanguinea do pai adotivo, fruto de uma traição conjugal?

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Sinceramente está bem na cara de que ela é filha sanguinha dele e que ele a adotou muito provavelmente porque a mãe dela era estéreo e já aproveitou a oportunidade para ter a filha perto dele sem levantar suspeita

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Vou deixar duas perguntas no ar:

Por que o Gui fez questão de montar uma festa grandiosa, para fazer a revelação para a Raquel e o Godfather de modo privado, qual foi o proveito que ele teve em ter realizado a festa, se a intenção dele era a chantagem?

Se o O Senhor da Máfia já sabia que o Gui sabia das falcatruas da Raquel em cima da Fernanda, por que ele não alertou a filha sobre isso?

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Eu acho que foi pra gerar tensão entre eles de que ele poderia fazer a revelação ali mesmo viu, ou talvez não sei. Vai saber o que ele queria kkk

Quanto às provas Eu vi aqui no diálogo O pai dela diz que sabe que ele mexeu no computador do colega mas não chegou a falar que foi para ver as provas Só agora que ele ficou sabendo que pode ter sido por conta das provas né ? Eu interpretei assim

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O amigo aqui em cima no comentário falou algo interessante O Guilherme sabia De alguma coisa a respeito Da Raquel e o pai dela muito provavelmente ele é pai sanguíneo de Raquel

Eu tenho certeza que o que mais deixou ele amedrontado foi isso.

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Tem muita coisa que eu quero entender ainda, me passou a impressão que a Raquel só é desse jeito por causa do pai, o velho parece o Poderoso Chefão, Marlon Brando Tupiniquim kkkkkkkkkk sério, tem muito angu embaixo dessa caroçada toda. Nosso Prota Gui fazer a chantagem, exigindo 10 pilão, me deixou atônito em todos os sentidos, qual segredo vale essa bagatela e qual o verdadeiro caráter do Gui ou será que tudo ainda faz parte de um plano para desmascarar Dom Corleone kkkkkk Ansiedade nas alturas.

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Não é impressão, ela é assim por causa do pai, o pai realmente é um cara um pouco mal caráter, ele tem ai um dedo podre que não vou ficar levantando aqui.

Mas a Raquel e o Guilherme ainda terão mais uma conversa entre eles no próximo capítulo.

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Não esperava por essa chantagem pra mim ele ia explanar tudo diante dos convidados e já era, mas ele literalmente chamou pra mesa, deu as cartas e so e essa Ana ai? Porque o cara tem medo dela?

aaaaaaaaaaaaaaaa

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Muito bom! 🌟🌟🌟👏🏻👏🏻👏🏻

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Esse amigo Doda é gente boa demais rs

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