História de Carol - Pt. 10

Um conto erótico de Carol Neves
Categoria: Crossdresser
Contém 646 palavras
Data: 02/03/2026 01:26:21

A amiga ainda segurava as mãos de Carol quando começou a falar, agora já mais animada do que surpresa.

— Olha… você não tá sozinha nisso, tá? — disse, sincera. — Se quiser conversar, testar roupa, aprender maquiagem, sair pra tomar um café… a gente dá um jeito. Eu te ajudo.

Carol sorriu, emocionada, mas logo lembrou da realidade que batia à porta.

— Eu queria muito… mas ninguém sabe. E minha mãe volta hoje à noite. Eu vou ter que… — fez um gesto vago, como quem desmonta algo no ar — voltar ao normal.

As duas ficaram em silêncio por um instante.

Não era um silêncio ruim. Era aquele tipo de pausa em que se aceita que nem tudo acontece no tempo que a gente quer.

— Que droga — a amiga suspirou. — Justo agora que eu tava empolgada.

Carol riu, ainda com um fundo de frustração.

— Eu também.

Mas então a amiga estalou os dedos, como se tivesse tido uma ideia repentina.

— Já sei! A gente não precisa parar. Só… muda o lugar. Fazemos um “dia de meninas” lá em casa. Com calma. Sem risco. Você vai, se arruma lá, fica à vontade. A gente treina maquiagem, escolhe looks, vê filme, faz essas coisas. Sem pressão.

Carol piscou, surpresa.

A ideia parecia… possível.

Segura.

Real.

— Um dia inteiro? — perguntou, ainda assimilando.

— Inteiro. Planejado. Seu. — respondeu ela, sorrindo. — Quando você puder.

Carol pensou por alguns segundos. Não era o fim. Era só uma pausa. Um intervalo até o próximo capítulo.

— Eu quero — respondeu, finalmente. — Vamos fazer isso.

Combinaram de organizar tudo com calma. Nada apressado. Nada escondido às pressas como naquele fim de semana.

Quando o céu começou a escurecer, a amiga se despediu com outro abraço — agora menos tenso, mais cúmplice.

— Vai dar tudo certo. E… obrigada por confiar em mim.

— Obrigada por ficar — Carol respondeu.

Ela saiu pelo portão, deixando a casa silenciosa outra vez.

Agora vinha a parte mais difícil.

Carol foi até o quarto, parou diante do espelho por alguns segundos. Não havia mais música, nem expectativa. Só aquele momento de transição.

Começou devagar.

Tirou a sandália.

Depois o vestido.

Guardou cada peça com cuidado, como se estivesse preservando algo precioso.

Removeu a maquiagem com calma, observando o rosto voltar ao habitual.

Dobrou as roupas, organizou tudo exatamente onde havia encontrado.

Não queria que parecesse que aquele fim de semana tinha sido apagado.

Mas precisava que estivesse protegido.

Tomou outro banho rápido, vestiu as roupas de sempre, passou a mão no cabelo ainda úmido.

Carlos.

O nome parecia voltar junto com a rotina, mas agora carregava algo diferente — como se já não fosse exatamente o mesmo de antes.

Arrumou a casa inteira.

Guardou copos.

Alinhou almofadas.

Deixou tudo até mais organizado do que normalmente ficava.

Quando a mãe chegou, já à noite, encontrou tudo em perfeita ordem.

— Nossa, que casa arrumada! — comentou, surpresa. — Aproveitou o fim de semana, hein?

— Aproveitei… descansei bastante — respondeu ele, com um sorriso que escondia mais história do que ela imaginava.

Conversaram um pouco sobre a viagem, coisas simples do cotidiano, como sempre faziam. Nada fora do normal. Nada que levantasse suspeitas.

Logo cada um foi para o seu quarto.

Deitado na cama, agora com o pijama habitual, Carlos ficou olhando o teto no escuro.

Era um turbilhão silencioso:

A alegria de ter vivido aqueles dias.

A adrenalina da conversa e do flerte online.

A vergonha misturada com alívio de ter contado à amiga.

A sensação estranha de guardar tudo outra vez.

E, ao mesmo tempo… uma expectativa nova.

Porque agora não era mais um segredo solitário.

Havia alguém que sabia.

Havia um plano.

Havia um “próximo dia”.

Respirou fundo.

Pela primeira vez, não parecia que aquilo precisava desaparecer — só precisava esperar o momento certo.

Virou de lado, puxou o cobertor e, entre pensamentos ainda confusos e um certo conforto no peito, adormeceu tranquilo.

Sabendo que, dali pra frente, muitas coisas ainda poderiam acontecer.

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