Segunda-feira. O despertador tocou às 6h30, um som irritante que cortou o silêncio do meu quarto.
Abri os olhos esperando encontrar a luz dourada de Limeira e a pele quente de Ayandara ao meu lado. Encontrei apenas o teto branco do meu apartamento e o lençol frio do lado vazio da cama. A solidão bateu forte, física.
Mas meu corpo não entendia a distância. Acordei duro, latejando, com uma ereção dolorosa que parecia gritar o nome dela. Fechei os olhos e deixei a memória me invadir: a pele dela brilhando sob o sol da manhã, o cheiro de manteiga de karité, o som molhado da nossa foda de despedida.
Minha mão desceu instintivamente, buscando alívio, mas parou no meio do caminho.
Olhei para o criado-mudo.
Lá estava ela. A calcinha de renda preta, minúscula e delicada, repousando como uma relíquia sagrada. Peguei o tecido fino entre os dedos. Não tinha cheiro de uso, mas tinha cheiro de promessa. Ayandara não a vestiu para mim lá, mas vestiria aqui.
O tesão me atropelou. Coloquei a peça sobre o meu pau, sentindo a renda áspera roçar na cabeça sensível e inchada.
Peguei o celular. Abri a câmera. Tirei uma foto do meu pau, teso e impaciente, com a calcinha dela pendurada na cabeça dele como uma bandeira de rendição. O contraste da renda preta na minha pele escura era obsceno.
Enviei.
Malik:
— Bom dia, Rainha.
— Olha o estado que eu acordei. Latejando de saudade.
— Essa renda tá me queimando... Minha mão não resolve o que você estragou, Ayandara. Eu preciso da sua boca pra acalmar esse bicho.
A resposta não demorou. O "digitando..." apareceu e sumiu várias vezes, como se ela estivesse escolhendo as palavras certas para me torturar.
Ayandara:
— Porra, Malik... que visão.
— Gostoso ver meu presente servindo de coleira pro seu pau.
— Ele parece tão inchado... dá pra ver as veias pulsando daqui. Imagina essa cabeça roxa, brilhando, esfregando nessa renda até rasgar?
Li a mensagem e meu pau deu um solavanco, vazando uma gota de pré-gozo que manchou o tecido preto. Tirei outra foto, agora com a evidência do meu desejo molhando a calcinha dela.
Malik:
— Você gosta de me ver sofrer, né? Olha isso. Já tá chorando por você.
Dessa vez, ela mandou um áudio. A voz estava rouca, arrastada, aquele tom de "Mommy" que me deixava de joelhos.
— "Hummm... que desperdício, Malik. Não gasta esse leite com a mão. Guarda tudo. Eu quero que você fique assim... na beira... sentindo dor de tanto tesão. Porque sexta-feira, eu vou ordenhar cada gota disso aí. Aguenta firme, garoto."
Respirei fundo, jogando o celular na cama e indo para o banho antes que eu perdesse o controle e desobedecesse a ordem dela.
A água quente bateu nas minhas costas e ardeu. Olhei no espelho embaçado.
Lá estavam elas. As marcas.
Os arranhões nas costas, vermelhos e definidos, e a mordida no pescoço, roxa e pulsante. Sorri, um sorriso bobo e satisfeito. Como eu ia explicar aquilo no escritório? "Caí da escada"? "Alergia"? Dane-se. Eram medalhas de guerra. Eram a prova de que uma mulher selvagem me dominou e me marcou como território dela.
O dia no trabalho foi um borrão. Respondi e-mails, participei de reuniões, mas minha mente estava em outro lugar. A cada vibração do celular no bolso, meu coração disparava, lembrando do áudio dela.
Na volta para casa, parei no mercado.
Eu não era um homem de fazer compras elaboradas, mas naquela noite, eu estava numa missão. Percorri os corredores com a atenção de um caçador. Comprei uvas verdes sem semente (ela comentou que gostava), chocolates amargos, um vinho tinto encorpado. E, claro, pão francês e mortadela Ceratti. O clássico não podia faltar.
Cheguei em casa e comecei a arrumar o "ninho". Troquei os lençóis por uns de algodão egípcio que eu guardava para ocasiões especiais. Limpei o chão, borrifei um aromatizador suave. Eu queria que o meu apartamento deixasse de ser um espaço de solteiro e virasse um templo digno de receber uma deusa.
Às 22h, o telefone tocou. Chamada de vídeo.
Atendi.
A tela do celular se encheu com o rosto de Ayandara. Ela estava na cama dela, com uma regata simples de dormir, o cabelo preso num coque despojado e aquele sorriso de quem sabe exatamente o efeito que causa.
— Oi, estranho — ela disse, a voz macia.
— Oi, minha mulher — respondi, sem medo da posse.
Ela riu, desviando o olhar, mas gostou.
— Me mostra a casa. Quero ver onde eu vou pisar.
Levantei e fiz um tour virtual. Mostrei a sala arrumada, a cozinha limpa com as compras em cima do balcão (ela riu ao ver a mortadela), e finalmente, o quarto.
A câmera focou na cama, com os lençóis esticados e a calcinha preta ainda no criado-mudo, agora seca, esperando a dona.
Ayandara ficou em silêncio por um segundo, analisando o território.
— Hum... espaçoso — ela comentou, mordendo a ponta da haste dos óculos que ela usava para ler. — Naquele balcão da cozinha... a altura é boa. Dá pra te encostar ali, abrir suas pernas e chupar você enquanto você corta as uvas.
Engoli em seco, imaginando a cena.
— E aquele sofá... — ela continuou, a voz ficando mais baixa, os olhos semicerrados. — Parece confortável. Mas acho que você vai preferir o tapete. Eu gosto de ficar por cima, olhando você de baixo.
Eu estava duro de novo. A provocação visual, a distância, a voz dela descrevendo cenas que ainda não aconteceram... era uma tortura deliciosa.
— Vem logo, Ayandara... — pedi, virando a câmera para o meu rosto, mostrando o desespero nos meus olhos. — A casa tá pronta. Só falta a Rainha.
Ela sorriu, aproximando o rosto da tela como se pudesse me beijar através dos pixels.
— Faltam três dias, Malik. Aguenta firme. Porque quando eu chegar aí... a gente não vai dormir.