45. O fim (1/2)

Da série Eu sou novinho
Um conto erótico de Mateus
Categoria: Gay
Contém 2469 palavras
Data: 18/03/2026 08:24:41
Assuntos: Gay

45. O fim (parte 1/2)

Agora eu sou um homem oficialmente casado, estranho porque casei com Murilo por correspondência, como se duas pessoas pudessem passar de solteiros para casados em um mês, podem. Agora oficialmente sou pai de Faruk e Hassan. Mostrei a eles onde sepultei meu pai e trouxe minha mãe para descansar com ele, de certo modo eu disse a eles que nós três não temos pai nem mãe, mas estamos juntos se decidirmos ser uma família. Eles me abraçaram, eles fizeram as orações deles e eu as minhas, vou ficar vindo com eles de vez em quando. Depois a gente foi caminhar num parque e eles foram desintristecendo, estão mais soltos e falam melhor o português - também… crescendo juntos com Amós e Amon…

Perguntaram se Murilo iria melhorar e voltar pra casa ou se ia morrer. Murilo e eu resolvemos falar que ele tinha câncer, Renato ficou puto, mas as diversas recaídas de Murilo não poderiam ser confundidas com tristeza, ansiedade, nem pelo peso da paternidade. “Pai, tio Danoel volta do Brasil?”, “Vai, Daniel vai voltar para o Brasil.”, eles achavam que Daniel iria ficar procurando pelos parentes deles lá tem certo ressentimento com Daniel. Daniel esteve na festa de aniversário de Faruk, Daniel pergunta como será quando Murilo voltar, eu não achava que isso fosse acontecer, ele me perguntava se referindo a Lana, não sei, lidar com esse futuro problema era coisa que eu ia gostar de lidar.

Por hora, meus filhos estavam assombrados com o fato de seus dois pais estivessem na mesma cama que duas novinhas que não davam atenção a mais ninguém. As meninas iriam querer foder com os outros caras em algum momento, viram o respeito de todos eles por mim, por meu marido, por meus filhos, por elas. Adoraram ver Rui e Galvão virem ao meu quarto e foder forte Marcos e eu, foderam garganta e cu, dizendo que se eu tivesse boceta também ia deixar inchada e arrombado, tapas na bunda na cara, puxão de cabelo, mordidas, chupadas, beijos que faltavam arrancar os dentes, porque o fôlego eu já nem tinha, depois a gozada nos próprios pés, a ordem de lamber e deixar limpos suas chibata, seus pés e o chão, depois o aconchego no colo deles aquele cuidado, o carinho, Rui dizendo que vive pra Galvão e pra nós, o banho que dariam não pode ser dado juntos, Galvão me pegou no colo, parou duas vezes para me beijar, Ceci nos acompanhou e viu como foi o banho que me foi dado, o cuidado com cada cantinho meu, pomada no cuzinho, voltei para o quarto caminhando em pantufas, coberto por um robe, mas quando cheguei à minha cama, essa mulher ficou louca, me fez uma chupeta, queria minha porra e queria sentir meu pau no cuzinho dela.

Foi aquela vez, sem força alguma ambas foderam minha pica e a de Marcos, revezaram, não controlei e gozei dentro Lana, mas isso não impediu que Ceci engolisse toda a porra que ainda fugia de mim e da bunda de nossa namorada não saia nada, camisinha, dormi com Lana de um lado e meu marido do outro, foi bom ver a surpresa de nossos filhos quando contei que não podiam subir no colchão aquela manhã como sempre, dois homens e duas mulheres nus. Amon olhou para o pai e apontou o dedo, “Você é um péssimo gay, isso é influência desse outro falso gay, seus comedores de pepeka”, dois segundos e as gargalhadas, mas ele não saiu do personagem, passou o dia dando a notícia para todo mundo.

Inclusive para os avós, para a mãe por telefone, e para Murilo, que estava muito pálido, desmotivado, abatido; a terapia não estava surtindo efeito. Eu estava cada vez mais preocupado, as irmãs dele também, Caio, Daniel, Bosco, Galvão, Samuel, Joel… todo mundo. Hassan e Faruk a todo instante perguntavam por quanto tempo ele iria viver. Final de setembro eu recebi uma notícia que me fez chorar por mas de uma hora, o outro Murilo encerrou o expediente e me amparou até em casa, Faruk e Hassan entenderam só de me ver, eles me consolaram e exceto por seus irmãos, ninguém podia chegar perto de mim, Joel ficou arrasado, Hélio organizou tudo, fomos ao funeral, as irmãs concordaram em sepultar perto de meus pais, deixar perto de quem ele considerava mais família.

Uma semana depois organizamos para elas, para Lygia que voltou para a missa de sétimo dia, para os amigos dele e para nós mesmos uma festa de desaniversário de Murilo. Comemoramos quem ele foi, tudo o que ele fez, cada história, cada dor e cada vitória, a falta que ele fará, seus garotos que ele deixou para a pessoa que mais o compreendeu e que mais o amou. Honramos, rimos, falamos, choramos, ouvimos… e foi o fim.

Caio resolveu levar todos os garotos, os meus e os dele para uma casa à beira-mar, “Sofra o quanto quiser onde quiser, a casa de meus netos não tem clima de velório, quem é você perto do que Amós e Amon sofreram no meio da guerra dos pais deles, quantas mudanças eles tiveram? Nem vou falar que o que você sente é nada perto do desterro de Faruk e Hassan. Se conserte, se organize, se vire. Vá chorar na casa de Samuel, eu lhe amparo lá, nem perto dos meus filhos, nem dos seus.” Concordo.

Arrumamos tudo para a viagem, disse que a casa precisava de tinta e a gente de uma mudança, eles ficaram felizes, dez dias. Paguei mais caro, mas arrumei pintor pra isso, pintei os quartos das mesmas cores, mas bem carinho, o branco interno da casa deu lugar a um camurça claro e o de fora ao amarelo ocre como era no meu quarto, estava pra chegar o outro container e todos eles foram repintar, o grafite incompleto dos garotos foi substituído por cores néon, laranja, amarelo, azul e roxo, encontrei uma kombi enferrujado na frente de uma casa e comprei por duzentos reais, caro foi trazer aquilo até o jardim, encontrar quem pudesse fazer o serviço que eu precisei, isso foi complicado, caro, mas mandei pintar no estilo saia e blusa, branco e azul céu, fizeram o trabalho interno e arrancamos as portas laterais (que são de um lado só), esperar pela volta deles.

Mas aconteceram outras coisas nesse tempo, Galvão decidiu e ninguém discordou, pelo jeito as duas garotas vão ficar na casa, preferem uma barraca a ter um quarto só delas, então Galvão sentenciou: “Oito homens e duas mulheres, chega, tá na hora de fecharmos essa poligamia, sem aventuras externas, temos filhos. Esses quatro garotos agora são nossa responsabilidade, chega.” Marcos disse que concorda, mas ter dois pais já é suficiente, pelo menos para chamar de pai, isso gerou discussão, o lugar de pai dele e meu tem de ser bem demarcado. “Esse último ano foi o mais intenso, e o melhor ano de minha vida.”, a frase de Rodrigo resumia bem o que isso significou, perder Murilo, receber Faruk e Hassan. Não tive escolhas, aceito feliz o meu destino - o nosso destino. Aconteceu outra coisa depois dessa decisão, mas calma.

Daniel e eu ficamos muito próximos depois desse retorno dele com os meus filhos; ele me ligou e perguntou se eu poderia ir jantar com Joel na casa dele, por mim sim, mas iria confirmar com Joel, marcamos. Ele disse que estava esperando outro convidado, pediu licença e fez uma ligação, enquanto isso acontecia, falei de nossa reunião e dei ênfase às decisões sobre cores novas na casa, a surpresa para os meus filhos, e comentei de passagem que viramos monogâmicos a dez, Douglas gargalhou, disse que além de exigir trocar a mesa redonda para quatro por uma retangular para seis, Daniel exigiu uma monogamia em um número menor que dez, quando a gente ia falar algo a campainha toca, Daniel estava nervoso, ele vai atender a porta, volta segurando a mão de um cara que conheci mais gordo.

Fernando estava lindo, parrudo, braço peludo, barba fechada, óculos grandes e discretos, cabelo bem mais curto, “Desculpa vir, eu não quero estragar a noite de vocês”, “Você não precisa se desculpar”, “Cara, você tá diferente.”, Daniel e Joel responderam a Fernando ao mesmo tempo. “Você tá lindo. Espero que eu fique bonito assim aos quarenta.”, “Vai se foder, Mateus, eu só tenho dezenove…”, só nós dois rimos, eu fiquei comovido e chorei, ele disse que sentia muito por Murilo ter morrido, eu disse que éramos muito babacas, Joel tem todo direito de odiar nós três, os dois idiotas sem maturidade para se entenderem e o doidinho morto. Ele me abraçou. “Daniel é meu amigo, eu o detestava, mas ele cuidou de Murilo maravilhosamente, e trouxe meus filhos, cuide bem dele ou dessa vez vou passar dez anos sem falar com você.”, “Combinado. Eu quero conhecer o garoto que não morreu.”, noite boa, Fernando e eu éramos novinhos demais, pretensiosos, imaturos, orgulhosos, burros, inexperientes, contudo a queda, os filhos, a rotina, a sujeição ensinam a sermos menos arrogantes e mais humildes; humanos melhores e principalmente a deixar o passado no passado, rir do ontem e ter fé no amanhã.

Quando Daniel contou que recebeu uma ligação falando que Fernando queria falar com ele no saguão do hospital, quase infarta. Fernando disse que soube que Murilo estava internado e foi visitar o paciente da clínica onde ele trabalha, psiquiatra. Daniel disse que Fernando falou como foi a conversa de ambos, Fernando estava deixando aquele emprego, Fernando interrompe e diz que Renato insiste em ajudar e arrumou uma coordenação aqui na cidade, a conversa com Murilo foi seu último dia no emprego, Murilo estava tranquilo por ter deixado tudo organizado, ele sinalizou que ele poderia… mas foi uma falência renal aguda, ele não deu sinais claros, rins, foram os rins, saber disso me deu uma alegria imensa. Meu Murilo era um lutador, mas entendeu a proximidade dos fim.

Douglas perguntou como estava meu trisal de quatro pessoas, Fernando engasgou com o macarrão, “Fernando, às vezes eu estou de quatro levando no cu e chupando pica e fica um cara querendo meter, ou tô todo inflamado de uma orgia, do tipo depósito de porra, tu sabe, boiolinha, tu que me ensinou a aceitar mais de dois, isso sempre me assustou, mas essa gay…”, todos entraram no modo afetação, exceto Joel que engrossou ainda mais a voz e eu o observava feliz, contamos sobre a noite de dois dias atrás, quando combinamos fechar o relacionamento para outros parceiros e experiências externas.

Bom… conversamos superficialmente de como foi a discussão daquela noite, cada um de nós disse de seus métodos, do que queria dos outros, dos planos para o futuro, dom que estava dando certo e errado nos últimos nove meses com meu casamento e meus filhos. O medo de Galvão sendo o mais velho (54) e seus quase trinta anos de diferença em relação a mim, o medo de ficar com setenta e ser encostado, Cecília que ainda ia fazer vinte senta no colo dele e mostra um monte de fotos de atores e cantores de setenta anos que ela chuparia fácil, que se fossem impotentes, poderiam colocar quantos dedos quisessem dentro dela, e mostrou fotos de caras de trinta que estavam descuidados, ele apertou o biquinho do peito dela e ela disse que não era para ele fazer isso sem pegar na xotinha dela. Uma grande onda de beijos e sarradas e Joel traz a conversa para a mesa novamente, papéis são colocados com contas, com planejamento, o mesmo Joel segura os ovos de Rodrigo quando esse traz uma garrafa com água para a mesa, conversamos por mais de seis horas, das oito até quase três da manhã. Depois fomos dormir, dormir.

Joel e eu nos despedimos dos dois casais e voltamos pra casa. Calados, coloquei uma música e ele diz que esse vai ser o primeiro ano que gastamos mais do que juntamos, tudo bem, esse foi o ano que transformou Joel em tio que na verdade é padrasto, “Eu amo vocês, os quatro garotos, Marcos e você. Eu queria ter forças para ser maior que esse amor, mas minha vida circula ao redor da sua, da de vocês.”, eu falei algo que era como: sem ele eu não teria força alguma, garoto tímido, arrogante e inseguro, principalmente inseguro. Ele me olhou e eu falei que eu esperava não fazer dele uma figura triste que morre de falência renal, “Eu teria me matado se você não tivesse me amado há quase sete anos quando nos conhecemos, eu estava planejando isso, cada mês ao seu lado eu consigo ser mais feliz que no mês anterior, você é minha alegria de viver, me deu um marido lindo, inteligente, batalhador, que tem sonhos comigo, que fode maravilhosamente bem me comendo ou me deixando comer ele, e ele não só entende meu amor por você como te ama assim como eu. E agora quatro diabinhos lindos e maravilhosos, eu nem sonho com isso, eu jurava que não merecia.”

Eu estava voltando a ter o mesmo nível de felicidade de antes, Joel me dá segurança, estabilidade e felicidade, abri o cinto e a calça dele, dane-se o cinto de segurança, eu ia voltar pra casa fazendo boquete em meu macho, meu marido, meu homem, eu sei que se ele mandar eu faço, ele e Hélio, talvez esse momento passe, João passou, Murilo passou, Caio passou, Murilo passou, talvez Marcos passe, ninguém sabe, Helinho e Joel nunca passarão. Ele dizia que ia bater, “Vá devagar”, “Fácil falar, né, veadinho, queria ver você fazer isso com o amor de sua vida fazendo boquete enquanto você dirige”, “Se você quiser que eu pare…”, “Faz parando, para eu não gozar, o perigo é gozar.”

A gente chegou e ficamos nos beijando no carro, Marcos me viu segurando o pau duro de Joel, “Por isso que não desembarcaram. Caramba, amor, no dia que tu parar de dar assistência a esse macho, eu te interno.” Joel o beijou através da janela, mas descemos, no momento em que chegamos à cozinha soubemos que Débora discutiu com a mãe e o pai, (a gente nem sabia que ela havia ido para a praia com eles), resultando em Renato ter de levar Levi às pressas ao hospital, não satisfeita a que se faz de louca quis levar meus filhos para a casa dela, Caio perdeu a cabeça, quando Amós (o mais calmo surge com um celular gravando e diz que está ao vivo em uma rede social, a mãe dele que não amamentou para não perder a firmeza dos peitos estava atrás dos filhos que conheceu aos quatro anos quando voltou do intercâmbio, agora quer ser mãe, mas no meio da confusão mandou o pai para o hospital e estava se fodendo pra isso.

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