Prezados leitores, sinto a necessidade de quebrar a sequência lógica dos contos que publico, da saga GAROTO RURAL, da qual já tenho mais de 10 escritos e os quais publico paulatinamente nesse delicioso e concorrido site. Espero que gostem e vossos comentários me estimulam cada vez mais em contar as minhas experiências, as quais me causam ainda, muitas emoções. Tenho a dizer aos meus queridos leitores, sem pretensão alguma, que quem gosta dos meus contos apreciam também um pouco a boa leitura que a nossa sonora, riquíssima, preciosíssima “última flor do Lácio, inculta e bela” nos oferece, mesmo buscando aqui relatos sensuais e erotizados, os quais seguramente nos divertem muito. Eu mesmo adoro, mas também aprecio a forma como são escritas e a clareza com que nos fazem imaginar os envolventes momentos relatados. Tento me esforçar ao máximo para transmitir os momentos que vivi e me perdoem se às vezes não os consigo plenamente.
Esse conto não tem especificamente um ato sexual, como teve os anteriores e que terão os demais, mas tem a deliciosa tensão que geralmente o antecede. Adoro ler os contos onde os personagens demoram para tirar a roupa no primeiro encontro, através de cenários onde o autor descreve climas favoráveis, artifícios, malevolências, rodeios e estratégias que geram o ato, até porque sei que as pessoas não andam com plaquinhas na testa dizendo “Quero comer alguém agora”, e já aparece um personagem do nada, passando-lhe a mão, abrindo suas calças no primeiro convite e lhe chupando o pau imediatamente – se bem que isso deva acontecer em locais específicos, que não frequento – pois esses momentos me remetem a troca de olhares, insinuações, inicio de conversas e malícias que culminam com um clima propício para tal.
Pois bem, certa feita fui designado para dar suporte técnico de informática a um grande stand na feira agropecuária de Cascavel/PR. Se vocês querem ver um verdadeiro desfile de machos maravilhosos, vão a essa feira! Eu babava, mas estava trabalhando e focado em minha tarefa. O meu hotel estava lotado, assim como os demais na cidade. Tomei banho e desci para jantar, o restaurante do hotel estava cheio e o vozerio alto demais, mas eu estava com preguiça de sair. Dei uma volta pelo salão e todas as mesas estavam ocupadas. Um rapaz me chamou oferecendo a sua mesa de dois lugares apenas, dizendo estar sozinho e que eu podia sentar ali. Aceitei e agradeci pela gentileza. Me servi no buffet, pedi uma cerveja e sentei de frente para ele. Era “o macho alfa”. Basta descrevê-lo assim: “Deve morar em alguma academia”, ou “almoça e janta puxando ferro”, sem parecer monstruoso, apenas muito bem trabalhado fisicamente, enfim, lindo de morrer! Sua camiseta desenhava cada músculo do seu tronco e seu olhar era terno, amigado a um sorriso que vinha sendo construído suavemente dos cantos dos lábios ao centro, produzindo um biquinho sutil e gracioso. Ele estava queimado pelo Sol, pois era engenheiro agrônomo e vivia viajando pelas fazendas do Centro Oeste brasileiro representando uma empresa do interior de São Paulo. Ostentava uma reluzente aliança na mão esquerda e era dois anos mais velho que eu. Jantamos enquanto conversávamos. O salão foi enchendo cada vez mais e o barulho aumentando. Terminamos o jantar e resolvemos continuar o papo, que estava muito bom, nas mesas que haviam fora na área da piscina e pedi um baldinho de cervejas para levarmos. O agrônomo queria fumar e me ofereceu cigarros e aceitei, coisa que faço uma vez ou outra, sem viciar. O modo como ele soltava a fumaça me encantou e me contive para não ficar excitado, pois estava com uma bermuda justa. Ele também estava de bermuda e saiu do restaurante na minha frente dando-me vontade de passar a mão na deliciosa bunda de macho que ele tinha, que se diluía em duas portentosas pernas levemente peludas. Seus pés eram grandes e amassavam fortemente as suas felizes havaianas. Se esparramou na ponta do assento da cadeira fazendo seu corpo másculo ficar reto em 45 graus em relação ao piso e seu volume se acentuou dando-me taquicardia, mas juro que olhei furtivamente somente uma vez, para não me entregar assim de bandeja; coisa que a gente se ilude, é achar que os caras não percebem que somos “manja rolas”. Conversa vai, ele percebeu que eu não usava aliança e me perguntou se eu era solteiro. Respondi que sim. Ele: “Não conseguiram te fisgar ainda? Você é um cara de presença!”. Pensei, vou entregar o ouro e ver qual é: “Interessante que os héteros usam essa mesma expressão para dizer que outro homem é bonito” – e soltei um sorriso espremido. Ele parou me olhando com as sobrancelhas arqueadas e perguntou: “Você..???”. Eu: “Sim, sou gay... Desculpe...” – e espremi mais ainda o sorriso. Ele se recobrou e exclamou: “Ahhh, pare com isso, nada a ver, eu só não percebi... Não se preocupe que tenho vários amigos gays e os adoro”. Respirei aliviado ao saber que aquela conversa gostosa iria continuar e o deixei desenvolver mais. Ele continuou como se quisesse se justificar: “Minha mulher é sócia com a irmã num salão de beleza e me divirto quando vou lá. Tem cinco lá que são também” – e me encarou quase sério dizendo: “E eu odeio vocês!”. Nesse momento fiquei assustado e ele percebeu dando uma baita gargalhada e disse: “Cara, vocês são felizes demais e eu tenho inveja disso. Nunca vi meus amigos gays tristes, reclamando da vida, vocês sabem exatamente o que vocês querem, caralho!”. Respondi em tom de brincadeira: “Então vire gay, uai!”. Ele deu outra gostosa gargalhada e disse: “Tive oportunidade, mas definitivamente não é a minha praia”. E eu: “Me conte, me deixou curioso”. Ele estava perfeitamente à vontade e já meio tomado pela quantidade de cervejas que ingeriu, respondendo: “Eu estava na faculdade e estabeleci uma amizade com um colega de turma que mais me identifiquei, fazíamos trabalhos juntos, íamos para as baladas juntos e estávamos sempre na companhia um do outro. A família dele tem apartamento de veraneio no litoral paulista. Ele me convidou e fomos, só os dois. Bebíamos todas e azarávamos as meninas querendo foder, embora ele não se empenhava tanto quanto eu, mas normal para mim, cada um, cada um”. Deu umas boas tragadas no cigarro, bebeu mais uns goles da gelada e eu morrendo de curiosidade. Ele continuou: “Numa noite eu fiquei mais bêbado que ele, não conseguindo nem tirar as roupas direito para tomar banho e me recompor. Ele me ajudou gentilmente, enquanto eu ficava deitado na cama falando merda, rsrsrs. Ele me deixou completamente nu e tirou a sua roupa também me levando para debaixo do chuveiro. Eu estava com o cú sem dono, kkkk, mas lembro dos nossos corpos se encostando e lhe dizia brincando, que iria passar a mão na bunda dele, já que nenhuma garota queria dar para nós. Ele não falava nada e entrou comigo debaixo da ducha meio gelada, estando de frente agora para mim, me apoiando para que não caísse. A água fria funcionou como um relâmpago nos meus sentidos e senti a ponta do pau dele roçar no meu, ele estava nitidamente ficando excitado. Fiquei sem ação e ele se aproximou ainda mais e me deu um inesperado beijo na boca. Dei um pulo pra trás e bati com as costas na parece e escorreguei para o piso vendo que ele tinha a porra de um pau duro gigante. Consegui alcançar a maçaneta do box de correr, o abri e sai engatinhando rapidinho do banheiro, o deixando sozinho” – deu mais umas boas tragadas no cigarro, tomou mais cerveja e continuou: “Me enxuguei, vesti o calção e fiquei sentado na beirada da cama, ainda tonto, mas não mais pela bebida e sim pelo ocorrido. Estava enjoado e queria vomitar. Fiquei ali esperando ele sair do banho para talvez lhe dar uma porrada pela ousadia, mas o fato é que eu gostava demais dele e teria que entende-lo. Foi um turbilhão de pensamentos instantâneos e eu não estava preparado para isso, eu nunca tinha tido nenhum tipo de experiência igual e nunca havia me passado pela cabeça, pois sempre gostei demais de mulher”. E eu morrendo de curiosidade com o desfecho, perguntei: “E ele? Como ficou? Como foi depois?”. Ele acendeu outro cigarro comigo, bebemos mais um pouco e continuou: “Ele demorou muito no chuveiro e eu estava perdendo a paciência, pois havia recobrado todos os meus sentidos e pensei em tirá-lo de lá à força para termos uma conversa, já que aquilo não tinha feito sentido nenhum para mim, mas não precisou, ele saiu e estava chorando. Veio até mim cabisbaixo e se ajoelhou aos meus pés soluçando e pedindo perdão, pois ele nunca tinha falado para ninguém que era gay e que me desejava ardentemente”. Nesse momento começou a escorrer uma lágrima dos meus olhos, pois sei exatamente como é isso. Ele percebeu a minha emoção e exclamou apontando para o meu rosto com a palma da mão para cima: “Está vendo??? Vocês são intensos, são sensíveis demais, se emocionam até com filmes que a gente acha inteiramente babaca e sem sentido, e pior! São capazes de o assistir várias vezes e se emocionar de novo, vocês têm um coração gigante, se doam, se entregam, conseguem fazer piadas das próprias desgraças, amam arte, são criativos, tiram a roupa do corpo para ajudar alguém e eu os odeio por isso!” – e quase acabou o cigarro numa só tragada. E eu entendi que aquele “odeio” era uma expressão de admiração e respeito. Botei a minha mão sobre a dele: “É, meu amigo, mas a gente sofre muito mais por isso...”. Ele segurou a minha mão e a apertou delicadamente. Pude sentir que a palma da sua mão era almofadada me dando um conforto naquele aperto e disse-me, enxugado a minha lágrima com a outra mão passando-a delicadamente sobre meu rosto: “Eu sei amiguinho, eu sei. O meu amigo estava sofrendo e o meu coração doeu. Ele estava de joelhos dentro da sua própria casa, me pedindo perdão, soluçando e eu ajoelhei na frente dele e dei-lhe um forte abraço consolando-o como se faz com uma criança, e lhe disse, irmão, você vai ter sempre o meu coração, embora eu não possa te dar o meu corpo e lamento por isso, pois não consigo mesmo que eu me esforce. E saiba, eu estou lisonjeado por você gostar de mim dessa forma, juro! Não se preocupe, o que aconteceu morre aqui, vida que segue, continuo te amando como o meu melhor amigo e não quero te perder por nada. Agora... Se você insistir, vou te abandonar”. Ele continuou dizendo que o amigo se acalmou, foram dormir e na manhã seguinte o Sol brilhou novamente e não tocaram mais no assunto, continuando bons amigos até hoje. Só lamentou perder o companheiro das baladas e quando saiam juntos, ele se comportava ao extremo em relação às garotas, para não o magoar. Disse que ele vive no interior do Mato Grosso e sempre se encontram. O amigo se tornou um cara recluso e muito discreto, veio em seu casamento, inclusive, mas não tem ninguém, que ele saiba. Respondi: “Mas ele deve sofrer muito, pois amar e não poder ser correspondido é uma dor imensa. Eu mesmo já passei por isso”. Ele: “Eu sei e como lamento não conseguir nem imaginar ter uma relação assim. Amo a minha esposa e gosto demais do sexo com ela. Nunca a traí, me deu duas filhas lindas... É a minha natureza, nasci para satisfazer a minha esposa e gerar essas duas almas que vieram para mim”. Eu o observei enquanto ele tragava novamente o cigarro e não vi nenhuma lágrima ou sinal de emoção explícita. A emoção dele era interna, arraigada, estava no coração e não exposta ao público, e pensei, “coisa de machão hétero, eles são diferentes mesmo, pois eu, se falasse isso que ele falou, já estaria esgoelando, pois, as nossas emoções são viscerais”. Dois extremos num mesmo gênero, apenas com preferências sexuais distintas; e sem essa de alma feminina, por favor. Enquanto eu estava reflexivo ele me observava e me tirou do vazio: “Esse meu amigo é tão bonito quanto você – agora consegui dizer que você é um cara bonito, rsrsrs – e morro de dó dele e cada vez que o encontro, o incentivo para que se esforce e ache um cara legal para namorar, para conviver. Ele vive num armário lacrado. Creio que só eu saiba da sua condição. Ele é um padre! É muito religioso e morre de medo do inferno, acredita? Ele foge da mulherada que o assedia, pois não quer iludir ninguém ou levar uma vida dupla. Viaja muito para fora do Brasil e lá ele me falou que se solta um pouco. Rezo para que, numa dessas viagens ele encontre alguém. Estou em contato permanente com ele, pois sinto-o revoltado às vezes com a sua condição, a qual se refere como loteria maldita, já pensou até em suicídio. Eu me apavorei na época, mas agora que ele está mais na igreja, isso passou. Eu estava tão preocupado que cheguei a contar para a minha mulher, logo no começo do nosso casamento, e ela o adora. Ela o cerca de carinho quando ele nos visita, minhas filhas o amam e grudam nele de um jeito. Ele é uma pessoa maravilhosa, de um coração gigante e eu, sinceramente, lamento não o amar da forma como ele pretendia, mas não era essa a minha missão. Deus não me deu essa condição”. Eu estava novamente com lágrimas nos olhos e ele me pediu desculpas por me fazer chorar me emocionando ainda mais. Ele era meigo sem deixar de ser machão e lembrei da frase, “os brutos também amam”, conseguindo sorrir em meio às lágrimas. Ele me mostrou várias fotos do amigo e ele não é bonito... ELE É LINDOOOOO!!!! Eu lhe disse assim: “Cara, ele é mais que bonito, ele é lindão! Que belo homem! Eu teria grudado nele no chuveiro!”. Ele sorriu, olhando com ternura para a foto do amigo e eu senti inveja aquele amor fraternal. De repente ele despertou como de um sono profundo: “Caralho!!! Vou te apresentar a ele!” – estava eufórico com a repentina ideia. Eu me apavorei e fiquei balançando as mãos sobre a mesa: “Pelo amor de Deus! Não, não! Eu já me apaixonei o suficiente na vida e apanhei dela. Chega! Não, não, por favor! – e implorei com as duas mãos juntas. Ele pediu então que eu lhe contasse (e contarei também a vocês, querido leitores, nos contos que ainda publicarei). Após os relatos os quais o deixaram sensibilizados, eu lhe perguntei: “Então você não condena os homossexuais, achando pecado e tal?”. Ele: “Nunca! Quem sou eu? Apenas não curto, mas não discrimino não, apesar de odiá-los por serem mais felizes que todo o resto, kkkkk” – ria que dava gosto de ver, e emendou – “Uma vez assisti um vídeo do Clodovil relatando uma inspiração divina, onde Deus lhe dizia: Se EU condenasse os gays, não teria criado os estéreis... Achei isso fantástico, aquele cara era admirável!”. E eu: “Sim, ele era incrível..., mas, você acha que somos felizes, o seu amigo não é... Ele sofre e muito!”. Ele respondeu: “Olha, ele só precisa achar a pessoa certa e ter coragem pra se aceitar plenamente e sair do armário, porque esse cara, quando esquece da sua condição, é a pessoa mais divertida desse mundo, é um cara fantástico, com uma sensibilidade altíssima, ama música clássica, filmes melosos, romance, literatura, teatro, se você der um tema para ele, cria uma linda poesia na hora, enfim... Ele vem à São Paulo só para assistir peças teatrais e orquestras sinfônicas, tem uma cultura de dar inveja e eu o odeio também por isso” – fez um bico manhoso, como se estivesse contando uma mentirinha e tomou quase uma garrafinha inteira de cerveja num só gole, e emendou: “Você acredita que ele assistiu dez vezes ROMEU E JULIETA, do Franco Zeffirelli e chorou todas as dez??? Eu assisti só uma vez e deu! Filme comprido da porra!! Depois ele me indicou um filme que tinha assistido cinco vezes de tão bom chamado RETRATOS DA VIDA, de Claude Lelouch. Um filme apoteótico com a dança de um tal bailarino russo, embalado pelo enfadonho Bolero de Ravel. Cara! Filme bom até, mas não é pra cinco vezes nem a pau!”. Em seguida olhou para mim com as sobrancelhas arqueadas novamente, me desafiando, meio embriagado e perguntou: “Como vocês conseguem, hein? Eu sou um perfeito Kantista, mas vocês não conseguem se situar filosoficamente entre helenistas, kantistas ou outra escola qualquer, vocês são VOCÊS! Autênticos! Pura e simplesmente! Vocês amam as formas e têm a licença poética em querer se apossar delas se elas os agradam. As perseguem, e se não as conseguem, vocês as criam e recriam... E repito, eu os odeio por isso!” – e caiu na gargalhada novamente, abafando-a com um generoso gole de cerveja. Eu queria abraça-lo e beijá-lo, mas não podia, pois como ele disse, amar a forma não significa propriamente ter direitos sobre ela e esse era o conflito nos tornando quase helenistas, embora às vezes, vergonhosamente, as comercializamos e eu não poderei ser hipócrita em excluir-me desse artifício. É só ver a imensa quantidade de sites voltados para esse “mercado”. Adorei saber que ele gostava de filosofia, mas já estava tarde e ele estava bem bêbado. Tínhamos que ir cedo para a feira no dia seguinte. Sugeri entramos e ao levantar, ele se desiquilibrou um pouco quase caindo, então lhe disse em tom de provocação: “Quer que o leve até o seu apartamento e entre com você debaixo do chuveiro, para que não caia?”. Ele se recuperou na hora e mandou um “toco” bem moleque para mim e juntos caímos na gargalhada. Nos despedimos com um forte abraço e ganhei mais um amigo maravilhoso. Sou apaixonado por ele também, no bom sentido, é claro. Tive oportunidade de conhecer a sua meiga e belíssima esposa e suas lindas filhas. Num jantar, a sua admirável esposa me confessou que o seu marido é um chamariz de gays. Quando ele vai ao salão, os cabelereiros enlouquecem e ficam fazendo piadinhas, lhes passando as mãos pelos músculos e ele entra na brincadeira, os imitando e dizendo: “Sai pra lá, nojeeeeenta, sou comprometidA” – o que não combina nada com ele, mas que se esforça para entrar na onda, se divertindo, principalmente quando falam que sou uma mulher feliz com um homem daquele na cama... E sou mesmo, rsrsrs”. Eu adoro essa família, mas fujo de suas intenções em armar um encontro meu com o amigo agrônomo.