Tapinha na Bundinha

Um conto erótico de Mateus
Categoria: Gay
Contém 3143 palavras
Data: 21/04/2026 21:28:01
Última revisão: 21/04/2026 22:00:24

Na última noite antes de irmos embora, acordei com sede. Era tarde, mais de meia noite. A casa estava silenciosa, aquele silêncio profundo de interior, onde até o escuro parece mais denso. O silêncio da casa só era quebrado pelo zumbido distante da geladeira na cozinha e pelo farfalhar das árvores do quintal batendo contra o vento.

Me levantei devagar, evitando fazer barulho. Meu avô dormia cedo, a mulher dele também, eles deviam estar apagados. O resto da casa parecia suspensa, como se estivesse esperando o fim da nossa estadia para voltar ao ritmo normal.

Me virei de um lado para o outro no quarto escuro, o cheiro leve de madeira antiga misturado com a noite fria. Apertei os olhos, Rodrigo não estava na cama. Isso não era totalmente incomum, mas onde ele estaria?

Me levantei. A luz do corredor estreito estava apagada. A casa, escura. Fui andando devagar, tateando na escuridão, já meio sabendo onde procurar. Foi quando vi a luz fraca. Uma fresta sob a porta do escritório do meu avô. Estranho. Empurrei a porta com cuidado. Trancada. Aquilo me fez parar. Fiquei alguns segundos ali, em frente, sem bater.

E então ouvi. O silêncio do outro lado não era completo. Havia um som baixo, irregular, quase abafado, um gemido feminino misturado a um grunhido masculino. Não era exatamente um som claro, mas era suficiente para ser reconhecível. Pornô.

Meu corpo entendeu antes da minha cabeça. Franzi a testa, meus dedos se fechando em punho sem que eu percebesse. Não era a primeira vez que eu pegava Rodrigo vendo pornô, mas desta vez algo me incomodou mais do que o habitual. A maçaneta não cedeu. Bati na porta com os nós dos dedos, três vezes, firme.

— Rodrigo – chamei, baixo.

Nada.

— Rodrigo – minha voz mais grossa do que pretendia, carregada de uma irritação que não conseguia disfarçar.

Bati novamente, mais firme. Silêncio, dentro do quarto, o som do vídeo parou abruptamente, depois um movimento lá dentro, rápido, desorganizado. O barulho da cadeira, um ruído de algo sendo ajustado às pressas, um tecido se movendo, um corpo se endireitando.

— Já vai — ele respondeu, a voz mais baixa do que o normal.

Esperei. Poucos segundos. A tranca girou com um estalo metálico, e a se porta abriu só o suficiente. Quando ele apareceu, ele estava diferente, respiração mais pesada, ainda fora do ritmo, o rosto levemente vermelho, o cabelo meio bagunçado, o olhar evitando o meu por um instante curto demais para passar despercebido. Olhei por cima do ombro dele. O computador ligado, a tela clara demais no escuro. Entendi, claro que entendi. Mas isso não facilitou.

— Que foi?

Como se fosse nada. Ele estava sem camisa, o peito nu, os músculos definidos. A calça de moletom cinza, antes frouxa, agora marcava o volume grosso de uma ereção que ele não tentou esconder. Meus olhos caíram direto para aquele detalhe, e algo dentro de mim se contraiu, não de desejo, mas de uma raiva azeda.

— Sério? — falei, entrando sem pedir.

Ele fechou a porta atrás de mim.

— O quê?

— Isso.

Apontei com o queixo para o computador. A tela virada num ângulo estranho, mas não o suficiente para esconder completamente a cena em pausa escancarada no monitor, uma loira genérica de quatro, sendo penetrada por trás, o homem agarrando seus quadris com força. A imagem congelada falava por si. Aquilo me acertou de um jeito que eu não estava esperando. Ele deu de ombros.

— Ué – Rodrigo passou a mão no cabelo, impaciente – Qual o problema?

A naturalidade dele me irritou mais do que a cena. Qual o problema. Ri, mas sem humor.

— Só é meio ridículo.

Ele cruzou os braços, agora incomodado de verdade.

— Ridículo por quê?

— O problema é que eu tô aqui.

Ele franziu a testa.

— E daí?

E daí. A simplicidade da pergunta me travou por um segundo. Porque eu não tinha uma resposta limpa.

— Você podia… — comecei.

Mas parei. Ele cruzou os braços.

— Podia o quê?

O silêncio ficou pesado.

— Nada — falei, seco.

Virei para sair, mas ele segurou meu braço. Não com força, mas com intenção.

— Fala.

Virei de volta. Agora mais perto.

— Tá de brincadeira, né? Você tá aqui, no computador do meu avô, batendo uma pra um vídeo de merda enquanto poderia tá comigo – minha voz não subiu, mas o tom era cortante, como uma lâmina raspando pedra – Você podia estar comigo, mas prefere isso. Você tá gozando aqui enquanto eu tô na mesma casa, sozinho, esperando você me procurar.

A frase saiu mais direta do que eu pretendia, mas já era tarde. Rodrigo não recuou, mas também não respondeu na hora. Silêncio. O tipo de silêncio que muda o ar. Rodrigo me encarou, seu pomo de adão subindo e descendo, como que engolindo em seco.

— Você tá falando sério?

— Tô.

— Você tá bravo porque eu…

Ele não terminou, mas não precisava. Rodrigo não recuou, mas também não se aproximou. Ficou ali, entre a mesa de madeira escura e a pequena poltrona encostada na parede, as mãos se fechando e abrindo ao lado do corpo, como se não soubesse o que fazer com elas.

— Eu tô bravo porque você complica tudo do jeito mais idiota possível – eu disse.

— Eu?

Ele deu um passo à frente. Agora estávamos próximos demais para fingir que era só discussão.

— Você que fica criando coisa – ele disse.

— Eu não crio nada.

— Cria sim.

A voz dele subiu um pouco, depois baixou de novo, como se lembrasse da casa onde estávamos.

— Eu não tava… não tava evitando você. Só tava… dando uma aliviada – sua voz era rouca, e o modo como evitou o meu olhar só fez a minha irritação aumentar – Pra mim é simples.

— Claro que é — retruquei — Você faz questão de deixar simples.

— E você faz questão de deixar impossível.

Aquilo ficou entre nós, mais pesado do que antes. Mais pessoal.

— Não é impossível — falei, mais baixo agora — Você só não quer.

Rodrigo travou por um segundo. Um só. Mas eu vi.

— Não é isso.

— Então o quê?

Ele não respondeu. E foi essa ausência que me fez dar um passo à frente, invadindo o espaço de Rodrigo, o forçando a recuar até encostar na mesa. O computador ainda emitia uma luz azulada, iluminando metades de nossos rostos, criando sombras profundas sob nossas faces.

— Eu quero você — ele disse, depois de um tempo.

— Então por que prefere bater punheta sozinho no escuro do que estar comigo?

Ele respirou fundo, passou a mão no rosto, como se organizasse alguma coisa interna. O espaço era pequeno demais para aquela tensão toda. A luz do computador ainda iluminava metade do rosto dele, criando sombras que deixavam tudo mais… exposto.

— Porque não é só isso – seus olhos finalmente se fixando nos meus, escuros e brilhantes – Não é sobre o vídeo... com você, é diferente... com você, eu perco a cabeça.

Aquilo me pegou de surpresa. Suas palavras foram lentas, como se estivesse medindo cada sílaba. Senti o calor subir pelo meu pescoço, não de vergonha, mas de algo mais primal.

— Não é só isso? – perguntei.

— Não pra você.

A resposta veio mais baixa. Mais honesta e, de alguma forma, mais complicada.

— E você decide por mim agora?

— Não.

Pausa.

— Eu só não quero te confundir.

Ri de novo.

— Confundir o quê?

— Você.

— Você não tem esse poder todo.

— Tenho mais do que devia.

Silêncio. O tipo que não dá para atravessar sem se expor.

— Então é isso? Você prefere… isso — apontei de novo para a tela, sem olhar diretamente — Do que lidar comigo? Você prefere uma fantasia a mim? É mais fácil, não é?

— Para de falar merda.

— É mais fácil do que lidar comigo e lidar com o que você sente, não é?

— Não é sobre você.

— Nunca é, né?

Ele me encarou. De verdade.

— Você não entende. Não é preferir.

— Então me explica, porque é o que parece.

Ele deu um passo mais perto. Agora estávamos quase colados.

— É mais simples.

— Claro que é.

— E você não é.

Aquilo não era ofensa, era constatação. E talvez por isso tenha doído mais. Ficamos ali, respiração misturada, tensão acumulada de dias inteiros. Ele me olhou direto, agora sem desviar.

— Eu não consigo fazer isso do seu jeito, não do jeito que você quer continuar.

A frase veio crua. Sem filtro.

— Qual jeito?

— Esse… — ele hesitou, procurando — Que parece que tem mais coisa entre nós, do que realmente tem.

Ali. Finalmente. Dei mais um passo.

— Mas tem.

— Eu sei.

Aquilo me fez parar. Porque ele sabia. E mesmo assim…

— Então por que você sempre foge? — perguntei, mais baixo agora.

Rodrigo deu um meio riso, sem humor.

— Porque eu não sei ficar.

A sinceridade veio torta, mas veio. E aquilo desarmava, mas não o suficiente.

— Mas você sempre volta.

Ele não respondeu, só me olhou e sorriu de leve. E, dessa vez, não havia defesa, só tensão. E algo acumulado demais para continuar parado. O resto não foi decisão, foi consequência. A proximidade já não cabia mais em palavra nenhuma. O corpo dele reagiu primeiro, ou talvez o meu. Não dava mais para separar.

Foi nesse ponto que alguma coisa cedeu. Não de forma explosiva, mas inevitável. Como uma corda que já estava tensionada há tempo demais. Rodrigo não se afastou. Eu também não e, dessa vez, não havia distração. Nem silêncio confortável. Nem espaço para fingir que era simples.

Mas, diferente das outras vezes, havia algo mais ali. Não mais calmo, mais intenso, mais… consciente. Como se cada gesto viesse acompanhado do que tinha sido dito antes e do que ainda não tinha. Era direto, mas carregado. Como se, por baixo de tudo, a gente estivesse lidando com mais do que o corpo. Ou tentando não lidar.

Minha mão subiu, meus dedos se fechando em torno da garganta de Rodrigo, não com força suficiente para machucar, mas o bastante para o fazer sentir meu domínio sobre ele. Rodrigo não resistiu. Ao contrário, seu corpo pareceu relaxar sob o meu toque, os lábios se entreabrindo em um suspiro.

— Mateus…

Meu nome saiu como um aviso, ou talvez um pedido. Não importava. Eu já o estava empurrando contra a mesa. A tela do computador piscou quando o mouse foi empurrado, mas nenhum de nós dois se importou. Minhas mãos foram direto para a cintura do moletom de Rodrigo, puxando o tecido para baixo com um movimento brusco. A ereção saltou livre, grossa e vermelha, a cabeça já úmida de gozo.

— Olha só isso aqui – minha voz era um rosnado baixo, meus dedos se fechando em torno do pau de Rodrigo, apertando apenas o suficiente para o fazer estremecer – Tão duro pra um vídeo idiota, mas vai ver se não fica mais ainda pra mim.

Rodrigo gemeu, a cabeça caiu para trás, expondo a linha do pescoço.

— Porra, Mateus… - suas mãos subiram, agarrando meus ombros, suas unhas cravando levemente na minha pele através da camisa – Você sabe que eu não consigo resistir a você.

— Então não resista.

Não dei tempo para mais palavras. Me ajoelhei na frente de Rodrigo, minhas mãos deslizando pelas coxas musculosas, os dedos afundando na carne firme. O cheiro de homem, esperma, sabonete, o cheiro natural da pele, invadiu minhas narinas, fazendo minha própria excitação latejar contra o calção do meu pijama. Sem cerimônia, lambi a ponta do pau de Rodrigo, saboreando o gosto salgado do pré-gozo, antes de engolir fundo seu cacete, minha garganta se ajustando ao tamanho da sua vara.

Rodrigo arfou, seus dedos se enterrando nos meus cabelos, não para me guiar, mas para se segurar.

— Caralho, assim… assim, porra.

Seu quadril se moveu para frente, involuntário, empurrando mais fundo. Não recuei. Aceitei, minha língua trabalhando a veia pulsante na parte de baixo do pau, minhas bochechas ocas enquanto sugava com força, meus lábios apertados na base do pau.

Mas não era suficiente. Não para mim. Eu queria mais, queria sentir Rodrigo perder o controle de verdade, queria o ouvir gemer meu nome como se não houvesse nada mais importante no mundo. Com um último chupão ruidoso, me afastei, deixando o pau de Rodrigo brilhante de saliva, latejando no ar.

— Agora é minha vez – minha voz era áspera, meus olhos fixos nos de Rodrigo enquanto arranquei meu pau para fora, liberando minha ereção, já dolorida de tanto querer.

Rodrigo não precisou de mais incentivo. Com um movimento rápido, ele me girou, me empurrando contra a mesa, a madeira fria pressionando meu estômago. As mãos de Rodrigo foram direto para o meu bundão, apertando com força, seus dedos afundando na minha carne macia antes de descerem, puxando a calça e a cueca para baixo em um único movimento. O ar frio da noite tocou a minha pele exposta, me fazendo estremecer.

— Você quer controlar? – eu ri, zombeteiro, o som do riso abafado no quarto escuro – Então me mostra o que você faz.

Rodrigo não respondeu com palavras. Sua boca desceu, quente e úmida, direto para a fenda entre as minhas nádegas. A língua, larga e habilidosa, lambeu do meu períneo até o início das minhas costas, antes de se concentrar no pequeno círculo apertado do meu ânus. Eu arfava, meus dedos se crispando na madeira, minhas unhas arranhando.

— Puta que pariu, Rodrigo… - minha voz tremia, meu corpo já reagindo, meu cuzinho se contraindo sob aquele ataque.

Rodrigo não parou. Suas mãos seguraram as minhas nádegas, as afastando, me expondo ainda mais, enquanto sua língua trabalhava sem piedade, círculos, pressões, penetrações rasas que me faziam gemer e me contorcer.

— Mais… porra, mais – eu não me importava em pedir, não agora, não quando a boca de Rodrigo era tão quente, tão certa ali.

Um dedo úmido, molhado de saliva, pressionou contra o meu buraquinho, e eu segurei a respiração.

— Relaxa, benzinho – a voz de Rodrigo era um murmúrio contra a minha pele, as palavras vibrando em mim – Deixa eu abrir você.

O dedo entrou devagar, mas firme, me dilatando, me preparando. Mordi o lábio, sentindo a queimação inicial dar lugar a um prazer profundo, quase insuportável.

— Outro – supliquei e não reconheci a minha própria voz, tão rouca, tão desesperada.

Rodrigo obedeceu. Dois dedos agora, trabalhando em sincronia, me esticando, torcendo por dentro, enquanto sua outra mão descia, agarrando o meu pau, me masturbando no mesmo ritmo.

— Assim, porra. Assim – empurrei o quadril para trás, buscando mais, os gemidos saindo sem controle – Me fode, Digo. Eu quero sentir você dentro de mim.

Não houve mais delonga. Rodrigo se levantou, o pau latejando, a cabeça já escorrendo esperma. Ele cuspiu na própria mão, passando a saliva pelo comprimento do meu cuzinho, antes de posicionar a ponta contra a minha entradinha, já molhada de saliva e pronta.

— Segura – sua voz era um comando, e eu obedeci, agarrando a borda da mesa com força, me preparando.

A penetração veio devagar a princípio, apenas a cabeça, larga e quente, forçando a minha entrada. Eu arfava, o corpo tenso, mas então Rodrigo empurrou mais fundo, e o prazer explodiu em ondas, ofuscando qualquer desconforto.

— Caralho! – minha voz quebrou, meus dedos brancos de tão apertados na madeira.

Rodrigo não deu trégua. Com um movimento de quadril, ele se enterrou até o fundo, as bolas batendo contra as minhas nádegas.

— Porra, você tá tão apertado… - sua voz era um rosnado, as mãos descendo para agarrar meus quadris, os dedos cravando na minha carne.

Ele começou a se mover, devagar no início, cada investida profunda, cada retirada lenta, como se quisesse saborear cada segundo. Mas eu não queria lento.

— Mais forte, porra! Me fode com raiva!

Empurrei o quadril para trás, encontrando cada estocada, meus gemidos abafados no escuro, sem vergonha. Por sorte o escritório do meu avô era afastado dos quartos e ele já não escutava tão bem, ainda mais quando dormindo. Rodrigo não precisou ser pedido duas vezes. Seu ritmo acelerou, os quadris batendo com força, a mesa rangendo a cada impacto.

— Assim, seu safado? Assim que você gosta?

Sua mão subiu, descendo com um estalo seco na minha nádega. O som ecoou no quarto, seguido pelo meu gemido contido.

— Mais – eu não sabia se pedia por mais tapas ou mais penetração.

Não importava. Rodrigo deu os dois. Cada tapa deixava a minha pele quente, formigando, o prazer se misturando à dor de um jeito que fazia a minha cabeça girar.

— Não para… porra, não para – eu estava próximo, podia sentir, meu pau latejando entre minhas pernas, a pressão no meu cuzinho quase insuportável.

Rodrigo deve ter sentido o mesmo, porque seu ritmo ficou errático, os quadris se movendo em círculos agora, cada investida atingindo um ponto dentro de mim que me fazia ver estrelas.

— Vou gozar, porra. Vou gozar dentro de você.

Suas palavras eram um aviso, ou uma promessa. Não respondi. Não conseguia. Minha própria mão desceu, agarrando meu pau, me masturbando com força, no mesmo ritmo das estocadas de Rodrigo.

— Juntos…

Foi tudo que consegui dizer antes do orgasmo me atingir, o esperma jorrando sobre meus dedos, na mesa, no chão. Meu corpo se contraiu, meu ânus apertando o pau de Rodrigo com força, e foi isso que o levou ao limite.

Rodrigo grunhiu, fundo, seus dedos cravando nas minhas nádegas enquanto seu orgasmo o dominava, o esperma quente me enchendo por dentro. "Mateus…" Meu nome saiu como uma prece, ou uma maldição, enquanto ele se deixava cair para frente, o peito colado nas minhas costas suadas, nós dois ofegantes, tremendo.

O silêncio que se seguiu foi quebrado apenas por nossas respirações pesadas. Rodrigo ainda estava dentro de mim, o pau amolecendo lentamente, mas nenhum de nós dois se mexeu para se separar. Rodrigo riu, um som baixo, cansado, antes de morder levemente o meu ombro. Sua mão subiu, acariciando o local onde havia me batido, minha pele ainda quente.

Quando tudo desacelerou, nos afastamos, o quarto parecia menor. O computador ainda ligado, esquecido, a luz da tela acesa, o mundo lá fora, intacto. Rodrigo passou a mão no cabelo, respirando fundo. Foi ele quem finalmente quebrou o silêncio, a voz rouca, quase um sussurro.

— Viu? — ele disse, sem me olhar.

— O quê?

— Complicado.

Sorri de lado.

— E você continua vindo.

— Eu não sei fazer diferente — ele disse, baixo.

Não era desculpa. Era limite. Fechei os olhos por um instante.

— Eu sei.

E, pela primeira vez, aquilo não soou como acusação, só como verdade. A gente ficou ali mais alguns minutos. Sem pressa, sem solução. Sabendo, talvez com mais clareza do que antes, que aquilo não ia mudar, mas também que não ia desaparecer. E, de algum jeito estranho… isso ainda era suficiente.

Ele me olhou então, os olhos escuros brilhando, e, pela primeira vez naquela noite, não tinha resposta pronta. Só um tipo de silêncio que não era fuga, mas também não era permanência. E eu entendi. Ali, naquele ponto exato, que ele nunca ia embora de verdade, mas também nunca ia ficar. E que, de alguma forma estranha, eu já tinha aceitado isso muito antes de admitir.

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