As primeiras semanas depois da noite no motel foram estranhas para Roberto. Aquela devassidão, embora muito excitante, acabou o preocupando um pouco. Por conta disso decidiu estabelecer um acordo, um combinado antes que Preto pisasse na casa deles pela primeira vez. Diretrizes. Roberto precisava de diretrizes. Era professor de filosofia, homem de princípios, e se ia entregar a mulher para outro homem, que fosse com limites bem definidos.
— Precisamos conversar sobre como vai funcionar — Roberto disse a Joana na manhã seguinte à primeira vez. Estavam os dois na cama, o corpo dela ainda marcado pela noite, os olhos verdes brilhando de satisfação.
— Conversar sobre o quê?
— Sobre os limites. Sobre o que pode e o que não pode.
Joana sentou na cama, os cabelos pretos caindo sobre os ombros:
— Você quer limites? Agora?
— Quero. Se isso vai acontecer de novo, tem que ter limites. Algumas regras pra mantermos um ambiente controlado.
Ela o olhou por um longo momento, depois sorriu:
— Tudo bem. Vamos ver suas regras.
Roberto levantou-se, foi até a escrivaninha, pegou um papel e uma caneta. Voltou para a cama, sentou-se ao lado dela, e começou a escrever. Sua mão tremia levemente enquanto traçava as palavras, como se cada linha fosse um pacto consigo mesmo.
— Primeiro: sexo só na minha presença. Vocês não transam sozinhos. Nunca.
Joana ergueu uma sobrancelha:
— Nem se você estiver no trabalho?
— Nem se eu estiver no trabalho. Se eu não tiver presente, não acontece. Ponto final.
— Tá. Continua.
— Segundo: só na nossa casa ou no motel. Nada de levar ele pra outros lugares. Nada de encontrar ele fora. Aqui ou motel, sempre comigo junto.
— Certo.
— Terceiro: nunca no nosso quarto. A gente tem um quarto de visita, aquele que nunca usa. As coisas acontecem lá. Nossa cama é nossa, Joana. Nosso espaço sagrado.
Ela assentiu, mas havia algo no olhar dela que Roberto não soube interpretar.
— Quarto: não apresentar ele pra ninguém. Nenhum conhecido, nenhum amigo, nenhum familiar. Isso é nosso, só nosso. O mundo lá fora não pode saber.
— Justo.
— Quinto: só de camisinha. A partir de agora, ele usa camisinha sempre. E gozar fora também. Nada de gozar dentro. É questão de saúde, de segurança, de respeito.
— Roberto...
— É um limite. Pode ser com camisinha e gozar fora, ou não tem sexo. Eu não vou abrir mão disso.
Ela suspirou, mas concordou:
— Tá bom. O que mais?
— Sexto: se ele desrespeitar qualquer um desses limites, acaba. Na hora. Sem discussão.
— E se eu desrespeitar?
Roberto a olhou nos olhos, buscando ali alguma garantia:
— Você não vai desrespeitar. Porque você me ama.
Joana ficou em silêncio por um momento, depois pegou o papel, leu todas as cláusulas com atenção, e disse:
— Tá bom, Roberto. Seus limites. Por enquanto.
— Por enquanto?
— Vamos ver como as coisas evoluem. Como a gente evolui.
Roberto não gostou do tom, mas aceitou. Afinal, estava entregando a mulher para outro homem. O mínimo que podia fazer era estabelecer fronteiras muito claras. Guardou o papel na gaveta como quem guarda um tesouro, uma âncora numa tempestade que ele ainda não sabia que viria.
Na primeira visita de Preto à casa deles, Roberto estava tenso. Abriu a porta e viu o sorriso confiante do menino, o corpo grande ocupando o vão da porta, os olhos escuros percorrendo o corredor como se já estivesse avaliando o território.
— Professor — Preto disse, com aquele tom que Roberto já conhecia. — Pronto pra hoje?
— Antes, precisamos conversar.
— Conversar sobre o quê?
— Sobre as condições.
Roberto levou Preto até a sala, sentaram-se. Ele entregou o papel, com tudo escrito. Preto leu em silêncio, os olhos percorrendo cada linha. Quando terminou, riu:
— Caralho, professor. Tá me tratando igual funcionário. Tem até cláusula.
— São as condições. Se não aceitar, não rola.
Preto olhou para Joana, que estava na cozinha, esperando. Depois olhou de novo para Roberto:
— E a senhora Joana concordou com tudo isso?
— Concordou.
— Então tá. Aceito. Mas vou te falar uma coisa: limite foi feito pra ser testado. A gente sempre quer ver até onde vai.
— Não aqui. Não com a gente.
Preto riu de novo, balançou a cabeça, e foi encontrar Joana. Antes de sair, virou-se:
— O senhor é engraçado, professor.
Naquela primeira noite em casa, tudo correu dentro do combinado. Preto e Joana transaram no quarto de visita, com Roberto sentado numa cadeira no canto, assistindo como um espectador numa peça de teatro. Preto usou camisinha, gozou fora, exatamente como mandava o regulamento. Depois foi embora como combinado.
— Satisfeito, professor? — Preto perguntou na porta, antes de sair.
— Sim.
— Que bom. Até a próxima.
Roberto sentiu um alívio estranho. As regras funcionavam. Elas protegiam ele, protegiam o casamento, protegiam tudo. Mas naquela noite, depois que Preto foi embora, Joana ficou quieta, distante. Roberto percebeu, mas não perguntou. Tinha medo da resposta.
— Tudo bem? — arriscou.
— Tudo — ela respondeu, mas o olhar dizia outra coisa.
— Parece que não.
— É que... ele tem razão. Você é engraçado Roberto.
Roberto sentiu um aperto no peito:
— O que você quer dizer com isso?
— Nada. Esquece. Vamos dormir.
Mas Roberto não esqueceu. Passou a noite em claro, olhando para o teto, sentindo que o chão começava a tremer.
Foi na quarta visita. Tudo corria normalmente no quarto de visita. Preto comia Joana com camisinha, Roberto assistia da cadeira, como de costume. Joana estava de quatro, Preto atrás dela, o ritmo constante, os gemidos controlados. Mas em algum momento, algo mudou. Joana começou a ficar mais intensa, mais entregue. Seus gemidos se transformaram, ficaram mais profundos, mais urgentes. Ela puxou Preto para mais perto, enrolou as pernas na cintura dele, e sussurrou algo que Roberto não ouviu.
Preto hesitou. Olhou para Roberto. Joana segurou o rosto dele, puxou para perto e disse, alto o suficiente para Roberto ouvir:
— Não olha pra ele. Olha pra mim. Tira isso.
Preto tirou a camisinha.
Naquele momento, o tempo pareceu parar para Roberto. Ele viu Joana puxar Preto para dentro dela, sem nada, pele com pele. E viu a transformação no rosto dela. Algo que ele nunca tinha visto.
Os olhos verdes de Joana se arregalaram primeiro, como se ela mesma estivesse surpresa com a sensação. Depois as pálpebras desceram lentamente, num gesto de entrega total, e quando subiram de novo, estavam vidrados, perdidos, como se ela tivesse viajado para algum lugar que Roberto não conhecia.
A boca carnuda se abriu num suspiro que foi crescendo, crescendo, até se transformar num gemido longo, profundo, que pareceu vir de dentro da alma dela. Não era o gemido que Roberto conhecia das noites com ele. Era mais grave, mais animal, mais verdadeiro.
— Isso — ela sussurrou, a voz rouca, trêmula. — Isso, Preto. Assim.
O corpo dela começou a tremer. Não era a tremedeira do orgasmo comum, mas algo mais profundo, mais primitivo. Os seios médios balançavam com as estocadas, os bicos endurecidos, a pele morena brilhando de suor. A barriga um pouco flácida se contraía e relaxava num ritmo que ela não controlava.
As mãos dela agarravam os lençóis com uma força que Roberto nunca vira, os dedos cravados no tecido como se ela precisasse se agarrar a algo para não se perder completamente. Depois uma dessas mãos soltou o lençol e foi para a própria boca, mordendo os dedos, tentando abafar os gemidos que não paravam de sair.
— Preto — ela chamou. — Preto, olha pra mim.
Preto olhou. Ela segurou o rosto dele com as duas mãos, puxou para perto, e falou, bem baixinho, mas alto o suficiente para Roberto ouvir:
— Tô sentindo tudo. Cada pedaço. Cada veia. É tão quente.
Ela puxou ele para um beijo, um beijo profundo, molhado, que durou uma eternidade. Quando se separaram, os lábios dela estavam inchados, brilhando.
— Mais — ela pediu. — Mais fundo.
Preto obedeceu. Aumentou o ritmo, aprofundou as estocadas. Joana jogou a cabeça para trás, os cabelos pretos espalhados no travesseiro, e começou a gozar. Mas não era um gozo só. Era uma série, uma onda atrás da outra.
— Tô gozando — ela gritou. — Tô gozando, Preto. Não para. Não para.
O corpo dela se arqueou, os olhos reviraram, a boca abriu num grito mudo. Depois relaxou por um segundo, e já estava gozando de novo. E de novo. E de novo.
Roberto contou. Foram cinco orgasmos em menos de dez minutos. Em cada um, o corpo dela se contorcia de um jeito diferente, os gemidos mudavam de tom, as mãos procuravam algo para agarrar — os lençóis, o braço de Preto, o próprio corpo.
Preto não parava de meter Joana de quatro recebendo aquele pau majestoso na buceta, Preto então não aguentou mais.
— Vou gozar também... toma minha porra...
Em um momento ele pensou em gozar dentro mas lembrou das regras e não quis extrapolar, tirou o pau de dentro e banhou a bunda grande e redonda de Joana de porra.
Quando finalmente parou, Joana ficou imóvel por um momento, ofegante. Depois começou a rir. Um riso baixo, feliz, satisfeito.
— Meu Deus — ela disse. — Meu Deus do céu.
Preto riu também:
— Gostou?
Ela olhou para ele, os olhos verdes ainda marejados:
— Nunca senti nada igual. Nada. É tão diferente. Tão quente. Tão... vivo.
E então ela olhou para Roberto. Seus olhos encontraram os dele, e por um momento ele viu algo que nunca tinha visto: uma conexão nova, um entendimento. Ela não estava com vergonha. Estava realizada.
— Desculpa — ela disse, mas a voz não tinha arrependimento. — Não deu pra segurar.
Roberto não respondeu. Levantou-se e saiu do quarto. Foi para a sala, sentou no escuro, e ficou lá por um longo tempo, tentando entender o que sentia. Na manhã seguinte, ele foi até Joana:
— Não pode acontecer de novo.
— Tá bom.
— Sério, Joana. Foi a primeira e última vez.
— Tá bom, Roberto.
Mas os olhos dela diziam outra coisa. E na visita seguinte, a camisinha foi esquecida de novo, e Roberto não disse nada.
A primeira vez sem camisinha foi um marco, mas não foi o fim. Roberto achou que podia controlar, que podia limitar aquele deslize a uma única noite. Mas o corpo de Joana tinha aprendido algo novo, e agora pedia mais.
Nas visitas seguintes, a camisinha aparecia sobre a mesa de cabeceira, mas raramente era usada. Preto olhava para Roberto, Joana olhava para Roberto, e Roberto, depois de um momento de hesitação, sempre acabava assentindo. A vontade de ver Joana daquele jeito, daquele jeito entregue, daquele jeito que ela só ficava com Preto, era mais forte que qualquer limite.
Ela estava diferente sem a camisinha. Mais solta, mais molhada, mais presente. Os gemidos eram mais altos, os olhos mais vidrados, os orgasmos mais frequentes. Roberto percebia, e uma parte dele, uma parte que ele ainda tentava negar, adorava ver.
Foi numa noite como tantas outras. Preto e Joana estavam no quarto de visita — o quartinho pequeno com a cama de solteiro que Roberto tinha escolhido para as sessões, tentando preservar o quarto do casal como território sagrado. Roberto estava sentado na cadeira no canto, a mesma de sempre, observando.
Joana estava de quatro na cama, Preto atrás dela, os dois num ritmo acelerado, intenso. Ela já tinha gozado duas vezes, mas continuava pedindo mais. Os cabelos pretos estavam colados no rosto suado, os olhos verdes vidrados, a boca carnuda aberta num gemido contínuo.
— Isso — ela gemia. — Assim. Mais fundo.
Preto obedecia, as mãos grandes cravadas nos quadris dela, o corpo se movendo com uma energia que parecia inesgotável. Roberto assistia, o pau duro dentro da calça, a mente dividida entre o ciúme e o tesão.
Em determinado momento, Joana começou a ficar diferente. Os gemidos mudaram, ficaram mais agudos, mais urgentes. Ela começou a se mover contra Preto, buscando algo mais.
— Preto — ela chamou, a voz trêmula.
— Hum?
— Tô perto de novo.
— Sei.
Ela abriu os olhos. Procurou Roberto primeiro, depois encontrou os olhos de Preto. E foi ali, naquele olhar, que algo mudou. Uma decisão tomada no calor do momento, sem planejamento, sem aviso.
— Quero você gozando dentro de mim.
A frase saiu natural, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
Preto hesitou. O ritmo diminuiu. Ele olhou para Roberto.
— O quê? — perguntou.
— Você ouviu. Quero sentir. Quero sentir você gozando dentro.
Roberto levantou-se da cadeira num impulso:
— Joana, não. A regra...
Ela nem olhou para ele. Os olhos verdes continuavam fixos em Preto.
— A regra mudou — ela disse. — Agora.
— Joana, a gente combinou...
— Eu sei o que a gente combinou. — A voz dela era calma, mas firme. — E eu estou dizendo que agora eu quero isso. Quero sentir ele gozar dentro de mim.
Roberto deu um passo à frente:
— Não é seguro. A gente não pensou...
Ela virou a cabeça devagar, os olhos verdes encontrando os dele. E no olhar dela, Roberto viu algo que nunca tinha visto antes. Não era só tesão. Era determinação. Era posse. Era a certeza de quem sabe o que quer.
— Roberto — ela disse, a voz baixa, mas cortante. — Senta.
— Mas...
— Senta. Agora.
A ordem foi tão inesperada, tão firme, que Roberto obedeceu antes mesmo de pensar. Suas pernas dobraram, e ele se sentou de volta na cadeira.
Joana voltou-se para Preto, um sorriso satisfeito nos lábios carnudos:
— Agora, onde a gente tava? Ah, sim. Eu ia pedir pra você gozar dentro de mim.
Preto riu, surpreso e excitado:
— Caralho, Joana. Você é foda.
— Sei. Agora continua.
Ele voltou a se mover, mais lento no começo, depois mais rápido. Joana gemia, os olhos fechados, o corpo entregue. Roberto assistia da cadeira, imóvel, o pau dolorosamente duro, a mente em choque.
— Isso — Joana dizia. — Isso, Preto. Mais fundo. Quero sentir tudo quando você gozar.
— Vou gozar — ele avisou depois de um tempo. — Tô perto.
— Goza. Goza dentro. Enche essa buceta.
Preto acelerou as últimas estocadas, o corpo tenso, as mãos cravadas nos quadris dela. Quando gozou, foi com um gemido baixo, prolongado, enquanto o corpo se contraía.
Joana sentiu. Roberto viu o momento exato nos olhos dela: a surpresa, o prazer, a realização. Ela gemeu junto, um gemido longo, profundo, que parecia vir de algum lugar que Roberto não conhecia.
— Senti — ela disse depois, ofegante. — Senti tudo. Quente. Muito quente.
Ficaram assim por um tempo, os dois abraçados, suados. Depois Joana se deitou de lado na cama, puxou Preto para perto, e ficaram os dois se olhando, em silêncio.
Roberto continuava na cadeira, imóvel. Não sabia o que dizer, o que fazer. A regra tinha caído. E ele não tinha conseguido impedir.
Depois de um longo momento, Joana virou a cabeça para ele. Seus olhos verdes estavam calmos, satisfeitos.
— Vem cá — ela disse.
Roberto levantou-se, foi até a cama. Ajoelhou-se ao lado dela, como tantas vezes antes.
Ela passou a mão no rosto dele:
— Tudo bem?
— Não sei.
— Foi bom, Roberto. Muito bom. E você vai aprender a gostar.
— Não é sobre gostar.
— É sim. É sobre aceitar. Sobre entender que isso me faz feliz. E que você me ama.
Roberto olhou para ela. Linda, satisfeita, dona de si.
— Te amo — ele disse.
— Eu sei. E por isso você vai aceitar. Tudo.
Ela beijou a testa dele, um beijo quase maternal, e depois voltou-se para Preto, aninhando-se no peito dele.
Roberto ficou ali, de joelhos ao lado da cama, olhando os dois. O quarto de visita, a cama pequena, a mulher dele aninhada em outro homem. E pela primeira vez, sentiu que o controle não era mais dele. Talvez nunca tivesse sido.
Numa noite, o quarto de visita estava desarrumado, cheio de coisas que Joana tinha espalhado durante o dia. Roupas, livros, papéis. Roberto ia sugerir que arrumassem, mas antes que pudesse abrir a boca, Preto se levantou da cama onde estava deitado com Joana depois de mais uma sessão.
— Cansado desse quartinho de merda — ele disse.
E antes que qualquer um pudesse reagir, Preto se inclinou, passou um braço por baixo das pernas de Joana e outro pelas costas dela, erguendo-a no ar como se ela não pesasse nada. Joana riu, surpresa, os cabelos pretos caindo para trás.
— Preto! O que você tá fazendo?
— Vou te levar pro lugar de verdade.
Ele a jogou sobre o ombro, num movimento rápido e firme. Joana ficou de cabeça para baixo, as pernas para cima, a bunda empinada, os braços batendo nas costas dele sem força.
— Seu louco! — ela riu, se debatendo de brincadeira. — Me larga!
— Largo nada, vou te levar pra onde quero puta.
Preto deu um tapa na bunda dela, que ecoou no quarto. Joana gritou, rindo, e ele saiu do quarto de visita com ela dependurada no ombro, as pernas balançando, os pés descalços chutando o ar.
Roberto seguiu atrás, sem saber bem o que fazer. Viu Preto atravessar o corredor com Joana no ombro, a visão da bunda dela balançando a cada passo, os cabelos pretos quase arrastando no chão. Ela continuava rindo, se debatendo, mas sem nenhuma intenção real de escapar.
— Preto, me larga! Vamos voltar pro quarto!
— Vamos sim. Pro quarto de verdade.
Ele entrou no quarto do casal. Foi direto para a cama e jogou Joana no colchão, onde ela caiu de bruços, ainda rindo.
— Tá louco? — ela disse, virando-se para olhar para ele.
— Louco não. Só cansado do quartinho de fundo. A partir de agora é aqui.
Roberto parou na porta:
— Preto, a gente combinou...
— Eu sei o que a gente combinou. — Preto nem olhou para ele. Os olhos estavam fixos em Joana, que agora estava deitada na cama do casal, os cabelos espalhados no travesseiro, os olhos verdes brilhando. — Mas olha pra ela. Olha como ela fica bem aqui.
Joana sorriu, estendeu os braços para Preto:
— Vem Preto.
Ele foi. Deitou ao lado dela, puxou-a para perto, beijou-a com uma lentidão estudada. Roberto ainda estava na porta, imóvel.
— Corninho— Joana chamou, sem desgrudar os lábios de Preto. — Vem.
Ele foi. Deitou do outro lado da cama, ao lado de Joana. Ficou ali, vendo os dois se beijarem, as mãos de Preto percorrendo o corpo dela, as mãos dela nos cabelos dele.
— Hoje vai ser aqui — Preto disse, num intervalo do beijo.
Joana olhou para Roberto por cima do ombro de Preto:
— Tudo bem?
Roberto pensou em todas as regras. Em todos os limites. Pensou no quarto de visita, no território sagrado, no espaço que tentara preservar. Olhou para Joana, linda, satisfeita, nos braços de outro homem, na cama dele.
— Tudo bem — ele disse.
E ficou ali, vendo os dois transarem na sua cama, sentindo o cheiro deles, ouvindo os gemidos. E não disse mais nada.
Depois, Joana dormiu no meio dos dois. Roberto passou a noite acordado, sentindo o calor, o cheiro, a presença. De manhã, Preto acordou, viu Joana deitada de bruços com a bunda pra cima e porra saindo pela buceta. Deu um tapa e apertando a bunda dela e disse.
— Bom dia minha gostosa, vamos acordar.
Roberto viu aquilo em silêncio, não respondeu. A cama nunca mais foi só dele e de Joana.
Numa tarde comum, Roberto estava no trabalho, no meio de uma reunião pedagógica interminável. A diretora falava sobre índices de aprovação, sobre metas para o próximo semestre, sobre a importância do engajamento dos professores. Roberto ouvia com um olho, a mente vagando, quando o celular vibrou no bolso.
Ele discretamente puxou o telefone e viu a mensagem de Joana: "Ele tá aqui. A gente queria ficar sozinho. Você deixa?"
O coração disparou. Roberto leu a mensagem três vezes, como se pudesse encontrar um significado diferente em cada leitura. Lembrou da regra: sexo só na minha presença. Lembrou de como Joana tinha concordado, de como ele tinha sido firme naquele ponto.
Suas mãos tremeram enquanto pensava na resposta. Podia dizer não. Podia manter o limite. Podia ligar para ela, explicar que não se sentia confortável, pedir para esperarem ele chegar.
Mas lembrou também do rosto de Joana nas últimas semanas. Da felicidade nova nos olhos dela. Do brilho que aparecia sempre que Preto era mencionado. Lembrou de como ela gozava mais, ria mais, vivia mais desde que aquilo tinha começado.
Digitou: "Você me mata Joana. Tudo bem, dessa vez só, mas me conta tudo depois."
Colocou o telefone de volta no bolso e tentou se concentrar na reunião. Impossível. Sua mente estava naquele quarto, imaginando o que estavam fazendo. Preto chegou quando? Já tinham começado? Ela estava de lingerie? Ele a beijou primeiro ou foram direto ao assunto?
A reunião se arrastou por mais uma hora. Depois vieram os corredores, as conversas de corredor com colegas, o trânsito. Cada minuto era uma eternidade. Roberto chegou em casa com o coração na boca, a cabeça a mil.
A casa estava silenciosa. Luzes apagadas. Ele foi até a sala, vazio. Até a cozinha, vazio. Até o quarto de visita — a porta estava entreaberta. Ele espiou.
Joana estava na cama, nua, os lençóis enrolados no corpo, os cabelos pretos espalhados no travesseiro. Dormia com um sorriso nos lábios carnudos, o corpo marcado, satisfeito. Preto não estava mais lá.
Roberto entrou devagar, sentou na beira da cama. Ela abriu os olhos, viu ele, e sorriu.
— Senta aqui.
Ele sentou. Ela se espreguiçou, puxou o lençol para cobrir os seios, mas sem pressa, sem vergonha.
— Quer que eu conte? — ela perguntou.
— Quero.
Ela sentou na cama, apoiou as costas na cabeceira, e começou:
— Ele chegou umas duas horas depois que você saiu. Eu tava na sala, de short e regata. Ele entrou, me beijou, e já foi subindo a mão pela minha perna.
Roberto ouvia, o pau endurecendo.
— A gente foi pro nosso quarto — ela continuou. — Mas nem deu tempo de fechar a porta direito. Ele me pegou ali mesmo, encostada na parede. De frente. Me penetrou rápido, sem camisinha, e eu já quase gozei na hora.
Ela riu, lembrando:
— Foi tão bom, Roberto. Tão gostoso. Depois a gente foi pra cama. Ele me comeu de tudo quanto é jeito. De quatro, de lado, eu por cima. Eu gozei umas quatro vezes, perdi a conta.
Roberto engoliu seco:
— E ele?
— Gozou duas. A primeira dentro, a segunda também. Ficou um tempão de pau duro ainda depois de gozar.
— E você?
— Eu tava tão molhada que parecia que nunca ia secar. No final, a gente dormiu junto. Acordei agora pouco.
Roberto ficou em silêncio por um momento. Depois perguntou:
— Você gostou? De estar sozinha com ele?
Ela o olhou nos olhos:
— Gostei. Muito. Mas não troco você por nada, sabia? Você é meu porto. Ele é... ele é a aventura. O tesão. Mas você é meu amor.
Roberto sentiu uma pontada no peito, mas também uma onda de excitação.
— E você? — ela perguntou. — Como se sente?
— Não sei. Estranho. Com ciúme. Mas com tesão também.
— Tesão de quê?
— De saber. De imaginar. De ver você tão feliz.
Ela sorriu, estendeu a mão para ele:
— Vem cá. Deita comigo.
Ele deitou ao lado dela, sentindo o calor do corpo dela, o cheiro de sexo ainda presente. Ela aninhou-se nele.
Ficaram assim por um tempo, em silêncio. Depois ela disse:
— Quer saber de uma coisa?
— O quê?
— Ele falou de você. Enquanto a gente transava.
— Falou o quê?
— Falou que você é um cara diferente. Que a maioria não aguentaria. Que você é forte.
Roberto não respondeu. Mas sentiu um orgulho estranho.
— E você concordou? — ele perguntou.
— Concordei. Disse que você é o homem mais incrível que eu conheço.
Ela beijou o peito dele:
— Agora vem. Quero você também. Quero você dentro de mim, imaginando ele.
Roberto a beijou. E enquanto a penetrava, pensou em Preto, pensou nela com Preto, pensou em tudo que tinha ouvido. E gozou como nunca.
— Te amo.
— Também te amo.
Na semana seguinte, quando recebeu outra mensagem, respondeu "pode" antes mesmo de pensar. E na outra, respondeu sem hesitar. Até que deixou de receber mensagens. Ela simplesmente fazia, e contava depois. E Roberto aceitava.
A regra de só transar em casa ou no motel era uma das que Roberto considerava mais importantes. Tinha a ver com segurança, com controle, com manter aquela parte da vida deles separada do resto do mundo. A escola era território proibido.
Numa sexta-feira, Roberto teve que sair mais cedo para uma reunião. Joana ficou, tinha aula até as cinco e meia. Preto também estava por lá.
A reunião se arrastou. Quando terminou, já passava das seis. Roberto resolveu passar na escola para pegar um livro que tinha esquecido. O portão dos fundos estava aberto. Ele entrou, atravessou o pátio vazio, subiu as escadas.
Quando chegou ao corredor do segundo andar, ouviu um gemido. Veio da sala de história. Da sala de Joana.
Aproximou-se devagar. A porta estava fechada, mas havia uma fresta. Ele espiou.
Joana estava sentada na mesa dela, a saia levantada, a blusa aberta, os seios de fora. Preto estava entre as pernas dela, as calças arriadas, o pau enterrado nela. Os dois se moviam num ritmo frenético, tentando abafar os gemidos.
— Isso — Preto sussurrava. — Isso, puta.
— Preto — Joana gemia. — Mais fundo.
Roberto sentiu o sangue ferver. A mão apertou a maçaneta, mas ele não entrou. Ficou ali, paralisado, vendo a cena. A raiva subiu quente pelo peito, mas junto veio aquela excitação maldita que ele não conseguia controlar.
Preto acelerou. Os corpos se chocavam contra a mesa. Joana mordeu a própria mão para não gritar.
— Vou gozar — Preto avisou.
— Goza dentro.
Preto gozou. Joana gozou junto.
Roberto se afastou antes que pudessem vê-lo. Desceu as escadas quase tropeçando, saiu pelo portão, entrou no carro. Bateu a mão no volante, uma, duas vezes. Respirava fundo, tentando controlar a mistura de raiva e tesão.
Quando chegou em casa, Joana já estava lá. Preparava o jantar, tranquila, como se nada tivesse acontecido.
— Oi, amor — ela disse, sorrindo. — Demorou. A reunião foi longa?
Roberto não respondeu. Foi direto para o quarto.
Ela estranhou, foi atrás:
— Roberto? Tudo bem?
— Tudo.
— Parece que não. O que houve?
Ele virou-se, encarando-a:
— Você transou com ele hoje?
Ela piscou, surpresa com o tom:
— O quê?
— Você ouviu. Transou com ele hoje?
Joana cruzou os braços, o olhar mudando:
— Por que tá perguntando assim?
— Porque eu vi. Vi vocês dois na sua sala. Na escola, Joana. No nosso local de trabalho.
O silêncio caiu entre os dois. Ela sustentou o olhar dele por um momento, depois desviou.
— Roberto...
— Não. A gente tinha um acordo. Só em casa ou motel. Era uma regra. Das poucas que ainda tão de pé.
— Eu sei, mas...
— Mas o quê? Não tem mas. Você simplesmente decidiu que não importa mais?
Ela deu um passo à frente:
— Não foi decidido. Aconteceu. No momento, a gente se empolgou...
— Se empolgou? — A voz dele subiu. — Se empolgou na sala onde você dá aula? Onde qualquer um podia passar? Onde alunos podiam ver?
— Não tinha ninguém, Roberto. A escola tava vazia.
— E daí? A regra não era sobre ter gente ou não. Era sobre respeito. Sobre manter isso separado.
Joana ficou em silêncio. Depois disse, mais baixo:
— Você tá com raiva.
— Tô. Muita raiva.
— E tesão também?
A pergunta o pegou desprevenido. Ele desviou o olhar.
— Isso não vem ao caso.
— Vem sim. Porque você viu. E eu conheço você. Se não tivesse tesão, já teria explodido de verdade.
Roberto não respondeu. Ela se aproximou, passou a mão no rosto dele:
— Tudo bem sentir raiva. Tudo bem sentir tesão. Mas não adianta gritar comigo. O que foi feito, foi feito.
— E a regra?
— A regra caiu. Nem você consegue negar que já era questão de tempo.
Ele afastou a mão dela:
— Não é sobre tempo. É sobre combinado. Sobre confiança.
— E você confia em mim?
— Confiava.
Ela sentiu a pontada, mas não recuou:
— Ainda confia. Se não confiasse, não estaria aqui conversando. Teria ido embora.
Roberto a olhou. Linda, confiante, dona de si. E ele ali, com raiva, com tesão, confuso.
— Ta certo, mas você ta cada vez mais dele e menos minha.
— Deixa de ser bobo, você é meu e eu sou sua, você meu corninho e eu sua puta, mas ainda somos casados, eu te amo bb.
— Eu também te amo, só não quero te perder.
Joana e Roberto se beijaram e dormiram juntos na cama deles, cumplices do sentimento um do outro.
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NOTA DO AUTOR:
Galera estou fazendo imagens de IA e estou divulgando no meu perfil do insta @Dr.jakyll6 ou podem seguir o perfil gratuito do laranjinha drjakyll6 ou o vip drjack66