41. A tragédia

Da série Eu sou novinho
Um conto erótico de Mateus
Categoria: Gay
Contém 2556 palavras
Data: 08/03/2026 08:49:44
Assuntos: Gay

41. A tragédia

De madrugada nosso quarto recebeu eles dois, Rui veio me comer e Galvão comer meu marido, é a vida de veadinhos como nós dois, de ladinho segurando uma pica de todo tamanho no cu, vendo o gostoso do Galvão chamar meu marido de amor e dizendo que sente falta da boca e do cheiro de seu veadinho. “Seu porra, diz pra Marquinhos que o garanhão dele tá te comendo, segura o pau de teu marido e masturba lento, vê os olhos de Galvão em você, ele te spdeseja mas quem te fode sou eu, sente falta de um barbudo?”, gozaram, subiram nossas cuecas e foram embora depois de um beijinho na bochecha, “Tô me sentindo usado”, “Também. Mas de um jeito bom.” Acordei ainda me sentindo mal por estar me sentindo bem por ter sido usado, mas os dois foram tão cuidadosos, comida kosher para meu marido e meus filhos, ahhh, por isso que a encenação da noite anterior me fez tão bem.

Essa noite estou dormindo com Hélio e Joel, ele com Rodrigo e Benjamin. Ambos estamos com os casais que amamos. Nós achamos que eventualmente Rui e Galvão vão pegar as coisas e ir embora, por isso nossa resistência a não nos entregarmos de verdade. Ontem Galvão me fez dar o cuzinho para ele, de costas enquanto ele me punhetava, tomava cerveja e assistia um pornô, ele me empurra de lado me manda eu limpar o cuzinho suado dele com a língua, faz pose de halterofilista, mostra os músculos dos braços e peito, é super carona e me deixa louco de tesão, diz que o cu que estou limpando é exclusivo de Rui e o de Rui só dele, depois manda eu fazer outra coisa, buscar cerveja, jogar o mijo que ele junta nas latinhas no sanitário, obedeço como um otário, ele me beija e pergunta se quero mais pica, quero, ele me põe pra chupar e depois me beija, manda eu sentar mostrando a bundinha pra ele, e tudo recomeça até ele perceber que quase gozo e recomeça. “Galvão, você é dado a partir, vai querer me apaixonei… vou não, amanhã você vai embora, Fernando, Murilo, me apaixonar por você e você vai parar na Rússia, na Austrália… Agora você sabe que não confia nesse falso amor, enche esse cu com essa porra vai, meu garanhão.” E o garanhão encheu, como sempre, me puxando pela crina e dizendo que me ama.

Caio disse isso mesmo, que ele ficou ressabiado, sobrinho do marido dele, com o amigo do casal dizendo que me queria e Caio dizendo da diferença de idade, ele se retraiu, mas me amava, perseguiu Sampaio até depois de preso, procurou me esquecer, foi para outro continente, mas quando soube de meu casamento voltou, desesperado, e ainda sofria por mim, “Vi você montando a barbearia com seu enteado, vejo você noivado matemática aos meus filhos, como você cozinha kosher para meu marido, vejo seu cuidado com a minha namorada, você liga para meus amigos na quinta para preparar o fim de semana, se mantém o melhor amigo de Caio e Renato, vejo você cuidando da aparência e vejo que você segura-se na foda para ficarmos juntos por mais tempo, olha no meu olho e fala de verdade, porque você quer que eu te ame.”, “Eu não sei, pra ter certeza que você percebe que eu te amo, que não vivo em vão.”

Eu o beijei, meu garanhão, vou cuidar dele por toda vida, eu quero que ele garanta continuar cuidando de tudo o que amo, e que pense na tatuagem que vou fazer com ele, uma só, do tamanho de uma unha ou cobrindo as costas todas, paralelo ver e saber que eu preciso dele, me sinto mais seguro, eu amo isso que ele me dá. Me ajoelho aos seus pés e chupo seunpau, deixo limpinho e depois ele mama meu cacete, diz quemama o gosto amargo de minha porra, ele tem um gosto salgado, meu garanhão, agora eu amo messe gosto. Durmo abraçado a ele, esfregando meu rosto em sua barba. O dia de dormir com ele é terça-feira, quarta e sexta com meus machos, sábado com minha namorada, meu marido tem tido cada dia menos tempo comigo. Por isso fujo para voltar para ele, para acordar cedo trepando com ele. Essa noite não, essa noite eu ia amanhecer ao lado do garanhão, barriga, cheiro, pelos, voz, piroca, músculos, o sorriso e a pegada, eu queria tudo isso novamente, quando amanheceu eu comi o rabo dele, no banheiro, ele chorou, disse que era como um sonho, pra mim também.

Por instinto, sei lá, eu deixo isso escapar numa conversa com Sam, ele leva um tempo pra responder, depois diz que é uma característica muito fundamental de Rui e de Galvão serem malandros, meninos pobres, negros, com situação familiar adversa e gays, se não fossem malandros teriam morrido, “É muito difícil ser LGBT nos dias de hoje, mas era impossível na época em que eles eram garotos, era complicado na época em que eles se descobriram, não acho que haja malícia, segundas intenções, mas talvez, e eu não tenho certeza de nada, talvez haja malandragem.”

O dia corre normalmente, meus filhos saem da escola e descem no meu trabalho, ficam em minha mesa fazendo as tarefas, e eu fico encantado com aquela coisa, como pode ser? Talvez eu goste mais de meus filhos que de meu marido. Eu faria de tudo para ficar ao lado deles até que eles cresçam, até que fiquem independentes, mas por enquanto estão ali, sem ter a menor noção do passo a passo para se tornarem independentes. Bosco diz que é a tortura mais bem feita do mundo, a gente ama de verdade todo o drama e a sujeiço e a abnegação que são necessários para ser pai, é um universo completamnete diferente do amor romantico, do trabalho, da religião, das relações sociais. Vamos para casa com eles me falando de um monte de bobagens que está acontecendo, “Amós beijou na boca”, quase bato o carro e causo o maior acidente, me desculpo muito com os motoristas ao redor, como assim meu menininho tá beijando na boca?

Marcos não estava preparado mas tínhamos de ter Aquela conversa com ambos, ele queria adiar mais um pouco e a gente quase brigou, mas ele concordou em fazer isso desde que eu estivesse junto, ajudando, ou mesmo conduzindo, a gente não havia combinado nada antes, o que falar e o que não falar. Eles falaram que o padrasto, o tal Fred, havia dito várias vezes que iria levar os dois nas férias, quando fossem visitar a mãe, para um lugar onde se paga por mulheres como se fosse um restaurante, a mais magra, a mais cheinha, a alta, a magra, e elas iriam vir caladas, ou sorridentes e falantes, com o tipo de corpo e personalidade que mais agradasse os dois. Respirei fundo, eu passei por isso e não é traumatizante, mas eu queria, eu não queria impressionar, eu queria conhecer, e talvez Amon tivesse esse tipo de curiosidade, mas Amós é muito tímido e rancoroso, ambos são sensíveis, mas de formas completamente diferentes.

Tivemos a tal conversa, descobrimos que Amon já havia beijado umas seis, que foi ele quem saiu articulando para ajudar o irmão a se declarar para a menina, ele não estava apaixonado, embora tenha dito isso a ela, estava interessado nela, ela era esperta e não era tímida, o jeito dela rir jogando o cabelo e o sutiã colorido por baixo da camiseta branca da farda faziam ele ficar desconfortável na cueca, Amon confessou que estava meio viciado em se masturbar e não gostava mais de vir ao nosso quarto para poder bater punheta mais a vontade, fui buscar camisinha para ele fazer isso e aproveitar treinando como colocar o troço sem estresse quando chegasse o momento certo, Amós ficou perplexo, era permitido pelo judaísmo desperdiçar o líquido sagrado masculino?

“Meu filho, o sêmen foi feito para gerar filhos e somente isso, quantos filhos eu teria se usasse meu pau só para ter filhos? Quantos casamentos iriam resistir a um ou dois anos sem sexo? Quantos adultos não iriam enlouquecer se não pudessem dar asas ao desejo? Mas como tudo na vida antes é preciso paciência, estudo e observação. Mas me espanta que o santo rabino Fred tenha sugerido a vocês levá-los a um bordel, se a esposa do santo rabino souber disso… Ela vive dizendo que eu vou fazer de vocês dois gays como se isso fosse possivel fazer por influência, a macheza do seu avô nunca me fez hetero e ele era bem persuasivo em tudo e com todo mundo, ao contrário me obrigou tanto a ser quem eu não queria ser que eu devo ser o judeu menos cumpridor de suas oobrigaçes que eu conheço, e não sinto ser um desperdício nenhum beijo que dou em Mateus, nenhum, nem quando fazemos amor sinto ser errado quando meu esperma é dado a ele o dele a mim, e eu posso deixar claro, ele não desperdiça, ele aproveita.”

“Eca, pai, agora isso vai ficar na minha cabeça, eca, que nojo.”, “Posso fazer uma pergunta sobre sexo com vocês, que é sexo e não é sexo? Porque meu mano e eu falamos sobre isso e eu não tenho a que perguntar a não ser aos dois, e eu quero dizer que se vocês se separarem eu vou ficar tão triste, porque não vou saber com quem eu vou querer ficar, então eu tenho medo de perguntar…”

Depois de incentivar Amos a ficar a vontade e perguntar e eu crente que seria sobre sexo anal ou sobre doenças venéreas, não. “Vocês evitam mais que abraços e beijinhos de shopping em nossa frente, ok, entendo, não concordo, a casa é de vocês e vocês deveriam ficar a vontade e não esperar dar oito e meia da noite para agirem como adultos, mas ok. Mas vocês se olham de um jeito muito diferente, um pro outro. E não olham assim para mais ninguém, já perceberam como tio Benjamin olha para o senhor, pai um, e como tio Galvão e tio Joel olham para pai dois?”, eles pegaram em nossa falta de surpresa que denunciava que a gente estava sabendo muito bem o que acontecia.

Marcos cochicha no meu ouvido que eu deveria falar a vontade toda a verdade que eles pudessem ouvir, olhei aqueles olhos lindos e passei a mão em sua barba e o beijei, eu simplesmente disse que o amava sentindo minha boca invadir a sua, me deixando invadir. Os garotos disseram que aquilo é um beijo de novela, de cinema, agora acreditavam que nós não éramos só bons amigos. “Vocês sabem que fazemos sexo, né? Bem… Acho que podemos começar assim: vocês pensam que há traição de sua avó quando namora Caio ou Renato, vejam bem, vocês decidiram sozinhos chamar os dois de avô, mas o pai de Marcos está vivo, como vocês sentem isso entre os quatro?”, eles falaram que a avó e os novos avôs se preocupam com o que não acordam, cuidam dele falam com ele e leem as orações que ele talvez sinta falta, que os três se amam e se respeitam e que a avó nunca esteve tão bonita e tão feliz, que ri mais e que agora eles tem primos de verdade, que chamam os primos para jogar videogame e nadar, que isso bem mais novos, mas no futuro vai ser melhor com a diferença de idade significando menos.

Falei que parecido com esse sentimento deles eu fui casado com Hélio e Joel, que os amava muito, como nunca ia querer me ver livre de qualquer um dos dois, que tive um namorado que casou e foi morar na Holanda, eles lembraram de Daniel, mas eu disse que era o outro, Murilo, que a gente se ama e que eu sinto falta dele todos os dias, que sofro com a distância e que por isso não posso perder Helinho e Joel, que Marcos sabe disso, me conheceu sabendo disso antes de me ver, que já me viu beijar os dois e que eu fico muito feliz quando Marcos beija os dois e diz que os ama, era como um lugar entre ser marido e ser irmão, como um parceiro que se namora e não se tem compromisso, mas se tem por perto. Olhei para Marcos e perguntei se ele tinha algo a acrescentar.

“Sexo grupal, vocês um dia vão poder ir a uma festa estranha ou uma casa de troca de casais, ou de swing, talvez não, eu posso ter isso com as mesmas pessoas, sem riscos, dentro de casa e com amor. Saber que meus filhos reconhecem que outras pessoas me amam e sentem atração por mim não me envergonha. Me causa orgulho saber que meu marido tem sexo de qualidade e depois prefere fazer amor comigo, que ele quer saber e fica excitado quando eu transo com outro homem e geralmente a gente acaba repetindo o que fazemos com os outros. Que é uma safadeza, eu sei, mas não tem maldade, segundas intenções, pagamentos por isso, é uma sacanagem inocente, uma putaria com afeto e cuidado, antes de vocês, a gente se deitava no chão e via um filme na televisão e era como acontece com a liberdade que vocês dois tem de abraçar qualquer um de nós, e nenhum deles quer perder o respeito e o carinho dos sobrinhos, então para não perder vocês, todo mundo concorda em manter o distanciamento, mas ninguém aqui tem insegurança, pelo contrário, ciúme a gente sente, mas mata o ciúme, eu falo disso e recebo beijo de Joel e de Mateus, ciúme pra que? Então… como estamos agora, vocês e eu?”

Os meninos disseram que iriam pensar nisso, era muita coisa para absorver, perguntaram sobre Douglas e Samuel, sim houve sexo, mas agora não tinha mais, tem beijos e uns abraços comprometedores, mas sem sexo, como se fôssemos atores de filmes sensuais, pornográficos não. Eles respiram aliviados, “Ainda bem que vocês tem algum limite!”, eu tive de estrangular meu riso, eles foram para os containers e devem ter comentado com André que chamou o pai para conversa meia hora depois de acabarmos com a conversa, ele chegou com olhos assustados, era necessário na selvageria da cozinha, ele parecia desconhecer todos nós, eu tinha a vivência dele há bem pouco tempo atrás - o tempo voa.

Durante a madrugada o celular toca insistentemente, o meu e o de Marcos. Meu sogro faleceu, não foi fácil, Marcos se remoeu de culpa por não o ter perdoado plenamente, sentia-se culpado pelo declínio físico do pai, como se alzheimer fosse assim, evoluísse dessa forma, organizei o funeral, a outra avó dos meninos me ajudou, os meus cunhados e cunhadas vieram, óbvio, Amon fez uma leitura e falou que o avô era muito carinhoso e os vídeos que tinha deles bebês ou pequenos era um tesouro bem maior que a decepção que o avô teve quando foi assaltado pelos membros da família, mas que a velhice, o tempo e o destino são senhores mais implacáveis que as fúrias gregas. Houve uma comoção nervosa na casa, alguém quis falar, Magali quase gritou que a casa era dela, finalmente podia levantar a voz e os expulsar definitivamente. A outra avó lamentou essa ruptura ter demorando tanto.

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