Continuando
"Eu quero toda a verdade, Marina. Toda."
A voz de Lucas saiu baixa, dura. Como se estivesse segurando um grito preso no peito há dias.
Marina estava de joelhos no chão do quarto, as mãos trêmulas segurando a barra da calça dele. O rímel borrado desenhava duas linhas pretas no rosto. O cabelo preso desfeito, os ombros tremendo.
"Eu vou te contar. Mas me promete que vai me deixar falar até o fim. Por favor, Lucas. Por favor."
Lucas não respondeu. Só sentou na beira da cama, os punhos cerrados sobre os joelhos, o olhar fixo nela como se ela fosse uma estranha.
Marina respirou fundo. O peito subindo e descendo em soluços contidos.
"O Ricardo... ele vem dando em cima de mim desde o primeiro dia do projeto. Sempre com uma piada, um toque no braço, um elogio fora de hora. Eu sempre fui educada, Lucas. Sempre. Ria, agradecia, e mudava de assunto. Mas ele é divertido. É carismático. Sabe seduzir sem parecer que tá seduzindo."
Lucas fechou os olhos por um segundo. O músculo do maxilar contraiu.
"E você achou bonito, né?"
Marina levantou os olhos, o lábio tremendo.
"Ele é um homem bonito, Lucas. Eu não vou mentir pra você. Mas isso nunca mudou o que eu sinto por você. Nunca. Eu te amo, Lucas. Eu sempre pensei no nosso casamento. Na promessa que a gente fez. No meu amor que é fiel a você."
Lucas riu. Um riso seco, sem humor.
"Fiel? Fiel quase foi, Marina."
Marina engoliu em seco.
"Nunca aconteceu nada, Lucas. Nada. Até quarta-feira passada."
As palavras caíram como uma pedra no chão do quarto.
Lucas abriu os olhos devagar.
"Quarta-feira? O dia que você chegou 1h da manhã chorando?"
Agora eu entendi as piadas do Henrique..... Ele sabia
Por isso soltou piadas.
Marina assentiu e a lágrima escorreu.
"Eu tava nervosa. Morria de medo de perder o projeto. Era a apresentação final e o Ricardo disse que tinha ficado na sala de reunião até mais tarde pra revisar comigo. Eu fui. Fui burra. Fui ingênua."
Marina levou a mão ao rosto, como se tentasse se esconder da própria história.
"Ele entrou na sala. Fechou a porta. Me abraçou. Disse que eu tava me cobrando demais. Que eu era a melhor pessoa do time dele. E você, Lucas... você tava tão distante. Sempre no hospital. Sempre no plantão. Eu tava me sentindo frágil. Sozinha. Insegura. E de repente ele me consolando. Me abraçando. Olhando nos meus olhos..."
Ela parou. A voz morreu na garganta.
"E ele me beijou, Lucas. E eu... eu retribui."
O silêncio que veio depois foi cortante. Frio. Como inverno.
Lucas ficou imóvel. Só o peito subia e descia com força.
"E aí, Marina? O que você fez?
Marina se quebrou em lágrimas. Caiu de vez.
"Me perdoa, Lucas. Me perdoa. O beijo esquentou. Ele começou a passar a mão no meu corpo. Nas minhas costas. Na minha coxa. E eu... eu quase deixei. Quase." Marina bateu no próprio peito com a mão fechada. "Mas aí veio um estalo. Um lampejo de sanidade. Eu pensei em você. Em nós. No amor que eu tenho por você. E eu sai correndo dali. Correndo, Lucas. Sai dizendo que aquilo era errado. Que eu não ia trair o meu marido."
As lágrimas agora vinham sem controle, escorrendo pelo queixo.
"No caminho pra casa eu não parava de chorar. Pensando no que eu quase fiz com a gente. Pensando em você. Pensando em como eu fui fraca. Por isso você me viu chegando em casa e indo direto pro banheiro pra chorar. Eu não consegui nem olhar na sua cara naquela noite. Eu tinha vergonha de mim mesma."
Lucas ficou em silêncio por um tempo que pareceu não ter fim. Quando falou, a voz saiu arranhada.
"Por que, Marina? Por que você esteve longe de mim? Por que você não veio falar comigo na hora?"
Marina ergueu o rosto, os olhos vermelhos e suplicantes.
"Porque eu tinha vergonha, Lucas. Vergonha de ter sido fraca. Vergonha de ter sujado o que a gente tem. E porque você... você tava tão preso no trabalho. Tão frio. Eu tinha medo de você me empurrar ainda mais pra longe."
Lucas se levantou de uma vez.
"Isso não é motivo pra você fazer o que fez, Marina. Eu admito. Eu estive ausente. Eu estive preso no trabalho. Mas isso não justifica você retribuir um beijo do seu chefe. Não justifica."
Marina se agarrou na perna dele, chorando.
"Eu sei. Eu sei, Lucas. Me perdoa. Foi só um beijo. Eu juro. Só um beijo. Não me deixa. Por favor, não me deixa."
Lucas olhou pra baixo. Pra mulher que ele prometeu amar na alegria e na tristeza. E agora ela estava ali, quebrada aos pés dele, confessando uma traição que não chegou ao fim por centímetros.
"Marina... eu nem sei o que dizer agora." Lucas passou a mão no rosto, cansado. "Eu não quero ouvir mais você. Eu não quero olhar na sua cara."
Marina soluçou.
"Então você vai me deixar, Lucas? Depois de tudo?"
Lucas não respondeu. Olhou pra porta do quarto de hóspedes.
"Eu vou dormir lá hoje. E não estranha se eu deixar essa casa, Marina."
Marina arregalou os olhos, desesperada.
"Não, Lucas. Por favor. Eu preciso de você. Não me deixa. Me perdoa."
Lucas se soltou do toque dela com cuidado, como se estivesse afastando algo que pudesse o machucar mais.
"Eu preciso pensar. Preciso respirar. Preciso me lembrar de quem eu sou sem você agora."
Ele virou as costas e foi pro quarto de hóspedes. Fechou a porta com um baque que ecoou pela casa inteira.
E quando caiu na cama, foi como se alguém tivesse arrancado o chão debaixo dele. A dor veio forte, pesada, sufocante. O sentimento de traição cortando por dentro como lâmina.
Lucas enterrou o rosto no travesseiro e chorou. Chorou de raiva. De mágoa. De impotência. Chorou como um homem que acaba de perder tudo.
A manhã chegou fria e silenciosa.
Lucas saiu do quarto de hóspedes com os olhos inchados e o rosto abatido. Foi direto pra cozinha. Marina estava lá, sentada na mesa, com uma xícara de café intocada esfriando na frente. Ela levantou na hora quando viu ele.
"Lucas... bom dia."
"Não." Lucas ergueu a mão. "Não fala nada agora."
Ele pegou um copo d’água e bebeu tudo de uma vez, como se precisasse apagar o gosto amargo da noite anterior.
"Eu pensei a noite inteira, Marina. E tem uma coisa que não fecha pra mim."
Marina ficou parada, as mãos agarradas na borda da mesa.
"O quê?"
"Ricardo em Búzios." Lucas olhou pra ela direto nos olhos, sem piscar. "O que ele tava fazendo lá, Marina? Coincidência de novo?"
Marina empalideceu. As pernas pareceram não segurar mais o corpo.
"Eu juro que eu não sei, Lucas. Eu não sei se foi perseguição. Eu não sei se ele foi atrás de mim." Marina levou a mão ao peito, o coração batendo descompassado. "Só a Isabela sabia que eu ia pra Búzios com você. Só ela. Eu não contei pra mais ninguém. Eu não posso acreditar que o Ricardo viria até lá por minha causa."
Lucas deu um passo na direção dela. A sombra dele cobrindo Marina inteira.
"E com quem você tava falando no telefone ontem à noite no banheiro, Marina? Não mente pra mim. Eu ouvi sua voz."
Marina tremeu. O copo na mesa tremeu junto.
"Era... era com o Ricardo." Ela confessou, a voz um fio.
Lucas parou. O sangue subiu pra cabeça como fogo.
"Você o quê? Você tava falando com ele?"
"Ele me ligou, Lucas. Eu atendi porque achei que era sobre o projeto." Marina começou a chorar de novo, as palavras saindo atropeladas. "E ele disse que me quer. De qualquer jeito,eu pedir parcela para que ele estava me prejudicando,Ele Disse que se eu tentar denunciar ele por assédio, sem provas, ele me põe na rua. Me joga no meio da rua, Lucas."
Marina segurou o braço de Lucas com as duas mãos, desesperada.
"Mas eu juro, amor. Eu juro que eu só tô esperando a conclusão do projeto. Se der certo eu vou ser promovida. Vou pro escritório da Barra da Tijuca. Vou comandar todo o setor da Zona Oeste e Centro. Aí eu não vou mais ter que responder pra ele. Aí eu não vou mais ter que ficar perto do Ricardo. Me perdoa. Eu te amo. Por favor."
Lucas ficou olhando pra ela. Os olhos cheios de lágrimas que ele se recusava a deixar cair.
Marina. A mulher que ele escolheu. A mulher que ele defendeu. A mulher que quase se deitou com outro homem.
Lucas respirou fundo.
"Só uma pergunta, Marina." A voz dele saiu mais baixa ainda. "O que vocês conversavam no restaurante da pousada quando eu cheguei?"
Marina parou. Olhou nos olhos dele. E pela primeira vez não desviou o olhar.
"Eu não vou negar, Lucas. Ele começou a falar do projeto. Mas depois tentou dar em cima de mim de novo. Tentou me puxar pra perto. E eu... eu educadamente desconversava. Eu falei que era casada. Que te amava. Que não ia cair nessa de novo."
Lucas fechou os olhos.
"Educadamente." Ele repetiu a palavra como se tivesse gosto de veneno.
"Marina... eu nem sei o que dizer agora. Eu não quero ouvir mais você. Eu não quero olhar na sua cara." Lucas se afastou um passo. "E vou ficar no no quarto de hóspedes eu preciso pensar ,mais meu amor te que perto mais meu ego de homem diz que eu devo sair ."
Marina correu e segurou o braço dele antes que ele fosse.
"Por favor, Lucas! Eu preciso de você! Não me deixa! Me perdoa! Eu te amo! Eu te amo mais que tudo!"
Lucas parou. Olhou pra ela. E viu o medo genuíno. Viu o arrependimento. Viu o amor.
Mas viu também a dúvida. A desconfiança. A rachadura que agora cortava o meio do casamento deles.
Lucas se soltou devagar.
"Amor não apaga o que aconteceu, Marina. Amor não apaga um beijo retribuído."
Ele se virou e foi embora sem olhar pra trás.
Entrou no quarto de hóspedes e fechou a porta.
E deitado na cama fria, sozinho, Lucas sentiu o peito doer como se tivesse levado um soco bem no coração.
O sentimento de traição. A raiva. A decepção. A impotência de não saber se ainda podia confiar na mulher que dormia ao lado dele há anos.
Lucas enterrou o rosto no travesseiro e chorou. Em silêncio. Sozinho. Com o gosto amargo da verdade na boca.
_Ela retribuiu o beijo. Ela quase foi mais longe. E o Ricardo ainda está por aí. Sorrindo. Como se nada tivesse acontecido._
A linha vermelha não estava mais perto.
Ela tinha sido cruzada. E agora Lucas precisava decidir se ainda tinha solução para o casamento ,em meios ao choro e sofrimento ,derrepente o telefone toca número desconhecido
Lucas atende ."Alô"
"Alô Doutor Gatão"
Quem está falando?Quem é vc e como conseguiu meu número?
Calma Gatão aqui é Isabela do marketing.
Continua.....dessa vez sem concidencias tá bom Dona IDA kkkkkk.
E brincadeira tá IDa abraço