Professor Corno e o Novo Negro Comedor. Final.

Da série Um novo comedor
Um conto erótico de drjakyll6
Categoria: Heterossexual
Contém 4235 palavras
Data: 13/03/2026 14:37:52

Dias depois, Joana chegou com uma ideia:

— Sábado que vem tem uma confraternização na casa da Carla. Meus amigos vão estar lá.

— E daí?

— Quero levar ele.

Roberto sentiu o chão tremer:

— Tá maluca?

— Por quê?

— Porque são seus amigos, Joana. Pessoas que te conhecem. Pessoas que nos conhecem como casal.

— Exatamente. Por isso é perfeito. Ele vai como meu amigo, meu aluno que to ajudando. Ninguém vai desconfiar.

Roberto passou dias angustiado. Mas no sábado, quando Joana e Preto saíram juntos, ele não disse não.

Ficou em casa, esperando. Imaginando. Sofrendo. Gozando.

Quando voltaram, tarde da noite, Joana estava radiante. Sentou na cama ao lado dele e começou a contar:

— Foi perfeito. Ninguém desconfiou de nada. Ele foi simpático, educado, conversou com todo mundo. A Carla ficou olhando pra ele a noite toda.

— E você?

— Fiquei no colo dele a maior parte do tempo. De vestido curto, provocando. A Sandra, aquela amiga minha solteirona, não tirava os olhos da gente.

Roberto ouvia, o pau endurecendo.

— Mas o melhor foi no final — Joana continuou, os olhos brilhando. — A Carla me puxou num canto. Tava um pouco bêbada, sabe? E disse: "Amiga, me conta a verdade. Esse Kaique é só seu amigo mesmo?" Eu ri, falei que sim. Ela não acreditou. Disse: "O jeito que ele olha pra você, o jeito que você senta no colo dele... tem coisa aí."

— E você?

— Eu fiquei quieta. Aí ela disse: "Se for alguma coisa diferente, pode contar. Sou sua amiga. Não vou contar pra ninguém." E sabe o que eu fiz?

— O quê?

— Contei. Contei tudo.

Roberto sentiu o coração disparar:

— Tudo?

— Tudo. Que ele é nosso comedor. Que a gente tem um acordo. Que ele me come na sua frente e você assiste. Tudo.

— E ela?

— Ela ficou de boca aberta no começo. Depois os olhos dela começaram a brilhar. Ela disse: "Nossa, que delícia. Sempre imaginei uma coisa assim, mas nunca tive coragem." E ficou me perguntando detalhes, como é, o que você sente, o que eu sinto. Ficou toda molhada, Roberto. Eu vi.

Roberto imaginou a cena. Sua mulher contando tudo para a amiga. A amiga excitada. E sentiu o pau latejar. Naquela noite, transaram os três, e Roberto sentiu que mais um pedaço dele se entregava.

Uns dias depois, Roberto chegou em casa mais cedo do trabalho. A porta estava entreaberta. Ele entrou, ouviu sons vindos da cozinha. Sons de água. Pensou que fosse Joana.

Quando virou a esquina, levou o susto da vida.

Carla estava lá. Pelada. Completamente nua, tomando água, apoiada na pia. O corpo dela era bonito, branca, seios médios, bunda redonda. Ela levou um susto quando viu Roberto, quase engasgou com a água.

— Roberto! — ela gritou, tentando se cobrir com as mãos. — Desculpa! Eu ia pegar uma roupa, juro, mas... mas Joana disse que você voltaria tarde... desculpa, ai que vergonha...

Antes que ela pudesse terminar, os sons vindos do quarto ficaram mais altos. A voz de Joana, gemendo, chamando:

— Vai, Preto! Assim! Agora quero a Carla aqui também! Manda ela vir!

E a voz de Preto saindo do quarto deles, rindo, satisfeito:

— Carla! Vem cá putinha!

Carla olhou para Roberto, sem graça, mas também com um brilho nos olhos.

— Desculpa — ela repetiu. — É que... a gente tava... não conta pro meu marido ta...

Roberto engoliu seco:

— Tudo bem.

— Ufa, você é um amor mesmo Roberto... já to indo Preto!

Roberto ficou na cozinha, ouvindo. Ouviu a porta do quarto abrir, ouviu Carla entrando, ouviu as exclamações, os risos, os gemidos que aumentaram.

Foi até a porta do quarto, espiou. Viu Carla na cama com Joana e Preto. Os três nus, se beijando, se tocando. Preto deitou as duas de quatro, uma ao lado da outra, e começou a comer Joana enquanto passava a mão em Carla.

Os meses passaram e a rotina da casa se transformou completamente, mas não era só a rotina que tinha mudado. Algo mais profundo havia se instalado entre Joana e Preto. Não era apenas o sexo, não era apenas a excitação do proibido. Era uma conexão que Roberto observava de longe, com um misto de melancolia e fascínio.

Joana estava diferente. Mais bonita, mais jovem, mais viçosa. Seus olhos verdes brilhavam com uma luz que Roberto não via há anos. Sua pele morena parecia mais luminosa, seus cabelos pretos mais sedosos, seu corpo mais firme e disposto. As roupas também mudaram, mas de um jeito sutil. Nada extravagante, nada gritante. Apenas um jeito novo de vestir o que sempre usou, mas que agora parecia diferente. Um shorts jeans simples, uma regata amarela decotada que deixava ver o começo dos seios, uma sandália rasteira. Coisas que ela sempre teve no armário, mas que agora vestiam uma mulher nova.

Preto agora vivia ali mais do que na própria casa. Tinha a chave, tinha as gavetas no quarto, tinha a comida preferida na geladeira. Acordava com Joana todas as manhãs, tomava café na cama enquanto Roberto preparava o banheiro. Roberto dormia no quarto de visitas há tanto tempo que já não lembrava mais a sensação de acordar ao lado da mulher.

Mas o que mais o intrigava era a forma como Joana olhava para Preto. Não era só desejo. Era admiração, era carinho, era uma entrega que ia além do físico. Ela ria das piadas dele, buscava a mão dele quando estavam no sofá, dormia aninhada no peito dele todas as noites. Roberto via aquilo e sentia uma pontada, mas também uma paz estranha. Ela estava feliz. Completamente feliz. E isso, de alguma forma, era suficiente.

Numa sexta à tarde, Preto chegou em casa mais cedo. Joana estava na sala, lendo um livro, vestindo um shorts jeans e uma regata branca simples. Preto sentou ao lado dela, passou a mão na sua perna, e disse:

— Tô pensando numa coisa.

— O quê?

— Hoje tem churrasco na laje. Vai todo mundo. Léo, Carlos, a galera toda. E eu quero levar você.

Joana sorriu, mas Preto continuou:

— Como minha namorada. Como minha mulher. Quero que eles vejam você. Quero que eles vejam o que eu tenho.

Ela corou, lisonjeada:

— E o Roberto?

— Ele fica. Ele vai aceitar, ele gosta.

Joana levantou-se, foi para o quarto. Abriu o armário e ficou olhando as roupas por um momento. Não queria nada muito chamativo, nada que parecesse esforçado. Queria algo que fosse ela, mas que ao mesmo tempo mostrasse quem ela era agora.

Escolheu um shorts jeans desfiado na barra, daqueles que usava há anos, e uma regata amarela, bem decotada, que comprara numa liquidação e quase nunca usara. Olhou-se no espelho. O shorts marcava as curvas, a regata mostrava o começo dos seios, os cabelos pretos caíam soltos sobre os ombros. Estava linda. Simples, mas linda.

Preto apareceu na porta, viu ela pronta, e seus olhos brilharam:

— Perfeita. Exatamente assim.

— Não é muito?

— É o suficiente.

Ela sorriu, sentindo-se a mulher mais desejada do mundo.

Foram para a sala. Roberto estava na cozinha, preparando o jantar que eles não comeriam. Quando viu Joana, parou. Shorts jeans simples, regata amarela decotada, cabelos soltos. Nada de mais. E ao mesmo tempo, tudo. Ela nunca tinha estado tão linda.

— Vamos minha gostosa — Preto disse, pegando a mão dela.

Na porta, Joana virou-se para Roberto:

— Eu já volto ta amor, te amo.

— Também te amo.

Eles saíram. Roberto ficou na cozinha, ouvindo o silêncio da casa. Depois foi para o quarto de visitas, deitou na cama, e esperou. Sabia que mais tarde Joana entraria no quarto, se aninharia ao lado dele, e contaria cada detalhe da noite. Cada olhar, cada risada, cada momento no colo de Preto na frente dos amigos. Contaria como eles a olharam, como a desejaram, como souberam que ela era dele.

Roberto estava deitado na cama do quarto de visitas quando ouviu a chave na porta. Olhou o relógio: quase duas da manhã. A casa ficou em silêncio por um momento, depois passos leves no corredor. A porta do quarto se abriu devagar.

Joana entrou. A regata amarela estava levemente amarrotada, o shorts jeans ainda marcava as curvas, os cabelos pretos estavam um pouco bagunçados. Mas o que Roberto notou primeiro foram os olhos dela. Brilhavam de um jeito que ele conhecia bem. Satisfação. Realização. Felicidade.

Ela sentou na cama ao lado dele, ainda com as roupas da noite, e sorriu:

— Acordado?

— Esperando você.

— Sabia.

Ela se deitou ao lado dele, aninhou a cabeça no seu ombro, e ficaram em silêncio por um momento. Roberto sentia o cheiro dela: suor, fumaça de churrasco, cerveja, e por baixo de tudo, o cheiro de sexo. O cheiro de Preto.

— Conta — ele pediu.

Ela suspirou, satisfeita, e começou:

— A laje é no terraço da casa de um amigo dele, o Léo. Chegamos lá, já tinha um monte de gente. Umas quinze pessoas, mais ou menos. Música alta, cerveja, churrasco no canto. Quando a gente subiu a escada, todo mundo parou pra olhar.

— Pra você?

— Pra nós. Preto entrou na frente, me puxando pela mão. E aí ele disse, alto, pra todo mundo ouvir: "Essa aqui é a Joana. Minha mulher."

Roberto sentiu uma pontada no peito, mas também uma onda de calor:

— E aí?

— Aí veio a correria. O Léo veio me cumprimentar, o Carlos também. As meninas, Tati e Jéssica, já conheciam, claro. Mas tinha gente nova. Amigos que nunca tinham me visto. E eu vi nos olhos deles. Vi a curiosidade. Vi o desejo.

— Como você sabe?

— Porque mulher sabe, Roberto. A gente sente. Eles olhavam pro meu shorts, pra minha regata, pro decote. Olhavam pro Preto, viam a mão dele na minha cintura, e entendiam.

Ela continuou:

— Fiquei no colo dele a maior parte do tempo. No começo, meio tímida, mas depois soltei. Ele me beijava na frente de todo mundo, passava a mão na minha perna, e ninguém achava estranho. Era natural. Era nós.

— E você? Como se sentiu?

— Rejuvenescida, parecia 20 anos mais nova de novo, uma adolescente. Como se não precisasse esconder nada. Como se pudesse ser quem eu sou de verdade.

Roberto apertou a mão dela:

— E quem você é de verdade?

Ela virou o rosto para ele, os olhos verdes brilhando na penumbra:

— Sou a mulher do Preto. E sou sua também. Cada um do seu jeito. E tô cansada de esconder.

— E aconteceu mais alguma coisa?

Ela sorriu, lembrando:

— Em determinado momento, o Léo amigo do Kaique chegou perto, já meio bêbado, e perguntou: "Preto, mas ela é só sua ou o esquema é aquele?" Eu não entendi, mas o Preto riu. "Aquele como?" O Léo olhou pra mim, depois pro Preto: "Aquela parada de casal liberal. De dividir." O Preto olhou pra mim, eu olhei pra ele, e a gente riu junto.

— E aí?

— Aí o Preto disse: "Ela é minha. Mas o esquema é aberto. A gente tem um corno em casa." O Léo arregalou os olhos, mas antes que pudesse perguntar mais, o Preto completou: "O marido dela. O professor. Ele sabe, ele aceita, ele gosta."

Roberto sentiu o coração disparar:

— Ele falou de mim?

— Falou. E sabe o que foi melhor? Ninguém julgou. Ninguém achou estranho. O Léo só balançou a cabeça e disse: "Caralho, que sorte." Depois veio o Carlos, a Tati, a Jéssica, e a gente foi contando. Não tudo, claro. Mas o suficiente. Que você sabe, que você aceita, que você às vezes participa.

— E eles?

— Fascinados. A Tati ficou toda molhada, tenho certeza. O Léo não tirava os olhos de mim. O Carlos também. E o Preto adorou. Adorou me ver ali, no colo dele, sendo apresentada como mulher dele, com todo mundo sabendo quem eu era.

Ela ficou em silêncio por um momento, depois disse:

— No final da noite, o Léo me puxou num canto. Disse: "Joana, você é a mulher mais gostosa que já vi. Se um dia o Preto liberar, tô aqui." Eu ri, disse que a gente via. Mas quando contei pro Preto, ele só riu. Disse: "Vai ser, uma hora. Ele é meu amigo."

Roberto engoliu seco:

— E você? Quer?

Ela demorou a responder:

— Quero o que o Preto quiser. E o que você aceitar.

— E se eu não aceitar?

Ela o olhou nos olhos:

— Você vai aceitar. Porque me ama. E porque no fundo, no fundo, você tem tesão nisso.

Roberto não negou. Não podia.

Ficaram em silêncio por um tempo. Depois Joana disse:

— Hoje foi especial, Roberto. Não só pelo sexo, porque a gente nem transou na laje. Foi especial porque eu me assumi. Porque parei de esconder. Porque mostrei pro mundo que sou dele.

— E eu?

— Você é meu segredo mais lindo. Meu porto. Meu amor. Mas ele é meu homem. E agora todo mundo sabe.

Ela se levantou, tirou a regata amarela, o shorts jeans. Ficou só de calcinha, linda na penumbra.

— Vem — ela disse, estendendo a mão. — Vem pra cama. Hoje quero você.

Roberto foi. Deitou ao lado dela, sentiu o corpo dela quente, o cheiro dela, a presença dela. Enquanto a penetrava, ela sussurrava no ouvido dele:

— Imagina a laje. Imagina eu no colo dele. Imagina todos eles me olhando, me desejando. E ele ali, orgulhoso, dono.

Roberto gozou ouvindo aquilo. Depois ficaram abraçados.

— Te amo — ela disse.

— Também te amo.

— E agora você faz parte. De verdade. Eles sabem quem você é. Sabem o que você aceita. Sabem que você é meu corno.

Roberto fechou os olhos. Sentiu o peso das palavras, mas também uma leveza estranha.

— Tudo bem? — ela perguntou.

— Tudo bem.

Ela sorriu, aninhou-se nele:

— Então dorme. Amanhã tem mais.

E Roberto dormiu. Pela primeira vez em meses, em paz.

Até que numa sexta à noite, os três estavam na sala depois de mais uma sessão. Preto sentado no sofá, Joana no colo dele, Roberto na poltrona. E Preto disse:

— Professor, a gente precisa conversar.

Roberto sentou-se mais reto:

— Sobre o quê?

— Sobre como as coisas vão funcionar daqui pra frente.

Joana se aninhou no peito dele, os olhos verdes fixos em Roberto. Havia algo no olhar dela que ele não conhecia. Uma cumplicidade nova.

— Tô ouvindo — Roberto disse.

Preto começou, calmo, seguro:

— A gente já vive junto há meses. Minhas coisas tão tudo aqui. Eu durmo aqui quase toda noite. Faz mais sentido eu me mudar de vez.

Roberto sentiu o chão tremer:

— Mudar?

— Isso. Trazer minhas coisas de vez. Assumir que isso aqui também é minha casa.

— Mas...

— Deixa eu terminar. — A voz de Preto era firme, mas não agressiva. — Não é só sobre morar junto. É sobre como as coisas vão ser. A Joana e eu, a gente se ama. Não é só putaria. É amor.

Roberto olhou para Joana. Ela não desviou o olhar. Apenas confirmou com a cabeça.

— A gente se ama — ela repetiu. — E queremos viver isso de verdade.

— E eu? — a pergunta saiu antes que Roberto pudesse segurar.

Preto respondeu:

— Você continua sendo importante. Mas as coisas vão mudar. A partir de agora, as regras são outras.

— Que regras?

Preto se inclinou para frente, Joana ainda no colo, e começou a enumerar:

— Primeiro: o quarto do casal agora é meu e da Joana. Você dorme no quarto de visita. A cama é pequena, mas serve.

Roberto abriu a boca para protestar, mas Joana o interrompeu:

— Roberto, a gente já nem dorme junto há meses. Você mesmo disse que se acostumou.

Era verdade. Mas ouvir aquilo doía.

— Segundo — Preto continuou —, só eu beijo ela na boca. Isso é meu. Meu e dela. Você não beija mais ela assim.

— Mas...

— Pode beijar o rosto, a testa, o que quiser. Mas boca é minha.

Joana completou:

— É íntimo demais, Roberto. Beijo na boca é coisa de casal. E ele é meu homem agora.

Roberto sentiu o estômago embrulhar, mas não disse nada.

— Terceiro — Preto seguiu —, você só participa do sexo quando eu permitir. Se eu quiser você lambendo, você lambe. Se eu quiser você olhando, você olha. Se eu não quiser você por perto, você fica no quarto de visita até a gente terminar.

— E se eu não concordar?

Preto sorriu, sem maldade:

— Você concorda. Porque se não concordar, a gente vai embora. Eu e ela. E você fica sozinho.

Roberto olhou para Joana. Ela não disse nada. Apenas apertou a mão de Preto.

— Quarto — Preto continuou —, você vai prover a casa. Comida, conta, tudo que a gente precisar. A Joana vai continuar trabalhando, mas o dinheiro dela é nosso. O seu também.

— Eu trabalho...

— Sei. E vai continuar trabalhando. Mas quando chegar em casa, é pra cuidar da gente. Fazer comida, limpar, lavar. A gente merece descansar depois de um dia duro.

Roberto sentiu a humilhação subir quente pelo peito:

— E na escola?

Preto e Joana trocaram um olhar. Ela sorriu, e ele respondeu:

— Na escola, as coisas são nossas também. A gente transa lá sempre que dá. Sala dela, sala vazia, depósito. Dá um tesão do caramba saber que qualquer um pode aparecer.

Joana completou, os olhos verdes brilhando:

— Ontem mesmo a gente transou no banheiro dos professores né amor. No intervalo. Quase fomos pegos. Foi tão gostoso.

Roberto imaginou a cena. Sua mulher, no banheiro da escola, com Preto. O risco, o perigo, a excitação.

— E vocês... — ele engoliu seco. — Vocês tão felizes assim?

Joana levantou-se, foi até ele. Sentou no braço da poltrona, passou a mão nos cabelos dele:

— Tô, Roberto. Mais feliz do que nunca. E você? Não tá?

Roberto pensou. Pensou em tudo. Nas regras caídas, nos limites ultrapassados, na mulher que amava nos braços de outro. Pensou na excitação, no tesão, na paz estranha que sentia quando aceitava.

— Tô — ele disse. — Acho que tô.

Ela sorriu, beijou sua testa:

— Então tá tudo bem. Agora deixa a gente ir pro quarto. A noite foi longa e a gente quer dormir junto.

Levantou-se, voltou para Preto. Os dois se beijaram na boca, um beijo longo, demorado, que Roberto assistiu da poltrona. Depois foram para o quarto do casal, fecharam a porta.

Roberto ficou na sala por um tempo, ouvindo o silêncio. Depois levantou-se, foi para o quarto de visitas. Deitou na cama pequena, olhou para o teto.

Pensou nas novas regras. No quarto perdido. Nos beijos proibidos. Na submissão total.

E sentiu o pau endurecer.

Na manhã seguinte, acordou com o barulho de passos no corredor. Preto e Joana já estavam na cozinha, rindo, fazendo café. Quando ele apareceu, Preto disse:

— Bom dia, corno. Faz o café? A gente quer na cama hoje.

Roberto preparou o café. Levou para o quarto do casal. Os dois estavam na cama dele, na cama deles, abraçados, nus. Ele serviu, eles agradeceram, e ele voltou para a cozinha.

Lavou a louça do café, arrumou a casa, preparou o almoço. Enquanto trabalhava, ouvia os sons do quarto. Risadas, gemidos, a vida dos dois.

As regras que Preto impôs naquela noite foram aceitas por Roberto sem mais resistência. Diferente das que ele mesmo havia criado no início, que caíram uma a uma no calor do tesão, aquelas novas diretrizes permaneceram intactas pelos meses que se seguiram. Era como se Roberto finalmente tivesse encontrado seu lugar no mundo, e esse lugar era à margem da vida dos dois.

O quarto do casal continuou sendo deles. Roberto dormia no quarto de visita todas as noites, acordava com os sons dos dois transando, preparava o café, servia na cama, e depois ia trabalhar. Quando voltava, cuidava da casa, fazia a comida, lavava a louça, enquanto eles descansavam ou se preparavam para mais uma noite.

Orgias com Léo e Carla passaram a acontecer e se tornaram frequentes. Quase todo fim de semana o casal de amigos aparecia, Léo e Carla se tornaram amantes também porém o marido de Carla não sabia, os quatro passavam horas no quarto do casal, numa farra de corpos que Roberto assistia da poltrona no canto. Às vezes era chamado para lamber, outras vezes só para olhar. Nunca mais participou como antes. Era apenas um espectador, um servo, um coadjuvante na peça que os outros protagonizavam.

A única regra que Joana quebrava, de vez em quando, era a do beijo. Em momentos raros, quando Roberto estava sozinho na cozinha ou no quarto de visita, ela aparecia, sentava ao lado dele, e dava um beijo rápido nos lábios. Um beijo roubado, furtivo, que durava apenas alguns segundos. Depois sorria, passava a mão no rosto dele, e às vezes descia, abria a calça dele e chupava seu pau com uma voracidade que trazia lembranças do passado. Mas quando ele tentava tocar nela, ela afastava.

— Não — dizia. — Isso é só do meu Preto.

E Roberto aceitava. Gozava na boca dela, via ela engolir, e depois ela voltava para o quarto, para os braços do homem dela.

A buceta de Joana, ele nunca mais tocou. Era território proibido, sagrado, exclusivo de Preto e dos amigos que ele escolhia para dividir. Roberto sentia falta, mas aprendera a viver com aquilo. Aprendera a encontrar prazer na submissão, na humilhação, no papel de coadjuvante.

Até que um dia Joana sentou na cama do quarto de visita, onde Roberto lia um livro, e disse:

— Roberto, preciso te contar uma coisa.

Ele fechou o livro, o coração acelerado:

— O quê?

Ela colocou a mão na barriga, ainda lisa, e sorriu:

— Tô grávida.

O mundo parou por um segundo. Roberto sentiu uma mistura de emoções que não soube nomear.

— Do Preto? — perguntou, mas já sabia a resposta.

— Claro — ela disse, com um sorriso doce. — Dele. Só pode ser dele.

Roberto assentiu, engolindo o que sentia:

— E vocês? Tão felizes?

— Muito. A gente sempre quis. A gente só tava esperando a hora certa.

Ela segurou a mão dele:

— Vamos nos mudar, Roberto.

Ele sentiu o golpe, mas já esperava:

— Pra onde?

— Pra laje. O Preto conseguiu um barraco lá perto dos amigos dele. Vou trabalhar numa ONG na comunidade, ajudar as crianças. É o que eu sempre quis.

— E eu?

— Você vai ficar bem. Você é forte. E vai encontrar alguém. Alguém que te ame do jeito que você merece.

Roberto ficou em silêncio por um longo tempo. Depois perguntou:

— A gente ainda vai se ver?

— Claro. Sempre. Você vai ser o tio, o padrinho, a pessoa mais importante da vida desse bebê. E vai ser sempre meu porto, meu amor, minha casa. Mas minha vida agora é com ele.

Ela se levantou, beijou sua testa, e saiu.

Nas semanas seguintes, Joana foi levando suas coisas aos poucos. As roupas, os livros, os objetos pessoais. O quarto do casal foi se esvaziando, até que um dia restou apenas a cama vazia e o armário aberto.

Roberto ajudou na mudança. Carregou caixas, arrumou o barraco na laje, conheceu o novo espaço deles. Era pequeno, simples, mas tinha vista para o morro e um vento que entrava pelas frestas. Joana estava linda, grávida, radiante. Preto estava ao lado dela, orgulhoso, dono.

No último dia, antes de ir embora de vez, Joana sentou com Roberto na sala vazia da casa que um dia foi dos dois.

— Obrigada — ela disse.

— Por quê?

— Por tudo. Por ter aceitado. Por ter me deixado ser feliz. Por ter me amado desse jeito.

Roberto segurou a mão dela:

— Eu sempre vou te amar.

— Eu sei. E eu sempre vou te amar também. Mas de outro jeito.

Ficaram em silêncio, olhando para a casa vazia.

— O que você vai fazer agora? — ela perguntou.

— Viver. Arrumar alguém. Recomeçar.

Ela sorriu:

— Vai conseguir. Você é um homem incrível.

— Incrível e corno — ele riu.

Ela riu junto:

— Incrível e corno. Meu corno favorito.

Se abraçaram por um longo tempo. Depois ela se levantou, foi até a porta, e antes de sair, virou-se:

— Te amo, Roberto.

— Também te amo, Joana.

Ela saiu. Roberto ficou na sala vazia, ouvindo o silêncio.

Os meses seguintes foram de reconstrução. Roberto vendeu a casa, comprou um apartamento menor, voltou a dar aulas com dedicação. Conheceu uma mulher numa reunião pedagógica, Mariana, professora de português, recém-separada, com um sorriso fácil e olhos castanhos tranquilos. Começaram a sair, devagar, sem pressa.

Ele contou sobre o passado. Não tudo, mas o suficiente. Ela ouviu, processou, e disse:

— Todo mundo tem uma história. O que importa é o que você é agora.

Ela o aceitou. E ele aprendeu a ser amado de um jeito novo. Mais simples, mais calmo, mais igual.

De vez em quando, Joana aparecia com o filho. Um menino lindo, de pele morena clara igual a dela, cabelos pretos e olhos verdes, que chamava Preto de "pai" e Roberto de "tio". Passavam tardes juntos, no parque, na casa nova de Roberto, na laje. As duas famílias, diferentes, mas unidas.

Numa dessas tardes, Roberto olhou para Joana, sentada no banco do parque com o filho no colo, Preto ao lado, a mão dele nas costas dela. Ela olhou de volta e sorriu. Um sorriso agradecido, cúmplice, amoroso.

Roberto sorriu também. E sentiu paz.

A vida tinha seguido. Diferente do que imaginou, mas boa. Ele tinha aprendido que amor não tem forma única. Que felicidade pode ser encontrada nos lugares mais estranhos. E que, no fundo, ser corno não era o fim do mundo. Era apenas um capítulo. Um capítulo intenso, estranho, inesquecível.

Agora, com a nova mulher ao lado, e o passado guardado no coração, Roberto sabia que tinha vivido tudo que precisava viver.

E estava pronto para o que viesse.

*Fim*

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NOTA DO AUTOR:

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Comentários

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Li esse final e já projeto o que vai acontecer no outro conto, o do André. Se mantiver esse ritmo, ele vai ficar puto, depois vai aceitar e o amigo talarico e a mulher (ex, né?) vão ficar juntos, todos felizes kkkk

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Em tempo, não estou dizendo que está ruim, só que achei semelhante mesmo. Estou curioso...

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O pior que o autor escreve bem né? Poderia criar histórias legais, gerar debates, construir algo de positivo.

É um talento desperdiçado...

Seria um Leon 02 ? Kkkkkkkkkk

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Pior que ele escreve bem mesmo kkkkk

O "crescente" do diálogo da adúltera e do amigo talarico no conto do André foi um espetáculo...

Ele sabe fazer aquela sensação de proibido que vai crescendo, que vai se tornando excitante e repugnante ao mesmo tempo. Não é todo autor que consegue isso e ele faz isso muito bem.

Porém, a passividade do corno nesse final é um alerta grande para o que vai acontecer no conto do André. A história é soberana, entendo e defendo isso, mas me frustra se o André se tornar outro corno manso, passivo e aceitador da traição dupla.

Por fim, concordo contigo Osório quando diz que o autor tem potencial mesmo para criar histórias legais e gerar debates, fazendo a gente refletir. Tanto que já sigo o autor. Vejo muito potencial.

Vamos torcer para que o autor nos surpreenda.

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QUe lixo! Babaquice nojenta, manipulação total e abjeta de uma estória calhorda para variar, para novamente detonar a dignidade de marido. Por que será que tanto feminicídio acontece? Fantasia de pamonha foi tanta que resulta na mesmice - a mulher abandona o marido - porque esse aí é realmente um merda, otário de deixar tudo, fazer as vontades da puta manipuladora. Onde já se viu - deixar e concordar que outro - acessório de sexo - seja o dono da casa - proibir de beijar a própria mulher - mais do mesmo desse site fuleiro - que mais coloca essa babaquice

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