Capítulo Dois
Rubens
Acordo cedo, levanto com cuidado para não acordar meu noivo. Na cozinha coloco água para esquentar. Pego a massa pronto da tapioca na geladeira junto com o requeijão. Antônio gosta de comer tapioca com requeijão e ovo — ele gosta de tudo que eu faço, mas hoje preciso agradar ele um pouco mais.
Meu mozão aparece na cozinha com a cara amassada, vem até mim e me beija, pega o jogo de mesa com nossas canecas — a dele diz melhor veterinário do mundo e o meu diz garoto de programa, presentes de casa nova da Julia — coloco as tapiocas na mesa e o nosso café. Antônio me puxa para sentar em seu colo. Eu amo quando ele fica assim manhoso.
— Bom dia mozão! — Diz ele depois de tomar um gole do seu café. Eu ainda no seu colo lhe dou mais um beijo.
— Amor a gente tem que conversar.
— Aconteceu alguma coisa? Vai dizer que estamos grávidos? — Ele brinca e eu saio do seu colo para me sentar na minha cadeira.
— Deixa de ser moleque, é sério — ele se ajeita na cadeira, — amor lembra na semana passada quando eu te falei sobre o Ben e a Gessika.
— Ele finalmente falou para o Zé Filho? — Antônio é muito amigo do Ben, mas desde que o contei ele meio que tem evitado meu irmão.
— Então, não, ele não contou, mas resolveu que vai falar, é que o Zé está quase fechando a compra do apartamento que ele vai morar com Gessika, não tem mais como levar isso sem contar para ele.
— Gessika está com Ben e com o Zé Filho ao mesmo tempo? — Meu silêncio faz o rosto do meu noivo fechar.
— Amor, ele vai falar com Zé Filho esse fim de semana, o Andrey está na cidade e o Ben acha que vai ser bom se eu estiver lá também.
— Como assim, ele quer equilibrar as coisas para o caso do Andrey se juntar com o Zé Filho para quebrar a cara dele? — Nunca vi Antônio tão irritado com algo, nem a ex dele o tirou do sério assim e olhe que ela tentou.
— Eu estou tão decepcionado com o Ben como você irmão, mas eu preciso estar lá para o Zé Filho quando ele receber essa notícia.
— Está fazendo isso pelo Zé Filho ou pelo Benjamin?
— Eu só não quero que meus irmãos se matem, tá legal? — Digo ofendido por ele me questionar isso, mesmo que ele não esteja de todo errado.
— Olha Rubens vou ser bem sincero com você, por mim você não vai — sinto um aperto no peito, pois mesmo com todo o amor que sinto pelos meus irmãos, brigar com meu futuro marido não é uma opção, mas eu tive sorte de me apaixonar pelo homem certo — mas você quem sabe.
— Obrigado amor, vou comprar minha passagem para amanhã — sexta-feira, já que o Ben quer contar no sábado — e eu volto o mais rápido possível.
— Eu vou com você.
— Não, amor, não precisa e já basta eles baldio em minha agenda, não precisa mudar a sua também — não quero que o Antônio no meio de uma briga da minha família.
— Pensei que a gente fosse família — diz como se tivesse acabado de ler minha mente.
— Nós somos, você é minha família e eu estou aqui hoje é bem claro que escolhi você — minha mãe e minha avó não falam comigo desde que vim morar com ele — não tem que ter ciúmes dos meus irmãos amor.
— Tá certo, vou levar o Fuscão para revisão hoje e para calibrar os pneus.
— Não precisa vir comigo amor.
— Eu não vou, mas nosso filho vai — ele ama Fuscão Preto como se fosse um filho e com ele mesmo disse agora que somos família o Fuscão é meu enteado agora.
— Vai me deixar ir para Fortaleza no Fuscão?
— Ué, é nosso carro, se você precisa viajar vai nele — Sou a única pessoa no mundo em quem o Antônio confia a vida dele, ou sejo o carro.
Levanto e já passo a perna em volta dele me sentando em seu colo, beijo a boca desse homem da forma mas apaixonada que consigo, não pelo carro, mas o gesto em si é uma prova de amor bem clara para mim, Antonio me prova o amor dele todos os dias e isso é bem mais do que eu poderia pedir.
— Eu te amo muito e quero deixar claro que vou odiar todas as horas que eu vou precisar ficar longe de você — digo.
— Também te amo e só para deixar claro Ben acabou de entrar na minha lista negra por tirar meus garotos de perto de mim — eu o Fuscão no caso.
— E se eu prometer te compensar? — Digo beijando sua boca, mordendo meus lábios de forma bem provocante.
— Quando você voltar?
— Não precisamos esperar tanto tempo assim, por mim começo a te compensar agora.
— Tá perfeito para mim.
Antonio levanta da cadeira me erguendo no processo, suas mãos me seguram com tanta firmeza que pareço até não pesar para ele. Vou em seu colo até o quarto onde sou jogado em cima da cama, minha bermuda é arrancada de mim com ferocidade, entre minhas pernas Antonio segura meu pau e leva até sua boca, sugando-me com tanta vontade que faz meu corpo se erguer.
Estou fodendo a boca do meu noivo com tanto ímpeto, é absurdo o tesão que esse homem provoca em mim, sua língua é quente e deliciosa. Revezando entre meu pau e minhas bolas me levando à loucura total. Quando acho que não tem como ficar melhor que isso Antônio monta em cima de mim encaixando meu pau na sua entrada, nossa senhora, um gemido de puro prazer encapa de mim.
Um homem enorme, com peito peludo e uma barba rala que só o deixa mais viril, esse homem está sentando no meu pau e pela sua cara e pelos seus gemidos não tem coisa mais gostosa para ele. A forma como Antônio e eu nos entregamos um para o outro é divina, é romântica, é mais do que carnal, meu noivo quicando no meu pau me faz até chorar de tanto amor e tesão, tudo junto.
Seguro sua cintura com força e começo a foder ele como se minha vida dependesse disso — e ela depende — seu gemido tremido é meu sinal de que estou seguindo pelo caminho certo, metendo rápido e forte da forma que ele ama levar e também da mesma forma que ele ama meter.
— Mete primo mete — ele pede.
Mudamos de posição, ele deitado de costas, comigo por cima dele, segurou sua mão com força enquanto ele morde o travesseiro me recebendo sem reclamar, pelo contrário, seu quadril levantando deixando o acesso ao seu íntimo totalmente livre. Cada vez que toco sua próstata com meu membro ele aperta minha mãe e meu pau com força.
Em um momento de puro extase não consigo mais segurar e gozo dentro dele, sindo minha porra jorrar enxendo o cuzinho apertado dele, meu corpo inteiro treme por conta de um orgasmo que só ele é capaz de me dar. Continuo batendo no fundo do seu cuzinho, até que ele solta um gemido que conheço bem — ele gozou sem nem se tocar, melando nossos lençóis.
— Que delícia caralho — ele diz suado e completamente satisfeito assim como eu que caio ao seu lado na cama.
Na manhã seguinte…
— Amor, lembrou de pôr o carregador do celular na mochila? — É a terceira vez que Antônio me pergunta isso.
— Sim meu amor lembrei, tá tudo no mochilão do trabalho — me sinto uma criança de novo só que com um pai super protetor.
— Me avisa assim que chegar.
— Pode deixar, você vai ficar bem sem mim? — Pergunto mais sua cara de menino birrento respondendo minha pergunta.
— Só volta logo, senão vou buscar você de novo.
— Eu volto no domingo, mas tarda na segunda, tá legal.
— Legal não tá, vou passar o fim de semana seu meu amor, por causa da falta de caráter e coragem dos outros.
Fico feliz de saber que ele é tão apegado a mim quando sou apegado a ele, mas no fundo eu entendo a revolta dele, Ben vacilou muito feio, só que ele é meu irmão mais velho e precisa de mim, não consigo simplesmente dizer não, ainda mais depois de tudo que ele já fez por mim. Devo isso a ele e também ao Zé Filho.
Pego a estrada, meu trabalho sempre está adiantado então deixei minha chefe avisada de que só estarei disponível em caso de urgência, minha equipe é boa, se algo vier para mim hoje é porque realmente ninguém mais pode resolver. Trabalhar com cyber segurança é muito foda, tipo recebo em euro e muito bem, porém minha responsabilidade é enorme, um erro e minha cabeça pode rolar.
Levo cinco horas e meia para chegar em Fortaleza, mais precisamente no apartamento do Benjamim — nunca mais pisei em casa depois que me mudei para viver com meu noivo. Coloco o carro na vaga do Ben, na frente do carro dele e subo com minhas bagagens. Ele me recebe com um abraço. Benjamin está com uma cara péssima, ele está de ferias, mas parece que acabou de sair de um plantão que durou a semana toda.
— Você dormiu? — Pergunto.
— Só um pouco — ele toma a mala da minha mão e minha mochila para levar até o quarto, enquanto isso vou até a geladeira pegar algo para tomar, estou morrendo de cede, reclamei tanto do Antônio me lembrando das coisas, mas esqueci minha garrafa.
— Rubens, eu falei com Zé Filho, a gente vai almoçar juntos amanhã, o Andrey vai também — diz Ben, se encontrando comigo na cozinha.
— Ben, me explica o que foi que rolou, como você acabou ficando com a Gessika?
— Cara, não foi intencional.
— Acredito em você, mas isso em nada diminui sua culpa irmão, você sempre foi tão certinho.
— Eu sei, estou me sentindo um merda, mas eu amo ela e não consigo deixá-a.
— E por que diabos vocês não falaram com o Zé Filho logo no começo? — Não consigo entender porque manter esse caso por tanto tempo.
— Ela está confusa — Ben solta e sua cara de acabado começa a fazer sentido para mim.
— E você vai falar com Zé Filho para forçá-la a escolher um dos dois? — Não consigo mais reconhecer meu próprio irmão, seu silêncio me embrulha o estômago.
— Sei que fiz merda, mas isso foi longe demais, ela quer manter os dois e eu não quero ficar com ela sem que o Zé saiba, não mais.
— Nem era para ter começado né Benjamin, porra irmão, isso vai destruir a nossa familia, logo agora que estávamos todos juntos.
— Desculpa por te envolver nisso Rubens.
— Olha Ben, eu te amo e nada vai mudar isso que sinto por você, mas quero que saiba que não vim por você, eu vim pelo Zé Filho, eu já fui traído e enganado e não desejo essa dor para ninguém.
— Eu sei — nunca pensei que seria eu a dar uma lição de moral no meu irmão mais velho.
— E se o Zé Filho resolver que quer ficar com ela e ela com ele? — Dá pra ver que ele já pensou nisso e sem dúvidas para ele é o pior de todos os cenários, pois ele perde a mulher que ele ama e o irmão.
— Se isso acontecer eu vou pedir transferência e vou embora.
— Vai fugir? — Pergunto e só agora tenho os olhos dele nos meus.
— Você não mora mais aqui, depois de tudo se isso acontecer eu não vou ter mais nada para mim aqui.
— E nossa mãe?
— Ela tem a Júlia — quase me dá vontade de rir, pois a desmiolada da nossa irmã mau consegue dar conta dela mesma.
— Só pensa bem no que você vai fazer e eu acho que é melhor a gente falar com o Andrey antes, pegar os dois de surpresa vai ser péssimo.
— Ele vai contar para o Zé na mesma hora e tem que ser eu.
— Existe esse perigo, porém Andrey é imprevisível, não quero mais um irmão pondo lenha na fogueira no nosso almoço amanhã.
— Mas se o Zé Filho ficar puto por ser o último a saber? — Ben tem um ponto, agora me arrependo de não ter deixado Antonio viajar comigo, pois ele saberia o que fazer.
— Tá, eu vou falar com o Andrey caso ele surte também amanhã — agora só me resta mesmo torcer para que meus irmãos não se matem amanhã durante o almoço.
