O Despertar de Andrea: Capítulo 16 - A Profanação da Seda

Da série Slave andrea
Um conto erótico de Andrea
Categoria: Trans
Contém 1510 palavras
Data: 12/03/2026 07:09:46

A mancha de vinho tinto no meu ombro esquerdo parecia uma ferida aberta contra a brancura imaculada do meu vestido. O líquido viscoso escorria lentamente pela seda, infiltrando-se nas fibras e atingindo a minha pele, que reagiu com um calafrio involuntário. Eu fiquei imóvel, como Valquíria me ensinara exaustivamente nos treinos de postura. "Uma boneca não reage à sujidade; ela aceita-a como parte da sua história, como uma pátina que prova a sua utilidade", dizia ela com aquela voz gélida. Mas o meu coração batia tão forte contra as barbatanas do espartilho rosa, num ritmo frenético e desordenado, que eu temia que as costuras de cetim cedissem, expondo a fragilidade do que eu me tornara.

Os três homens riram, um som gutural que reverberava pelas paredes de mármore da suíte. O Senador, o mesmo que Valquíria mencionara com uma reverência quase religiosa, deu um passo à frente, exalando um odor de uísque caro e fumo. Ele segurava um charuto cuja cinza cinzenta caía perigosamente perto da minha saia de tule rosa, ameaçando furar as camadas delicadas de tecido que me davam aquele volume de princesa. — Olhem para isto — disse ele, circulando-me como um predador avaliando uma presa abatida. — Valquíria realmente superou-se desta vez. Ela disse que tinha criado uma sissy que não tinha um único traço de masculinidade restante, uma obra de arte biológica. E vejam estas cores... rosa e branco. Parece que saiu diretamente de um catálogo de brinquedos para crianças de elite. Um doce para adultos.

Com um gesto brusco, ele puxou a fita de cetim rosa que prendia o meu penteado impecável, fazendo os meus caracóis negros caírem desordenadamente sobre o meu peito e ombros. Eu mantinha o olhar baixo, fixo na ponta dos meus sapatos de verniz brancos, tentando ignorar o cheiro a suor, poder e ganância que emanava daqueles homens. Cada respiração minha era curta, controlada pelo medo.

— Ajoelha-te, Andrea — ordenou o Senador, a sua voz carregada de uma autoridade que não admitia hesitação.

Eu obedeci prontamente. O volume excessivo da minha saia de tule criou uma nuvem rosa ao meu redor no chão de carpete creme, um contraste gritante de delicadeza contra a crueza do momento. Eu sentia-me como uma flor exótica a desabrochar na lama, mantendo a cabeça baixa enquanto a minha dignidade era pisoteada. — Abre a boca. Queremos ver se essa língua é tão macia e bem treinada quanto a tua pele.

As horas seguintes foram um pesadelo tingido de tons pastel, uma sequência de degradações que eu nunca imaginara suportar. Eles usaram-me como um objeto de exibição, um troféu de carne e uma válvula de descarga para os seus caprichos mais baixos. O meu vestido, que custara milhares de euros e fora desenhado para me tornar divina, foi sendo lentamente desmantelado, transformado em trapos. Um dos homens, num acesso de curiosidade sádica, rasgou uma das mangas brancas bufantes apenas para ver o contraste da pele rosada e estimulada por baixo. Outro utilizou o meu próprio gloss rosa para escrever insultos e marcas de posse no meu busto, rindo enquanto eu tentava, em vão, não tremer sob o seu toque áspero.

— Sabem o que é mais engraçado no meio disto tudo? — perguntou o mais jovem do grupo, segurando o meu queixo com força enquanto me forçava a servir-lhe uísque ajoelhada. A minha mão tremia tanto que o líquido salpicava o meu corpete, manchando a seda rosa.

— É que este "anjo" aqui já teve um nome de homem. Já teve uma vida, ambições e uma história de homem. Imagina o que o pai desta criatura pensaria se a visse agora, reduzida a isto, vestida de rosa e rendas, a ser usada como um cinzeiro humano por nós. Que desperdício de herança, não é?

Aquelas palavras doeram mais do que os puxões de cabelo ou as marcas na pele. A menção ao passado, ao André, era um pecado mortal na mansão. Valquíria repetia constantemente que o André morrera, que fora uma semente necessária que apodrecera para que a flor Andrea pudesse brilhar. Mas ali, naquela sala de hotel cheia de fumaça, eles traziam o cadáver do André de volta apenas para o humilhar através do meu novo corpo feminino e submisso. Eles não queriam apenas a Andrea; eles queriam o prazer de saber que estavam a quebrar um homem por dentro de uma boneca.

Fui obrigada a dançar para eles, uma dança grotesca e desengonçada onde a minha feminilidade exagerada e os meus saltos agulha eram o alvo da piada. Eu sentia-me uma palhaça de luxo, uma curiosidade de circo para os poderosos. O meu batom rosa estava borrado, as minhas pérolas — símbolos da minha pureza fabricada — tinham-se espalhado pelo chão como gotas de suor cristalizado após um deles ter puxado o colar com força excessiva. Eu era uma boneca quebrada, um mecanismo de relógio com as molas expostas, mas ainda assim, tentava manter a graça servil que Valquíria me exigira. "Sê doce, Andrea. Sê sempre doce, independentemente da dor."

Quando o sol começou a baixar no horizonte, tingindo o céu de um laranja amargo que parecia insultar o rosa do meu vestuário, os homens deram por encerrada a sessão, saciados e entediados. O Senador limpou as mãos no meu vestido branco rasgado, como se eu fosse pouco mais do que uma toalha descartável. — Podes ir, boneca. Diz à Valquíria que o "produto" tem boa estética, mas que precisa de ser mais resistente, menos quebradiço. Ela é demasiado delicada, demasiado humana na reação; temos medo que se parta de vez antes de terminarmos o que realmente queremos fazer.

Fui levada de volta na mesma van branca que me trouxera, mas o silêncio agora era carregado de trauma. Eu estava em estado de choque profundo, com os membros pesados. Olhava para os restos do meu vestido, outrora imaculado, agora cinzento de sujidade, manchado de fluidos, cinza de charuto e vinho. Eu não era mais a visão da pureza que Valquíria criara com tanto esmero. Eu era um trapo rosa, uma mercadoria usada e devolvida.

Ao chegar à mansão, os meus olhos procuraram Valquíria, esperando que ela me recebesse com um banho quente, óleos restauradores e palavras de conforto, mesmo que severas e críticas. Mas ela estava à minha espera no grande hall, junto a uma mala pequena e de aspeto funcional, com um olhar de desprezo absoluto que me cortou o que restava da alma. — Olha para ti, Andrea — disse ela, apontando com o seu longo cigarro para o meu estado deplorável, a voz destituída de qualquer traço de empatia. — Tu não soubeste manter a tua dignidade de sissy de elite no meio do serviço. Uma verdadeira obra de arte nunca deixa que o cliente a desmonte e a suje desta forma. Tu perdeste a tua aura, a tua luz de porcelana. Tornaste-te vulgar, comum.

— Senhora, por favor... eles foram brutos... eu tentei manter a pose... eu tentei ser o que a senhora queria... — a minha voz quebrou num soluço patético, as lágrimas abrindo sulcos na maquilhagem rosa borrada.

— O choro é uma fraqueza de baixo nível que eu não tolero em modelos de alto padrão. Tu agora custas mais em manutenção do que aquilo que produzes em lucro. O mercado de luxo não quer bonecas borradas e emocionalmente instáveis. — Ela fez um sinal seco para um carro que eu nunca vira antes, um veículo velho, barulhento e de aspeto industrial que parou no portão de ferro. — Vais para a Unidade de Recuperação da Madalena. Lá, o rosa não serve para te embelezar ou te tornar divina; serve apenas para te identificar como carga, como massa.

— Não! Por favor, senhora! Eu farei melhor! Eu aprendo a suportar! Não me mande embora! — Gritei, caindo aos seus pés com um baque surdo, sujando o mármore impecável do hall com os restos de vinho e terra do meu vestido.

— Já é tarde demais para promessas, Andrea. Madalena precisa de "carne fresca" para a zona industrial, para serviços onde a estética é secundária ao volume. Lá não há vestidos de seda, rendas francesas nem colares de pérolas. Há apenas trabalho, suor e volume. Adeus, Andrea. Ou o que quer que tenhas sobrado de ti.

Madalena, uma mulher com um rosto que parecia esculpido em granito e olhos frios como o aço, agarrou-me pelo cabelo e arrastou-me sem esforço para o carro velho. Eu olhei para trás uma última vez e vi Valquíria a entrar na mansão, fechando as pesadas portas duplas de carvalho atrás de si, apagando a luz do meu mundo de algodão doce. A escuridão industrial acabara de me engolir.

Dentro do carro barulhento, Madalena entregou-me um uniforme novo: um vestido de plástico rosa barato e transparente, com um número "42" gravado cruelmente no peito. "Veste isto, boneca de lata", rosnou ela, a voz carregada de desdém. "Onde vais agora, não és uma anfitriã de elite, nem uma princesa de salão. És a número 42, um ativo de volume. E prepara-te, porque amanhã vamos tirar-te esses caracóis negros de que tanto te orgulhas. Bonecas de fábrica não precisam de identidade ou de vaidade. Precisam de ser funcionais."

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Foto de perfil de Sayuri MendesSayuri MendesContos: 87Seguidores: 68Seguindo: 4Mensagem uma pessoa hoje sem genero, estou terminando medicina e resolvi contar a minha vida e como cheguei aqui, me tornei que sou depois de minhas experiencias, um ser simplismente inrrotulavel

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