A vitória de Samuel - Epílogo

Um conto erótico de ThiThe
Categoria: Heterossexual
Contém 895 palavras
Data: 17/03/2026 17:14:38

1 ano e meio depois

Hoje era um dia especial. O dia que marcava o ápice da vida profissional de Natália — o ponto mais alto de uma escada que ela havia escalado com disciplina, frieza e uma determinação quase cruel. Sua posse como juíza. O cargo mais alto, mais disputado e mais reverenciado dentro do meio jurídico.

E ela havia chegado lá com louvor.

Não era mais Natália Lima, a advogada brilhante e temida nos tribunais. Agora era Natália Fernandes. A juíza. Implacável.

Fernandes — o sobrenome de seu marido — repousava sobre sua identidade como um selo, uma marca que ela carregava com um orgulho quase devocional. Porque, no fundo, nada daquilo tinha sido conquistado apenas pelo desejo de sucesso profissional.

Não.

Tudo aquilo era, acima de qualquer outra coisa, por Samuel. Pela necessidade visceral de dar a ele a vida que, na mente dela, ele merecia — uma vida de conforto absoluto, de despreocupação total, uma vida quase régia.

O caminho até ali não tinha sido fácil. Seus pais. Sua família. Amigos. Seu ex-noivo. Vizinhos da antiga cidade. Ninguém compreendia.

Para todos eles, aquela relação era um absurdo incompreensível, uma espécie de delírio prolongado. Diziam que Natália havia enlouquecido, que tinha perdido o juízo, que estava destruindo a própria vida.

Mas ninguém podia impedi-la. Ela era rica. Independente. E completamente dona de si. Restou a todos apenas aceitar — ainda que com um amargo silêncio de reprovação.

A única exceção era Sara.

Sara compreendia. Havia entre as duas uma espécie de entendimento silencioso, profundo, quase instintivo. Como se ambas reconhecessem, uma na outra, certas camadas obscuras da natureza humana que a maioria preferia fingir que não existiam.

O casamento aconteceu apenas uma semana depois do pedido. Natália não quis esperar. Queria amarrá-los um ao outro o mais rápido possível, antes que o mundo tivesse tempo de se meter.

Um cartório simples. Sem festa. Sem cerimônia. Comunhão total de bens — uma exigência dela. Toda a fortuna acumulada por anos de esforço — os sacrifícios de seus pais, o trabalho incansável dela mesma — agora também pertenciam a ele. Para sempre. De forma irrevogável.

Samuel, por sua vez, vivia uma vida que jamais teria imaginado possível. Passava os dias jogando videogame, assistindo televisão, vagando sem pressa pelos cômodos da casa luxuosa onde agora moravam. Funcionários cuidavam de tudo. Comida pronta, roupas lavadas, casa impecável.

Nem mesmo sua avó era mais uma preocupação. Natália havia providenciado um apartamento confortável para ela, com enfermeiras capacitadas cuidando de cada necessidade.

Apesar da mudança brutal de vida, Samuel continuava exatamente o mesmo homem. Bebia sua cerveja barata todos os dias. Continuava preguiçoso para se depilar. Às vezes esquecia de escovar os dentes. Muitas vezes adiava o banho.

E Natália… simplesmente não se importava.

Ela fazia questão de estar sempre impecável para ele. Treinava. Se arrumava. Escolhia perfumes caros. Mas o desleixo dele, a preguiça crua, a falta absoluta de ambição — nada daquilo a incomodava.

Ele não precisava trabalhar. Ela trabalharia pelos dois. Com prazer. Com ferocidade. Com a obsessão de alguém que encontrou, finalmente, um propósito.

A única coisa que pedia em troca era simples.

Que todas as noites ele a tivesse em sua cama. Que a tomasse sem delicadeza, explorando cada centímetro de seu corpo com aquela brutalidade preguiçosa que só ele possuía… e que depois a enchesse com sua semente. E Samuel nunca negava.

Aquela semente. Aquela essência crua e poderosa que já havia lhe dado o presente mais precioso de todos.

Seu filho. Samuel Fernandes Junior. Ou Samuquinha, como chamavam em casa.

Natália nem sequer hesitou antes de dar ao menino o nome do pai. Era mais uma prova de devoção. Mais um símbolo. Seu filho era a materialização da colisão de dois mundos absurdamente diferentes — a fusão improvável de dois DNAs que, por qualquer lógica racional, jamais deveriam ter se cruzado.

E, ainda assim, ali estavam.

Ela deslizou a mão lentamente sobre o ventre. Já sabia. Outro filho crescia ali dentro. Outro fruto daquele amor estranho, torto, intenso. E, se dependesse dela, teria quantos filhos seu corpo permitisse.

A ironia de tudo aquilo era quase grotesca.

Durante o dia, Natália era temida nos tribunais. Fria. Racional. Autoridade absoluta sobre advogados, promotores e réus.

À noite…

À noite ela chegava em casa, vestia um simples vestido de dona de casa, dispensava os funcionários e fazia questão de preparar o jantar com as próprias mãos. Servia Samuel. Colocava o prato diante dele. Porque, no fim das contas, a verdadeira autoridade de sua vida não estava no tribunal.

Era Samuel. Ele era o centro de sua existência. Seu eixo. Seu dono. E isso não a diminuía.

Pelo contrário.

Aquilo a preenchia com uma estranha sensação de liberdade. Como se, ao entregar tudo a ele, tivesse finalmente encontrado o lugar exato onde deveria estar.

Samuel estava no sofá, sem camisa, uma cerveja na mão.

Natália aproximou-se e se aninhou contra o peito peludo dele, fechando os olhos enquanto respirava profundamente aquele cheiro que tanto amava — uma mistura de cerveja, pele e algo bruto que nenhuma colônia cara poderia imitar.

Samuel passou a mão devagar pelo braço dela.

Um gesto preguiçoso. Afetuoso.

Os dois se olharam. Sorriram.

Havia ali uma cumplicidade silenciosa, quase conspiratória, como se compartilhassem um segredo que o resto do mundo jamais entenderia. E, naquele pequeno universo distorcido que haviam construído juntos, parecia perfeitamente possível que fossem felizes.

Para sempre.

Fim da história.

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