A claridade da manhã atravessando a varanda foi o que me fez acordar. Abri os olhos devagar, ainda sentindo o balanço leve da rede, e levei alguns segundos para entender direito onde eu estava. Quando baixei o olhar, percebi que Júlia tinha se acomodado completamente em mim durante a noite. O rosto dela estava enfiado no meu colo, o corpo encaixado no meu de um jeito que me arrancou um sorriso imediato. Achei a cena ao mesmo tempo fofa e engraçada, porque ela parecia ter se escondido ali sem nem perceber.
Com cuidado para não acordá-la, puxei o celular que estava ao meu lado na rede. A bateria já piscava em vermelho, quase descarregada, mas ainda dava tempo de fazer uma pesquisa rápida que tinha ficado na minha cabeça desde ontem. Digitei o nome Dom e comecei a ler o significado. Descobri que vem do latim, ligado à ideia de “senhor” ou “aquele que pertence a Deus”, e também associado à força e liderança. Fiquei alguns minutos ali olhando para a tela, pensando no nome e sentindo que ele fazia sentido. Gostei.
Guardei o celular pouco depois, quando senti Júlia se mexer. Ela não abriu os olhos de imediato, só se ajustou mais contra mim e, ainda meio dormindo, começou a depositar alguns beijinhos distraídos no meu colo. Aquilo me fez rir baixinho. Apertei o abraço ao redor dela e respondi enchendo o rosto dela de beijinhos também.
— Oi, mamãe de Dom — falei, rindo.
Júlia levantou o rosto na mesma hora. Abriu os olhos com uma expressão surpresa e um sorriso enorme começou a surgir, como se estivesse tentando confirmar se tinha ouvido direito.
— Dom? — ela perguntou, parecendo ainda sem acreditar.
— Dom! — exclamei.
— Filho, você agora tem nome... Oi, Dom! — Juh sussurrou, fazendo carinho na barriga.
— Eu já disse, amor, ele já sabe — brinquei, e ela riu.
Trocamos mais alguns beijinhos antes de nos levantarmos da rede e logo fomos para o banheiro. O banho acabou sendo rápido demais para mim, porque eu ainda estava com aquela moleza de quem acordou cedo demais. Saí primeiro, me sequei sem muita pressa e, como ainda me sentia meio sonolenta, simplesmente me joguei na cama sem nem me preocupar em vestir nada. A ideia era só deitar um minutinho enquanto Júlia terminava o banho, mas acabei fechando os olhos e pegando no sono de novo.
Não sei quanto tempo passou, mas acordei quando ouvi o barulho da porta do banheiro abrindo. Juh saiu ainda secando o cabelo com a toalha, e eu levantei um pouco a cabeça no travesseiro para olhar para ela. Aproveitei que ela já estava de pé e pedi um favor.
— Amor, pega para mim aquela agenda que ficou na mala? Acho que eu deixei no bolso da frente.
— Depende, é trabalho? — Juh me questionou, com um ar convencido.
— Não, gatinha... Fique despreocupada! — exclamei, rindo.
Júlia me entregou a agenda e eu a abri em uma página específica.
— É o mobiliário do quarto de Dom. Está para chegar no dia vinte e sete, mas eu quero confirmar porque você sabe como é, não é? Final de ano... — expliquei.
Peguei o celular que estava carregando, apoiado na mesinha de cabeceira, e procurei o número que estava anotado na agenda. Mandei uma mensagem perguntando sobre a entrega. Demoraram só alguns minutos para responder, confirmando que estava tudo certo e que o mobiliário do quarto de Dom realmente chegaria no dia vinte e sete. Aproveitei o embalo e mandei também um aviso para a portaria do condomínio, pedindo que liberassem a entrada da transportadora naquele dia.
Resolvido isso, fechei a agenda e a estendi para Júlia.
Ela pegou e foi até o guarda-roupa. Abriu uma das gavetas para colocar a agenda dentro, mas, no meio do movimento, parou por um segundo, como se tivesse encontrado alguma coisa inesperada. Quando se virou de novo para mim, já vinha com um objeto na mão e uma expressão que misturava surpresa e implicância.
— Você trouxe... — comentou.
No segundo seguinte, ela jogou o packer com força no meu colo.
Apoiei as mãos para trás no colchão e comecei a rir.
— Em mim sempre há esperança... Ando preparada... — respondi, ainda rindo.
— Muito pilantra... — Juh completou, estreitando os olhos.
— Eeeeeu? Que naaaaada... Você que se derreteu na minha inocente massagem — ironizei, indo até ela.
— Amor, você não tem nada de inocente em você — Juh falou, deixando-se encaixar nos meus braços.
— Você quer? — perguntei.
Segurei o rosto dela entre as mãos antes que dissesse qualquer coisa e a beijei. Não foi um beijo calmo; puxei Júlia pela cintura e tomei a boca dela com firmeza, daquele jeito que sempre faz a provocação dela desaparecer em poucos segundos. Senti o corpo da minha gatinha reagir primeiro com surpresa e depois ceder completamente contra o meu.
Aprofundei o beijo, deslizando uma das mãos pela nuca dela, enquanto a outra apertava sua cintura. Júlia respondeu quase imediatamente, as mãos subindo pelos meus braços até se prenderem na minha nuca. Aquele sorriso provocador que ela tinha segundos antes sumiu, substituído por um suspiro baixo quando ela se inclinou ainda mais contra mim.
Eu conhecia bem aquela reação. Sempre que eu assumia o controle daquele jeito, Juh começava a amolecer devagar nos meus braços, como se fosse impossível resistir, e isso mexe comigo de um jeito... O beijo foi ficando mais profundo, e eu senti claramente quando ela simplesmente se entregou, os dedos apertando levemente minha nuca enquanto o corpo dela relaxava contra o meu. Quando finalmente afastei um pouco os lábios, ainda mantendo nossos rostos próximos, ela estava com os olhos semicerrados e a respiração um pouco mais pesada. A expressão dela denunciava tudo: Júlia tinha se derretido inteira outra vez.
— Amor, você não presta... — ela sussurrou baixinho, ainda encostada em mim.
Sorri, segurando a cintura dela com um pouco mais de firmeza.
— E você adora... — afirmei, conduzindo-a até a cama.
Enquanto eu ajeitava o packer em mim, Juh me olhava fixamente, com um sorriso malicioso nos lábios.
— Queria uma coisa, mas não dá — Júlia falou, um pouco tímida, mordendo o lábio inferior.
Fiquei pensativa por um instante e sorri, engatinhando devagar até ela, sentindo o calor do corpo dela me chamar.
— Você me queria por cima, sentindo todo o peso do meu corpo te macetando gostosinho, enquanto eu seguro firme na sua cintura e te beijo loucamente? Até me perder no seu pescoço, me encontrar nos seus peitos e a gente gozar com você me abraçando como se fosse me quebrar ao meio? — falei baixinho durante o percurso, os olhos cravados nos dela.
— Amoooor! — Juh exclamou, corando, mas com os olhos brilhando de excitação.
— Fui muito específica? — perguntei, roubando um beijinho rápido e deitando ao lado dela.
— Muito! — Juh respondeu, rindo, enquanto eu a virava de frente para mim, encaixando nossos corpos.
— Prometo que será gostosinho igual — sussurrei, e ela me beijou, puxando-me para si com uma urgência que me derreteu tooooda por dentro.
O beijo dela veio faminto, quente e molhado. Eu sentia a boca dela me buscando de um jeito que fazia meu corpo inteiro formigar. Posicionei a perna dela sobre a minha cintura, encaixando-nos perfeitamente, e comecei a me mover devagar, roçando o packer ritmado contra ela, sentindo cada ondulação dos quadris dela responder à minha. Com o tempo, os gemidos começaram a escapar contra os lábios uma da outra, baixinhos no início, depois mais roucos, e Juh foi perdendo o controle aos poucos, as mãos apertando minha cintura com desespero, pedindo mais contato. Os suspiros dela eram como súplicas ofegantes que me davam gás e me faziam acelerar o ritmo, pressionando firme.
Desci os lábios para os peitos dela, chupando primeiro o seu mamilo e sugando com fome, a língua rodopiando devagar antes de morder de leve; depois o outro, sentindo onde estava mais sensível e chupando forte o suficiente para arrancar gemidos mais altos dela.
Júlia abraçou minha cabeça com força, tremendo inteira, os dedos enfiados no meu cabelo enquanto não conseguia conter os suspiros profundos, o corpo arqueando em espasmos... Ela havia chegado ao ápice, pulsando contra mim. Não parei. Continuei os movimentos e segui me deliciando em seus seios, perdida naquela sinfonia perfeita de gemidos e tremores, até que o prazer me invadiu também, me fazendo gozar com um grunhido abafado contra a pele dela.
— Puta que pariu... — foi a única coisa que consegui dizer, enquanto beijava a pele dela, buscando o fôlego que eu não tinha.
Ficamos ali deitadas, agarradinhas, com os corpos colados, suados e moles. Lembro que não nos mexíamos muito, só minhas mãos traçando preguiçosas as curvas das costas dela, sentindo a pele arrepiar de leve sob meus dedos, e Juh enfiando o nariz no meu pescoço, respirando devagar meu cheiro misturado ao dela. Nossos peitos subiam e desciam no mesmo ritmo, ainda ofegante, corações martelando juntos, e ela soltava suspiros contentes, sem conseguir conter o riso.
— Eu te amo tanto... — ela sussurrou, com um tom de voz dengoso, e beijou meu ombro de leve.
Sorri, apertando-a mais um pouquinho contra mim, os cabelos dela encostando no meu rosto.
— Eu também te amo, gatinha — respondi baixinho, roubando um beijinho demorado.
A sensação era de que, naquele momento, TUDO podia esperar. Naquele instante, éramos só nós duas, de amorzinho, e a gente precisava daquilo.
Após um tempo, Juh foi tirando a cinta devagar. Ela me olhava com desejo; seus olhos brilhavam de tesão. Ela desceu pelo meu corpo indicando que começaria um oral e, exatamente no segundo em que eu entendi os planos dela e fui abrindo as pernas, o celular da minha muié vibrou com mensagens insistentes... Nós ignoramos, claro, mas aí veio a ligação. Era Milena.
— Mamãe, acho que Kaká está com febre — nossa filha disse, com a voz preocupada do outro lado da linha.
— Estou indo aí, amor — Juh respondeu, já se recompondo, porém nitidamente com vergonha.
Ela apoiou as mãos ladeando minha cabeça, os lábios roçando nos meus.
— Mais tarde, tá bom? — Júlia falou e me deu um selinho.
— Tá ótimo! — respondi, dando um tapa firme na bunda dela e segurando com força.
Quase que essa mulher desmonta em cima de mim. Ela deixou escapar um gemido involuntário e acabamos rindo da situação.
— Gostosa — disse-lhe, enquanto ela se vestia rápido.
— Não mais que você — Júlia respondeu.
— Assim que eu conseguir levantar, vou tomar um banho e vou lá — disse, e ela soltou um beijinho antes de sair.
Não demorei muito. Saí revigorada e fui até o quarto dos meninos. Toquei na testa de meu fiu e ainda estava quente, mas ele já havia tomado antitérmico e reagia bem, todo dengoso com a cabeça no colo de Milena.
Juh aproveitou que eu estava com eles e escapuliu para tomar banho também, e nós fomos para a cozinha da pousada. Já tinha um monte de gente acordada em volta da mesa; eles estavam conversando animados. Eu me joguei em uma cadeira e fui me servir.
— Eu vou colocar o de Kaká hoje, porque ele está dodói — Mih me avisou.
— É a garganta ou as mãos, tio? — Lorenzo perguntou, rindo.
— O problema é só na sua língua mesmo — zoei, e meus filhos riram.
Chegou uma notificação no meu celular e eu achei que era Júlia, mas quando olhei se tratava de uma mensagem de Sabrine em um grupo que temos, dizendo que ia dar um pulinho para desejar Feliz Natal com Rafael e Thais. Mostrei para Iury, que riu e confirmou que já sabia porque Thaís tinha contado para ele.
Revirei os olhos em zoação.
— Por falar nisso, me empresta o seu carro para a gente dar uma volta? — meu cunhado pediu.
— Vou pensar — respondi, com um sorrisinho malicioso, sabendo que ia ceder.
Foi então que ouvi Juh me chamando pela janela do quarto. Só a cabecinha dela aparecia e ela parecia apressada, então não fui tão devagar.
— O que aconteceu, amor? — perguntei, preocupada.
— Olha! — ela falou, apontando para os seios com um sorriso gigante.
Abaixei o olhar e lá estavam duas grandes marcas molhadas na blusa dela.
— É leite! — Juh exclamou, dando um pulinho animado, os olhos marejados.
— Sério? — perguntei, surpresa.
— Siiiiim! — ela vibrou, pulando mais.
Eu a tomei nos braços na hora, apertando forte, e tomei seus lábios em um beijinho.
— É... fiz um bom trabalho... — brinquei, piscando, e ela riu, me abraçando de volta.
Provisoriamente coloquei algodões e decidi ir à farmácia para comprar medicamentos que provavelmente Kaique iria precisar e também absorvente de seios. Chamei Iury para ir comigo; eu também queria saber como ele era no volante.
— Bora ver se você é digno — brinquei.
— Dirijo melhor que você — ele falou, convencido.
— Olha, isso aí eu duvido — continuei zoando.
E ele até que já dirigia bem mesmo. No caminho, ele me disse que inicialmente meu sogro ensinou, mas que aprendeu mesmo foi com o padre João e Léo.
— Lore... eles... deixa quieto... — Iury ia falando, mas desistiu.
Porém, eu sabia do que se tratava.
— Ninguém sabe ao certo, mas eu acredito que sim — respondi.
— Huuum... — foi a única coisa que meu cunhado disse.
— Olha, só não vai transar no meu carro, ok? — falei, e ele riu.
— Nós só vamos dar uma volta. Lá em casa não dá para ficar direito e a mãe dela vai estar — Iury explicou.
— Acho engraçado como você me subestima — disse-lhe, rindo, e ele acabou rindo também.
Comprei o que precisava e voltamos para casa.
A tarde foi passando tranquila. Milena e Kaique tinham combinado de ir para a cachoeira com algumas amigas, mas como Kaká ainda estava mais quietinho, Mih simplesmente se recusou a ir. Eu sugeri que ela chamasse as amigas para ficarem ali mesmo perto da pousada, e foi exatamente o que ela fez. Acabaram se instalando embaixo de um pé de árvore mais afastado, e de hora em hora a gente ouvia algumas risadinhas vindas de lá.
Eu, minha muié, meus irmãos e meus cunhados forramos o chão com umas toalhas grandes e ficamos ali resenhando, como nos velhos tempos. A diferença é que agora a roda tinha dois membros novos participando das conversas, que eram Lana e Iury.
Como tinha muita gente na pousada, ninguém conseguia acompanhar tudo o tempo todo. Então, de vez em quando alguém comentava alguma coisa engraçada que tinha visto ou ouvido, e a gente acabava percebendo que tinha perdido pelo menos metade das situações que estavam acontecendo.
Foi em uma dessas que perceberam que eu e Júlia andávamos meio desaparecidas.
— Vocês estão meio off da gente mesmo — Sarah comentou.
— Nossa, sim! Eu nem sabia como ia pedir o carro de Lore porque nem estava encontrando ela por aqui — Iury falou.
— Se vocês estivessem sendo bem... — comecei a dizer.
No mesmo instante senti o olhar fuzilante da minha esposa atravessar minha alma, então mudei o rumo da frase na hora.
— Bem servidos como eu estou sendo, também sumiriam — completei, rindo.
— Noooooossa, as coisas mudaram, hein, Juh — Loren comentou.
— E sem maca, tá?! — acrescentei.
— Chega — Juh pediu, rindo, e me deu um selinho para calar a minha boca.
— Pra que você quer o carro, Iury? — Loren quis saber.
— A namoradinha dele está chegando aí — Lana respondeu antes dele.
— Ela não é minha namorada! — Iury exclamou na hora.
— Bem que Iury queria, porque ele fica todo apaixonadinho do lado dela — Júlia também zoou.
Todo mundo caiu na risada.
— Só não pode fazer meu carro de motel, brother — reforcei, e demos um soquinho.
— É, ali só quem manda ver é você e minha cunhadinha — Lorenzo falou.
— Nada disso, a gente tem cama — Juh respondeu, toda convencida.
Eu fiquei quietinha. Não sei mentir assim.
A conversa continuou entre risadas até Lana soltar outra novidade:
— Amanhã Rodrigo vem aqui.
Ela falou isso e virou um copo inteiro de suco de uma vez só. Engoliu rápido demais, acabou se engasgando, e o jeito desesperado dela fez todo mundo começar a rir.
— Vai conversar com nossos pais? — Júlia perguntou, animada.
Lana confirmou com a cabeça.
— Ainda bem que eu estou aqui para ver isso!!! — comemorei.
— Vai ser tranquilo — Juh disse, tentando tranquilizá-la.
— Na minha vez não foi — brinquei.
— Por outros motivos, não é, amor? — Júlia comentou, e eu acabei concordando.
— E se fosse uma guria agora seria super tranquilo — completei.
— Amaciei o caminho — Juh falou orgulhosa.
— Amanhã vai ser tão divertido... Teremos duas coisas para perturbar: o encontro de Iury com a namoradinha e o aperto de mente que esse Rodrigo vai sofrer — Lorenzo anunciou.
— Não vai ser tão ruim, é sério — Júlia insistiu.
— O aperto de mente fica por minha conta, de Victor e de Iury — meu irmão explicou.
Os três riram.
— Amanhã é dia de treinar pontaria — Victor brincou, fazendo uma arma com a mão.
— Vocês vão ficar bem quentinhos, porque ele já está nervoso — Lana disse.
— Saber disso só melhora — Lorenzo respondeu.
E foi nesse momento que percebi uma coisa curiosa: Iury, que normalmente odiava qualquer assunto envolvendo Rodrigo, começou até a simpatizar com o tema. Afinal, ele tinha acabado de descobrir que existia uma grande chance de pegar no pé da irmã e ajudar a apavorar o namorado dela.
O dia seguinte prometia muitas coisas e nos serviu elas e mais outras... 👀
