A vitória de Samuel - Cap.3

Um conto erótico de ThiThe
Categoria: Heterossexual
Contém 1440 palavras
Data: 10/03/2026 15:22:22

A umidade refrescante entre suas coxas foi a primeira coisa que pareceu errada. O efeito febril da poção se rompeu como um elástico esticado demais. Num instante, Natália flutuava numa névoa saciada e drogada, seu corpo vibrando e repleto dele. No instante seguinte, a realidade fria e cortante a atingiu em cheio.

O peso de Samuel era um cobertor sufocante, seu suor azedo e o cheiro almiscarado do sexo entupindo suas narinas. Ela sentiu o gotejamento espesso e lento de sua ejaculação escorrendo dela, sobre o tecido gasto do sofá.

'Oh, Deus. Oh, meu Deus.'

Um grito silencioso ficou preso em sua garganta. Seus olhos, arregalados de horror, percorreram o cômodo — o tecido rosa rasgado de seu vestido, as calças manchadas dele no chão, o copo de chá vazio. A lembrança de tudo a atingiu em cheio: o calor antinatural, a súplica, o jeito como ela se arqueou, chorou e desejou seu corpo grotesco.

Uma repulsa ardente e ácida queimava sua garganta. Ela empurrou o ombro peludo de Samuel com uma força nascida do puro pânico.

— Sai de cima!

Ele grunhiu, meio adormecido, rolando para o lado com um som úmido e sugador enquanto seu pênis, agora mole, deslizava para fora dela. O vazio repentino era um tipo diferente de violação. Ela se levantou do sofá às pressas, as pernas bambas, ignorando a dor pegajosa no fundo do seu ser. Agarrou o vestido rasgado, apertando-o contra o peito, os olhos desviando freneticamente, evitando os dele.

— Natália... — ele murmurou, com um sorriso estúpido e triunfante no rosto feio.

Ela não respondeu. Não conseguia. As palavras haviam sumido. Vestir-se foi uma provação frenética e desajeitada — puxando o tecido rasgado sobre a pele pegajosa, sem se importar com a abertura. Encontrou as sandálias, as mãos tremendo demais para fechá-las, então apenas as segurou. Ela não olhou para trás ao abrir a porta da frente com um puxão e fugir para o sol da tarde.

A curta corrida até a casa dos pais do outro lado da rua pareceu uma maratona. Cada passo era uma lembrança da dor profunda e latejante que ele havia deixado dentro dela. Ela entrou pela porta da frente, partindo em disparada para o banheiro.

— Natália? Você está bem? — A voz da mãe chamou do outro lado da porta. — Você bateu a porta com tanta força.

— Enxaqueca — Natália disparou, com a voz embargada. — Uma enxaqueca repentina. Terrível. Preciso de um banho.

Natália abriu o chuveiro com as mãos ainda tremendo. A água caiu imediatamente — gelada.

O choque fez seu corpo estremecer. Ela puxou o ar com força, quase como se tivesse sido empurrada de volta para a realidade. Ela fechou os olhos e encostou a testa na parede fria do box. A água escorria pelo rosto, misturando-se com lágrimas que ela nem tinha percebido que estavam caindo. Ela passou as mãos pelos braços repetidas vezes, esfregando a pele como se pudesse apagar dali qualquer vestígio dos minutos que haviam acabado de acontecer. Pegou o sabonete e o passou nos ombros, nos braços, no pescoço, depois de novo, e de novo, com uma pressa quase desesperada.

O cheiro do sabonete encheu o pequeno banheiro, mas não parecia suficiente.

Ela deixou a água cair por mais tempo, fria demais, quase queimando na pele. Talvez, pensou por um instante, se ficasse ali o suficiente tudo aquilo desapareceria. Como se pudesse lavar não apenas o corpo, mas também a memória.

Do lado de fora da porta, a casa estava tranquila. Dentro do box, o som constante da água era a única coisa que preenchia o espaço enquanto Natália permanecia ali, imóvel, esperando que o banho levasse embora algo que ela temia que não pudesse ser levado.

'Eu… eu preciso voltar para a casa. Agora.'

As desculpas jorraram, frágeis e pouco convincentes. Ela alegou uma crise urgente no trabalho, um prazo esquecido. Viu a preocupação nos olhos da mãe, a confusão nos do pai, mas já estava arrumando a mala com eficiência mecânica. Recusou o jantar. Recusou o café. Em menos de duas horas, ela estava em seu carro, dirigindo para longe de sua cidade natal, os nós dos dedos brancos no volante. Dirigia rápido demais, como se pudesse fugir dele, do que tinha feito com ele.

*

Os dias seguintes foram um borrão de chuvas escaldantes e gritos silenciosos. Ela esfregava a pele até ficar em carne viva, mas as sensações fantasmas permaneciam — o roçar dos dentes dele em seu mamilo, a brutal plenitude de seu pênis. Marco notou seu distanciamento.

— Você está quieta, amor — disse ele certa noite, o belo rosto marcado por uma suave preocupação. Estendeu a mão para ela por cima da elegante mesa de jantar.

Ela estremeceu. As mãos dele eram lisas. Limpas. — Só um caso estressante — murmurou, forçando um sorriso. — Não é nada.

Deixou que ele lhe desse um beijo de boa noite, um beijo casto nos lábios que pareceu uma mentira. Quando ele a abraçou, ela não sentiu nada além de um frio vazio. Seu corpo, despertado tão violentamente, agora era um túmulo.

Então as mensagens começaram.

Número desconhecido. A primeira chegou três dias depois de seu retorno.

"vc é minha. nunca vai esquecer."

Ela encarou a mensagem, um nó frio se apertando em seu estômago. Samuel. Ele havia conseguido o número dela no celular da avó. Uma sensação de nojo a invadiu, amarga e aguda. Ela apagou a mensagem. Bloqueou o número.

Um novo número mandou mensagem no dia seguinte.

"sonho com seu cheiro. com vc gemendo."

Seu coração martelava contra as costelas. Ela apagou a mensagem. Mas não bloqueou este número. Uma curiosidade perversa, misturada com pavor, a impedia. O que ele quer? Até onde ele irá?

As mensagens se tornaram um fluxo diário. Declarações de amor doentio e obsessivo. Descrições cruas e vívidas do que haviam feito. "Quero encher vc de porra dnv." "Suas pernas tremendo foram a coisa mais linda." Cada uma era uma violação, uma intrusão psíquica que lhe causava arrepios. Mesmo assim, ela leu cada uma delas. Uma parte secreta e vergonhosa dela esperava o telefone vibrar, prendendo a respiração.

A espiral começou de verdade quando a foto chegou.

Era tarde. Marco dormia ao lado dela. Seu telefone brilhava no escuro. Uma imagem simples e brutal. Seu pênis monstruoso e flácido, grosso e com veias salientes contra a coxa peluda, parecendo patético e ameaçador ao mesmo tempo. A lembrança era visceral: a sensação dele endurecendo em sua direção, o estiramento enquanto a invadia.

Uma onda de calor puro e indesejado atingiu seu âmago. Um suspiro escapou de seus lábios. 'Não'.

Mas sua mão já deslizava por baixo do cós do short de seda. Seus dedos, frios a princípio, encontraram seu clitóris, já inchado. Ela fechou os olhos e não foi o rosto polido de Marco que viu. Foi o de Samuel — seus dentes amarelados, seus olhos ardentes e possessivos. Ela se lembrou do tapa humilhante da barriga dele contra ela, do rugido da sua voz quando ele gozou.

Seu toque se tornou urgente. Ela visualizou a foto. Imaginou aquele membro feio e grosso penetrando-a novamente, preenchendo a dor oca que Marco jamais poderia tocar. O prazer foi intenso, cortante e repleto de autodesprezo. Ela mordeu o lábio para não gritar, seus quadris se movendo contra a própria mão. Seu orgasmo foi uma convulsão silenciosa e violenta que a deixou tremendo e encharcada de suor, seguida instantaneamente por uma onda de vergonha nauseante. Ela se encolheu, lágrimas de frustração escorrendo pelo travesseiro.

Isso se tornou seu ritual secreto. Por dias, ela resistia às mensagens, agarrando-se à sua sanidade. Então, sozinha, ela desmoronava. Lia as mensagens obscenas dele, encarava aquela foto e se entregava a um clímax rápido e desesperado, sempre se odiando depois. O prazer era o mais sombrio que ela já havia conhecido, porque estava inextricavelmente ligado à sua própria degradação.

A mensagem que mudou tudo chegou uma semana depois.

"Não aguento mais. Vou até sua cidade amanhã. Preciso te ver. Preciso te comer dnv. Me encontra ou eu vou na sua casa."

O sangue de Natália gelou. 'Ele sabe onde eu moro? Ou seria um blefe?'. Uma sensação de medo a dominou, ele poderia arruinar tudo — sua carreira, seu noivado, sua vida. O velho medo, agudo e nítido, surgiu. Mas por baixo dele, serpenteando como uma cobra, havia aquela outra coisa. O desejo. A necessidade de confrontar a fonte de sua loucura, de ver se o horror em seus olhos seria igual ao de seus sonhos.

Seus dedos pairaram sobre a tela. Ela deveria ligar para a polícia. Deveria contar para Marco. Deveria bloqueá-lo para sempre.

Em vez disso, após um longo e trêmulo minuto, ela digitou uma resposta.

— Onde? Quando?

Continua...

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