Clube dos machos 2. Alojamento estranho

Um conto erótico de Victor silva
Categoria: Gay
Contém 3909 palavras
Data: 25/04/2026 16:56:23

— Que merda, hein! Com tantos alojamentos por aí, e eu tenho que acabar caindo logo no seu. — comentei, meio irônico. — Parece que o destino quis assim. — ele respondeu, com um tom sarcástico. — Como assim? — perguntei, confuso. — Ah, nada, cara. Ainda dá tempo de desistir, é só ir lá na prefeitura e pedir para sair. — Pelo visto, aqui é o único lugar disponível. Não tenho muita escolha — respondi, resignado. — Então, entre e seja feliz. — Ele disse, com um sorriso irônico. “Impossível ser feliz dentro de um alojamento com gente tóxica”, pensei comigo mesmo. — Tudo bem — respondi, com um ânimo do tamanho de um caroço de ervilha. Adentrei o alojamento e dei uma olhada ao redor. A área comum era pequena, dividida por um balcão que separava a sala da cozinha. Para minha surpresa, estava bem arrumada. Eu esperava encontrar um lugar mais bagunçado, mais condizente com a imagem que tinha de Ricardo. — O único quarto vago é este. — Ele apontou para uma porta — O que fica ao lado da parede é o meu, o do meio é do Túlio, que saiu agora, e este será o seu. Ricardo abriu a porta para me mostrar o quarto. Adentrei e dei uma olhada ao redor. O ambiente era pequeno, com uma janela que dava para outro prédio. Que vista maravilhosa! Todos os quartos tinham a mesma vista e tamanho limitado. Eu não podia reclamar. O quarto estava bem conservado, com a pintura branca ainda fresca e sem qualquer mancha de sujeira nas paredes. Além disso, sairia do quarto do meu primo, o que acabaria com qualquer sensação de estar incomodando-o e invadindo sua privacidade. Enquanto eu inspecionava meu novo quarto, percebi que Ricardo me observava atentamente, como se esperasse minha reação diante do espaço que agora seria meu. O ambiente estava silencioso, apenas interrompido pelo som da descarga do banheiro, indicando que alguém havia saído de lá. Quando a porta se abriu, deparei-me com um rapaz de pele preta. Ele usava um pequeno brinco, cabelo curto e sobrancelhas bem alinhadas. Era mais um exemplar da seleção de homens bonitos e sem camisa que habitavam aquele alojamento. O recém-chegado não pareceu dar muita importância à minha presença. Seu rosto permanecia fechado, sem qualquer sinal de receptividade. — Quem é esse? Novo amiguinho? — perguntou ele, com um tom sério, dirigindo-se a Ricardo. — Sim, ele vai ocupar o quarto vago. — respondeu Ricardo, mantendo-se calmo diante da reação do outro. — Como assim? Eu achei que esse quarto seria meu — protestou ele, visivelmente indignado. — Parece que o Rondinelli decidiu dar a vaga para o Caio. — explicou Ricardo, tentando acalmar os ânimos. — Não acredito! Ele deu a vaga para outro? — Diego continuava expressando sua insatisfação. — Deixa de reclamar, Diego! Você já tem um alojamento. O moleque aqui não tem lugar nenhum — interveio Ricardo, tentando colocar um fim na discussão. Diego, por sua vez, continuava sério e não parecia disposto a aceitar a situação tão facilmente. — Vocês já se conhecem? — ele virou-se para mim, lançando-me um olhar desconfiado.

— Não — respondeu Ricardo. — Então, como é que vão ficar as coisas aqui? — Diego dirigiu-se a Ricardo, ignorando minha presença. — Normal, ué! — respondeu Ricardo, tentando minimizar o conflito. Diego não pareceu satisfeito com a resposta e continuou com seu semblante sério. Enquanto isso, eu me sentia desconfortável. — Como você sabe, Bruno? — ele voltou-se para mim, mas antes que pudesse concluir a pergunta, Ricardo interveio. — Eu sinto que ele vai agregar aqui. Senão, ele vai embora. Simples assim — afirmou Ricardo, olhando-me com convicção. Aquela conversa confusa deixou-me intrigado. O que exatamente eles estavam discutindo? — Isso tem a sua mão, não tem, senhor Ricardo Bruno? — questionou Diego, com um tom de desconfiança evidente em sua voz. — Minha mão? Cara, sou só mais um estudante como vocês. Não tem nada a ver comigo. Aceita essa, mano. Deixa o cara tentar se adaptar aqui — respondeu Ricardo, tentando acalmar os ânimos. Diego permaneceu olhando para Ricardo, sua expressão alternando entre consternação e decepção. Sem dizer mais nada, ele entrou no quarto de Ricardo, pegou o que parecia ser sua mochila e se apressou para a saída. — Pra onde você está indo, Diego? — perguntou Ricardo, surpreso com a atitude repentina do colega. — Tenho que estudar para uma apresentação de trabalho. — respondeu Diego, sem olhar para trás, deixando claro que não queria prolongar a conversa. O rapaz partiu rapidamente, deixando Ricardo visivelmente chateado com a situação. Eu observei tudo aquilo com certa estranheza, mas optei por não questionar nada naquele momento. — Vou lá no bloco do meu primo pegar minhas coisas e trazer pra cá — informei a Ricardo, já me preparando para sair. — Beleza... Precisa de ajuda? Naquele instante, fiquei desconcertado. Ricardo, que antes tratava com ironia e com quem eu quase caí na porrada no campo, agora me oferecia ajuda de maneira tão cordial. Era uma reviravolta inesperada. Embora eu estivesse prestes a dividir o mesmo alojamento com ele, não tinha intenção nenhuma em ser seu amigo depois de suas provocações no campo na frente de todo mundo. Deu para ver que ele era um babaca. Ele poderia ser bonito e gostoso, mas continuava sendo um babaca aos meus olhos. — Não precisa, eu me viro sozinho, mano — respondi. — Tá bom — ele me olhava com sua infindável ironia. Decidi então caminhar até o bloco do meu primo para pegar minhas poucas coisas que estavam guardadas lá: um colchonete, minha mochila e algumas peças de roupa. Embora estivesse ansioso para mobiliar meu quarto com coisas que traria de casa durante o final de semana, naquela noite aquilo era o suficiente. Ao chegar no bloco onde meu primo estava hospedado, fui recebido por ele com um sorriso estampado no rosto. — Arrumei alojamento! — anunciei, compartilhando minha conquista. Ian pareceu surpreso com a notícia. — Sério? Onde? — ele perguntou, curioso.

— Bloco B, aqui do lado! — respondi, animado. — É no mesmo alojamento daquele Ricardo. — O da confusão no campo? — questionou Ian, preocupado, enquanto eu confirmava com um aceno de cabeça — Não, Caio! Você sabe que não precisa disso. Não precisa ir para lá. Pode ficar aqui o tempo que quiser. Ele tentou me dissuadir, oferecendo que eu ficasse em seu quarto o tempo que precisasse, mas eu estava decidido. — Eu preciso de um lugar, Ian. E você também precisa de privacidade aqui. Os quartos nesses alojamentos são minúsculos. Apesar das preocupações de Ian, eu já estava determinado. Uma parte de mim previa problemas, mas outra encarava tudo como um desafio. Não iria me deixar intimidar por Ricardo ou qualquer outra pessoa. Sempre me mantive firme diante de situações assim e não seria agora que mudaria isso. Se Ricardo quisesse ficar de graça comigo, eu estaria pronto para jogar, estaria disposto a fazê-lo comer em minha mão, mas como faria isso ainda era um mistério. Eu não fazia a mínima ideia! Aproveitei para jantar ainda com meu primo em seu alojamento, afinal, não tinha ideia de como seria a situação de comida no 34B. Enquanto compartilhávamos a refeição, conversamos animadamente sobre como estava sendo minha adaptação nas aulas. Trocamos histórias e risadas, desfrutando daquela última noite juntos por um tempo. Depois de descansarmos por meia hora e mais algumas conversas animadas, ofereci-me para lavar a louça como forma de agradecimento pela hospitalidade. Enquanto lavava, minha mente já estava focada na mudança para o novo alojamento. — Primo, obrigado por toda a sua hospitalidade. Estamos juntos sempre! Os outros moleques não estão aqui, depois agradeça a eles por mim ou eu mesmo falo com eles, já que vamos continuar nos vendo — disse, apertando sua mão e retribuindo com um abraço caloroso. — Nada, cara. Sabe que as portas estarão sempre abertas para você. — ele respondeu com um sorriso reconfortante. — E por falar em porta... — tirei as chaves do seu alojamento do meu bolso, estendendo-as para devolver. Ele hesitou por um momento, olhando para as chaves estendidas em minhas mãos. — Fica com as chaves, Caio. Se acontecer algum estresse lá, a qualquer hora, você pode vir se abrigar aqui — sugeriu ele, com um tom solidário. — Valeu, cara. Isso é de grande ajuda — respondi, aceitando as chaves e guardando-as no bolso. Retornei ao alojamento 34B, com minha mochila nas costas, o colchonete enrolado debaixo do braço e uma sacola grande cheia de roupas. Estava pronto para minha primeira noite no novo alojamento. Como já havia me apresentado, não precisei mais bater à porta e já tinha recebido a chave do local na Prefeitura da Universidade. Ao destrancar a porta e abri-la, uma cena peculiar se desenrolou diante de mim. Todos os presentes no alojamento pararam suas atividades para me observar. Ricardo estava acomodado no sofá ao lado de Diego, e era evidente que eles dois tinham apaziguado sua briga anterior sobre a vaga no alojamento. Túlio, que havia retornado de sua aula, estava ocupado na cozinha, retirando algo de uma panela e servindo-se. — Cheguei com as minhas mudanças — anunciei, sentindo-me um pouco desconfortável com todos aqueles olhares direcionados a mim.

Diego fechou a cara e virou-se para a televisão, ignorando minha presença. Ricardo, por sua vez, esboçou um sorriso de canto de boca antes de desviar o olhar para os pertences que eu carregava. Túlio, ao notar minha chegada, lançou um breve olhar para Ricardo, mas não demonstrou qualquer reação positiva. — Vai ficar aí na porta? — perguntou-me Ricardo, rompendo o silêncio que pairava no ambiente. — Não — respondi timidamente, dando alguns passos para dentro do alojamento. Ricardo era o único que parecia estar genuinamente interessado em minha presença. Seus amigos, por outro lado, olhavam para ele como se aguardassem sua manifestação. Desde que cheguei naquele alojamento, as coisas pareciam estranhas, e a tensão no ar só aumentava. Apesar disso, fiz o possível para agir naturalmente e ignorar o clima desconfortável. Segui diretamente para o meu quarto e comecei a organizar minhas coisas em um canto. Enquanto fazia isso, notei que o chão estava coberto por uma camada de poeira, indicando que o quarto não tinha sido limpo há algum tempo. — Onde tem uma vassoura? — perguntei, parado na porta do meu quarto. Eles demoraram alguns segundos para me responder, o que aumentou minha sensação de desconforto naquele ambiente. — Onde está a vassoura, Túlio? — perguntou Ricardo, lançando um olhar inquisitivo na direção de seu colega. Túlio, que estava sentado à mesa da cozinha, mastigando algo distraído, pareceu despertar de seu estado de torpor ao ser questionado por Ricardo. — Você é o que mais varre aqui — Ricardo falou em tom de repreensão, enquanto observava Túlio se levantar ainda mastigando, visivelmente sem saber onde estava a vassoura. Túlio começou a procurar o objeto pelos cantos do alojamento, e após um breve momento de busca, encontrou a vassoura no banheiro e veio me entregar. — Às vezes a deixo atrás da porta do banheiro porque a gente não tem muito espaço aqui — explicou ele, me estendendo a vassoura e uma pá. Finalmente Túlio interagiu comigo! Apesar de parecer mal-humorado, era inegável que ele tinha um certo charme, com seu bigode fino e expressão séria. Peguei a vassoura e a pá e fui para o meu quarto começar a pequena faxina. Enquanto isso, pude ouvir Diego perguntar baixinho para Ricardo: — Por que você está tratando-o bem? Como se ele fosse um de nós? — Deixa o moleque se adaptar — respondeu Ricardo. A ironia da situação não passou despercebida por mim. Quem eu mais imaginava que me receberia mal estava sendo surpreendentemente receptivo. Depois de terminar de varrer e arrumar meu quarto, percebi que Túlio já havia terminado de jantar e, aparentemente, se recolhido em seu quarto. Diego e Ricardo permaneciam no sofá, assistindo televisão na penumbra da sala. Senti-me tentado a questionar se Diego costumava ficar no alojamento até tarde da noite, mas logo me censurei mentalmente, pois aquilo não era da minha conta. Guardei a pá e a vassoura atrás da porta do banheiro, meio escondidas para não atrapalhar a passagem, e segui em direção à cozinha para encher minha garrafa com água. Queria evitar passar pela sala toda hora, especialmente com a atmosfera tensa que pairava no ambiente. A apatia dos garotos estava me deixando um pouco desconfortável, mas decidi não demonstrar isso a eles. No caminho de volta para o quarto, com a garrafinha de água na mão, fui interrompido por Ricardo, cuja voz cortou o silêncio da sala. — Caio, come alguma coisa, cara. Vê o que tem lá na cozinha — disse ele. Olhei em direção a ele e vi a luz azul da tevê refletindo em seu peito. Disfarcei o interesse e percebi que Diego me olhou dos pés à cabeça. Depois da faxina, eu havia colocado um samba-canção para dormir. — Eu jantei no alojamento do meu primo. Mas valeu! Voltei para o quarto, decidido a evitar mais interações naquele momento. No dia seguinte, acordei bem cedo, duas horas antes do início das aulas. Queria evitar o inevitável encontro com os outros garotos do alojamento. Tomei banho, arrumei-me rapidamente e decidi tomar café em uma das cantinas espalhadas pelo campus. Estava decidido a passar o máximo de tempo longe do alojamento. Durante o almoço, encontrei meu primo e desabafei sobre o clima estranho que estava se estabelecendo no 34B. Ian, mais uma vez, sugeriu que eu voltasse para ficar em seu quarto. Eu disse que era cedo demais para desistir e aceitei seu convite quando ele me chamou para jantar em seu alojamento naquela noite. Seria mais tempo fora daquele ambiente esquisito. Ao voltar para o alojamento naquela noite, deparei-me com Diego saindo do quarto de Ricardo, e a tensão era palpável no ar. Ambos pareciam constrangidos quando me viram. Túlio, relaxado no sofá com uma cerveja na mão e os pés descansando sobre a mesa de centro, deixou escapar um riso desajeitado ao presenciar a cena, derrubando um pouco da bebida no processo. Sua desculpa de que estava rindo de algo na televisão não convenceu muito, especialmente porque o que estava passando parecia ser um filme de suspense. Maldei com meus botões, desconfiado. Decidi agir naturalmente, cumprimentando todos com um simples “boa noite”. A resposta de Túlio foi um breve “boa”, acompanhado de um risinho que deixava claro seu divertimento com a situação. Ricardo, por sua vez, respondeu envergonhado, enquanto Diego permaneceu em silêncio. Após um rápido banho, tranquei-me no quarto, esperando que o novo dia trouxesse uma mudança na dinâmica do alojamento. No entanto, a rotina se repetiu. Diego, que tecnicamente tinha seu próprio alojamento, parecia estar mais presente no nosso do que no seu próprio espaço, continuava a me ignorar. Túlio, por sua vez, interagia comigo apenas o necessário, como se estivesse lidando com um estranho. Ricardo, talvez motivado pela tentativa de amenizar o clima pesado, até tentava ser amigável, mas era visível que os outros dois garotos o julgavam por isso. Percebi claramente quando os vi questionando-o sobre o porquê de me tratar bem. Ricardo, constrangido, desviava o assunto, evidenciando o desconforto em abordar esse tema. Naquela tarde do meu terceiro dia como morador do alojamento 34B, vi-me com uma tarde livre após minhas aulas terminarem mais cedo. Ao passar pelo campo e flagrar Ricardo treinando futebol com o time, uma ideia maravilhosa surgiu em minha mente: talvez pudesse desfrutar de um pouco mais de tranquilidade no alojamento. A presença de Ricardo no campo indicava que talvez Diego não estivesse no alojamento e Túlio poderia estar ocupado com alguma aula. Animado com essa possibilidade, decidi antecipar minha ida para o alojamento. Contudo, ao abrir a porta, deparei-me com uma cena que desmentia minhas esperanças: Diego e Túlio estavam sentados no chão, recostados no sofá, lado a lado, vestindo calções de futebol. No calor escaldante do Rio de Janeiro, era compreensível optar por roupas leves como aquelas. Pareciam ter levado um susto ao me verem, encarando-me com olhos arregalados enquanto eu permanecia de pé diante deles. — Opa! — cumprimentei, tentando quebrar o clima estranho. Túlio acenou com a cabeça em resposta, enquanto Diego soltou um sorriso nasal em formato de ar. Se eles decidissem continuar me ignorando, o problema seria deles. Guardei minha mochila no quarto, peguei minha toalha e dirigi-me ao banheiro. Com o calor intenso, mal podia esperar para me trancar em meu quarto, deitar-me sobre o colchonete e sentir o alívio do ventilador na velocidade três, enquanto me entregava a um merecido descanso. Deixei a água gelada do chuveiro cair com força sobre meu corpo, sentindo um alívio instantâneo que me deixava renovado. Era como se cada gota de água lavasse não apenas a sujeira física, mas também os pensamentos e preocupações que me assombravam. Após esse momento revigorante, desliguei o chuveiro, me sequei e vesti meu samba-canção, depois fui à pequena área estender minha toalha. Foi então que ouvi o barulho da porta se abrindo. Era Ricardo, retornando do treino de futebol. Ele adentrava o alojamento com seu uniforme completamente branco, a camisa pendurada no ombro. Ainda trajava chuteiras e meiões, seu peito brilhava coberto de suor, e por um instante, minha respiração vacilou ao contemplar sua figura. A visão daquele corpo suado me fazia sentir uma atração inegável e, mesmo que eu estivesse limpo após o banho, me jogaria naquele corpo todo suado se pudesse, mas antes colaria aquela boca com fita isolante para não falar nenhuma besteira. — O que as mocinhas estão fazendo juntinhas aí no chão? — provocou ele ao ver seus dois colegas. Diego respondeu-lhe com um gesto obsceno, mostrando-lhe o dedo do meio. Aquela pergunta de Ricardo desencadeou uma série de pensamentos em minha mente, criando toda uma narrativa fictícia. Na minha fanfic, Túlio e Diego estavam envolvidos em uma mão amiga entre si. Ricardo sentou-se na cadeira próxima à área que funcionava como copa, começando a retirar suas chuteiras e meias. — Vai tirar essa chuteira podre no seu quarto, Bruno! — reclamou Túlio. — Ih! Qual é? Eu nem tenho chulé, seu engraçadinho! — rebateu Ricardo. — Não tem não! — contestou desconfiado o colega. — Tenho mesmo não. Olha aí! — disse ele, lançando suas duas meias em direção a Túlio e Diego. — Vai se foder, Bruno! Porra! — reclamou Diego, atirando a meia longe com um gesto irritado. — Por que você não joga sua meia no novato? — sugeriu Túlio, apontando para mim. A sugestão de Túlio me deixou tenso, imaginando o que poderia acontecer a seguir. — O moleque está na dele. Deixa ele quieto — defendeu-me Ricardo. Eu ri por dentro. Disfarcei para não demonstrar e fingi que ainda estava mexendo em minha toalha no varal para continuar vendo a situação. Situação: Ricardo sem camisa, todo suado, no meio da sala. — Já reparou, Diego? O Bruno apronta com todos os novos moradores daqui do alojamento, mas com o Caio ele nunca faz nada — comentou Túlio, virando-se se para Diego. — Pois é — respondeu Diego em um tom áspero, desviando o olhar para a televisão. — Qual é, Bruno? Tá comendo o novato, né? — provocou Túlio, com uma pitada de ironia na voz. — Ah, pronto! — respondeu Ricardo, visivelmente sem graça diante da insinuação de Túlio. — Sei não — continuou Túlio, com uma expressão de malícia — Acho que você deve estar apaixonado pelo moleque ou algo assim, porque tá protegendo ele demais. — Para com isso, seu brocha! — disse Ricardo, olhando para mim com uma expressão constrangida diante da afirmação de Túlio. — O que você acha, Diego? Ainda mais o Caio com essa cara de novinho, não é? — provocou Túlio, buscando a concordância de Diego. — Pode crer, mano! É verdade mesmo! Só pode ser! — concordou Diego, rindo para Túlio e depois lançando um olhar sério na direção de Ricardo. Naquele momento, decidi que era melhor seguir para o meu quarto, mas antes que pudesse me movimentar, Ricardo interrompeu minha retirada. — Vocês são demais! — exclamou ele, levantando-se abruptamente e começando a despir seu short ali mesmo, na frente de todos. Caminhei pela sala em direção ao meu quarto, tentando ignorar a cena constrangedora. — Ei, Caio! — chamou ele, já completamente nu. Todos os olhares se voltaram para mim — Guardei o melhor pra você. Ao me virar, fui surpreendido quando Ricardo jogou sua cueca suada diretamente em meu rosto, acertando em cheio o meu nariz. Normalmente, talvez eu pudesse ter encarado a brincadeira de forma descontraída, mas não com o histórico de desprezo que os outros caras tinham por mim naquela casa. E a situação piorou quando Ricardo fez seu comentário provocativo: — Relaxa aí, não fica chateado não! Porque eu sei que você gosta disso! Os risos escarnecedores dos garotos ecoaram na sala, suas gargalhadas ecoando como sinos de deboche. — Agora sim, o Bruno está de volta! — bradou Diego entre risos, como se estivesse se vingando de algo. Sentindo a raiva ferver em minhas veias, retirei a cueca de meu rosto com uma expressão de ira contida. Ignorando qualquer noção de decoro, avancei em direção a Ricardo e o joguei no chão com a força de meu impulso. — Nunca mais faça isso, seu filho da puta! — gritei, me preparando para desferir um soco em seu rosto. Mas antes que meu punho alcançasse seu rosto, fui segurado pelos amigos dele, imobilizado enquanto Ricardo permanecia por alguns instantes imóvel, fitando-me com um sorriso de admiração nos lábios. Por que diabos ele estava sorrindo para mim daquela maneira? Eu estava prestes a socar sua cara com toda a força! Era só gente estranha naquele alojamento! — Me larguem! — implorei, me debatendo enquanto Diego e Túlio me mantinham firme. Ricardo se levantou, ainda com aquele sorriso irônico estampado no rosto. — Qual é o seu problema, cara? — questionei, tentando me soltar dos braços dos outros garotos. De repente, algo chamou minha atenção. Olhei para baixo e percebi que Ricardo estava animado. Seu pau estava “meio bomba”. Fiquei surpreso com a cena. Voltei meu olhar para ele, que continuava sorrindo. Surpreendentemente, nenhum dos outros rapazes parecia ter notado, pois nenhum comentou a situação. — Vou tomar meu banho — anunciou ele, retirando-se e fechando-se no banheiro. Fui solto por Túlio e Diego quando Ricardo trancou a porta. — Vocês dois são uns covardes. Deviam ter me deixado dar uma surra nesse otário! — desabafei, ainda indignado. — Sério? Aqui somos três contra um, irmão. Você não é o Super-Homem — retrucou Diego, com os braços cruzados e um olhar sério. Eles me encaravam, Diego com um semblante fechado e Túlio com um sorriso de canto. Com raiva, entrei em meu quarto e senti uma forte vontade de ir embora. Diego tinha razão. “Eu não sou o Super-Homem e não tenho sangue de barata para suportar três babacas”, pensei, frustrado. Meus pensamentos se embaralharam diante de uma grande interrogação: valeria a pena continuar no alojamento, mesmo com toda aquela confusão, ou seria mais sensato pegar minhas coisas e partir imediatamente, afinal, sempre haveria um lugar disponível no quarto do meu primo? Por um lado, o alojamento representava uma oportunidade de independência, um espaço só meu onde eu poderia construir minha própria rotina. Mas, por outro lado, a convivência com Ricardo, Diego e Túlio estava se tornando insustentável. Afinal, não é fácil dividir o espaço com pessoas que te ignoram ou te provocam constantemente. Por outro lado, a oferta de um lugar confortável e familiar no quarto do meu primo parecia tentadora. Lá, eu estaria cercado por pessoas que me conheciam bem e que me acolheriam de braços abertos. Entretanto, a ideia de desistir tão rapidamente também me incomodava. Será que eu estaria fugindo dos meus problemas ao invés de enfrentá-los de frente? Será que eu estava sendo fraco ao considerar essa opção? As dúvidas martelavam em minha cabeça, e eu me via dividido entre o desejo de permanecer e enfrentar os desafios do alojamento e a tentação de buscar conforto e segurança no quarto do meu primo. Era uma decisão que exigia reflexão e coragem. 3

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Show, ansioso para desvendar tanto mistério no 34B. Será que Ricardo come os dois? Ou será que a suruba e brotheragem rolam soltas?

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