Capítulo oito - Não posso sentir
Quinta-feira, 15 de Março de 2007
“O sábio é cauteloso e evita o mal, mas o tolo é impetuoso e irresponsável.” (Provérbios 14:16)
Passei a noite quase toda em claro, olhando fixamente para a porta. O medo do Pastor entrar e me confrontar sobre o que Isaac realmente estava fazendo aqui em casa sozinho comigo. Sempre senti medo dele, mas dessa vez estou apavorado, pois levei um tapa no rosto. Ele me bateu pela primeira vez porque Isaac estava aqui sem sua permissão. Jesus o que pode acontecer comigo se ele descobrir a verdade? E o Isaac, acho que morreria se visse ele bater no Isaac da mesma forma que bateu no irmão.
Não posso ficar sem o Isaac, mas posso menos ainda colocá-lo em perigo e o Pastor é imprevisível. Simplesmente não posso arriscar a segurança do Isaac, ou até mesmo o meu plano de fuga. Queria não tremer tanto, não ter tanto medo, mas eu tenho, tenho mais do que medo, é um pavor que me paralisa, o Pastor é um monstro e sinto que só eu sei disso, pois todos o veem como um santo, quando na verdade seus punhos quase tiraram a vida do próprio irmão.
Ele não parou de bater, o irmão sobreviveu porque era da vontade de Deus, não quero testa a sorte do meu Atribulado também. Preciso me afastar do Isaac, mas não sei como fazer isso, como vou poder ser só amigo dele depois de ter me entregado a ele de uma forma tão íntima e especial. Droga, Deus! Porque sentir amor dessa forma é errado? Porque o senhor me fez assim então? Não posso deixar de ser quem eu sou e o Senhor sabe disso então por que me fez ser gay e filho dos piores pais do mundo?
Quando o Pastor me chama já estou de pé e pronto para sair. Mesmo tendo passado a noite em claro, não sinto sono, meu corpo entrou em estado de alerta dentro dessa casa, nem fome e nem sono, apenas medo. Temor de que o Pastor ache que um tapa foi pouco, meu rosto está inchado — pelo tapa e também por ter chorado boa parte da noite. — Saio do meu quarto já com a mochila nas costas, não vou me juntar a mesa com essas pessoas que me odeiam, não hoje pelo menos.
— Senta para comer Jonas — Ordeno o Pastor — depois vou te levar para escola.
— Não estou com fome e se o senhor deixar eu quero ir logo a pé mesmo, porque tenho que devolver um dicionário para biblioteca antes da aula — minto dizendo a primeira coisa que me vem à mente.
— Tá certo, mas depois da aula, você vem direto para casa, entendeu, ainda está de castigo.
— Sim senhor — digo encarando o chão, pois não consigo olhar diretamente para ele.
— Jonas — seu chamado me faz arrepiar todos os pelos do corpo, ele vem na minha direção e me encolho quando chega perto — pega para você comer alguma coisa na hora do recreio.
Ele me deu cinco reais, minha madrasta fica irada — dá para ver nos olhos delas, essa cobra me odeia — ela fica calada, pois sabe que não pode contestá-lo. Sua mão vem até meu rosto o que me assusta e me faz recuar um pouco, não sei o que pensar e nem como ele reage ao meu gesto, pois ainda não consigo olhar para ele. O Pastor então tem um lapso de pai por alguns minutos e ergueu meu rosto para ver o inchaço provocado por ele.
— Me desculpa filho, não queria bater em você — estou em choque, mas não consigo dizer nada.
— Tudo bem Pastor, eu desobedeci — meu coração se quebra, mas sei que admitir que eu mereci o tapa é a forma mais rápida de acabar com isso e também a resposta que ele espera ouvir — tenho que ir para não me atrasar.
— Tá certo, vou buscar você mais tarde.
— Sim senhor.
Finalmente consigo sair de casa, parte da minha pressa também vem de querer evitar o Isaac, pois ele vai querer me levar para escola e não consigo lidar com ele agora. Ainda estou reunindo coragem dentro de mim para me afastar um pouco dele, para que sejamos só amigos de igreja, Deus me ajude com isso, pois não faço ideia de onde vou tirar forças. Preciso focar no medo da reação do Pastor e também no que ele pode fazer com Isaac.
Vou caminhando para o colégio, demoro um pouco para chegar, mas isso é bom — quase me perdi, pegando um caminho diferente para o Isaac não me encontrar — assim vou direto para sala e posso evitá-lo por mais umas duas horas pelo menos. Meu rosto está um pouco inchado por conta do tapa, o Pastor tem a mão pesada, mas o pior, é ter alguns olhos curiosos em mim.
— O que aconteceu com você, você chorou? — Davi perguntou sentado ao meu lado no seu lugar.
— Não foi nada — minto.
— O Isaac fez alguma coisa com você? — Me irritou um pouco que ele pensasse isso.
— Não, claro que não, foi meu pai, mas já está tudo resolvido, não quero falar sobre isso.
— Tudo bem, mas se precisar estou por aqui — Davi tem se tornado um bom amigo, talvez Isaac só esteja mesmo exagerando sobre ele.
O sino indicando o intervalo toca. Hoje parece que nem percebi o tempo passar, parece que quanto mais se quer evitar algo, mas rápido você é obrigado a resolver. “A minha alma se consome de tristeza; fortalece-me conforme a tua promessa.” Salmos 119:28 essa é uma das minhas passagens favoritas, me lembro que repeti ela feito um mantra nos primeiros meses morando com o Pastor e a serpente esposa dele.
O caminho da minha sala até a caixa d’água parece um caminho impossível agora. Mas tenho que seguir, um passo depois do outro. Passando da quadra onde ninguém mas pode me ver as lágrimas escorrem pelo meu rosto. Como pode eu desejar tanto algo que não posso ter? Como se termina algo que nem começou? São tantas perguntas, mas nenhuma resposta.
— Está fugindo de mim filho do Pastor? — Isaac pergunta quando nota minha aproximação, mas seu sorriso desaparece quando me ver — o que foi?
— Isaac, a gente não pode fazer isso — estendo seu aparelho MP3 para ele, tentando manter a firmeza nas minhas palavras, mas minhas lágrimas me fazem falar tudo embargado.
— Que história é essa Jonas, a gente já teve essa conversa — mas perto dele vejo um tom meio sombrio tomando conta do seu rosto — quem fez isso?
— Isaac a gente não pode — estou tentando parar de chorar, mas não consigo.
— Jonas, foi o Pastor quem te bateu? — Sua voz é fria como gelo, ele está me assustando.
— Isaac, me escuta, deixa isso para lá, por favor eu estou te implorando.
— Quem ele pensa que é para te bater, por que esse filho da puta fez isso! — Sua reação de pura raiva me deixa ainda mais assustado.
— Por favor, por favor, não, não, só para por favor, me escute — imploro desesperado — ele é muito perigoso, não quero que ele te machuque.
— Porra, Jonas! — Isaac serra os punhos — isso não está certo.
— Ele é um homem perigoso, Isaac.
— Eu sei, ele já falou na pregação que foi preso por quase matar um homem.
— Era o irmão dele, meu tio — conta ao Isaac toda história de como minha mãe fugiu com meu tio depois do meu pai descobrir sobre os dois e quase matar meu tio.
— Caralho, e você viu tudo?
— Sim, eu tenho muito medo dele Isaac e não quero que ele te machuque.
— Ei eu sou mais forte do que você pensa — ele me beija, tornando tudo mais difícil do que já está sendo.
— Não dá, não posso — tento novamente lhe devolver o MP3.
— Ele é seu — diz com a voz rouca dele que eu tanto adoro.
— Isaac, me perdoa — ele pode achar que estou sendo fraco, mas a verdade é que foi preciso muita coragem para desistir dele e assim poder protegê-lo da ira do Pastor.
Isaac passa as mãos nos cabelos, depois no rosto. Sinto que estou decepcionando ele e esse sentimento é horrível, a gente se conhece a tão pouco tempo, por que ele é tão importante para mim dessa forma? Esse atribulado não devia, mas ele fez morada no meu coração, nunca vou me esquecer da nossa tarde, de como ele foi gentil comigo e do quanto foi complicado segurar um “eu te amo” na ponta da língua.
— Tá, você quem sabe — seus olhos se desviam dos meus.
— A gente pode ser amigo? — Digo torcendo para que sua resposta seja sim.
— Não — meu coração se quebra, mas ele completa — nunca vou ser só seu amigo Jonas.
Fico quase cinco minutos no banheiro tentando parar de chorar e lavando o rosto, meu rosto está mais inchado do que estava antes — merda — ele não falou mais nada, só me deixou lá sozinho, estou arrasado, mas lá no fundo aliviado, longe de mim o Pastor jamais vai fazer mal a ele. Eu vou voltar para meu armário, juntar meus caquinhos e seguir em frente.
Davi, quis me perguntar algo, mas não dei muito espaço para conversar, agora só quero esquecer, não sentir, só seguir no modo automático na qual me encontrava antes do Isaac aparecer e revirar meu armário de cabeça para baixo. O resto da aula acontece, mas fico alheio a tudo, meu coração doi tanto que não posso focar em nada agora. Uso o resto de força de vontade que ainda tenho para parecer um pouco melhor na saída, pois não quero que o Pastor ache que tem algo errado e comece a me interrogar.
Não vejo Isaac na saída — é até melhor assim — o carro do Pastor está bem na frente do portão então não tenho muito tempo para ficar procurando por ele, só entro no carro em silêncio. Ele também não pergunta nada. Tem algo o deixando estressado, mas do que o normal, esse é o pior momento possível para irritá-lo, por isso quando chegamos em casa eu vou direto para o meu quarto e só saio quando a serpente do éden me chama para almoçar.
— Jonas hoje depois do culto você volta para casa comigo, se alguém lhe chamar para sair você vai dizer que não entendeu?
— Sim senhor.
Volto para o meu quarto depois de comer. O melhor a fazer agora é ficar até a hora do culto trancado no meu canto e fora de sua vista. Não sei o que é, mas para ele está como está é algo que o irritou de verdade, talvez isso seja o motivo por ele ter me batido, já que nunca tinha levantado a mão para mim antes, porém agora não faz diferença, já que eu apanhei e tive que terminar o que quer eu tinha com Isaac.
O cansaço finalmente me pega e acabo dormindo. Não tem muito que fazer mesmo então dormir meio que é o melhor a se fazer agora. Meus sonhos me levam ao Isaac, sonhar com ele tem sido cada vez mais frequente. Estamos juntos aqui no meu quarto, só que sem medo, ele está lindo e mais carinhoso ainda. No meu sonho me entrego para ele sentindo o alívio de poder tê-lo de novo, a sensação é de que passei muito tempo sem ele, mas aqui ali era era meu finalmente.
— Vou acordar o Jonas, se não vamos nos atrasar — acordo com a minha madrasta falando do corredor com meu pai.
— Não, deixa ele dormir mais um pouco, daqui a pouco eu chamo ele — responde ele.
— Você está mimando muito esse menino Adalberto — Deus me perdoe, mas eu odeio essa mulher.
— Ele é meu filho Marilene — sinto um frio na barriga quando ele diz isso.
— Você devia deixar entregar ele para ela e desistir da guarda dele, esse menino só nos dá desgosto — um frio subiu pela minha espinha, como assim, o que ela disse me deixou tão impactado que nem liguei pra opinião dela. Será que eu entendi certo.
— Marilene, eu só vou te falar mais uma vez, o Jonas é meu filho e ele vai dicar aqui comigo enquanto eu viver, ela já tem o filho dela, o Jonas é meu!
O que ele quis dizer com ela já tem o filho dela? Eu tenho um irmão? Como assim? Meu Deus acho que vou desmaiar, a cama sumiu debaixo de mim e agora me sinto em queda livre, não sei o que pensar, o Pastor anda bravo por causa disso, será que ela entrou em contato com ele? São tantas perguntas, mas não posso perguntar a ele, é arriscado me bater de novo se eu for com essa conversa até ele.
Queria poder correr e falar com Isaac, mas não posso, ele não quer ser meu amigo, droga, o que eu faço? Estou perdido agora. Não faço ideia de como tenho que me sentir, é tudo tão novo, quer dizer dizer eu sempre quis ter um irmão, mas a serpente não pode ter filhos — acho que por isso ela me odeia tanto — e meu pai já não era infiel quando vivia bêbado, depois que virou Pastor é que não existe a menor possibilidade disso acontecer.
Um irmão, como ele se chama? Quantos anos ele tem? Eu sou o mais velho, sou um irmão mais velho — uma chama de esperança se acende dentro de mim — não conheço ele e acho que nunca vou conhecer, mas é como se uma luz tivesse acendido na escuridão que tem sido minha vida. Um irmão, eu não estou mais sozinho, que loucura, até um minuto atrás não fazia ideia que tinha um irmão, mas agora que eu sei eu o amo, amo uma pessoa que não faço ideia de como é e nem o nome, isso é muito louco mesmo.
Lágrimas escorrem pelo meu rosto, mas dessa vez é de alegria, acho que eu pirei de vez, mas poxa, eu tenho um irmão. Será que ele sabe sobre mim? Vai ver ele sabe e por isso ela resolve perguntar de mim, ele pode está querendo me conhecer, nossa será que ele é como eu? E se me julgar por eu ser gay? Não vou saber lidar com isso, vou pirar, melhor tentar pensar em outra coisa — foda é que meu outro pensamento é Isaac, Jesus me ajuda!
— Jonas, começa a se arrumar, vamos já sair para a igreja — o Pastor chama do corredor.
— Sim senhor — respondo pulando da cama.
Tomei um banho rápido, depois me vesti. Quando deu nossa hora de sair já estava pronto e do lado do carro para o Pastor não ter do que reclamar. A novidade me trouxe um pouco de ânimo, o que foi bom, porém me deixou muito curioso para saber mais coisas sobre esse irmão. Tudo que eu sei até agora é que ele é mais novo, e é um cara — já que eles falaram irmão e não irmã — também sei que ele é filho do meu tio, pelo menos é o que faz mais sentido.
Pensando bem agora, ela já devia estar grávida quando fugiu com o seu amante, quer dizer isso explicaria muita coisa — não justifica ela ter me abandonado — será que minha vó sabia? E meu pai sempre soube ou só descobriu recentemente. Enfim, são tantas dúvidas sem resposta.
— Jonas, lembra o que a gente conversou? — Diz o Pastor entrando no carro.
— Que não é pra pedir para sair com o pessoal depois do culto, estou de castigo e tenho que voltar para casa com o senhor assim que acabar.
— Não quero o Isaac e nem ninguém vindo me pedir de novo, entendeu?
— Entendi — duvido que o Isaac queira sair comigo para fazer qualquer coisa depois da nossa conversa hoje.
Chegamos cedo, meu pai é o Pastor então ele meio que abre a igreja — literalmente — a família do Isaac chega logo em seguida. Vou ajudar ele a preparar o som, já que ainda sou a banda. Me doi muito, mas Isaac não olha para mim em nenhum momento, não chega a me ignorar, mas sua indiferença é muito pior.
— Jonas, aqui o nosso set para hoje — ele estende a mão com um papel dizendo as músicas que vamos tocar hoje.
— Isaac, por favor a gente pode conversar? — Sussurro para ele, que só agora me olha nos olhos.
— Você fez sua escolha, Jonas, eu te falei que não vou ser só seu amigo — é a primeira vez que o vejo irritado e isso me quebra.
— Mas é só o que a gente pode ser agora — digo — e Isaac eu preciso muito de um amigo agora.
Me esforço para não chorar, é que ele não é só um amigo para mim, nunca vai ser, porém nosso namoro é impossível. Ainda sim dentro de mim Isaac é alguém em quem sei que posso confiar. Depois da minha súplica, percebo as engrenagens da cabeça dele girando, parecendo está em uma luta interna para decidir se ainda está puto comigo ou não.
— Me encontra depois do culto e a gente conversa — diz com sua voz séria, não gosto dele assim, nunca pensei que sentiria falta do jeito atribulado dele que me tira da graça o tempo todo.
— Não posso — não posso vacilar, o Pastor está de olho em mim.
— Não te entendo Jonas — sua fala sai carregada de sentimentos, mas antes que possamos prolongar nossa conversa os outros membros da banda chegam e somos obrigados a mudar de assunto, ou melhor encerrar o assunto já que Isaac não troca mais uma palavra comigo até o final do culto.
Não pensei que ele ficaria tão chateado assim, mas ele ficou, quero abraçar ele e dizer que é para o bem dele, que o Pastor é capaz até de me matar ou pior matar ele se suber da gente. Mas não importa o que eu diga, o trauma daquele dia é só meu, o medo que senti vendo as mãos feridas dele com o sangue do irmão, o corpo imovel do meu tio com o rosto totalmente desfigurado, esse pesadelo é só meu e as pessoas nunca vão saber o quão perigosa é a ira desse homem pregando para eles em cima de um púlpito. O pastor pode até ter se arrependido como ele mesmo diz, mas eu sei que o monstro ainda vive dentro dele, dormindo e que pode acordar a qualquer momento.
A violência dele pode estar camuflada de boa vontade e “amor”, mas eu sei a verdade, sei que ele prefere ter um filho morto a ter um filho gay, que estou longe de ser o filho que ele queria que eu fosse e isso o incomoda profundamente, ele culpa ela por eu ser assim, ele me culpa por não corresponder às suas expectativas, por isso é tão rígido comigo, ele não me tem por perto por amor, na verdade sou seu prisioneiro, pagando pelo crime que ela cometeu.
Assim que o culto acaba junto ao Pastor e a serpente dele para irmos embora, nem foi preciso me preocupar, já que ninguém nem me convidou para fazer nada depois do culto, Isaac não quis sair hoje e isso meio que moldou a opinião dos outros que resolveram não sair também. A aura do líder dele é notável, dentro da igreja Isaac é o Senhor Perfeitinho, um exemplo a ser seguido por todos, mas fora dele ele é um Atribulado.
Mais uma noite que eu sonhei com Isaac, acho que daqui para frente vai ser raro não sonhar com ele. Sinto tanta falta dele, isso que só tem um dia que não o beijo, mas dentro de mim é como se fizesse anos, o seu cheiro ainda está no meu travesseiro, mas em breve não vai está mais, a saudade que sinto dele só vai aumentar, eu sei disso. Não vou pensar nisso, preciso seguir em frente e bancar minha decisão.
Levanto antes que o pastor venha me chamar, hoje ele vai me levar para o colégio. Chegando na aula eu procuro Isaac com os olhos, mas não o vejo em lugar algum. Na sala de aula Davi que chegou cedo hoje está em sua carteira me esperando com um sorriso enorme. Acho que com ele posso falar sobre ter um irmão, só que antes quero contar para o Isaac, sei que ele vai ficar bem irritado se não for o primeiro para quem eu vou contar.
No intervalo vou até a caixa d 'água na esperança de encontrar com ele, mas Isaac não está lá, o sentimento de saudade cresceu mais um pouco agora. Volto para sala onde Davi me espera na porta com uma cara de quem sabe exatamente o que eu esperava encontrar no intervalo hoje.
— Eu ia te falar que ele faltou hoje, mas você saiu desesperado — diz Davi.
— Droga, eu preciso falar com ele — digo.
— Ele vai aparecer, agora que tal finalmente ir comer uma coxinha comigo?
— Tá bom, eu tenho cinco reais que o Pastor meu deu e que ainda não gastei — ele rir.
— Relaxa que hoje vai ser pela conta da prefeita.
— Ata, porque a prefeita iria pagar minha coxinha Davi? — Ele conseguiu me arrancar uma risada.
— Porque ela é minha mãe — espero o que?
