Capítulo 5: Peões e Reis: A Rotina Sob o Vidro

Um conto erótico de Bruno
Categoria: Heterossexual
Contém 2674 palavras
Data: 19/03/2026 09:08:24

Desde a quarta-feira, quando recebi a ligação da Mariana, os dias passaram como uma flecha cruzando o céu do Recreio. Meu pai, Otávio, transbordava um orgulho que chegava a ser sufocante; para ele, ver o filho no maior escritório de advocacia do Rio era a realização de um destino. Helena também sorria, mas seus olhos guardavam aquele brilho de quem preferia me ter em casa, nos nossos rituais proibidos.

Eu tentava manter a rotina. Surfava ao amanhecer, sentindo a água gelada lavar a ansiedade, mas a cada remada, o peso da segunda-feira aumentava. Meus amigos no Posto 10 não ajudavam. — "Ih, lá vai o Dr. Advogado! Vai defender quem, Bruno? O tubarão que roubou tua onda?" — as zoadas eram constantes, e quanto mais a data chegava, mais de saco cheio eu ficava.

Finalmente, a segunda-feira deu as caras. Acordei em um desânimo abissal. Antes, o despertador era o sinal para pegar a prancha; agora, era o carrasco que me mandava vestir o terno azul-marinho. Olhei-me no espelho, ajeitando a gravata com o nó perfeito que meu pai ensinara. Peguei as chaves do carro que ele me dera — um sedã impecável, símbolo da "vida adulta" que eu relutava em aceitar — e dirigi em direção à Barra da Tijuca. Aquela seria minha nova prisão: terno de manhã, escritório à tarde e faculdade à noite. Um ciclo de tédio emoldurado em vidro espelhado.

Ao chegar na recepção monumental, o ar-condicionado no 18°C me deu um choque térmico. Anunciei meu nome para a recepcionista, entregando os documentos do estágio. — "Seja bem-vindo, Bruno. Vou chamar a Vanessa, do Departamento Pessoal, para guiá-lo," — disse ela, acionando o ramal.

Vanessa, uma subordinada direta da Mariana, logo apareceu. Enquanto subíamos o elevador privativo, tentei puxar assunto. — "A Mariana está por aqui hoje? Precisava agradecer a ela pessoalmente." — "A Dra. Mariana está em uma reunião estratégica na sala dela," — Vanessa respondeu, com uma eficiência robótica. — "Ela é uma mulher extremamente ocupada, Bruno. Tem toda uma equipe abaixo dela para cuidar da rotina. Sabe como é... sendo irmã do Dr. João, as responsabilidades dobram."

Aquilo me pegou de surpresa. Então a Mariana também era da família? O DNA daquela linhagem era foda: beleza e poder em cada andar. Vanessa me explicou rapidamente como funcionavam os pontos eletrônicos e a conduta ética, até pararmos diante de uma mesa de carvalho negro.

— "Dra. Verônica, este é o Bruno Oliveira, seu novo estagiário."

Verônica levantou os olhos dos autos e o impacto foi imediato. Aos 45 anos, ela era uma coroa surreal. Uma advogada Pleno experiente, com um corpo moldado por anos de rigor, vestida em um conjunto cinza que exalava uma seriedade quase erótica. O cabelo castanho estava preso em um coque perfeito, e os óculos de leitura na ponta do nariz davam a ela o ar de uma autoridade que não aceitava erros. Ela me mediu de cima a baixo, um escaneamento frio que me deixou desconfortável.

— "Pode ir, Vanessa. Eu assumo daqui. Bruno, venha comigo. Vou te mostrar o escritório," — Verônica disse, sua voz saindo firme e autoritária, sem sequer olhar para a subordinada da Mariana enquanto se levantava.

Começamos o tour. Enquanto passávamos pelos corredores de mármore e vidro, vi uma movimentação diferente. Todos os funcionários se postaram de forma ereta, baixando o tom de voz e bajulando uma mulher que acabara de chegar. Era Camila Lacerda. Fiquei fascinado; ela era uma coroa de 50 anos deslumbrante, com uma pele impecável e uma postura de imperatriz que comandava o ambiente sem esforço.

— "Bom dia, Dra. Camila!" — as vozes ecoavam em uníssono, um coro de bajulação.

— "Aquela é a Camila," — Verônica explicou de forma seca, sem parar a caminhada. — "Mãe do Dr. João, Dra. Ana Beatriz e da Dra. Mariana. Ela é a Diretora Administrativa e cuida de todo o patrimônio e imóveis da família por fora. Basicamente, nada acontece aqui sem o aval dela."

Fiquei hipnotizado pela beleza daquela mulher, ela era uma coroa de 50 anos absolutamente deslumbrante, o tipo de mulher que faz o tempo parecer um aliado, não um inimigo. A pele era muito clara e impecável, contrastando com olhos de um azul tão profundo e gélido que pareciam escanear a alma de qualquer um que cruzasse seu caminho. O cabelo loiro, perfeitamente ondulado e na altura dos ombros, emoldurava um rosto esculpido, onde cada traço exalava uma autoridade inquestionável.

O corpo dela era um desaforo para as leis da biologia. Vestia um conjunto de seda pérola ajustado, que sublinhava seios fartos e uma cintura que o pilates devia manter sob controle rígido. As pernas, que eu via através de uma fenda estratégica na saia midi, eram torneadas e firmes, terminando em saltos agulha que batiam no mármore com a precisão de um metrônomo. Ela não caminhava; ela desfilava uma soberania que deixava qualquer ninfeta do Recreio parecendo amadora.

Verônica, porém, não me deu tempo para devaneios. Com um pigarro seco, ela me despertou do transe e gesticulou para que eu a seguisse. Atravessamos o salão principal, onde o som frenético dos teclados e o murmúrio de advogados juniores criavam uma sinfonia de estresse, até chegarmos a uma baia estrategicamente isolada do resto do burburinho. Ali, o cheiro de papel antigo e café frio parecia ter se instalado de forma permanente.

— "Isabela, este é o novo estagiário. Ensine o básico a ele e não me tragam problemas. Tenho uma tese para refazer por culpa do Dr. Felipe," — sentenciou Verônica, dando meia-volta com a elegância de um oficial de justiça prestes a cumprir um despejo.

Fiquei ali, em pé, observando a garota que seria minha "monitora" naquele purgatório de luxo. Isabela tinha uns 23 anos e era o tipo de beleza que o escritório tentava domesticar, mas não conseguia apagar. Ela usava óculos de armação fina e preta que destacavam olhos castanhos atentos, emoldurados por um rosto de traços delicados, quase angelicais. O cabelo estava preso em um coque firme, mas alguns fios rebeldes insistiam em cair sobre o pescoço claro.

Apesar da blusa de seda fechada até o último botão e da saia social escura, era impossível não notar que, por trás daquela fachada de eficiência nerd, havia um corpo que o sedentarismo do Direito não tinha conseguido vencer. Ela tinha curvas generosas que o corte reto da roupa tentava disfarçar: o volume dos seios que pressionava o tecido da blusa e um quadril largo que preenchia a cadeira de forma pecaminosa.

Ela finalmente desviou os olhos do monitor de 24 polegadas e me encarou com uma mistura de tédio e curiosidade.

— "Senta aí, novato. Qual o seu nome mesmo?" — perguntou ela, sem muita cerimônia, enquanto batucava as unhas impecáveis no teclado.

— "Bruno. Bruno Oliveira," — respondi, puxando a cadeira ao lado e sentindo o rastro de um perfume doce e discreto que vinha dela.

— "Pois é, Oliveira... Sorte a sua que eu estou de bom humor. Vou te mostrar como funciona o sistema de indexação antes que a Verônica volte com sangue nos olhos," — ela deu um meio sorriso, o primeiro sinal de que aquela armadura de estagiária veterana tinha alguma brecha. — "Aqui, a gente transforma papel em dados. É chato, é mecânico, mas se você errar um código, o Dr. Felipe descobre e faz a Verônica moer a gente. Entendeu o jogo?"

Eu relaxei na cadeira, usando aquele meu sorriso de lado que costumava funcionar no Posto 10. — "Entendi, Isabela. Pelo visto, você é quem manda nessa área. Sou todo ouvidos."

Ela ajustou os óculos no nariz, um gesto que me permitiu ver o brilho de malícia que ela tentava esconder. — "Gostei da atitude. Agora abre aquela pasta ali e começa a conferir as datas. Temos muito o que fazer antes do almoço."

Fiquei ali, folheando processos mofados por quase uma hora, sentindo o terno azul começar a pesar nos ombros. O silêncio da baia era quebrado apenas pelo clic-clic incessante do mouse da Isabela e pelo murmúrio distante de advogados correndo de um lado para o outro. O tédio era uma tortura física; eu preferia estar tomando um caldo no Posto 10 do que conferindo datas de petições antigas.

Larguei a caneta sobre a mesa e me recostei na cadeira, observando o teto de gesso por alguns segundos antes de me virar para ela.

— "Isabela, papo reto... como alguém não enlouquece aqui dentro?" — perguntei, a voz carregada de desânimo. — "Esse lugar é um labirinto. Tem ideia de quanta gente trabalha nesse monólito de vidro? Parece que tem uma hierarquia para cada respiração que a gente dá."

Ela parou de digitar por um instante, ajeitou os óculos e me deu um olhar de quem já tinha visto centenas de estagiários entediados passarem por ali.

— "São quase duzentas pessoas, Oliveira. Entre advogados, administrativo, TI e a gente, que somos os operários da base," — ela explicou, baixando o tom de voz. — "Se você quer sobreviver, precisa entender o mapa da mina. No topo do topo, o Triunvirato: João Vítor, Vitória e Ana Beatriz. Eles são os Sócios-Fundadores. Eles não caminham, eles flutuam."

— "E a coroa que a Verônica me mostrou? A tal da Camila?" — indaguei, lembrando da postura de imperatriz da mãe do João.

— "Dra. Camila é a Diretora Administrativa. Ela controla o dinheiro, os imóveis da família e a logística de tudo. É a matriarca, nada se move sem o carimbo dela. E tem a Dra. Mariana no D.P., que é irmã do João. Basicamente, os Lacerda são os donos do tabuleiro. Abaixo deles vêm os Sócios de Serviço e os Sêniores, depois os Plenos como a Verônica, os Juniores e, finalmente, nós."

Eu ia perguntar quantos Sêniores havia no escritório quando um barulho de porta batendo com força ecoou pelo andar, fazendo o vidro da baia vibrar. Um homem de uns 35 anos, terno impecável e cabelo perfeitamente alinhado, surgiu dando esporros em meio mundo de gente. Ele caminhava como se o chão fosse pequeno para o seu ego, parando nas mesas e gesticulando com agressividade.

Ele parou diante da mesa da Verônica, que ficava a poucos metros da nossa baia.

— "Verônica! Isso aqui está medíocre!" — ele gritou, jogando uma pasta sobre a mesa dela com uma violência desnecessária. — "Eu não lutei para ser Sênior e ter que revisar erro primário de subordinado! Se eu perder o prazo dessa tese, a culpa vai ser exclusivamente da sua incompetência. Refaça tudo agora!"

Mal o eco do grito de Felipe cessou, a porta do elevador se abriu. O clima no andar mudou instantaneamente; o ar ficou pesado, carregado de uma autoridade que fazia os teclados acelerarem. Entraram juntos os três pilares do império.

Eu nem conseguia acreditar no que via. Eram absurdamente jovens para carregar tanto poder. À frente vinha João Vítor. O cara exalava o tipo de poder que eu só tinha visto em filmes de máfia ou em pódios de surfe profissional. Aos 30 anos, ele era o reflexo masculino da genética absurda da mãe: o mesmo rosto de traços marcantes, cabelos escuros e olhos azuis que pareciam passar por cima de qualquer um sem pedir licença. Sob o terno de corte italiano, dava para notar um porte físico atlético, de quem não vivia só atrás de uma mesa. Ele caminhava com uma arrogância natural, o tipo de cara que sabe que é o dono do jogo.

Ao seu lado, Vitória era um contraste absurdo; uma morena deslumbrante, de traços finos e cabelos escuros que caíam em ondas pelos ombros. Os olhos amendoados dela tinham um brilho de inteligência serena, e o sorriso, embora legal, parecia esconder uma pureza que não combinava com aquele ninho de cobras.

Fechando o trio, Ana Beatriz, aos 34, era a autoridade em forma de mulher. Alta, imponente, com cabelos loiros e impecáveis, ela exibia olhos verdes que cortavam como navalha. O vestido social marcava um corpo escultural, com coxas grossas e uma postura que deixava claro: ela era a mente técnica ali dentro. Ela passava séria, gélida, ignorando a patética bajulação ao redor.

Felipe, que segundos antes rugia como um leão, transmutou-se num gatinho de colo. O rosto vermelho de fúria deu lugar a um sorriso servil que dava nojo. Ele praticamente correu na direção dos três. — "Dr. João! Dra. Vitória! Dra. Ana! Que honra tê-los juntos no operacional hoje! O relatório daquela fusão já está pronto na minha mesa, adiantado!" — ele tagarelava, quase se curvando.

Isabela se inclinou para o meu lado, sussurrando:

— "Isso é raridade, Oliveira... os três Lacerda juntos aqui no meio de nós. O escritório mudou de órbita."

Imediatamente, o andar virou uma colmeia frenética. Ninguém mais ousava fazer corpo mole. João Vítor ia andando, cumprimentando os advogados com um carisma que parecia um aperto de mão de ferro revestido de veludo. Vitória distribuía sorrisos cordiais, enquanto Ana Beatriz apenas passava, o silêncio dela sendo mais imponente que qualquer grito do Felipe.

Para surpresa de todos, João parou no meio do salão e passou o olho pelas baias, buscando alguém. — "Onde está o novo estagiário? O filho do Dr. Otávio?" — perguntou ele, a voz projetada com a calma de quem manda em tudo.

Alguém apontou para a nossa baia. João caminhou até mim, seguido pelos olhares de puro choque de todo o andar. Ele parou na minha frente e estendeu a mão. —

"Olá, você deve ser o Bruno. Muito prazer! Seu pai me falou muito bem de você. O Doutor Otávio foi um mentor muito bom para mim no início da minha carreira." — Ele deu um sorriso de canto, me medindo. — "Seja bem-vindo ao meu escritório, espero que esteja gostando. Se precisar de qualquer coisa, é só me procurar diretamente."

Apertei a mão dele, sentindo o vigor daquele aperto. Felipe nos observava de longe com um desdém amargo, os olhos injetados de inveja. Quando João seguiu em frente com as irmãs, Isabela soltou o ar que parecia estar prendendo há minutos.

— "Caraca, Oliveira... eu trabalho aqui há meses e nunca vi o "Dono" chegar perto de um estagiário assim. Você acaba de virar o assunto da semana.

Eu não respondi de imediato. Apenas observei o rastro de poder que João Vítor deixou para trás. O tédio de conferir processos mofados tinha sido substituído pela sensação de que eu tinha acabado de entrar no radar de quem realmente importava. Mas a trégua durou pouco.

— "Isabela!" — o tom de Verônica cortou o ar como um chicote. — "Pare tudo o que está fazendo. Quero que revise essa tese de novo, do zero. Se o Dr. Felipe encontrar mais um erro de digitação ou uma vírgula fora do lugar, eu vou garantir que você não consiga estágio nem em juizado de pequenas causas."

Isabela murchou visivelmente, as mãos tremendo levemente sobre o teclado. — "Mas doutora, eu já revisei três ve..." — "Eu não perguntei quantas vezes você revisou! Eu dei uma ordem!" — Verônica disparou, os olhos faiscando. Ela estava possessa, descontando a humilhação que sofrera do Sênior na única pessoa que estava abaixo dela. — "E você, Bruno, pare de olhar e ajude ela. Se vocês dois não terminarem isso até o almoço, esqueçam o intervalo."

Ela girou nos calcanhares e saiu, o som dos seus saltos batendo no mármore como tiros. Isabela baixou a cabeça, os ombros caídos, claramente abalada pela injustiça da bronca.

Eu me inclinei na direção dela, quebrando a barreira da distância profissional. Coloquei a mão sobre a dela, que ainda repousava trêmula sobre o mouse. O toque foi breve, mas o calor da minha pele contra a dela fez Isabela soltar um suspiro curto, quase um susto. Ela me olhou por cima dos óculos, e por um segundo, o brilho de "nerd focada" deu lugar a uma vulnerabilidade que a deixava ainda mais atraente.

Ela deu um sorriso tímido, as bochechas ganhando um leve tom rosado. — "O café eu aceito, Oliveira. Mas o trabalho... é melhor a gente começar logo."

Ela retirou a mão devagar, mas o clima tinha mudado. O tédio tinha morrido de vez. Eu sabia que, a partir daquele momento, a minha vida no 20º andar seria um jogo de equilibrar o ego dos chefes e o desejo que começava a borbulhar naquela baia isolada.

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