A vitória de Samuel - Cap.6

Um conto erótico de ThiThe
Categoria: Heterossexual
Contém 1809 palavras
Data: 13/03/2026 16:59:23

O cheiro forte e mofado do quarto de motel foi a primeira coisa a penetrar a névoa do sono. Depois, o peso. O calor. Os olhos de Natália se abriram lentamente, sua visão se ajustando à penumbra. Sua perna direita estava entrelaçada entre as coxas pálidas e peludas de Samuel, sua pele lisa em forte contraste com os cachos escuros e ásperos. O braço dele era uma faixa pesada sobre suas costelas, a mão espalmada possessivamente sobre a curva de seu seio. Ela podia sentir o ritmo constante e satisfeito de sua respiração contra suas costas.

Ela não se moveu. Uma quietude profunda e paralisante a envolveu. A energia frenética, a vergonha, a autoaversão — tudo havia se dissipado na fornalha de sua segunda relação sexual, deixando para trás essa calma estranha e vazia. Ela estava apenas… ali. Nesta cama. Com ele.

Ela sentiu a respiração dele mudar. Ele estava acordado. Ele a observava. Ela sentia a intensidade do olhar dele no seu rosto, uma pressão física que fazia os pelos finos dos seus braços se arrepiarem. Mesmo assim, não se virou. Ficaram deitados assim por longos minutos, dois corpos fundidos pelo suor e pela paixão exaurida, suspensos num silêncio mais denso que o ar empoeirado do motel.

Foi ela quem finalmente o quebrou, a voz um sussurro seco. — O que fizemos foi… foi…

— Errado? — completou ele, num tom baixo e zombeteiro contra o ouvido dela.

Natália engoliu em seco. Mexeu-se o suficiente para virar a cabeça e olhá-lo. Os seus pequenos olhos escuros eram poços indecifráveis ​​na penumbra. — Já nem sei mais o que é errado — disse ela, e a honestidade daquilo a chocou. Era a verdade. A bússola da sua moralidade tinha-se estilhaçado.

Um sorriso lento e profundo espalhou-se pelo rosto de Samuel. Ele gostou daquela resposta. Gostou muito. O polegar dele começou a se mover, traçando um círculo lento e distraído ao redor do mamilo dela. Ele se ergueu instantaneamente, traindo-a. Ela não o impediu.

O silêncio retornou, mas agora era diferente. Carregado. Foi ela quem falou novamente, precisando preencher o vazio com algo, qualquer coisa. — Era verdade? O que você disse antes. Que você sempre… me quis?

— Sempre — ele sussurrou, a palavra um juramento. Sua mão deixou o seio dela, mas apenas para deslizar pela sua lateral, sobre a curva do quadril, deixando um rastro de arrepios. — Desde quando você era uma menina de maria-chiquinha. Eu vi você se tornar uma mulher. Cada passo. Cada risada. Cada vez que você trazia um daqueles garotos bonitos para casa. — Sua voz não continha raiva agora, apenas uma obsessão sombria e reverente. — Você sempre foi a coisa mais linda daquela rua… e de todo este maldito mundo.

Natália ouviu, um nó frio se formando em seu estômago enquanto um calor traiçoeiro se acumulava mais abaixo. — Nunca percebi — murmurou ela, quase para si mesma.

Os dedos dele cravaram-se na sua anca, não dolorosamente, mas com firmeza. — Nunca reparou — ele a corrigiu, a voz suave, mas carregada de ressentimento acumulado ao longo da vida. — Pessoas como você não reparam em pessoas como eu.

Uma onda de culpa irracional a invadiu. Os comentários piedosos dos pais ecoaram na sua cabeça. 'O pobre neto da Lucy'. 'Sem futuro'. Ela o vira como um fantasma na sua visão periférica durante mais de duas décadas. — Desculpa — ouviu-se dizer. O pedido de desculpas era absurdo, mas parecia necessário.

Ele pareceu suavizar-se com isso. A mão relaxou, retomando o carinho. — Não precisa — murmurou ele. — Agora você me vê. — Fez uma pausa, os dedos a percorrerem a parte interna da coxa dela. — E não se preocupe… com a sua saúde. Com as prostitutas, eu sempre usei camisinha. Tinha de usar. — O toque dele subiu, a um sussurro do seu centro. — Mas com você… eu precisava sentir você. Você inteira. Pele contra pele. Sem plástico entre nós. Estou limpo, Naty. Juro.

A consequência não dita pairava no ar entre eles, uma terceira presença na cama. Gravidez. Ela sentiu um sobressalto de medo, agudo e intenso. Viu o mesmo conhecimento brilhar nos olhos dele. Nenhum dos dois ousou verbalizá-lo.

— Você entende agora? — perguntou ele, a voz baixando para um sussurro intenso. Ele afastou as coxas dela com o joelho, alinhando seu corpo com o dela por trás. Ela podia senti-lo, já meio duro e engrossando contra a fenda de suas nádegas. — Tudo o que eu fiz… foi amor. Distorcido, talvez. Doentio, com certeza. Mas foi amor. E isso… — Ele balançou os quadris suavemente, a grossura do seu membro deslizando contra sua pele sensível. — Isso prova que nos encaixamos. Minha teoria estava certa. Nascemos para isso.

Natália não respondeu. As palavras lhe faltavam. Seu corpo respondia por ela, tornando-se macio e flexível, um calor líquido se acumulando onde a pele dele encontrava a dela. O medo ainda estava lá, mas agora entrelaçado com um desejo tão profundo que parecia predestinado.

— Preciso ir — disse ela de repente, a vontade de fugir ressurgindo. Ela se apoiou em um cotovelo.

— Pare — ordenou ele, a palavra suave, mas definitiva.

Ela congelou, depois se virou para olhá-lo por cima do ombro. Ele estava apoiado em um cotovelo, com uma expressão séria.

— Não vou impedi-la — disse ele. — Mas antes de ir... me dê um beijo. Um adeus de verdade. Faça isso. Venha até mim.

Natália o encarou. A ordem era tão simples, tão definitiva. Um beijo. Depois de tudo, o que é um beijo? Era uma linha de raciocínio sem sentido e perfeita ao mesmo tempo.

Ela sentiu tudo de uma vez. Já ​​se movia, virando o corpo para encará-lo, deslizando sobre os lençóis ásperos.

Inclinou-se para frente, os olhos abertos, estudando seu rosto — os lábios finos, os dentes amarelados, a barba por fazer escura nas bochechas pálidas. A repulsa era uma vaga e distante lembrança. Agora, restava apenas um vazio curioso e faminto. Ela diminuiu a distância, pressionando os lábios contra os dele num beijo casto, de boca fechada.

Durou um segundo. Então, a mão dele subiu, acariciando a nuca dela, mantendo-a ali. Ele não a forçou. Apenas a segurou, esperando. E ela cedeu. Seus lábios se entreabriram num suspiro, e ela o beijou de verdade. Foi um beijo lento, profundo, explorador. Sua língua deslizou para dentro da boca dele, saboreando o amargor persistente do café e o sabor único e almiscarado que era dele. Um gemido baixo vibrou em seu peito.

O beijo se tornou selvagem, faminto. As mãos dela subiram, enroscando-se nos cabelos curtos e oleosos dele, puxando-o para mais perto. As mãos dele percorreram suas costas, sua bunda, apertando-a contra si. E enquanto suas bocas se entregavam à paixão, seus corpos se incendiaram novamente. A ereção dele, agora completamente desenfreada, pressionava insistentemente contra a barriga dela. Entre as próprias pernas, ela sentiu uma pulsação fresca e úmida em resposta.

Ele interrompeu o beijo, a respiração ofegante. — Só mais uns minutinhos — sussurrou contra os lábios dela. 'Só mais alguns minutos'.

Ele não esperou por permissão. Empurrou-a para trás e se pôs sobre ela, entre suas pernas, num movimento fluido e desesperado. Desta vez, não houve resistência, nem hesitação. Ela envolveu as pernas na cintura dele, os calcanhares cravando na lombar, puxando-o para mais fundo enquanto ele penetrava nela com uma única estocada profunda. Um suspiro agudo e completo escapou de seus lábios.

Desta vez foi mais lento, mas não menos intenso. Uma foda profunda e intensa que parecia uma reivindicação e uma despedida ao mesmo tempo. Ele se apoiou sobre ela, os olhos fixos nos dela, observando cada lampejo de prazer que cruzava seu rosto. Ela encontrou seu olhar, os próprios olhos arregalados e escuros, deixando-o ver a ruína que ele havia feito dela. Suas estocadas eram medidas, poderosas, cada uma roçando um ponto dentro dela que a fazia estremecer. Ela chegou ao clímax silenciosamente desta vez, uma liberação longa e trêmula que o apertou como um punho, arrancando um gemido gutural de sua garganta. Ele a seguiu momentos depois, pulsando profundamente dentro dela, seu corpo desabando sobre o dela com um peso que parecia uma âncora.

*

Horas depois, o quarto estava escuro. Samuel dormia de costas, um sono profundo e roncador, o rosto relaxado em uma expressão de profunda e vitoriosa paz. Natália estava parada perto da porta, completamente vestida, a bolsa na mão. Ela o observou por um longo momento. Ele parece feliz, pensou ela. Ele venceu.

Ela abriu a carteira. Sem pensar muito, tirou um maço grosso de notas — mais do que o motel e a viagem dele poderiam ter custado. Colocou-o silenciosamente sobre a mesa de plástico velha. Um pagamento? Uma recompensa? Um pedido de desculpas? Ela não sabia. Só sabia que ele era pobre, e ela tinha demais, e aquilo parecia ser a única coisa que podia controlar.

Então saiu de fininho, fechando a porta suavemente para o homem e para o prazer ruinoso que ele representava.

*

Seu apartamento era um monumento à elegância fria e estéril — o oposto absoluto do “Paraíso”. Marco estava viajando a negócios e voltaria na noite seguinte. O silêncio era imenso.

Natália estava no amplo banheiro de mármore, iluminado pelo brilho clínico das luzes de LED. Ela encarou seu reflexo no espelho. Seu cabelo estava uma bagunça. Havia uma leve equimose roxa em sua clavícula, onde Samuel a havia sugado. Ela levou a mão ao rosto, traçando o contorno com os dedos, um arrepio percorrendo seu corpo.

Seu olhar caiu sobre a pia. Ao lado de um copo de água cristalina, havia um pequeno pacote de comprimidos. A pílula do dia seguinte. Ela a comprara no caminho para casa, com as mãos trêmulas no balcão da farmácia.

'Esta é a coisa certa a fazer. A coisa inteligente. A única coisa a fazer'.

Sua mão pairou sobre o pacote. A lembrança de sua última e intensa ejaculação inundou seus sentidos, tão vívida que ela quase podia sentir o fantasma escorrendo por sua coxa. O medo foi instantâneo, gélido — uma visão de sua vida perfeita distorcida, uma barriga inchando com o filho dele, a traição definitiva e irreversível a Marco, à sua família, a si mesma.

Mas por baixo do medo, se enroscando no poço mais profundo e escuro de seu estômago, havia uma excitação. Um terrível e eletrizante "e se...". A ideia de estar ligada àquele homem feio e desesperado por algo tão profundo quanto uma criança... a horrorizava. E o horror era delicioso. Era a excitação mais intensa que ela já sentira.

Seus dedos se fecharam. Não em volta da embalagem de alumínio, mas em volta da borda fria da pia de mármore. Ela empurrou os comprimidos para longe. Eles deslizaram pela bancada e caíram no chão com um leve ruído.

Suas pernas fraquejaram. Ela deslizou pelo armário, com as costas contra a madeira fria, até se sentar no piso de azulejo gelado. Encolheu os joelhos contra o peito, abraçando-os, encarando os comprimidos descartados.

— Preciso pensar — sussurrou para o quarto vazio e luxuoso.

Continua...

Siga a Casa dos Contos no Instagram!

Este conto recebeu 0 estrelas.
Incentive ThiThe a escrever mais dando estrelas.
Cadastre-se gratuitamente ou faça login para prestigiar e incentivar o autor dando estrelas.

Comentários