Capítulo 06: Faíscas no Oceano
Por Fernanda
A manhã seguinte trouxe uma luz cruel. O sol de Florianópolis brilhava sobre a piscina, mas o clima dentro da casa era de uma tensão gélida. Eu estava na cozinha, tomando meu terceiro café puro, quando Alice apareceu. Ela usava óculos escuros e um biquíni branco que contrastava perfeitamente com sua pele bronzeada.
Stefano vinha logo atrás, com aquela energia irritante de quem tinha dormido bem.
— Buon giorno, Fernanda! — ele exclamou, passando o braço pelo pescoço de Alice. — Hoje vamos para o beach club em Jurerê, certo? Roberto disse que reservou um bangalô para nós.
— Certo — respondi, meus olhos fixos em Alice, que não conseguia sustentar o olhar nem por trás das lentes escuras. — Vai ser um dia... revelador.
Por Alice
Jurerê Internacional estava lotado. O som do DJ misturava-se ao barulho das ondas e ao tilintar das taças de champanhe. Eu tentava focar no Stefano, nas histórias que ele contava sobre Milão, mas a presença de Fernanda, sentada na espreguiçadeira à nossa frente, era como um imã.
Ela usava um biquíni preto minimalista e um boné, lendo um livro como se não estivesse ciente do caos que causava. Mas eu sabia que ela estava me vigiando.
— Vou buscar mais bebidas — Stefano disse, dando-me um beijo rápido no rosto antes de se afastar em direção ao bar.
O silêncio caiu entre nós duas, mesmo com a música alta ao redor. Fernanda fechou o livro lentamente e tirou os óculos.
— Você está muito tensa para quem está de férias, Alice — ela disse, a voz baixa, cortante. — O que foi? O robe de seda ainda está pinicando a pele?
— Cala a boca, Fernanda — sibilei, sentindo meu sangue ferver. — O que aconteceu ontem foi um erro momentâneo. Eu amo o meu namorado.
— Você repete isso tantas vezes que parece que está tentando convencer a si mesma, não a mim — ela se levantou e caminhou até o meu bangalô, debruçando-se sobre a lateral. — Vamos dar um mergulho. O mar ajuda a limpar a consciência. Ou a sujar mais.
Por Fernanda
O mar estava agitado. Entramos na água e nadamos até onde as ondas não quebravam mais, longe dos olhares dos turistas e de Stefano, que ainda estava no bar. Alice nadava bem, mas eu a alcancei facilmente.
Sob a água, o mundo era azul e silencioso. Quando emergimos, estávamos sozinhas, flutuando em um ponto onde ninguém podia nos ouvir.
— Por que você voltou, Alice? — perguntei, deixando que a correnteza nos aproximasse. — Podia ter ficado na Itália com seu namorado perfeito. Por que vir para cá e bagunçar a minha vida?
— Eu não queria bagunçar nada! — ela exclamou, a água batendo em seus ombros. — Eu só queria ver minha mãe casar e ser feliz. Eu não sabia que você existia.
— Agora você sabe — eu disse, agarrando a cintura dela por baixo da água.
Alice soltou um arquejo de surpresa. O contato de nossas peles molhadas e salgadas era eletrizante. O mar nos balançava, jogando o corpo dela contra o meu.
— Me solta, Fernanda... alguém pode ver.
— Ninguém está olhando, Alice. Eles estão ocupados demais com o champanhe. Só tem eu e você aqui.
Aproximei meu rosto do dela. O cheiro de protetor solar e mar era inebriante. Eu não ia beijá-la; eu queria que ela tomasse a iniciativa. Queria que ela assumisse o que sentia.
Por Alice
A provocação no olhar de Fernanda era insuportável. Ela me segurava com firmeza, seus dedos pressionando minha cintura, e eu podia sentir o calor dela mesmo na água fria do oceano. Eu odiava o poder que ela exercia sobre mim, mas meu corpo respondia a ela de uma forma que eu nunca respondi a Stefano.
— Você é um demônio — sussurrei.
— E você está pronta para arder comigo — ela rebateu.
Não aguentei. Puxei o pescoço dela e a beijei ali mesmo, no meio do mar. Foi um beijo salgado, selvagem, onde nossas línguas se encontravam com a mesma fúria das ondas. Minhas mãos se perderam em seus cabelos molhados, e por um momento, o resto do mundo desapareceu. Não havia casamento, não havia Stefano, não havia "família". Havia apenas o desejo incontrolável que nos consumia.
Afastamo-nos quando ouvimos um apito de um jet ski passando perto.
— ALICE! — a voz de Stefano veio da areia. Ele estava acenando com as taças na mão.
Nós nos olhamos. O rosto de Alice estava vermelho, e seus lábios inchados.
— Vai lá, loira — eu disse, com um sorriso vitorioso enquanto começava a nadar de volta. — O seu namorado está chamando. Mas não esquece que o sal do meu beijo não sai tão fácil da boca.
Saí do mar cambaleando, sentindo-me a pessoa mais suja e mais viva do mundo. Stefano me entregou a taça, sorrindo, sem desconfiar de nada.
— Você demorou, amore! A água estava boa? — ele perguntou, passando a mão pelo meu rosto.
— Estava... profunda demais — respondi, bebendo o champanhe de uma vez só.
Olhei para trás e vi Fernanda saindo da água como uma deusa morena, caminhando com uma confiança que me assustava. O jogo tinha mudado. Eu não era mais uma vítima da sedução dela; eu era uma participante ativa. E o pior: eu não sabia como parar.
O que acontecerá agora?
Continua...
Notas da Autora:
Stefano começa a notar que Alice está distraída e que Fernanda não para de provocá-la. No próximo capítulo, uma festa pré-casamento na mansão vai levar as duas ao limite do risco de serem pegas.
