Caros leitores, ao começar este conto, importa os informar que tudo começou quando me mudei para um novo apartamento, que é térreo e conta com um quintal (apartamento garden). O local precisou de uma bela reforma antes que pudesse me mudar, sendo que estes reparos foram o ponto de partida para os acontecimentos que se sucederam.
Cinco andares acima do meu, mora Fabiano, um homem muito simpático que tive a oportunidade de conhecer ao acaso no elevador. Na ocasião, eu estava desgrenhado, sujo de pó e tinta, justamente por estar envolvido na reforma que já me esgotava há alguns meses. Isso não passou despercebido pelo meu vizinho, que logo inquiriu se era eu o novo morador do apartamento 07, afinal, não havia outras reformas em andamento. Assenti que sim e fui retribuído com uma expressão sorridente, mas contida. Ele não titubeou e começou:
—Poxa, vizinho, que bacana o conhecer! Fico muito feliz que seja você o novo morador. Tenho acompanhado a evolução das obras pela minha sacada e meio que virei fã do seu apartamento, haha — disse ele, com um misto de encanto e acanhamento.
—Ah, não brinca! Eu é quem fico feliz que esteja gostando do apê e espero que a obra não esteja o perturbando tanto — disse eu em razão da barulheira toda que vínhamos fazendo ao longo da reforma — Prometo que estamos correndo para ser o mais breve e o menos incômodo possível.
—Imagina! Não há com que se preocupar. Está ficando muito lindo e eu tenho aproveitado para acompanhar tudo... — deu uma pausa hesitante, antes de continuar — Agora que o conheci vou ficar de olho sempre que puder em você lá embaixo — num tom aparentemente despretensioso, mas que carregava uma sutil indecência.
Fiquei um pouco tenso. Balbuciei o que deveria ser um agradecimento, esboçando um sorriso bobo, um tanto sem graça. Mas continuei a conversa e me apresentei:
—A propósito, eu sou o Gabriel. Muito prazer conhecer.
—Igualmente, Gabriel. Eu sou o Fabiano, do 57. O prazo é todo meu.
O elevador logo chegou ao subsolo e despedimos, cada um seguindo seu caminho.
Passadas aproximadamente duas semanas desde de esse encontro inusitado, a fase de limpeza pós-obra chegara. Lá estava eu no quintal, absorto em minhas divagações, enquanto lavava o piso quase que mecanicamente, quando fui interrompido por uma voz um pouco distante, chamando por mim. Era ele.
—Ei Gabriel... Seu apartamento está muito lindo. Parabéns! Ótimo gosto o seu! — exclamou Fabiano, de sua varanda, com veemência.
—Poxa! Obrigado, vizinho! Eu peço desculpas por qualquer barulheira nesse meio tempo! Mas finalmente chegou ao fim! — devolvi com o mesmo entusiasmo.
Acenei com a cabeça, sorri e continuei com meus afazeres, sem dar a ele a chance de continuar a conversa. Mas percebi que ele continuou a me observar, estático. Aquilo me deixou inquieto, mas prossegui como se não percebesse sua presença. Alguns minutos se passaram até que tomei a coragem de olhar de soslaio, discretamente, para então perceber que ele continuava lá, apoiado no gradil de sua sacada a me fitar, com uma das mãos por cima da cueca apalpando e estimulando seu pau. Porra! Uma súbita corrente elétrica atravessou meu corpo, ruborizando minha face. Eu não havia reparado até então, mas pude notar que ele estava com uma samba-canção, o tecido aparentava ser de cetim, cor azul-marinho e era possível ver de maneira oblíqua e imprecisa a silhueta de seu membro. Era grande, avantajado e parecia estar meia bomba. Isso foi tudo que pude captar, antes de abaixar a cabeça rapidamente e, com mais pressa ainda, guardar as ferramentas e produtos e entrar para a parte coberta do apartamento, onde não podia mais ser visto por ele. Estava desnorteado. A vontade de voltar e o encarar era grande, mas o pudor falou mais alto. Aquilo me perturbou, mas de uma maneira gostosa e selvagem. Eu fiquei desassossegado, consumido por um emaranhado de emoções que borbulhavam dentro de mim. Claramente aquilo me excitou e me tirou do eixo.
Meu vizinho era um cara charmoso, quarentão, cabelos ainda negros, mas com uma porção de brancos que já despontavam nas laterais, de olhar austero, expressão severa, alto, corpo parrudo, não gordo e nem musculoso. Tinha aquela barriga de pai de família. Pele branca, mas bronzeada, queimada pelo sol. Mãos fortes, braço cheio de veias saltadas. Um Homem com H maiúsculo. Exalava masculinidade e virilidade, do tipo Macho Alfa. Um arquétipo que me deixava nervoso, vulnerável, frágil. Aquilo tudo me deixava mais atordoado, porque quando nos encontramos no elevador pela primeira vez, eu não tinha prestado atenção a nenhum desses atributos. Sequer o olhara com outros olhos que não os de um bom vizinho, talvez um colega ou amigo em potencial. Mas agora, eu estava trasbordando de tesão, com pensamentos carnais, quase que profanos em relação a ele. Não resisti e toquei uma punheta ali mesmo, relembrando ele amaciando o próprio cacete enquanto olhava para mim de sua varanda. Uma onda de orgasmo me inundou. Gozei como nunca havia gozado. Fiquei ofegante, com as pernas bambas e visão vertiginosa. Decidi voltar para fora para ver se ele continuava lá, mas não havia mais ninguém.
Voltei para dentro do apartamento frustrado e chateado. Eu deveria ter aproveitado a situação. De repente ter puxado outra conversa, dado abertura para que mantivéssemos o contato um com o outro. Como tinha sido burro! Por mais que morássemos a cinco andares de distância, quais eram as chances de nos encontrarmos ao acaso novamente?! Eu sabia que eram remotas e definitivamente eu não tomaria a iniciativa de tocar sua campainha. O que eu diria? Que assunto ou pretexto inventaria para o abordar? Poderia dizer que notei ele acariciando o próprio pau enquanto me observava e que gostei, mas daí seria loucura! Aquilo poderia ter sido circunstancial. Um homem sendo homem enquanto coçava o saco! Nada demais. Imagine só a confusão que eu poderia arrumar a troco de um possível devaneio meu. Eu precisei aceitar que tinha desperdiçado uma oportunidade em potencial. Terminei de organizar o que precisava, jantei e fui dormir decepcionado comigo mesmo.
Confesso que passei os dias seguintes pensando sem parar naquela cena e nele. Volta e meia eu ia até o quintal, olhava para cima, na esperança de o encontrar e iniciar qualquer tipo de contato. Mas nada. Continuava sem qualquer sinal dele. Os dias foram passando e naturalmente eu fui aos poucos deixando aquele episódio para trás. Precisava seguir em frente. Havia muito o que fazer: trabalho, casa, estudos, família, vida social. Mas parece que o destino gosta de nos surpreender. Quando menos esperava, o impensável aconteceu: o encontrei novamente no elevador, enquanto descia ao subsolo para levar o lixo até a lixeira. Quando as portas do elevador se abriram e dei de cara com ele, tremi e hesitei por alguns poucos — mas intermináveis — segundos, antes de finalmente entrar no elevador e o acompanhar. Ele não deixou o silêncio preencher o espaço:
—Nos encontramos de novo! haha — quebrando a quietude — Como você tem estado, meu amigo?
—Pois é, né — disse com um pouco de nervosismo — Estou bem! Tudo caminhando conforme Deus nos permite...
—Legal... Olha, a vista do seu apartamento é tão agradável. Eu gosto muito de olhar para baixo e ver o quanto você transformou aquele lugar, cheio de verde e vida. Muito bom. — disse com ternura e sinceridade.
Era a minha deixa.
—Nossa, eu queria tanto ver como é a vista superior dele. Se você não se importar, poderia me mandar algumas fotos dele pela sua vista?
—Mas é claro, poh! Mando, sim. Você quer anotar meu Whats? Daí você me chama e quando der eu te envio as fotos.
—Pra já! Pode falar seu número... — disse eu já com o celular na mão.
Enquanto eu digitava os números conforme ele ditava, não pude deixar de notar o volume em sua bermuda. Ele usava um shorts tactel e, definitivamente, estava sem cueca. O formato do pinto dele estava muito bem definido sob a fina camada de tecido que o cobria. Era enorme. Pelo minha percepção, eu diria que passaria fácil dos 22 cm, além de aparentar ter uma circunferência bem dotada. Eu não consegui disfarçar, comecei a olhar de maneira vidrada para o pau do Fabiano. Ele percebeu isso. Naturalmente, que a tensão sexual se instalou. Eu estava completamente atraído e hipnotizado pelo volume, até que fui puxado de volta à realidade.
—...anotou? — perguntou já sabendo do meu estado de transe.
—Oi?! — engoli a seco, voltando meu olhar para o rosto dele.
Ele esboçou um riso tímido de canto de boca. Parecia saber exatamente em que eu estava focado.
—O meu número. Você conseguiu anotar?
—Ah, sim. Claro, claro. Anotei. — respondi confusamente.
Era palpável a tensão sexual no ar. Saímos do elevador sem dizer nada sobre minha hipnose descarada manjando a rola dele. Com o contato dele salvo na minha agenda, eu o chamei e ele imediatamente respondeu, salvando meu contato. Finalmente eu havia criado coragem e dado um passo importante para criar algum tipo de relação com ele. Ainda que fosse só amizade. Novamente nos despedimos e seguimos direções opostas. Ao nos afastarmos, não pude evitar a olhar para trás. Ele olhava de volta. Os olhares se encontraram por um breve segundo antes de rapidamente o desviar e continuar meu trajeto. Algo me dizia que tinha muita água para rolar ainda.
Continua...