Eram 08:30 quando encostei o carro uma quadra próxima do local de encontro. Eu já tinha dado uma volta para ver como estava o local, pois fica em uma cidade não muito distante de onde eu morava. Era um bar não muito movimentado pelo horário, mas ao avançar das horas ele deveria ficar mais movimentado com toda certeza. Afinal já havia estado ali algum tempo atrás, mas como agora, cheguei antes do movimento aumentar e também havia saído antes, esperava que agora também pudesse sair antes de ficar lotado.
Aguardei mais um pouco antes de descer. Então para não chamar a atenção retirei o terno que usava, a gravata e joguei no banco de trás do carro. Dobrei as mangas da camisa social azul claro que usava. Para dar um ar mais ocasional, penteei os cabelos com os dedos, pois estavam perfeitos de mais, arrumados demais para aquele local.
Resolvi descer e entrar mesmo que faltando mais de uns vinte minutos para encontrar com o detetive, que havia contratado à uns meses atrás. Eu o conhecia já fazia muito tempo. Meu pai sempre utilizou seus serviços para saber detalhes de concorrentes e até prováveis compradores ou mesmo clientes. Se foi algo que me acompanhou sempre depois de orientado por meu pai, era, saiba tudo de seus concorrentes, não deixe nada passar em branco, fique sempre um passo à frente de qualquer um, com isso sua empresa sempre estará preparada para qualquer eventualidade. Mas o mais importante, não utilize o que sabe contra ele sem necessidade, somente use caso seja estritamente necessário.
Ele tinha me ligado mais cedo, para confirmar, pedindo que o encontrasse nesse local as 21 horas. Disse que tinha tudo o que eu precisava, conseguindo fotos, nomes, conversas. Se auto elogiando, disse que foi um dos melhores trabalhos que havia realizado em anos, principalmente por conta dos valores acertados, afinal o valor foi muito maior do que de costume, o que o ajudou a fazer alguns contatos. Eu só esperava que realmente tivesse valido a pena, pois a primeira parte que tinha recebido me ajudou, e muito, a entender o que estava acontecendo.
Caminhei calmamente sem pressa, o som das pessoas conversando aumentando gradualmente, e então, uma leve garoa começou a cair, desviando minha atenção para pensamentos que me transportaram para minha infância, quando adorava andar na chuva, mas foi coisa de segundos.
De volta ao presente, acelerei as passadas e entrei no local. Minha forma de vestir deu resultado, não chamei a atenção. As pessoas ali estavam mais interessadas na companhia delas mesmas e não me notaram. Andei até uma mesa vazia num canto, de onde poderia ver todo o local, sentei e em seguida uma garçonete veio até mim perguntando o que eu iria querer.
Pedi uma cerveja e algo para mastigar enquanto aguardava.
Risadas, sons de copos batendo uns contra os outros ou quando eram pousados nas mesas, criavam uma sinfonia própria naquele ambiente. Homens e mulheres envolvidos em suas conversas, possíveis histórias dos dias passados daquela semana, o som aumentando quase encobrindo meus próprios pensamentos, que por vários dias eram sempre os mesmos, de como eu havia chegado até aquele momento, de como não percebi os sinais que estava bem na minha frente. Talvez tivesse confiado demais em minha própria habilidade de ler as pessoas e acabei me expondo, fazendo algo que jamais teria feito sem motivo algum. Como me deixei levar por uma aventura, que agora poderia me custar o meu maior bem material, a empresa fundada por meu pai e deixada para que eu cuidasse e a fizesse crescer ainda mais, além de destruir minha própria família. Mas minhas escolhas tinham me levado até ali, e com total certeza as provas iriam me ajudar a dar a volta por cima.
Essa é minha história.
Meu nome é Antônio, empresário, hoje tenho 38 anos, casado com Juliana, que tem 35. A mulher da minha vida, bem isso é o que sempre pensei que fosse, desde quando a conheci e do dia de nosso casamento. Temos um casal de filhos, gêmeos, Marcio e Suelen.
Nossa história começa treze anos antes, para ser mais preciso, no dia da minha formatura em administração, curso que fiz, pois, meu pai já havia me contado que eu seria quem assumiria empresa que ele fundara décadas atrás.
Desde sempre ele esteve me preparando para assumir seu posto como presidente. Nessa época ela já estava consolidada entre as maiores do seu ramo, mas ainda havia espaço para crescer ainda mais, principalmente exportando nossos produtos.
Naquela noite eu estava encostado no bar, dentro do salão, aguardando para pedir algumas bebidas para levar até nossa mesa. Enquanto aguardava, senti um perfume muito gostosa, doce, mas sem exagero, de uma garota que acabara de se posicionar ao meu lado. Coincidência ou não, nós viramos e nos encaramos, olhos nos olhos. Ela sorriu primeiro para mim e acabei retribuindo. Um segundo depois, aproveitei para elogiar seu perfume e ela me respondeu que era seu preferido, pois tinha outros, mas esse ela gostava de usar em ocasiões especiais, como ali naquele ambiente onde seu primo também era um dos formandos.
Ela tinha os cabelos loiros, soltos, pouco abaixo dos ombros, olhos azuis, usava um vestido preto, que marcavam e exibiam suas curvas, que ficava pouco acima dos seus joelhos, me lembrou uma arista (cantora e atriz) britânica-australiana, Olivia Newton-Jhon, do filme os Gresse – Nos tempos da Brilhantina, talvez um pouco mais alta, lembro bem, pois meus pais assistiam com frequência por conta da trilha sonora que eles adoravam, e que acabou fazendo com que eu também passasse a gostar do filme e me chamar atenção a atriz pela sua beleza.
Quando ia perguntar o seu nome, o barmen chegou e deixei que ela fizesse seu pedido como bom cavalheiro, depois faria o meu, assim teria mais um tempo na companhia dela. Logo após ela fazer seu pedido nos apresentamos, mas eu já estava encantado com aquela mulher ao meu lado. Trocamos algumas palavras nesse meio tempo.
Seu nome era Juliana, mas não era um dos formandos apenas convidada. Seu primo estava se formando também, mas não tínhamos amizade. Mas sabia que era o tipo de cara que gostava de aparecer, de ser e ostentar o que não tinha.
Pouco depois ela recebeu seu pedido e levou para sua mesa, na sequencia pedi e recebi minhas bebidas e também me dirigi até nossa mesa. Fui perguntado por que da demora, mas meu pai como não perdia nada, sempre atento disse para as pessoas que tinha uma garota conversando comigo, todos riram de mim me deixando desconcertado.
Durante o baile nos esbarramos na pista, enquanto dançávamos, ou melhor, enquanto eu tentava acompanhar minha mãe que adorava dançar. Mas nossos olhares estavam sempre se cruzando, tanto que minha mãe percebeu e perguntou quem era a linda garota, me deixando envergonhado.
Em determinado momento o acompanhante dela pediu para dançar com minha mãe, pois era nítido que eu não tinha muito jeito, então parei e saímos da pista eu e Juliana, para conversar. Encontramos um lugar calmo e ficamos conversando como se nós conhecêssemos a muito tempo. A conversa fluía, tanto que não vimos o tempo passar, até que acredito ser seu pai, veio chama-la para irem. Trocamos nossos números e ela se foi.
A semana seguinte meus pensamentos sempre voltando para aquela garota do baile, aquele sorriso, o cheiro do perfume, a conversa agradável, mas acabei por não mandar mensagem, não queria ser inoportuno, além de estar concentrado nos afazeres que meu pai agora em definitivo, havia me transferido.
Por vezes naqueles dias, sonhava tendo-a em meus braços a beijando, acariciando seu corpo. Acordava e percebia estar excitado.
Nunca fui muito de acreditar em amor à primeira vista, nem sabia se aquilo seria amor, mas alguma coisa dentro de mim tinha despertado desde o dia que a conheci. Nem tão pouco sabia se voltaria vê-la novamente, mas quem sabe com um pouco de sorte a encontraria novamente.
Até que na sexta feira seguinte, percebo o celular vibrando, estava recebo uma mensagem dela.
- Oi, tudo bem?
Apesar de curioso demorei a responder, até que chegou uma outra.
- Podemos conversar, eu não mordo. Seguido de um emoji com carinha vermelha nas bochechas.
Finalmente respondi.
- Podemos sim. Aqui ou prefere algum lugar.
A resposta veio em seguida.
- Que tal amanhã, podemos dar uma volta no shopping, ou quem sabe um cinema, tem um filme que estou querendo muito ver.
- Sim, pode ser, combinado.
Ela me passou seu endereço, que ficava poucos minutos da minha casa em outro bairro.
Combinamos também o horário que iria busca-la.
No dia seguinte cheguei no horário combinado, enviei uma mensagem que havia chegado, dois minutos depois ela saiu. Estava também linda como no dia da minha formatura, usava uma calça jeans escura, uma camiseta básica branca e tênis, também branco, estava com os cabelos soltos.
Ao entrar no carro nos cumprimentamos formalmente, e senti aquele perfume. Brinquei com ela dizendo que era bom que estivesse usando o mesmo perfume de quando nos conhecemos.
Ela apenas sorriu em aprovação, dizendo que era uma forma de me agradar.
Partimos, e no caminho fomos conversando sobre a formatura que tinha sido muito divertida para todos. Ela ria de quando lembrava dos pisoes que sem querer dei nela, devido a minha falta de jeito com dança. A conversa foi tão boa que pareceu que em questão de segundos tínhamos chegado ao nosso destino.
Estacionei, e no caminho andando lado a lado ela discretamente pegou em minha mão como se fossemos namorados. Como ainda era cedo, cainhamos olhando vitrines e a conversa era sempre divertida, ela tinha um senso de humor muito gostoso, fazendo piadas de quase tudo. A companhia dela era realmente algo diferente, me envolvia e me fazia sentir como se estivesse sonhando. O que mais me atraia nela era a leveza do seu jeito, sua inteligência, seu conhecimento sobre todos os assuntos que conversávamos.
Quando estava na hora nos encaminhamos para o andar onde ficavam os cinemas. Depois de comprar os ingressos e entrarmos na sala, nos acomodamos em nossas poltronas. Ela me olhou por um tempo maior que o necessário, esticou sua mão pegando a minha, antes levantou o braço da poltrona que as separavam, e se aproximou de mim, em seguida repousou sua cabeça em meu ombro. Não foi necessário dizer nada. Virei minha cabeça para o seu lado, ela me olhou e trocamos ali nosso primeiro beijo. Na verdade, estava mais para um selinho, no início. Mas se me perguntassem qual o assunto do filme, até hoje não sei dizer, porque depois do primeiro, passamos mais tempo com nossos lábios colados do que propriamente assistindo ao que rolava na tela.
Quando as luzes se ascenderam foi inevitável notar os olhares das pessoas sentadas nas poltronas atrás de nós, tanto que saímos rido da situação.
Dali fomos comer alguma coisa, e a proximidade entre nós ficou mais evidente, agora andávamos abraçados, como verdadeiros namorados, por vezes trocávamos beijos, andando mesmo. Devo admitir que era boa aquela sensação que agora era dividida por nós, a muito não sentia nada como aquilo.
Depois de lancharmos, a levei direto para sua casa, embora minha intenção inicial tinha sido outra, mas para um primeiro encontro preferi não avanças muito, afinal já estava me dando bem com aquela garota linda.
Quando chegamos, ela me agradeceu pela noite, pelo filme, quer dizer, pelo que teria sido o filme disse rindo. De repente ficou séria, molhou os lábios com a linga, chegou mais perto de mim, ficando de frente, colocou sua mão em minha nuca, e foi chegando mais próxima, até estar a um centímetro de mim, parou olhando fixo para meus olhos, como tentando ler algo dentro de mim. Disse em voz baixa quase num sussurro:
- Então quando a gente se vê de novo?
- Quando você quiser, apensar que eu gostaria que essa noite não terminasse nunca, disse eu diminuído ainda mais a distância que nos separava.
Ela manteve seu olhar por mais um segundo e então colou seus lábios aos meus, depois sua linga invadindo a minha boca, e a minha invadindo a dela. Um beijo que teve uma intenção, e que revelou e selou tudo entre nós, um beijo que dizia muito, sobre o futuro, sobre o que ele poderia ser com nos dois juntos.
Naquele momento tive a certeza que ela seria minha e eu seria dela, totalmente, sem restrições, que eu cuidaria e a amaria até o fim.
Ela se afastou, me deu mais um selinho. Seus olhos possuíam um brilho que não tinha visto até então.
- A gente se vê amanhã?
- Sim, claro.
- A gente combina.
Antes que eu respondesse, uma luz piscou na pequena área de sua casa, que dava acesso para a porta de entrada.
- Deve ser meu pai, não querendo que sua filha fique dentro de um carro parado na porta da casa dele para os vizinhos não ficarem falando.
- Ele está certo.
Trocamos mais alguns beijos.
- Tenho que ir.
- Ok. Combinamos por mensagem algo para amanhã.
Um último beijo e ela desceu, passou pelo portão, me olhou e mandou mais um beijo com a mão, que peguei e encostei nos lábios. Ainda a vi desaparecer porta a dentro.
Liguei o carro e segui de volta para casa. Me sentia leve, um sentimento gostoso tomava conta do meu ser. Comecei a visualizar os momentos com ela, dos beijos, do contato com seu corpo. Uma sensação que não conseguia nomear.
Chegando em casa minha mãe, ainda acordada, me perguntou como tinha sido meu encontro, mas antes que eu respondesse ela vendo meu rosto, disse que não precisava dizer nada, ele fala tudo o que ela precisava saber. Meu boa noite e foi se recolher.
Fui para meu quarto. Já estando deitado, meu celular vibrou, olhei e era ela Juliana me mandando mensagem dizendo que foi a melhor noite da vida dela. Respondi que a minha também.
Combinamos de nos ver no dia seguinte, um domingo, mas não combinamos nada, nenhum lugar em especial, apenas que eu a pegaria em sua casa e de lá então decidiríamos juntos para onde ir e o que fazer.
Eu a peguei em sua casa, e ela entrando trocamos vários beijos, parece que fazia muito tempo que não nos víamos. Liguei o carro e partimos, sem destino certo, enquanto rodávamos pelas ruas da cidade, sem pressa alguma, íamos procurando mentalmente locais onde pudéssemos ir, lugares onde pudéssemos sentar, conversar e curtir o momento, foi quando eu disse sobre irmos uma praça que conhecia, com lago, bancos, bastante arborizado, com carrinhos que vendiam lanches, caso sentíssemos fome.
Lá chegando estacionei o carro e antes de descer, trocamos mais um beijo. Já fora do carro andamos explorando o local, como um casal de namorados, a qualquer momento trocávamos beijos, sempre abraçados ou de mãos dadas. Encontramos um local onde não haviam muitas pessoas por perto e resolvemos nos sentar e apreciar a local.
Conversamos por um bom tempo, sobre vários assuntos. Estávamos muito felizes e nada poderia abalar aquela felicidade, eu mesmo não me lembrava de ter vivido um momento assim antes em minha vida.
Depois de ficarmos horas no parque fomos comer algo, pois a fome já estava presente. Andamos até um dos carrinhos e pedimos dois hot dogs e algo para bebermos. Quando percebemos a tarde estava dando lugar para a noite e eu tinha que trabalhar no dia seguinte, a deixei em sua casa, mas no caminho quis ter certeza de que aquilo poderia ter continuidade, então perguntei a ela se poderíamos continuar a nos ver, apesar que durante semana o máximo que conseguiria era trocarmos mensagens. Ela disse que sim, que ela mesma queria continuar a me ver, pois quando estávamos juntos não percebia o tempo passar.
Chegando a sua casa, antes que descesse ela se aproximou e me beijou de uma forma muito intensa, me olhou nos olhos e agradeceu pela tarde e que gostaria de ter mais dias como aquele, me deu mais um selinho e desceu. Após passar pelo portão repetiu o gesto do dia anterior me jogando um beijo, que peguei e toquei meus lábios.
Chegando em casa, tomei um bom banho e cai na cama, pois o dia seguinte prometia muitos afazeres, mas dormir sem sonhar com aquela garota era quase impossível.
Durante a semana a carga de trabalho era enorme, parecia até que meu pai queria me ver apenas focado no trabalho, não deixando tempo para sonhar acordado com Juliana.
Os finais de semana que se seguiram foram sempre da mesma forma, saíamos sem rumo, apenas apreciando um a companhia do outro, depois simplesmente decidíamos onde ir, mas nunca era o mesmo local, sempre um roteiro diferente.
Na empresa a carga de trabalho era sempre a mesma, meu pai sempre me pressionando para ficar a par de tudo o que acontecia na empresa, dizendo que quando estivesse no lugar dele, eu entenderia o porquê daquela forma de me treinar.
Um mês depois de termos tido nosso primeiro encontro, quis que ela conhecesse minha família a convidando para ir até minha casa. Ela estava vestida de forma simples, como sempre. Parecia até que esta era sua marca, nada de roupas glamorosas, apenas roupas simples que destacavam sua beleza. Meus pais a receberam animados, até parecia que já se conheciam a tempos. Ficamos um tempo e depois resolvemos sair, na verdade era algo que já tínhamos combinado antes, pois nossos planos eram outros.
Continua.....
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