Continuando ,peço que prestem bastante atenção nos detalhes,isso dirá muita coisa.
A manhã seguinte chegou fria e silenciosa.
Eu acordei com o lado da cama vazio. O travesseiro da Marina ainda tinha a marca do cabelo dela, mas estava frio. Ela já tinha saído.
Na cozinha a xícara de café dela estava na pia, meio cheia. O batom manchado no guardanapo de ontem ainda estava lá.
Eu sou médico. Passo o dia lendo sinais em corpos que não falam. Mas com Marina eu não consigo ler nada. E isso me desmonta.
Hoje era o evento da empresa dela. "Confraternização anual de resultados". Marina me chamou na quarta. "Vem comigo, Lucas. Você precisa sair desse hospital um pouco."
Eu disse que ia. Mas não contei o horário que eu chegaria.
Cheguei no salão do hotel às 19h47. Terno escuro, gravata frouxa. O crachá no meu peito dizia _Lucas Almeida — Convidado_. Marina não me viu. Ela estava do outro lado do salão, no centro, conversando com dois colegas.
O primeiro foi *Henrique Vasconcelos*. 40 anos, gerente comercial, terno claro, sorriso largo demais. Alto, postura de quem manda na sala. Ele tocou no braço da Marina quando falou. E ela não se afastou.
O segundo foi *Isabela Duarte*. 32 anos, loira, cabelo solto, vestido azul que caía perfeito. Analista de marketing. Bonita de um jeito silencioso. Olhos azuis claros, lábios carnudos. Ela estava ao lado da Marina como se fossem amigas de anos.
Henrique ergueu a taça pra Marina.
"Pra nossa estrela da noite. Sem você a apresentação do trimestre não tinha virado esse case de sucesso."
Marina agradeceu, educada. O olhar dela escapou por um segundo. Foi pro canto do salão. Pra Ricardo. Ele estava sozinho, copo na mão, sem sorrir. Só observando.
Isabela percebeu. E me viu também, parado na entrada.
Ela se aproximou de mim com a taça na mão. Me olhou de cima a baixo e na mesma hora os olhos dela brilharam.
"Lucas?" Ela repetiu meu nome devagar, como se estivesse confirmando. "Eu já te vi. Na Festo da empresa . Você é o marido da Marina, né?"
Ela deu um passo na minha direção. Perto demais. O perfume doce dela invadiu meu espaço.
"Marina não te viu ainda, né? Ela está tão ocupada com o Ricardo que nem percebeu que você chegou." Isabela encostou a mão no meu braço e deixou ficar. "Que surpresa pra ela."
Henrique apareceu do meu lado, com um sorriso calculado.
"Lucas. O marido da Marina. Prazer." Ele disse "marido" com ênfase, me avaliando.
"Já ouvi falar muito de você.
Isabela sorriu pra mim sem tirar o olhar.
"Então você é o marido médico, né? Marina fala tanto de você que eu já estava curiosa."
Ela encostou a mão no meu braço de novo. "E você é ainda mais interessante ao vivo."
Marina ainda não tinha me visto. Estava de costas, rindo de algo que Ricardo tinha dito.
Henrique riu baixo.
"Para de caçar o marido alheio, Isabela. Ele já tem dona."
"Ter dona não significa que não pode ser admirado, Henrique." Isabela não se afastou. "E eu admiro, Lucas. Admiro muito."
Eu não respondi. Mas a mão dela no meu braço me incomodava mais do que as palavras.
Henrique entrou na conversa pra jogar mais lenha.
"É o projeto com o Ricardo, Lucas. Mexe no emocional da gente. Noite adentro, pressão, discussão. Às vezes a linha entre colega e... outra coisa... fica tênue."
Ricardo. De novo o nome.
Marina finalmente virou e me viu. O rosto dela perdeu a cor na mesma hora.
"Lucas? O que você faz aqui? Eu não sabia que você já tinha chegado."
"Eu cheguei agora."
"Você não me avisou."
"Eu queria ver."
Henrique se afastou, mas não antes de soltar:
"Boa sorte, doutor. Diagnóstico de relacionamento é o mais difícil. Não tem exame que detecte."
Isabela ficou. Se aproximou mais de mim, agora sem disfarce. Os olhos dela brilharam.
"Marido médico, né? Que interessante. Marina nunca descreveu você assim." Ela encostou de novo no meu braço. "Você deve sofrer muito com o trabalho dela. Noite adentro, reunião, pressão..."
"Isabela, chega." Marina cortou, a voz tensa.
"Por quê? Eu só estou cumprimentando seu marido." Isabela sorriu pra mim. "Você não me disse que ele era tão bonito assim, Marina."
Marina puxou Isabela pelo braço.
"Para com isso, Isabela. Agora."
"Por quê? Eu só estou sendo simpática." Isabela virou pra mim e baixou a voz. "Mas se quiser conversar de verdade, sem a Marina no meio, me chama. Eu sempre tenho tempo pra um médico interessante."
Marina ficou pálida.
"Isabela, para agora, ou eu vou falar com o RH sobre o seu comportamento."
Isabela deu de ombros e se afastou, mas não antes de me olhar de novo. Um olhar carregado, provocante. Como se estivesse me dizendo: _eu sei que você está rachando por dentro. E eu gosto disso._
Marina me puxou pro canto do salão, longe deles dois.
"Não acredita nela, Lucas. Isabela flerta com todo mundo. É o jeito dela de ter controle. Ela faz isso com homem, com mulher, não importa. Principalmente com marido de colega."
"Então por que ela está flertando comigo na sua frente?"
Marina fechou os olhos.
"Porque ela sabe que você é meu ponto fraco, Lucas. E ela gosta de ver você desestabilizado."
Henrique entrou na conversa de novo, agora do outro lado.
"É o projeto com o Ricardo, Lucas. Mexe no emocional da gente. Noite adentro, pressão, discussão. Às vezes a linha entre colega e... outra coisa... fica tênue." Ele olhou pra Marina. "Não estou dizendo que aconteceu. Estou dizendo que pode acontecer. Acontece."
Marina cortou, a voz mais dura.
"Henrique, chega. O Ricardo é só nosso diretor. Profissional. Ponto."
"Ponto?" Henrique riu. "Se fosse só profissional, você não teria chorado na sala de reunião na quarta, Marina."
Marina congelou.
"Como você sabe disso?"
"Porque eu estava lá. Cobrindo você." Henrique olhou pra mim. "Marina cometeu um erro na apresentação na quarta, Lucas. O cliente ameaçou cancelar. Ela ficou responsável. Ela chorou. Ricardo ficou com ela até tarde pra acalmar."
Chorado na sala. Na quarta. O dia em que ela disse que teve reunião o dia todo.
Marina segurou meu braço.
"Eu não traí você, Lucas. Eu juro. O que aconteceu na quarta foi pressão. Foi choro. Foi Ricardo me dando um abraço de conforto e nada mais. Nada mais."
Abraço. A palavra ficou presa na minha garganta.
"Então por que você estáva chorando no banheiro de madrugada?" eu perguntei.
Marina abriu a boca. Mas antes que ela falasse, o microfone do salão chiou. O diretor subiu no palco.
"Vamos brindar ao nosso time! E especialmente à Marina, que salvou o trimestre!"
Todo mundo bateu palma. Todo mundo olhou pra ela.
Marina fechou a boca. Engoliu o que ia dizer.
"Depois, Lucas. Em casa. Eu prometo."
Mas eu já não sabia se acreditava em promessa.
Porque Henrique plantou a dúvida. Isabela jogou charme pesado na minha cara, na frente da Marina, como se fosse um jogo. E Ricardo... Ricardo ficou em silêncio. E silêncio é a pista mais perigosa de todas.
Eu saí do salão com Marina do meu lado. Mas minha cabeça ficou lá dentro. Com Henrique sorrindo. Com Isabela me olhando como se eu fosse uma presa fácil.
E com a certeza de que nada aqui é o que parece.
Nem a traição.
Nem a lealdade.
Nem a Marina que eu achava que conhecia.
Na volta pra casa o carro cortava a avenida vazia como se estivesse fugindo de alguma coisa. O silêncio dentro dele era mais pesado que o barulho dos pneus no asfalto.
Marina olhava pela janela, os dedos apertando a alça da bolsa até os nós ficarem brancos. Eu segurava o volante com tanta força que as juntas doíam.
"Você vai falar alguma coisa ou vamos ficar assim até chegar em casa?" eu quebrei o silêncio.
"Eu já falei, Lucas. Não tem nada pra falar."
"Não tem nada? Henrique me chamou de doutor na sua frente. Isabela encostou a mão no meu braço e me chamou pra conversar sem você. E você chegou em casa na quarta às 1h da manhã e foi direto pro banheiro chorar. E você acha que não tem nada?"
Marina virou pra mim, os olhos brilhando de raiva.
"Eu acho que você está criando um filme na sua cabeça porque é mais fácil do que admitir que você não confia em mim."
"Não é confiança, Marina. É limite. E você está pisando nele."
"Limite? Você acha que amor tem limite?"
"Amor tem, sim. E o meu se chama respeito." Eu olhei pra ela firme. "Eu te amo, Marina. Mas eu não aceito traição. Nunca aceitei. E nunca vou aceitar."
Marina ficou paralisada com a palavra.
"Então você já me condenou, é isso? Antes mesmo de eu falar uma palavra?"
"Eu não condenei ninguém. Eu só não vou viver de migalha. Se você cruzou a linha, fala agora. Eu prefiro a verdade do que viver uma mentira bonita."
"Você acha que eu cruzaria essa linha com o Ricardo?" Marina bateu a mão no painel. "Você acha que depois de sete anos eu ia jogar tudo fora por um abraço de chefe às onze da noite?"
"Eu não sei o que você faria, Marina. Porque a mulher que eu conhecia não chegava em casa 1h da manhã chorando e se escondendo no banheiro."
"Eu chorei porque estava exausta, Lucas! Porque eu sou responsável por um projeto que pode cair a qualquer momento! Porque eu não tenho com quem dividir isso além de mim mesma!" Marina levantou a voz. "Você não está aqui pra dividir. Você está aqui pra julgar."
"Se eu estivesse mais presente isso não estaria acontecendo." Eu rebati. "Se eu estivesse lá, o Ricardo não estaria te tocando."
"Se você estivesse mais presente você não estaria me acusando por causa de um abraço!" Marina respondeu na mesma hora. "Você trabalha 30 horas no hospital, Lucas. Você chega em casa e vira um estranho. Você não me pergunta nada. Você não me toca. Você não me olha. E agora você vem com esse discurso de respeito e limite?"
A palavra _acusando_ me atingiu. Mas eu não recuei.
"Eu não estou te acusando. Eu estou te avisando. Eu amo você, Marina. Mas amor sem respeito não me serve. E se um dia você quebrar isso, acaba. Simples assim. Sem choro. Sem segunda chance."
Marina ficou em silêncio. O queixo dela tremeu, mas ela não chorou.
"Então é isso? É tudo ou nada pra você?"
"É tudo ou nada, Marina. Porque meio termo pra mim é traição."
O sinal abriu. Eu acelerei sem responder.
O resto do caminho foi tenso. Quando chegamos em casa, eu bati a porta com força. Marina entrou atrás de mim, jogou a bolsa no sofá.
"Você acha que eu não vejo, Lucas? Você chega do hospital e vira uma parede. Você não me toca. Você não me beija. Você não me procura." Marina estava no meio da sala, o vestido preto ainda colado no corpo. "E agora você vem com essa postura de homem de honra?"
"Vc deveria entender ,que tenho chegado cansado varia cirurgias,mas isso é temporário,logo estarei presente como sempre estive antes".
"Eu sou homem de honra, Marina. E é por isso que eu não vou ficar com uma mulher que me traiu. Nem que eu ainda ame ela."
"Então você prefere ter razão do que ter a gente?" Marina deu um passo na minha direção. "Porque é isso que você está fazendo, Lucas. Você está escolhendo ter razão em vez de me ouvir."
"Eu vou te ouvir quando você falar a verdade inteira. Sem omissão. Sem abraço. Sem choro às 1h da manhã."
"Eu não tenho verdade pra te dar, Lucas! Porque não aconteceu nada! Nada!" Marina gritou. "Quem precisa falar a verdade aqui é você. Fala que ainda me quer. Fala que ainda acredita em mim. Fala que não vai me jogar fora na primeira suspeita."
O silêncio ficou pesado entre nós.
"Eu te quero, Marina. Mais do que qualquer coisa nessa vida." Eu falei baixo, mas firme. "Mas eu não vou mendigar amor. E eu não vou dividir você com ninguém. Nem com o Ricardo. Nem com a sua ambição. Nem com o seu cansaço."
Marina fechou os olhos. Quando abriu, a raiva tinha dado lugar a outra coisa. Algo mais denso.
"Então prova, Lucas. Prova que você me quer sem medo e sem condição."
Ela deu um passo na minha direção. Depois outro. Até ficar colada em mim.
"Chega de discurso, Marina."
"Chega de parede, Lucas."
Eu puxei ela pra mim. Beijei ela com a mesma intensidade da discussão. Um beijo duro, possessivo. Não era medo de perder. Era certeza de que ela era minha. E que se alguém tentasse tirar ela de mim, eu não ia aceitar calado.
Marina respondeu na mesma força. As mãos dela agarraram minha camisa, me puxando pro sofá.
A gente caiu ali. Roupa sendo arrancada. Beijo no pescoço. Mordida na clavícula. O gemido dela abafado na minha boca.
Não tinha carinho. Tinha domínio. Tinha posse. Tinha a necessidade de marcar território. De lembrar os dois que, independente da dúvida, ela ainda era minha.
Marina montou em mim no sofá, a saia do vestido subindo pelas coxas. Eu segurei a cintura dela com força, como se estivesse dizendo sem palavras: _ninguém te toca além de mim_.
"Não vai, Marina."
"Eu não vou, Lucas." Ela respondeu entre um beijo e outro. "Eu nunca fui. E eu nunca vou. Porque eu te escolhi. E eu continuo te escolhendo."
O sofá rangeu. O vestido dela rasgou no ombro. O meu cinto bateu no chão. A gente se pegou como se fosse uma guerra. Louco. Intenso. Como se o sexo fosse a única forma de selar o que as palavras não conseguiam.
Marina começou a quicar no meu pau,me olhando com seus olhos azuis,uma verdadeira amazona ,galopando no seu macho.
"Sou sua Lucas,sempré fui come essa cachorra ,come sua puta me rasga com esse caralho ,como essa buceta mete com força,isso caralhoooo eu vou gozarrrrr Lucas.
"Goza sua vadia ,goza no pau do seu macho vc é minha e ninguém vai te tirar de mim.
Gozamos juntos,um orgasmo avassalador e deliciosamente perfeito"
Quando acabou, a gente ficou ali. Suado. Ofegante. Marina deitada no meu peito, os dedos fechados na minha camisa.
"Você ainda duvida de mim?" ela perguntou no meu ouvido.
"Eu não duvido de você, Marina. Eu duvido do que eu não controlo."
"Então para de tentar controlar e começa a confiar." Marina levantou a cabeça e me olhou. "Mas saiba disso: se um dia eu trair você, eu não vou pedir perdão. Eu vou embora. Porque eu também não aceito pouco."
Eu assenti. Passei a mão no cabelo dela, bagunçado.
"Viagem."
"O quê?"
"Viagem." Eu repeti. "A gente precisa sair daqui. Sair dessa cidade. Sair dessa rotina. Sair do Ricardo, do Henrique, da Isabela. Só eu e você. Uma semana. Sem hospital. Sem empresa. Sem nada."
Marina sorriu. O primeiro sorriso verdadeiro desde ontem.
"Você está falando sério?"
"Sério. Amanhã eu peço folga. Você cancela as reuniões. A gente vai pra praia. Só nós dois."
Marina se aconchegou mais em mim.
"Eu topo. Mas com uma condição."
"Qual?"
"Você não leva o celular do hospital. E eu não levo o do trabalho."
Eu ri. Pela primeira vez em dias.
"Fechado."
Marina fechou os olhos e descansou a cabeça no meu peito. O coração dela ainda batia acelerado. O meu também.
A briga não resolveu tudo. A dúvida não sumiu. O Henrique e a Isabela ainda estavam lá fora, plantando veneno.
Mas naquela sala, naquele sofá, por alguns minutos... era só eu e ela.
E isso, pra mim, era o único limite que importava.
Eu estava errado e o futuro iria mostrar isso..