Tivemos dias muito gostosos a sós, cuidando uma da outra, assistindo a filmes e com o nível de carinho elevado. Até que chegou o momento de nos juntar à nossa família, que já estava inteira na pousada.
Faltava apenas um dia para a véspera de Natal, e foi uma decisão minha demorar um pouco mais que o habitual para ir. Achei que Júlia precisava desse tempo apenas comigo antes, e acredito que ela gostou.
Juh dormiu durante o percurso. Eu fui escutando música e apreciando a vista: da paisagem e da bela moça ao meu lado. Nem apagada ela desgrudava de mim. Sua mão estava sobre o meu braço, o que me fez rir um pouco.
Lembro de pensar: eu não sei como seria se Juh tivesse aversão a mim. Que bom que aconteceu justamente o contrário.
Assim que chegamos, Milena e Kaique grudaram em nós, e passamos a véspera da véspera de Natal juntinhos. O clima estava frio e, ao fim do dia, fizemos uma caminhada até um lago. Sentamos por lá, apenas nós cinco.
Mih parecia ansiosa para o início das aulas, que começariam no último dia de janeiro. Juh comentou que a primeira semana era de adaptação, apenas meio período, e eu propus que eles fossem apenas a partir da semana seguinte.
Parecia que eu havia feito a maior ofensa aos meus filhos. Eles odiaram a ideia e demonstraram grande chateação com a sugestão. Então eu recolhi a minha ideia e concordei com a ida deles assim que possível.
No dia seguinte, depois de um dia de farra e cachorrada, fomos todos à missa, porque equilíbrio é tudo nessa vida. Sentamos atrás e fiquei perturbando a Juh, porque Léo sentou bem lá na frente, afastado de nós e próximo ao Padre João.
Estava tudo tranquilo, com aquele climinha leve de sempre. Porém, logo depois do início, Juh começou a sentir um grande desconforto. Precisamos levantar e nos deslocar para o lado de fora. Não houve melhora, então fomos para casa. Kaká e Mih, que tinham brincado bastante durante o dia, estavam muito cansados e nos acompanharam.
Milena ainda conseguiu jantar normalmente, mas Kaique não. A cada garfada era um sonho diferente. Gravei até um vídeo que acabou ficando bem engraçado, porque ele quase caiu da cadeira enquanto dormia.
Enquanto eu me servia um pouquinho de tudo, Juh quis apenas um pouco do purê do meu prato.
Minha mãe é a típica mulher dos chás. Para tudo ela tem uma erva certa e, claro, já havia alguns prontos. Quando saímos da igreja, ela sugeriu gengibre ou erva-doce. Júlia escolheu o de erva-doce e, pouco tempo depois, já demonstrava estar melhor.
Ela quis se deitar com os guris até que pegassem no sono e comentou que, depois, precisava de um banho bem quentinho para relaxar de vez.
Então achei uma boa ideia ligar a hidromassagem da piscina, que estava levemente aquecida. Fiz isso na intenção de convidá-la para uma massagem e transformar a noite em algo mais leve para minha gatinha.
— Olha, você está linda nesse vestido, mas acho que deveria tirá-lo e se juntar a mim — falei, repousando a taça de vinho na beira da piscina.
— Graças à minha sogra, que ajustou — Juh disse, desabotoando-o e deixando-o cair aos seus pés.
— Agora está ainda mais linda — comentei, ajudando-a a entrar e recebendo um beijinho.
— Não vamos demorar aqui, tá? — ela pediu.
— Por quê? Essa missa vai demorar… Acho que dá tempo de eu te fazer uma massagem, não dá? — perguntei, roubando inúmeros beijos sem deixá-la responder.
— Eu estou precisando, amor… Estou me sentindo tão cansada… — Juh desabafou.
Eu a sustentei nos meus braços, sentindo o corpo dela relaxar contra o meu, como se finalmente pudesse desligar do mundo por alguns minutos.
Eu a virei com cuidado, pedindo que encostasse as costas na borda e descesse um pouco mais o corpo até que o jato da hidromassagem alcançasse sua lombar. Segurei sua cintura para ajustar a altura e senti quando ela soltou o primeiro suspiro mais profundo, que veio acompanhado de um leve fechar de olhos.
A água pulsava contra sua pele e eu comecei devagar, passeando com as mãos e espalhando calor pelos ombros dela, descendo pelas laterais das costas, pressionando com carinho cada ponto tenso daquele corpinho maravilhoso.
Seus músculos foram cedendo sob meus dedos, e eu comecei a desenhar caminhos lentos pela extensão do seu corpo, elogiando baixinho como ela continuava absurda de linda. A gestação quase não tinha mudado nada (ela não gostava que falasse isso, mas era uma realidade), apenas foi acrescentada aquela barriguinha linda. Nesse dia em específico, estava bem redondinha e firme... simplesmente perfeita. Passei os polegares ali com cuidado e depois subi outra vez, explorando a maciez da pele molhada, o contorno da cintura, o colo aquecido pela água.
Juh respirava mais devagar, mas cada toque meu arrancava um som diferente de seus lábios, e os meus próprios suspiros começaram a acompanhar os dela.
O que começou como cuidado foi ganhando outro ritmo. Minhas mãos já não estavam apenas aliviando tensões, estavam descobrindo, contornando, demorando-se onde sabiam que ela gostava. Eu dizia que ela estava linda, que aquele corpo era o meu lugar preferido no mundo, e sentia seus dedos se fecharem no meu braço como resposta. Da sua boca só saíam suspiros cada vez mais intensos. O calor entre nós fazia a minha pele inteira arrepiar, e aquela imensa piscina começou a parecer pequena demais para nossos dois corpos tão próximos.
Deslizei os dedos pela alça do sutiã dela com uma lentidão extremamente provocativa, sentindo o tecido úmido ceder sob o meu toque antes mesmo de puxá-lo de vez. Quando a alcinha escorregou pelo ombro, Juh abriu os olhos devagar e esboçou um sorrisinho tímido, mas claramente cheio de intenções. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ela me prendeu entre as pernas, aproximando meu corpo do dela. Inclinei a cabeça e deixei meus lábios encontrarem sua pele aquecida, distribuindo beijos demorados pelo contorno macio dos seios, sentindo o arrepio surgir em mim a todo instante.
O gemido que escapou dela foi baixo e contido, contudo era suficiente para me fazer apertá-la com mais vontade. Seus dedos se enroscaram na minha nuca e ela me puxou para um beijo mais profundo.
Quando voltei a atenção para o seu peito, minhas mãos já não tinham a mesma delicadeza inicial. Segurei, explorei e pressionei com intenção clara, enquanto meus lábios a envolviam sem pressa, alternando entre mordidas suaves e sucções firmes que arrancavam dela novos gemidos abafados contra o meu ombro. Agora era o calor entre nós que comandava cada movimento, cada suspiro, cada estremecer do meu corpo preso ao dela.
— Nenhuma preocupação de que o pessoal pode estar voltando ou que nossos filhos podem estar acordando... Cê tá mudada, gatinha — sussurrei bem baixinho no ouvido dela e dei um beijo em seu pescoço.
— Tá muito gostoso aqui, mas é melhor a gente continuar no quarto... — Juh sussurrou de volta.
Saímos da água quase em silêncio, trocando olhares que diziam mais do que qualquer palavra. Recolhemos nossas roupas espalhadas pela borda, ajeitamos o que precisava ser ajeitado e caminhamos devagar pela casa para não acordar os meninos. A luz baixa do corredor desenhava sombras dela, e eu precisava de um esforço quase sobre-humano para não parar ali mesmo e esquecer completamente o plano de chegar ao quarto.
E assim que a porta do nosso quarto foi fechada, eu não dei espaço para mais nada. Segurei-a pela cintura e a ergui com facilidade, sentindo as pernas dela se ajustarem ao redor do meu corpo do jeito que dava, quase por instinto. Nossos lábios se encontraram com uma urgência diferente da piscina, com mais fome. Caminhei até a cama sem interromper o beijo, sentindo as mãos dela explorarem a minha pele.
Deitei-a com cuidado e Juh me olhava com uma intensidade que sempre me desmonta. Não era apenas desejo; eu via saudade e vontade acumulada. Era necessidade de me ter por inteiro naquele instante... e isso me incendeia.
Ela estava entregue, visivelmente querendo mais, querendo tudo. Seus dedos puxavam minha roupa íntima com impaciência, a respiração dela já estava descompassada, o corpo arqueando em busca do meu. E quanto mais eu percebia essa sede nela, mais eu sentia meu próprio controle se desfazer. Eu estava morrendo de saudade daquele jeito dela me querer.
Mergulhei no seu pescoço, descendo devagar, deixando beijos marcados pelo caminho, sentindo sua pele reagir a cada toque. Minhas mãos não estavam mais explorando o corpo dela com a intenção de proporcionar apenas um momento relaxante; elas estavam reivindicando cada centímetro de pele. Deslizei com firmeza, segurando-a e trazendo-a para mim sempre que ela tentava escapar para respirar.
Agora o quarto parecia pequeno demais para a energia que crescia entre nós. Cada suspiro dela alimentava o meu, cada movimento dela exigia outro meu, e eu estava completamente disposta a aproveitar cada segundo enquanto aquela ocasião durasse.
Agora o quarto parecia pequeno demais para a energia que crescia entre nós. Cada suspiro dela alimentava o meu, cada movimento dela exigia outro meu, e eu estava completamente disposta a aproveitar cada segundo enquanto aquela ocasião durasse.
Desci os beijos pelo corpo de Júlia com uma lentidão extrema, com os lábios traçando o caminho da clavícula até o ventre que guardava o nosso neném, onde parei para depositar toques leves e demorados, sentindo a pele dela se contrair sob a umidade quente da minha boca. Juh arqueou as costas de leve, as mãos apertando os lençóis, os olhos semicerrados fixos nos meus como se implorasse por mais, o peito subindo e descendo em respirações rápidas que denunciavam o quanto ela ansiava por aquilo.
Desci mais, abrindo as pernas dela com cuidado. As coxas macias se abriram para mim como um convite inevitável e, posicionando-me entre elas, comecei com beijos suaves na parte interna, subindo devagar até roçar os lábios na pepeca dela, sendo recebida com bastante calor. Minha gatinha soltou um gemido baixo e prolongado, os quadris se erguendo instintivamente para buscar mais contato. Os dedos dela se fecharam na minha nuca, puxando-me com uma urgência que fazia o meu sangue ferver. Ela estava enlouquecendo, mordendo o lábio inferior para conter os sons, mas o corpo a traía, tremendo a cada respiração minha contra a sua pele.
Minha língua deslizou para dentro dela devagar, traçando círculos lentos ao redor do clitóris, pressionando de leve e depois chupando de maneira firme, alternando ritmos para arrancar dela ondas de prazer que a faziam se contorcer. Ela gemia agora sem pudor, me chamando de amor, deixando os sons escaparem entre dentes cerrados, as unhas cravando no meu ombro enquanto os quadris rodavam contra a minha boca, desesperados por mais pressão, mais velocidade... Isso me incendiava tanto que eu sentia meu próprio corpo latejar em resposta. Minhas mãos apertavam as coxas dela para mantê-la aberta, tentando ir mais fundo, sendo mais insistente e apreciando cada contração que a fazia arquear e tremer inteira.
Aumentei o ritmo, a língua mergulhando para dentro dela em estocadas ritmadas, o polegar circulando o clitóris com firmeza, sentindo os músculos dela se contraírem ao redor do meu toque e percebendo os gemidos virarem suspiros entrecortados que enchiam o quarto. Juh estava perdida, os olhos revirando de prazer, o corpo inteiro reagindo. Ela puxava o meu cabelo com força enquanto implorava baixinho para eu não parar, e eu não pensava nem por um instante em fazer isso. Pelo contrário, eu queria chupá-la com a intensidade que a levava ao limite. O gosto de Juh estava me deixando tonta de desejo, o cheiro dela estava arrancando a minha razão e cada reação dela me impulsionava a querer mais... mais. Mais fundo, mais rápido, mais forte, mais firme e com mais fome, até senti-la explodir em ondas que a faziam soltar meu nome sem nenhum receio.
Juh ainda tremia nos espasmos finais, o corpo mole e quente contra os lençóis bagunçados, a respiração ofegante e irregular fazendo o peito dela subir e descer rápido. Eu me deitei ao lado dela devagar, contemplando cada detalhe: os lábios entreabertos, os cabelos úmidos de suor colados na testa, aquela expressão de satisfação pura que a deixava ainda mais gostosa, vulnerável e inteira ao mesmo tempo. Vê-la assim, desfazendo-se de prazer por minha causa, é a coisa mais satisfatória do mundo, um tipo de poder que me enche o peito de orgulho.
~ Essa é minha maca peruana, meu tadalafila de 20mg ou meu vinho preferido 🤣
Quando consegui recompor meu fôlego, nossos lábios se encontraram de novo. Foi um beijo molhado que já começou quente, com a gente tentando se encaixar. Juh já descia a mão pelo meu corpo, os dedos traçando minha barriga até chegar entre minhas pernas, me tocando com uma voracidade incomparável que arrancou um gemido meu direto na boca dela. Eu fiz o mesmo, deslizando a mão para baixo enquanto tentava equilibrar o fato de como eu já estava encharcada, sentindo o meu corpo latejar de excitação. Meus dedos escorregaram fácil para dentro dela, ainda sensível e úmida por conta das peripécias anteriores.
Não conseguíamos mais conciliar o beijo direito. Nossas respirações foram se atropelando, os movimentos das mãos ganhando urgência e, de repente, eu explodi de excitação, mordendo o pescoço dela com força suficiente para deixar uma marquinha vermelha. Um gemido longo e rouco escapou enquanto meu corpo inteiro se contraía contra o dela.
Não parei de me movimentar, os dedos ainda dentro dela pulsando firme, e quando me recompus aos poucos, retomei o ritmo com mais fome, descendo a boca para tomar os seios dela de novo. Chupei um de cada vez, alternando lambidas longas e mordidas suaves no mamilo endurecido de tesão, sentindo os músculos dela se contraírem ao redor dos meus dedos, os quadris subindo para encontrar cada estocada. Ela gemia fraquinho agora, completamente entregue e sem forças, as mãos deslizando nas minhas costas, o corpo se contorcendo inteiro até chegar ao ápice de novo, tremendo forte contra mim enquanto eu a levava até o fim, sem soltar nem por um segundo.
Ficamos ali deitadas... totalmente exaustas e agarradinhas, com nossos corpos suados e moles se entrelaçando sob o lençol leve que eu puxei para nos cobrir, sentindo o calor da pele dela contra a minha me ancorando no depois daquele furacão todo. Eu estava bem cansada e apaguei com o rosto no pescoço de Juh, sentindo a respiração dela desacelerar aos poucos contra a minha bochecha.
O cochilo foi breve. Sonhei com o parto. Despertei quase pulando da cama e fui imediatamente conferir a barriguinha da minha muié, que estava bem onde deveria estar.
— O que foi???? — Júlia questionou, assustada, sentando na cama.
— Sonhei que eu estava fazendo o parto, bem aqui — falei, expirando por bastante tempo.
— Meu Deus, amor... — Juh disse, rindo.
E eu também comecei a rir.
— E como foi? — ela perguntou graciosamente, se aconchegando nos meus braços.
— Desesperador. Você estava gritando horrores — respondi.
— Se eu pedir anestesia ou cesariana no primeiro sinal de dor, por favor, não deixa — minha gatinha pediu.
— Tá maluca? Eu tenho zero condições de não acatar algo que você estará pedindo em meio a tanta dor — falei e dei um beijinho no topo da cabeça dela.
— Então eu não vou pedir — ela disse, em um tom convencido.
— Eu que vou implorar: anestesia pra minha muié, por favor!!!!! — brinquei, e nós rimos.
Depois resolvemos tomar um banho, já que o sono não vinha. Quando saímos do banheiro, ela se secou e pegou uma camisola para vestir enquanto eu a observava. Estava bem justinha e, assim que o tecido desceu, marcou o corpo dela inteiro. Eu fiquei parada olhando, boquiaberta, quase precisando de um babador.
Em algum momento ela percebeu que estava sendo observada — ou estranhou o meu silêncio — porque virou para mim com um sorrisinho de quem me conhecia muito bem.
— Que foi? — Juh perguntou.
Cruzei os braços e balancei a cabeça, rindo baixo.
— Nada… só não respondo pelos meus atos te vendo em uma camisola assim... — respondi, agarrando-a por trás.
Ela riu baixinho, como se já esperasse por isso e, sinceramente, eu comecei a suspeitar que ela sabia exatamente o efeito que causava em mim, mas logo depois se explicou.
— Amor, todas as camisolas estão assim — ela me disse.
— Vamos resolver isso, prometo — falei rindo e a beijei.
Abri a janela com cuidado para olhar o movimento lá fora e logo vi que todo mundo já estava reunido na varanda da pousada, espalhados ao redor da mesa grande, rindo alto do jeito que a nossa família costuma fazer quando finalmente consegue juntar todo mundo no mesmo lugar. Juh apareceu ao meu lado, ainda ajeitando um roupão longo de seda que caiu sobre o corpo dela com uma elegância absurda, enquanto eu só vesti uma roupa leve mesmo.
Saímos juntas e, assim que nos viram, foi quase cômico: todo mundo veio ao mesmo tempo perguntar se ela estava melhor. Júlia ficou alguns segundos com aquela cara de quem claramente estava tentando lembrar do motivo de tanta preocupação, até que finalmente recordou que tínhamos saído mais cedo da igreja por causa do mal-estar.
Eu precisei morder o lábio para não rir da confusão dela, mas ela se saiu bem, respondeu todo mundo e logo o clima voltou ao normal. Depois de um tempo, acabamos indo para uma das redes da varanda. Juh se acomodou encostada em mim e ficamos ali por horas conversando com o pessoal, enquanto eu mantinha a mão sobre a barriguinha dela, fazendo carinho distraidamente e, de vez em quando, me inclinava para deixar um beijo na curva do pescoço dela. Toda vez que eu fazia isso, Juh sorria daquele jeitinho que me desmonta e se arrepiava inteira.
Aos poucos, a varanda foi esvaziando. O barulho das conversas foi diminuindo até virar apenas um murmúrio distante dentro da pousada. Nós continuamos na rede, balançando devagar, em completo silêncio.
Juh estava encostada em mim, com a cabeça apoiada no meu peito, e juntas sentíamos a brisa da noite, fresca, trazendo o cheiro do mato ao redor...
Pensem num combo que me deixa tranquilinha?! Ainda mais depois de um chá delicioso!
~ Nem estou falando do chá de erva-doce, porque nesse eu nem toquei 🤣
— Está na hora de decidir o nome desse mininu… — comentei baixinho depois de um tempo.
Juh levantou um pouco a cabeça para me olhar.
— Arthur ou Dom? — ela me perguntou.
Ficamos alguns segundos em silêncio outra vez, ouvindo apenas o barulho da rede rangendo devagar.
— O que você acha de Bento? — perguntei.
— Bento? — Juh repetiu, arqueando a sobrancelha.
— É… Lembrei que a gente já gostou desse também — falei.
Ela ficou alguns segundos pensando, com aquele jeitinho concentrado que eu adoro observar.
— Eu achei mais bonito que Arthur — disse por fim.
— Então pronto… Arthur acabou de perder a vaga — brinquei.
Juh sorriu, satisfeita, e voltou a se acomodar contra mim. Minha mão voltou automaticamente para a barriguinha dela.
— Então agora estamos entre Dom ou Bento — ela sussurrou, sonolenta.
— Isso, amor... — confirmei.
A rede continuava balançando devagar e, em algum momento, o silêncio ficou mais longo do que qualquer conversa. Não sei se foi preguiça de levantar ou se simplesmente estava bom demais ficar ali daquele jeito, mas acabamos ficando.
Começou a chover, e o som da chuva junto ao movimento da rede foi me embalando sem que eu percebesse. Quando notei, meus olhos já estavam fechando.
E novamente eu sonhei.
Dessa vez não foi um sonho agitado como o outro. Eu estava no nosso quarto na casa dos meus sogros, segurando a mão de Juh enquanto tudo acontecia muito rápido. Ela estava cansada, mas sorria para mim.
Então ela olhou diretamente nos meus olhos e disse, com uma calma absurda: — Amor… Dom nasceu!!!
Eu acordei no mesmo instante, e uma paz enorme encheu meu peito. Passei a mão com carinho sobre a barriga dela e sussurrei baixinho: — Oi, Dom!
Não foi exatamente pelo sonho, mas pela paz que eu senti logo em seguida... Agora só restava descansar e contar para a gatinha quando a gente acordasse no outro dia. Ela sim ligaria para a questão do sonho, e eu estava animada para contar.
Dom: nome de origem latina, derivado de Dominus. Carrega em si o significado de “senhor”, “protetor”, “aquele que pertence ao Senhor”. Um nome que atravessa séculos trazendo a ideia de dignidade, cuidado e autoridade serena, não a que se impõe pela força, mas a que nasce da responsabilidade de guardar, amar e proteger. Em sua origem, Dom fala de alguém que caminha sob a presença de Deus e que, de alguma forma, também se torna abrigo para os outros. Um nome pequeno na forma, mas imenso no sentido: aquele que pertence ao Senhor e que, por isso, aprende a cuidar do mundo com o coração.
Dom é tudo isso e muito mais!
