43. A ordenha
Murilo me pediu perdão, disse que estava dando tudo errado desde que fizeram a primeira volta ao Brasil, “Você é muito idiota, como odeio você, por que você não quebrou as costelas de Daniel e me impediu de fazer uma merda dessa?, você não serve pra nada, Mateus, que merda.”, “Concordo plenamente, meu marido só voltou a fazer amor comigo quando comprei as passagens pra cá, esse retorno é definitivo, deixar o frio da Europa para Luana, Tiago e Laura. Viemos pra ficar.”, olhei para Sérgio e ele concordou, era exatamente isso.
Daniel me beijou, me agarrou firme e disse que eu estava fodido, ia me beija tanto até ser desculpado por não entender o amor que existe entre Murilo e eu, “Marcos, eu sinto muito, aprenda a viver com isso, eu e o Atlântico não conseguimos”, eu segurei aquele homem lindo e beijei Daniel com quase desespero, quase loucura, ele trouxe Murilo de novo, perguntou se estava perdoado, Murilo estava aqui de verdade, com as malas. “Vou roubar Murilo de você por uns dias”.
Juro que eu não tive intenção, busquei a boca de Marcos, eu o beijei e disse que ele não podia sentir ciúmes, se separar de mim, levar meus filhos para longe, ele era meu coração, não consigo imaginar minha vida sem ele, cheguei bem próximo ao seu ouvido e lhe disse que eu estava pronto a abandonar todos, tudo por ele e por nossos filhos, mas queria segurar a mão dele e viver aquela noite, ele perguntou se eu abriria mão de Joel e Hélio e eu olhei para ambos antes de responder à pergunta dele no meu ouvido também em cochicho, as lágrimas correram e eu sentimos dor enorme, mas disse sim, ele me beijou e disse que eu era um louco, a casa era nossa e sempre se pode fazer um primeiro andar.
Chamei Murilo com a mão enquanto beijava Marcos, nosso beijo ficou a três e eu comecei a tirar minha camisa, e Marcos a desafivelar o cinto de Murilo e a gente se beijava e ria e se despir e de pau duro e ficando nus, e Galvão e Caio foram os primeiros a se aproximarem, começou. Três veados sendo mudados por doze caras, eles tinham tempo, eu conhecia todos eles, confiava em todos eles, ninguém precisou tomar conta de nós três. Acho que eu notei que estava numa putaria quando sentei na pica de Caio, de frente para ele, ele mordendo meu pescoço e empurrando minha cabeça contra o pau de Douglas, sim, isso é uma putaria sem tamanho. Dessa vez vou pular tudo, foi quase duas horas de foda, dupla penetração, garganta profunda, Murilo vomitou no pau de Rui, mas assim que respirou, empurrou tudo novamente e vomitou novamente, repetiu isso mais uma vez e Rui o beijou, se declarou apaixonado por Murilo, disse que seu pau nunca encontrou tanta felicidade, o fodeu por cima da sujeirada, detalhe: beijando na boca e dando beliscões es seus mamilos, quase todas as toalhas foram usadas para nos limpar, tive certeza que algumas ficariam imprestáveis, duas.
Marcos gemeu muito com o tio no seu rabo, Caio fazia o mesmo comigo e beijava o novo amante, o mais velho daquele circo, “Judeuzinho, pede pica do titio, ele não conseguia falar, a gente não conseguia mais pkrra nenhuma. Eu não digo o que houve porque não lembro, vi cenas em celular, tenho muitas impressões, mas poucas memórias, lembro que no fim Rodrigo ensinava Serginho a dar tapa, cuspir e depois fazer Marcos gostar e pedir mais, Marcos sorria delirando com os beijos deles. Nos reuniram no centro de um círculo e começaram a gozar pela última vez, todos os sabores, e a gente lambendo das picas, de nós mesmos e do chão, depois mijaram em nós, um a um primeiro os mais ousados e por fim os mais tímidos, mas todos fizeram isso. Ouvimos cumprimentos e foram indo embora, Caio me levou para seu quarto e me deu daqueles banhos bem cuidadosos, cotonete, escovou meus dentes, disse que sentia um prazer sem tamanho em me limpar depois disso, quanto mais fodido e sujo mais ele sente orgulho de eu ser seu veadinho.
Depois foi hora de Hélio me dar de comer, ver os arranhões, e pequenos cortes principalmente joelhos, mãos, cotovelos, antisséptico, analgésicos, relaxante muscular, suco de laranja e depois a salada que ele me dava garfo a garfo na boca, ele me leva para meu quarto e aí fica sentado na poltrona me observando deitado na cama, primeiro chega Murilo, depois Rodrigo traz Marcos e senta no lugar de Rodrigo.
Murilo pede para deixar alguma luz acesa e Rodrigo deixa uma luz amarela bem fraquinha, dormimos, Murilo me abraçando de um lado e Marcos do outro, em certa altura acordo e Galvão traz Murilo de volta do banheiro, finjo estar dormindo, Galvão diz que Hassan e Faruk estavam bem, estavam dormindo e mandaram fotos para o celular dele antes de voltarem para casa. Fico curioso, finjo dormitar quando ele me abraça, acordo às seis, Joel me acompanha até a mesa da cozinha, a casa está organizada, limpa e cheirosa, como mamão e suco de grávida com leite, um pão com queijo prato e estou a ponto de arrotar, cama novamente, no caminho pergunto quem são Hassan e Faruk e ele diz que não vai falar nada sobre os filhos de Murilo.
Durmo, muito mais curioso, quando Marcos acorda, Murilo desperta com nossos bons-dias, a gente senta na cama, beijo meu marido e depois meu ex, me levanto e vou trancar a porta, só temos nós três, pergunto quem são Hassan e Faruk. Murilo fica sério e diz que antes era preciso dizer quem estava se sentindo maravilhoso, por ter tido uma ordenha de pica como nunca antes, disse que tirando a chuva dourada do final, tudo havia sido perfeito, “Eu queria ter mais tempo com você, Marcos, você é tão lindo quanto esse imbecil que eu faço tudo o contrário do que deveria para ter ele pra mim. Inclusive você o ensinou a ser um pai maravilhoso, e eu não sei ser.”
Faruk chegou até o bairro dele caminhando com os documentos da família, um bando de policiais ou de bandidos perseguiram seus pais e ele havia se perdido, encontrou a família de Hassan, todos palestinos, eram ricos antes, fugiram para a França com boas condições mas não conseguiram apoio, ajuda, nada, foram perdendo tudo pelo caminho, mas acolheram Faruk, dois meses depois o serviço de migração os perseguiu para deportá-los, os dois garotos estavam na rua, tentando achar algum para brincar, voltaram quando não havia ninguém, e foi a vizinhança quem contou a eles que estavam sós no mundo com os documentos das duas famílias. E sujos. E com fome. Muita fome.
Murilo disse que iria cuidar deles, os levou até a oficina, estavam arisco, com medo, com muito medo, nada havia sido bom nos últimos dois anos. História, história, história, adota os dois em três meses, e a vida de Murilo se transforma. Se Daniel era bom tratado por todo mundo, mesmo um negro latino-americano, a vida de um loirinhomconfundível com um local se tornou amarga, imigrantes ilegais eram acolhidos por ele, depois era pai de muçulmanos terroristas, eles não tinham onze anos.Daniel não queria ser pai nem antes e nem depois de tudo isso, essa era uma aventura de Murilo, e agora ele estava ali, sem recursos pedindo ajuda para recomeçar a vida com dois pré-adolescentes que não falavam nada de português, assustados e em lutompor uma família que talvez jamais revejam novamente, mas eles tem os documentos e a esperança.
Marcos pergunta da situação legal de ambos se estavam como turistas ou refugiados, Murilo diz que adotou ambos na Europa, convenceu a imigração que passaria alguns meses com eles lá e viria para o Brasil, bem… os três foram expulsos, e a embaixada brasileira se convenceu da legitimidade da família expulsa. Que maluquice de Murilo! Alguém bate na porta e Marcos irritado manda Murilo ir ver o que é e buscar o telefone dele porque queria ver fotos dos garotos, “Tô puto, tô com um ódio terrível, de você de Murilo, morrendo de ódio, ele merece seu amor? De verdade?”, eu digo que sim e ele diz que eu vou ter que me virar em oito para compensar isso. Ok! Isso o quê?
Murilo volta falando com os dois em um inglês simplório, daddy loves you, so much, coisas assim, com os olhos lacrimejando pede um emprego na oficina, qualquer coisa, tornou-o que tinha e o que não tinha com os dois garotos, Marcos revira os olhos, e mostra as fotos de dois moleques que eram a cara de Daniel, mas Daniel não os ama, parecia com Sérgio também mas o cabelo dos meninos é cacheado, “Há três meses demos uma festa enorme num salão alugado com temática indiana, esses garotos iriam parecer sultões hindus, são lindos, nossos filhos, e você fez o que faz um pai herói, abandona relacionamento, trabalho, conforto e se humilha para deixar os filhos bem e seguros. Se você fizer merda, Murilo eu quebrou-se pescoço e adoto Hassan e Faruk, você vai cuidar de nossa casa e de seus garotos, os meninos ficam nos containers de meus filhos até os deles mesmos chegarem. Murilo, isso é por eles, eu te odeio por mostrar garotos lindos assim e ter sido esse tipo de pai, não me deixa escolha. Vira esse cu pra cá que eu vou comer esse outro veado do trisal. Tô falando sério, caralho, vira esse cu pra cá, porra.”
Marcos chupou o cu de Murilo, mandou eu fazer o mesmo, disse que tava quase prolapsando, lambeu ousado e o cu estourado, “Putinha, Murilo, você é uma putinha, e… Aí, caralho, que cu macio, amor, por isso, você não esquece esse idiota, que cu macio, melhor que muita boceta, obrigado, Daniel, isso não é cu, é uma xoxota disfarçada, geme não, filho de rapariga, quero foder por mais de dois minutos, não rebola, Murilo, não rebola, Mateus sente um pouco, vem cá.”, “Eu não. Quero mais que os dois se foram, se apaixonem, só depois me chamem.”, mas não aguentei, Murilo virou de frente, Marcos o comeu de frente, beijando em sua boca e o chamando de gostoso, e é mesmo; comi Marcos que estava macio, mas eu sei que Murilo é mais.
Joel entra e depois vai trancar a porta, “Isso já é doentio, ô vontade de dar o furico.” Ele me beija, depois Marco e por derradeiro Murilo, diz que somos as coisas mais lindas do mundo, Murilo diz que seus filhos vão morar naquela casa, Joel abre os olhos e o sorriso muito feliz, pergunta se ele também iria ficar, Marcos responde, “Joel, fica miudinho, põe um dedo no cu de Mateus, punheta Murilo e me beija, e fica feliz por ajudar um trisal a gozar juntinho.”, Joel obedeceu e a gente gozou rapidinho, ouvir aquela voz grossa e suave dizer que nos ama é foda, ele me olhou e era como se ele mandasse eu gozar, fui o primeiro e gozei apertando os dois dedos que ele mantinha em meu rabo e depois me obrigou a chupar, fiquei no colo dele, namorando com ele quando os outros foram para o banheiro. Domingo perfeito.
Almoçamos olhando as flores que Sérgio mandou, trinta rosas de cores variadas em um bouquet que não temos vaso que suporte, durante o almoço chegaram seis ramalhete de lírios, cada qual de uma cor, de Levi para Marcos, “Devo me preocupar, meu amor? É nosso primeiro dia e é assim que você me trata?”, Murilo estava em plena forma. Nos contou que Lygia estava indo para a Europa, e resolveu contar com a presença de Mário (filhote de Sérgio ou de Rodrigo?) e Laura, mas Laura teve quatro meses para falar com o marido e contou na véspera de ir para São Paulo para fazer o voo, pois é… eu quero defender, mas as provas são evidências. Contou que Daniel foi parceiro, amigo, mas não era mais que o tio deles. Foi um almoço calmo e depois foram buscar os garotos, que lindos, super tímidos, aqueles olhos de câmera registrando nossa casa em zoom.
Meu marido foi arrumar o quarto dos nossos filhos comigo, “Quando viemos para essa casa, achei que era um desperdício, cinco pessoas numa casa desse tamanho, com essa quantidade absurda de banheiros, duas cozinhas completas, para que uma garagem com quatro vagas? E aqui estamos!”, “Você tem certeza que foi uma boa ideia essa sua de incluir Murilo entre nós dois, sei lá, nós dois somos um casal recente, e… sei lá…”, “Espera, Marcos, eu deixei subentendido pra receber ele e os garotos aqui em casa, trazer ele para ficar conosco foi pira da tua cabeça, eu jamais iria pedir a você algo que pudesse colocar a minha vida com você e com nossos filhos em risco, e só concordei porque achei que você sabia o que tava fazendo.”, “Mas é que ontem, nós três…”, “Marcos, você estava mamando a pica de Levi como se fosse uma ordenha, e eu acho que você não quer que nossos filhos saibam, nem Débora ou a mulher dele, né? então não pensa em trazer ele pra nossa casa, e nem pra nossa cama, estou errado.”, “Ai, que erda que eu fiz?!”, “Nenhuma, amor, ele tá chegando devagar, tá cansado, tá sofrido, é o pai de dois palestinos pedindo apoio a um pai judeu filho de rabino. Calma! Fora que o maluco é meu… minha paixão entre Joel e você, e você adora Joel.”, “Porra, Mateus, você nunca falou da delícia que é aquela bunda, caralho, que macio, quando desinchar, é gostoa daquele tanto? como beija gostoso, e pode estar mais ferrado, mas ele é bem mais bonito que qualquer foto dele, aqueles olhos malvados dele… Porra, Mateus, obrigado por ter deixado ele ir, se ele estivesse sempre aqui, eu não teria vindo.”, “Tá na hora de contar a nossos filhos que outras crianças vão estar aqui em casa crescendo com ele, e precisamos falar com André também. Porra, eu nunca tive tanta responsabilidade, nem nunca me senti tão feliz.”
Conversa demorada com os garotos, não explicamos o papel de Murilo em nossas vidas, melhor na volta, tudo mais estável. Descobrimos que Daniel vai ficar (por enquanto) na casa de Douglas, Sam disse que Daniel está jogando um charme descarado pra cima dele, e em vez de ciúmes, isso tá dando tesão em Douglas, contei de Murilo e Marcos e ele disse que eu sou louco, ele não tem quatro filhos agora, é… Mas eu tô tranquilo, no olho do furacão quase nem venta.
Os meninos chegaram, usamos o tradutor e expliquei que havia um jovem adulto e dois garotos quase da idade deles, que eles iriam juntos à escola e teriam quartos semelhantes, o pai deles iria dormir com eles aquela noite e depois iriam ter seus próprios quartos, depois eu respirei fundo, disse que eu fui casado com o pai deles, agora sou marido de outro homem, mas o pai deles voltou e estamos todos juntos porque assim iria ser mais fácil cuidar deles, fazer o possível para encontrar notícias da primeira família deles enquanto eles crescem felizes, saudáveis e seguros nessa outra família, que é deles, uma família assustadora, pronta para defender eles até o fim. Em resumo, como Murilo é um bobalhão eu sou o outro pai e Marcos outro.
Eles nos olharam e perguntaram quem eram os outros, tudo pelo tradutor no celular, o telefone toca, nem precisava ver para saber que era Amon, “Quero falar com meus novos irmãos, quero encurtar essas férias agora, mandem vovô vir me buscar. Caramba, eu achava que eram mais magrinhos, mas precisam comer mais, não mexam no meu quarto, eles podem usar a vontade, mas não tirem minhas coisas de lá, quem vai dormir comigo e quem vai dormir com Amós? Oi, amigo, vamos ser irmãos. Para, Amós, para, pô, eu já passo o telefone…”