“Então, a gente tinha esse trabalho pra apresentar na escola. Eu dei a ideia principal, todo mundo curtiu, e a irmã do meu amigo ficou responsável pelo design, porque ela manda bem nisso. O irmão dela, claro, ficou com a parte de revisar os textos, vírgula, ortografia, essas coisas.
Aí, um dia, o irmão me chamou pra ir na casa deles pra ver como o design tava ficando. Cheguei lá, ela já tinha feito um cartaz todo bonitinho no notebook. Eu olhei e falei, meio de deboche:
— Se quiser, não tá tão bom assim. Na real, são minhas ideias que dão o tempero. Sem elas, seu design não tem graça.
Ela riu e retrucou:
— Você só fala isso porque só tem ideia e não consegue tirar nada do papel.
Eu não deixei barato:
— Se bobear, até no design eu teria ideias melhores que você.
Ela levantou a sobrancelha e respondeu na hora:
— Ah é? Então vamos fazer uma competição. Quero ver se você consegue me vencer no meu território.
E pronto, começou a disputa. Tudo no notebook dela. Primeiro eu sentei e fiz a minha versão, cheio de confiança, jogando umas cores e formas diferentes. Quando terminei, virei pra ela e falei:
— Tá vendo? Melhor que o seu.
Ela já ia retrucar, mas do nada deu um grito. Eu tomei até um susto. Quando olhei, tinha uma barata saindo ali perto do quarto dela. Cara, foi engraçado demais: no desespero, ela pulou pra trás e acabou caindo direto no meu colo.
“Eu ainda estava sentado na cadeira quando vi a barata passando. Peguei o chinelo e matei ali mesmo, sem levantar. Só que no meio dessa confusão, ela tinha pulado e caído no meu colo e é claro que isso mexeu com o meu pau e eu ainda tinha visto que ela tava de farol aceso, ainda mais que naquele dia não estava usando sutiã.
E eu naquele momento, fiz uma piada para deixar o clima mais leve:
— Tá vendo? Até a barata sabe que meu design é melhor, ela veio correndo pra você fugir e cair no colo do campeão.
Ela me empurrou, rindo e nervosa ao mesmo tempo, e respondeu:
— Você é muito idiota.
Eu não perdi a chance de provocar mais:
— Idiota nada… olha só, até os faróis estão acessos pro meu design. Nem seu corpo consegue esconder que você ficou impressionada.
Ela riu, balançou a cabeça, com às bochechas vermelhas de tanta vergonha, mas respondeu:
— Impressionada? Tá delirando. Estão acesos para iluminar o lindo design que eu vou fazer.
“Teve algo ali que eu achei estranho: ela não saiu logo do meu colo. Ficou ali, ainda meio nervosa por causa da barata, mas abriu o notebook e começou a mexer no design como se nada tivesse acontecido e eu também não quis dizer nada já que tava bom.
“Ela terminou o design dela e aí nós dois chamamos o irmão pra decidir qual estava melhor. Ele olhou, analisou com calma e falou que o dela estava mais bem feito. Claro, ela já esperava por isso. Eu não perdi a pose, fiquei tranquilo, como se fosse parte do jogo.
Depois, quando voltamos pro quarto dela, não deixei passar a chance de provocar:
— Você só ganhou porque pegou minha energia de campeão quando sentou no meu colo e os seus faróis apitando são a prova disso.
Ela riu, balançou a cabeça e respondeu debochada:
— Tá bom… no dia que você fizer um design melhor que o meu, eu te mostro os meus peitos e ainda deixo você fazer de buzina, ou seja nunca vai acontecer.
Eu caí na risada e retruquei:
— Então já vou começar a treinar, porque quero ver essa cena.
Ela fingiu que não ligava, mas eu percebi que ficou com aquele sorriso escondido. E pronto, virou mais uma das nossas piadas internas. Sempre que o assunto era design, eu lembrava da tal “energia de campeão que ela roubou de mim”’ e da promessa da dela. Era o tipo de provocação que deixava o clima leve, mas cheio de tensão divertida entre nós, não só diversão já que ela roçando aquela calcinha no meu pau me me deixou louco e eu estava decidido a superar um design dela.