O Corrupto e a Esposa Exemplar. Cap. 8 pt 2 [FINAL ALTERNATIVO]

Um conto erótico de Dr.jakyll6
Categoria: Heterossexual
Contém 6390 palavras
Data: 06/03/2026 15:15:42
Assuntos: Heterossexual

NOTA DO AUTOR:

Revisando este conto e percebi que o final não ficou como eu queria, acabei me empolgando na época e quis acabar muito rápido, resolvi alterar o final pra dar margem pra uma continuação, também quero melhorar o desenvolvimento de Renato e seus desejos ocultos, ainda vou manter as perversões de Isabella e sua vida dupla, porém com mais cautela. No volume 2 quero entrar mais a fundo em temas de além da traição, como inversão de papeis, dominação feminina e talvez incesto. Pra quem não curte os temas melhor parar neste volume.

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Sexta-feira, 9h da manhã

A luz do sol entrava pelas frestas da cortina, riscando o chão do quarto com listras douradas. Acordei com a boca seca, a cabeça pesada, o corpo doendo em lugares que eu nem sabia que existiam. Meus peitos doloridos, a boceta latejando, o cu arranhando, as marcas roxas espalhadas pela pele como um mapa da noite anterior.

A festa na piscina. Os homens. Os toques. O mijo. A porra. Tudo misturado num borrão de memórias que voltavam em flashes. Eu vestida de puta, de coleira, rebolando no meio deles, delirando de tanto gozar.

Olhei para o lado.

Valério estava lá. Largado na cama, a barriga enorme subindo e descendo com a respiração pesada, o braço gordo jogado sobre o travesseiro, a boca aberta, um ronco baixo saindo da garganta. O pau mole escorria para o lado da coxa, enorme mesmo flácido, as bolas grandes descansando sobre o lençol amassado.

O gordo asqueroso.

Sentei na cama devagar, passando a mão no rosto. O cheiro de sexo, de suor, de bebida, de pó, de mijo, tudo impregnado na minha pele, no meu cabelo, no ar do quarto. Olhei em volta e vi as marcas da noite. As roupas espalhadas, a coleira no chão, a fantasia de puta que ele me fez vestir largada num canto.

E me vi no espelho do criado-mudo.

Irreconhecível.

O cabelo loiro embolado, o batom borrado, os olhos vermelhos, as pupilas dilatadas. E as marcas. Mordidas no pescoço, arranhões nos ombros, os biquinhos inchados, roxos espalhados pelos peitos. O crucifixo ainda pendurado, um detalhe quase cruel naquele quadro.

Lembrei das meninas. Tinham ligado de madrugada, depois que a gente voltou. Larissa, com a voz pastosa de sono mas cheia de excitação. "Professora, a gente quer mais aulas. A Clara não para de falar da senhora." Eu respondi qualquer coisa, não lembro o quê, e desliguei.

Agora, a realidade batia.

O choro veio sem aviso.

Lágrimas quentes escorrendo pelo rosto, soluços presos na garganta. Tapei a boca com a mão pra não acordar ele. Me levantei cambaleando, peguei meu pijama no armario— um cropped rosa de algodão e o short curto, marcavam bem minha bundona — vesti por cima do meu corpo nu e saí do quarto pisando em falso, a cabeça rodando.

Na cozinha, parei.

A casa estava uma zona. Garrafas por todo lado, copos sujos, cinzeiros transbordando, roupas espalhadas pelos móveis. O cheiro azedo de bebida e cigarro no ar. Liguei a cafeteira. Sentei numa cadeira, abraçando meu próprio corpo, e deixei as lágrimas virem.

Lembrei de como eu era antes. Da Isabella que acordava cedo, fazia café, preparava o material pro Liceu. Da Isabella que planejava o futuro com Renato, que sonhava com o quarto do bebê, que plantava flores no jardim.

Lembrei do nosso casamento. Do vestido branco, do sorriso dele, da esperança nos olhos dos dois.

O que eu fiz com a gente?

A pergunta ecoou na cabeça vazia.

O filme passou. As primeiras vezes com Valério, o medo, a excitação, a culpa. As mentiras, os retiros espirituais que não existiam. A primeira vez que deixei ele me chamar de puta. A primeira vez que gostei. A primeira vez que pedi mais.

Depois vieram as imagens mais recentes. A festa na piscina, os homens em cima de mim, a coleira no pescoço, o mijo na cara, a porra na boca, os tapas, os gritos, as drogas.

E agora eu tava ali. Sozinha na cozinha da minha própria casa, chorando por uma mulher que não existia mais.

O café ficou pronto. Enchi uma xícara, sentei de novo. Olhei pro celular em cima da mesa.

Senti uma pontada de saudade no peito. Peguei o celular. Disquei.

Ele atendeu no segundo toque.

— Isa! Bom dia, amor! — a voz dele animada, cheia de vida. — Tava mesmo pensando em te ligar.

— Bom dia... — minha voz saiu fraca.

— Tudo bem? Parece que você acabou de acordar.

— Acordei sim. E você? Como tá a viagem?

— Tá boa, produtiva. Resolvi quase tudo ontem. Acho que volto segunda mesmo. Tô morrendo de saudade.

— Também tô com saudade. Tanta saudade que dói.

— Dói em mim também. Dormir sem você é tão estranho. A cama parece enorme.

— Lembra quando a gente se conheceu? — perguntei, a voz ainda trêmula.

— Lembrar? Claro que lembro. Foi na igreja, no grupo de jovens. Eu cheguei atrasado, todo sem graça, e sentei do seu lado.

— Você corou quando nossas mãos se tocaram. Achei tão fofo.

— Corar? Eu fiquei vermelho feito um pimentão. Achei que você ia achar que eu era um idiota.

— Achei você lindo. Passei o resto do culto olhando você de canto de olho.

— Mentira! Eu que fiquei te olhando. Lembro do seu vestido, era azul claro, com florzinhas.

— Você lembra disso?

— Lembro de tudo, Isa. Daquele dia em diante, lembro de cada detalhe.

— Quando você me chamou pra tomar sorvete, meu coração disparou. Eu nem sabia o que dizer.

— Você disse sim. Foi a melhor resposta da minha vida.

— A gente conversou horas na praça. Você falou dos seus planos, de querer ser advogado, de querer construir uma família.

— E você falou que queria ser professora, que adorava crianças, que sonhava com uma casa com jardim.

— A gente sonhava junto.

— E ainda sonho, Isa. Lembra do nosso primeiro beijo?

— Foi no banco da praça, no segundo encontro. Você tava tão nervoso que quase beijou meu nariz.

— E você riu, aí eu ri também, e aí a gente beijou de verdade.

— Foi perfeito.

— Foi. Como tudo que a gente viveu junto.

— Lembra do nosso casamento? Choveu, mas a gente não ligou.

— Você dançou descalça na grama molhada, com o vestido subindo, e eu achei que você era a mulher mais linda do mundo.

— E você me olhava como se eu fosse a única pessoa no mundo.

— Você era. Você sempre foi.

O silêncio voltou, mas agora era diferente. Mais pesado, mais cheio de tudo que a gente não dizia.

— Então estive pensando, quando eu voltar, a gente vai na farmácia, compra um teste, estamos tentando a um tempo já. Que tal?

Nosso bebê, é verdade, mas nos últimos dias se eu engravidasse quem seria o pai.

— Que tal... — repeti, a voz falhando.

— Vai ser lindo. Você barriguda, eu fazendo carinho, a gente escolhendo nome... Já pensei em alguns, sabia?

— Já? Quais?

— Se for menina, Sofia. Lembra que a gente sempre gostou desse nome?

— Lembro. Sofia... é lindo.

— Se for menino, Pedro. Como meu avô.

— Pedro... também gosto.

— Aaah, Isa, tô tão feliz de pensar nisso. Mal posso esperar pra te ver grávida, pra sentir nosso filho na sua barriga.

— Eu também... eu também quero isso.

— E o quarto do bebê, amor. A gente vai terminar de arrumar ele. Vai ser nosso cantinho especial. Lembra que a gente comprou aqueles adesivos de estrela pro teto?

— Lembro. Ainda não coloquei.

— A gente coloca junto quando eu voltar. Vai ser nosso momento.

— Vai ser...

Foi quando ouvi.

Passos atrás de mim.

— Isa...

A voz grossa, pastosa de sono. Meu corpo gelou.

Virei devagar.

Valério estava na porta da cozinha. Pelado. Completamente nu. O corpo enorme, a barriga pendendo, as pernas grossas, e entre elas, o pau.

Aquele monstro que eu aprendi a desejar e odiar ao mesmo tempo. Pendurado, mole, balançando levemente enquanto ele andava. Gigantesco mesmo flácido, as bolas grandes balançando a cada passo, hipnotizante.

Os olhos dele encontraram os meus.

— Vem cá.

A voz dele era baixa, mas tinha um poder que eu não conseguia explicar.

Tentei desviar o olhar. Virei o rosto pro lado, pro celular, pro Renato ainda na linha.

— Isa? Tá aí? O que foi?

— Tô... tô aqui — minha voz falhou.

— Você tá bem? Parece cansada.

— Tô... tô só com sono. A noite foi longa, não consegui dormir direito.

Valério não disse nada. Só levantou a mão e fez um sinal. Um movimento de dedo, chamando.

Meu corpo respondeu, mas minha mente resistiu. Fiquei paralisada na cadeira, olhando pra ele, pra mão dele, pro celular.

— Não... — murmurei, baixinho, só pra ele ouvir.

Ele sorriu, aquele sorriso de canto. Sabia que eu ia ceder. Sempre cedia.

— Vem cá, putinha — ele repetiu, a voz mais baixa, mais intimidadora.

— Isa? Tá aí ainda? — Renato perguntou.

— Tô... tô sim. Só... só distraída.

— Tava pensando aqui, lembra da nossa lua de mel? A gente passou uma semana naquela pousada simples, mas foi tão perfeito.

— Lembro. Você tentou fazer café na cafeteira e quase explodiu tudo.

— E você riu tanto que chorou. Foi tão bom.

Enquanto Renato falava, Valério se aproximou. Devagar, pisando macio. Parou na minha frente, o pau mole balançando na altura do meu rosto.

— Chupa — ele sussurrou.

Virei o rosto. Tentei ignorar. Foquei no Renato.

— A gente precisa repetir isso — Renato dizia. — Viajar junto de novo, sem pressa, sem nada.

— Seria bom... precisamos meu amor...

Valério passou a mão no meu cabelo. Acariciou de leve. Meu corpo tremeu.

— Vai, chupa — ele repetiu sussurrando.

— Isa? Tudo bem? Tá tão quieta.

— Tô... tô só ouvindo você. Continua.

— Então, tava pensando em marcar uma viagem pra gente no meio do ano. Nada muito caro, só a gente dois, igual antigamente.

— Adoraria...

A mão de Valério apertou meu cabelo, puxou leve, não o suficiente para doer, mas o bastante para lembrar quem mandava ali. Meu corpo tremeu inteiro, um misto de nojo e desejo que já tinha se tornado familiar nos últimos meses.

— Chupa, puta. Agora.

Fechei os olhos. A luta interna durou segundos que pareceram horas. Do outro lado da linha, Renato falava sobre nosso futuro, sobre nosso filho. E eu estava aqui, de pijama rosa, na cozinha da minha própria casa, prestes a chupar o pau de outro homem.

Perdi.

Abri a boca. Senti o peso do pau mole dele na minha língua. Macio, quente, enorme mesmo flácido. O gosto de pele, de suor da noite anterior, de sexo. Minha boca começou a trabalhar devagar, a língua deslizando, a saliva se acumulando.

— Isso... — ele sussurrou, satisfeito, a mão ainda no meu cabelo, guiando.

Comecei a chupar devagar, a boca se acostumando com o tamanho, a língua lambendo a cabecinha, sentindo ele começar a reagir, a endurecer aos poucos. Era como se meu corpo soubesse o que fazer mesmo quando minha mente gritava pra parar.

— A gente pode ir pra mesma pousada, lembra? Aquela com a vista pro mar — Renato dizia, a voz tão doce, tão cheia de esperança.

— Hmm... — fiz, com a boca cheia, a baba começando a escorrer pelo canto dos lábios.

— Que delícia, amor. Só a gente, o mar, e muito tempo juntos. A gente merece isso.

O pau já estava mais duro na minha boca. Chupei mais fundo, sentindo ele crescer, ocupar mais espaço. A baba escorria pelo meu queixo, pingando no meu pijama rosa, manchando o algodão.

— Seu asqueroso — sussurrei, baixinho, tirando o pau da boca por um segundo, só pra ele ouvir. — Seu nojento.

Ele riu baixinho, aquele riso gutural que mexia comigo.

— Chupa, puta. Chupa gostoso.

— Seu arrogante... seu gordo nojento...

Voltei a chupar, com mais vontade agora, a raiva e o tesão se misturando num coquetel perigoso. Minha língua trabalhava, lambia, provocava, sentia cada veia, cada pulsação. A boca cheia, a respiração difícil, mas eu continuava.

— Isa, tava pensando também na gente dançando no casamento. Lembra da música? — Renato perguntou.

— Lembro... — consegui murmurar, com a boca ocupada. — Era aquela... que a gente escolheu junto...

— Isso. Sempre que ouço, lembro de você. Lembro do seu vestido, do seu sorriso, de como você estava linda.

O pau já tava completamente duro agora. Enorme, latejando na minha boca, pulsando contra minha língua. Chupei com mais fundo, engolindo o máximo que conseguia, a baba escorrendo em fios, formando poça no chão da cozinha.

— Tão gostoso — ele sussurrou. — Minha putinha favorita.

— Não sou sua... — murmurei, com a boca cheia. — Sou... sou esposa... do Renato...

— Mas tá aqui, não tá? De joelhos, chupando meu pau. De pijama rosa, igual uma mocinha inocente, mas com a boca cheia de macho.

As palavras dele me atingiram como um tapa. Verdade. Por mais que eu tentasse negar, eu estava ali. Chupei mais, mais, mais. A língua cansando, a mandíbula doendo, mas eu não parava. Era como se tivesse perdido o controle do próprio corpo.

— Isa, tô com tanta saudade de você — Renato continuava. — De acordar do seu lado, de sentir seu cheiro no travesseiro.

— Também... tô...

— Quando eu voltar, vou te encher de beijos. Vamos passar o dia inteiro na cama, igual antigamente.

— Hummm...

— A gente pode ver filmes, pedir comida, só ficar de conchinha.

Lágrimas escorriam pelo meu rosto, misturando com a baba. Como podia estar tão dividida? Como podia amar tanto um homem e estar de joelhos chupando outro?

Valério me puxou pelo cabelo, me fez subir. O pau dele brilhava, molhado da minha baba, enorme, apontado pra mim.

— Senta.

Olhei pro celular. Pros olhos dele. Pro pau duro, pronto.

— Não... — tentei resistir mais uma vez, a voz fraca.

— Senta. Agora.

Ele me puxou, abaixou meu shorts com violencia, eu estava sem calcinha, depois arrancou meu cropped, me colocou em cima dele e me puxou em direção a seu pau.

— Aaaiinn... — o gemido escapou, alto demais, o pau entrando fundo, preenchendo cada espaço.

— Isa? Tudo bem? — Renato perguntou, preocupado.

— Tudo... tudo bem — a voz saiu trêmula, o corpo começando a se mover sozinho. — Só... só derrubei uma coisa... o café... molhou tudo...

— Cuidado, amor.

— Tá... mas... tudo bem...

Comecei a rebolar devagar, tentando controlar a voz, os gemidos. O pau dentro de mim, o movimento ritmado, o prazer subindo.

— A gente vai ter nosso filho, Isa — Renato dizia. — Vai ser o momento mais lindo da nossa vida.

— Vamos... vamos sim.. meu amor... nosso.. bebê— respondi, cavalgando, o prazer tomando conta.

— Eu já imagino você de barrigão, linda, radiante. Vestindo aqueles vestidos largos, passando a mão na barriga.

— Aaah, Renato...

— Calma minha linda, eu vou cuidar de você, fazer tudo que você precisar, massagem, comida, o que for.

— Que marido perfeito... seu gostoso...

Valério apertou minha cintura, me guiando no ritmo dele, mais rápido, mais fundo.

— Mais devagar — sussurrei pra ele.

Ele riu, não obedeceu.

— Se for menina, quero que tenha seu nariz — Renato continuava, sonhando. — Aquele narizinho perfeito.

— Aaaiinn... que lindo...

— Se for menino, seu sorriso. Aquele sorriso que me conquistou na igreja.

— Sim... quero teu filho... me engravida...

Já não sabia se falava isso pra Renato ou pra Valério.

— Lembra quando a gente pintou o quarto do bebê? Você ficou toda suja de tinta e riu tanto. Depois a gente tomou banho junto, e...

— Aaahaamm, me sujou toda... — o gemido escapou mais alto.

— Aí a gente fez amor no chão do quarto, lembra? Com cheiro de tinta, tudo bagunçado.

— Lembro... foi lindo... foi um tesão...

— Vai ser assim de novo, Isa. Muitas vezes.

As lágrimas misturavam com o suor, com a baba, com tudo. Eu cavalgava, gozava, e ouvia ele falar do nosso futuro. Valério ria baixinho, satisfeito, me vendo delirar em cima dele, tentando manter a conversa com meu marido.

Gozei uma vez. Duas. Três. Perdi a conta.

— Te amo — Renato disse. — Tanto.

— Também te amo... tanto...

— Até segunda, amor. Vou sonhar com você. Com nosso filho. Com nossa família.

— Até... até segunda...

Desliguei. Joguei o celular no chão.

E me joguei de volta em Valério, cavalgando sem parar.

— ME FODE SEU GORDO NOJENTO! — gritei, as palavras saindo sem controle. — SEU ASQUEROSO!

— Isso, puta. Fala.

— VOCÊ DESTRUIU MINHA VIDA! VOCÊ ME FEZ ISSO!

— Fiz o quê? Te mostrei quem você é.

— EU NÃO QUERO SER ISSO!

— Já é. Há muito tempo.

— SEU ARROGANTE! SEU FILHO DA PUTA!

Cavalgava com raiva, com ódio, com tesão. Tudo misturado.

— GOZEI! GOZEI DE NOVO! TÔ GOZANDO PRA CARALHO!

— Goza, puta. Goza tudo.

— ESSE PAU GIGANTE! VOCÊ É UM MONSTRO! UM GORDO ASQUEROSO! UM MACHO!

— E você é minha puta. Sempre foi.

— NÃO! — gritei, mas o corpo não parava. — NÃO... SIM... AI QUE TESÃO...

— Tá gostando de xingar o macho enquanto cavalga?

— AMO... AMO XINGAR VOCÊ... AMO TE ODIAR... MACHO DO CARALHO...

— Então continua.

— SEU NOJENTO! SEU... AAH... SEU... PAUZUDO...

A frase morreu num gemido. Gozei de novo, tão forte que minha visão escureceu por um segundo.

Caí pra frente, apoiada no peito enorme dele, ofegante, suada, tremendo.

— Tô... tô morta... — murmurei.

— Não tá não. Ainda tem muita putaria pela frente.

— Seu... seu porco nojento...

Ele riu, passou a mão no meu cabelo.

— Minha putinha favorita.

Fechei os olhos. As palavras do Renato ainda ecoavam na cabeça.

*Vai ser lindo. Nosso filho. Nossa família.*

Mas eu estava ali. No colo do gordo asqueroso. O que eu faço meu Deus.

**Sexta-feira, 11h da manhã**

Valério saiu há uns vinte minutos. Precisava resolver uns negócios, disse ele, antes de me dar um tapa na bunda e sair sem camisa, a barriga balançando, o cigarro pendurado no canto da boca.

Fiquei na cozinha, sozinha.

Levantei da cadeira com as pernas bambas, fui até o banheiro, tomei um banho rápido. A água quente escorrendo pelo corpo, lavando as marcas, mas não lavando a culpa. Não lavando a confusão.

Me olhei no espelho depois. O crucifixo no pescoço. O morango na barriga. Os olhos vermelhos de chorar. Os lábios inchados.

*Quem é você, Isabella?*

Vesti o mesmo pijama rosa.

Sentei no sofá da sala, abracei meus joelhos, e fiquei olhando pro nada. As lembranças vinham em ondas. A chantagem. A primeira vez. O medo. A descoberta. O prazer. A confusão.

O que eu podia fazer? Eu amava Renato. Eu protegia Renato. Eu me entreguei.

A primeira vez foi estranha. Dolorida. Confusa. Mas ele foi paciente. Me mostrou coisas. Me fez sentir coisas. E aos poucos, aquele medo foi se transformando em outra coisa. Em desejo. Em vício. Em entrega.

Agora eu não sabia mais separar. O que era verdade? O que era manipulação? O que era escolha?

*Será que eu escolhi isso? Ou será que ele me moldou?*

Não sabia. Só sabia que não conseguia mais parar.

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**Sexta-feira, 14h**

A campainha tocou.

Levantei devagar, ainda tonta, ainda confusa. Abri a porta.

Elas estavam lá.

Clara, Mariana, Beatriz e Larissa. Todas com roupas simples, nada ousado. Jeans, blusinhas, cabelos presos. Pareciam tão inocentes. Tão novinhas. Tão... como eu era antes.

— Professora! — Larissa disse, sorrindo. — A gente veio pra aula de boas maneiras. A senhora prometeu.

— Isso mesmo — Clara completou. — A gente quer aprender a se comportar direito em sociedade, principalmente agora que estamos terminando o ensino médio e vamos precisar dessas habilidades.

Boas maneiras. Direito. Eu quase ri.

— Entrem, meninas. Podem sentar no sofá.

Elas entraram, sentaram, organizaram as saias sobre os joelhos. Tão comportadas. Tanto potencial pra serem destruídas.

Eu sentei na poltrona em frente, de pernas cruzadas, tentando disfarçar o quanto eu estava destruída por dentro, tentando parecer a professora que elas conheciam.

— Então — comecei, a voz ainda um pouco rouca. — Hoje vamos falar sobre postura em eventos formais, sobre como se portar em jantares importantes, sobre a etiqueta à mesa e a importância da primeira impressão.

— Que legal, professora! — Mariana disse, os olhos brilhando de interesse genuíno. — Minha mãe vive dizendo que eu como igual um caminhoneiro e que vou passar vergonha na faculdade.

— E ela tem razão, Mariana. A primeira impressão é fundamental. A forma como você se senta, como você segura os talheres, como você mastiga, tudo isso comunica algo sobre você.

Comecei a aula. Falei sobre como sentar de lado em saias, sobre como cruzar as pernas na altura dos tornozelos, sobre como manter a coluna ereta sem parecer rígida. Ensinei a posição correta dos talheres, a forma de cortar os alimentos, a etiqueta do guardanapo no colo.

Elas ouviam atentas, anotavam em seus caderninhos, repetiam os movimentos com a seriedade de quem realmente queria aprender.

Mas eu sentia. Algo diferente no ar. Os olhares delas não eram apenas de atenção. Eram de observação. De estudo. Não do conteúdo da aula, mas de mim.

— Professora — Beatriz chamou, depois de uma hora de aula teórica. — A senhora permite que eu faça uma pergunta que não tem nada a ver com etiqueta?

— Claro, Beatriz. Pode perguntar.

Ela hesitou, olhou pras outras, como se buscando coragem.

— A gente tem reparado em algumas coisas, professora. E não sabe bem como lidar com isso. A senhora... a senhora mudou. E não foi de repente. Foi aos poucos. No começo a gente achou que era só estilo novo, sabe? Roupa diferente, um jeito mais solto. Mas depois...

— Depois o quê?

Clara tomou a frente.

— Depois a gente começou a perceber outras coisas. O jeito que a senhora olha pra gente às vezes. O jeito que a senhora fala. E ontem, professora... ontem a gente viu a senhora saindo de casa.

Meu estômago embrulhou.

— A gente tava passando de carro com a mãe da Mariana, e viu a senhora na porta. A senhora tava usando um short brilhante, tão curto que quase não cobria nada, uma meia arrastão, um top escrito "PUTA", salto alto. E aquele homem, o vizinho, tava do lado.

Silêncio.

— A gente não contou pra ninguém — Larissa acrescentou rapidamente. — Mas não conseguiu esquecer. Eu, pelo menos, não consegui.

Fiquei em silêncio por um longo momento. Olhei pra cada uma delas. Clara com as mãos apertando a própria saia. Mariana mordendo o lábio. Beatriz inquieta, mudando de posição. Larissa com os olhos fixos em mim, buscando respostas.

E lembrei de mim mesma. Da Isabella de meses atrás. Da Isabella que também via mulheres como eu me tornei e sentia aquela mesma curiosidade. Aquele mesmo frio na barriga. Aquele mesmo desejo de saber o que tinha do outro lado.

— O que vocês querem saber, exatamente? — perguntei, a voz mais calma do que eu esperava.

— Tudo — Larissa respondeu. — A gente quer saber o que a senhora viveu. O que a senhora sente. O que a senhora descobriu. Porque a gente... a gente também sente coisas. Coisas que não entende. Coisas que assustam.

Clara acrescentou.

— E quando a gente viu a senhora naquela noite, foi como se algo tivesse feito click. Como se a senhora fosse a resposta pra perguntas que a gente nem sabia que tinha.

Larissa finalizou.

— A gente não veio aqui pra aprender etiqueta, professora. A gente veio pra aprender sobre a senhora. E, se possível, sobre nós mesmas.

O silêncio pairou novamente. Eu podia negar. Podia mandar elas embora. Podia fingir que nada tinha acontecido e continuar com a aula de boas maneiras.

Mas a puta dentro de mim não deixou.

Respirei fundo.

— Vocês querem saber a verdade? A verdade de verdade?

— Queremos — responderam em coro.

— Então vou contar. Mas quero que vocês entendam uma coisa: o que eu vou contar não é bonito. Não é fácil. Tem dor, tem confusão, tem momentos que eu me odiei. Mas também tem descoberta, tem prazer, tem liberdade. E depois que você entra nesse mundo, não tem mais volta.

— A gente quer ouvir.

Comecei a contar.

Contei sobre a chantagem. Sobre o medo, a obrigação, a sensação de não ter escolha.

— Eu não queria. No começo. Eu odiava ele. Odiava cada toque, cada olhar. Mas ele me dominou. Me transformou. Me mostrou coisas. Me fez sentir coisas. E aos poucos, aquele nojo foi se transformando.

— Transformando em quê? — Clara perguntou.

— Em desejo. Em vício. Em entrega. Eu comecei a gostar. A querer mais. A pedir mais. E quando vi, já era tarde demais. A puta dentro de mim tinha acordado e não ia mais dormir.

Contei sobre as primeiras vezes. Sobre as descobertas. Sobre as festas, as drogas, a perda de controle. Contei sobre o mijo, sobre a porra, sobre as humilhações que viraram prazer.

— E o seu marido? — Mariana perguntou, a voz trêmula.

— Meu marido não sabe de nada. Ainda. Ele viaja muito, confia em mim, acredita nas minhas desculpas. E eu... eu amo ele. Amo de verdade. Mas não consigo mais parar.

— A senhora ama os dois?

— Não. Não amo o Valério. Amo o que ele me faz sentir. Amo a liberdade que ele me deu. Amo a puta que ele despertou. Mas amor mesmo, amor de verdade, é só pelo Renato. Ficamos em silêncio por um longo momento. Eu tinha contado tudo. O peso nos meus ombros parecia um pouco mais leve.

Foi Mariana quem se mexeu primeiro. A mão dela desceu, quase sem querer, pro meio das pernas.

— Professora... — ela sussurrou. — Eu tô... tô sentindo uma coisa muito estranha.

— O que você tá sentindo?

— Meu corpo... ele tá quente. Minha respiração... não sei explicar.

— É tesão, Mariana. Tesão puro.

— Por quê? Por que ouvir a senhora falar dessas coisas me dá isso?

— Porque você também tem isso dentro de você. Todas vocês têm. E ouvir alguém falar sobre isso, sem vergonha, sem culpa, liberta.

Clara estava com a mão na coxa, apertando.

— Professora, eu também tô sentindo. Muito.

Beatriz lambeu os lábios.

— A gente precisa fazer alguma coisa. Isso tá... insuportável.

Larissa me olhou nos olhos.

— Ensina a gente, professora. Ensina a gente a lidar com isso.

Levantei da poltrona. Fui até Clara. Sentei no braço do sofá perto dela, passei a mão no rosto da moreninha. Ela tremeu, mas não desviou.

— Você sente isso?

— Sinto. Muito.

— É desejo. É vontade. É a sua puta interior querendo sair.

— E se eu não quiser que ela saia?

— Ela vai sair de qualquer jeito. Mais cedo ou mais tarde. A questão é: você quer controlar ou quer ser controlada?

— Eu não sei.

— Então deixa eu te mostrar.

Inclinei e beijei ela. Um beijo leve no começo, depois mais profundo. A língua dela encontrou a minha com uma timidez que logo passou.

Quando separamos, ela tava vermelha, ofegante, os olhos arregalados.

— Isso foi... — ela tentou dizer.

Fui até Mariana. Ela já estava com os olhos fechados, esperando. Beijei ela também. Depois Beatriz. Depois Larissa.

Cada beijo um descobrimento. Cada língua um aprendizado.

Quando terminei, todas estavam ofegantes, os olhos brilhando, as mãos inquietas.

— Agora — eu disse — vocês vão se tocar. Aqui, na minha frente. Sem vergonha, sem medo. Apenas sintam.

Elas obedeceram.

Foi lindo de ver.

Clara deitou no tapete, passou a mão no próprio corpo, nos peitos, descendo. Mariana fez o mesmo, mais tímida no começo, depois mais solta. Beatriz já estava mais ousada, os dedos encontrando o caminho. Larissa me olhava enquanto se tocava, como se buscasse aprovação.

— Isso... isso... sintam cada pedaço. Descubram o que gostam.

Os gemidos começaram baixos, depois foram aumentando.

— Aaaiinn... professora... — Clara gemeu.

— Isso, Clara. Deixa sair.

— Tô... tô quase...

— Goza. Goza pra mim.

Ela gozou, o corpo tremendo, um grito abafado pela mão.

Depois foi Mariana. Depois Beatriz. Depois Larissa.

Quando terminaram, estavam todas nuas. As roupas tinham ido embora em algum momento, eu nem tinha percebido.

Deitadas no tapete, ofegantes, suadas, lindas.

Ficamos ali, deitadas, por um longo tempo. Trocando carícias, conversas, descobertas.

Depois, elas se vestiram, se despediram com beijos demorados, e foram embora.

Fiquei sozinha de novo.

Olhei pro relógio. Valério devia demorar ainda. Eu estava eu ali, esperando Valério voltar, aquela situação só me fez atiçar, meu tesão estava no limite novamente. Fui ver a sacola de Valério, alguns vibradores, *interessante...* pensei.

**Sexta-feira, 18h**

Eu estava no meio da sala, completamente nua. A coleira preta no pescoço, o crucifixo balançando entre os peitos, o morango na barriga. Deitada no chão, com as penas abertas, mas não imóvel. Meu corpo se movia num ritmo próprio, as mãos ocupadas com dois vibradores na boceta, mais dois no cu. Todos ligados no máximo.

Os gemidos saíam sem controle, misturados com risos idiotas de quem já tinha gozado tantas vezes que perdera a conta. O xixi escorria pelas minhas pernas, formando uma poça no chão, e eu não ligava. Não ligava pra nada. Só queria mais. Mais vibração. Mais penetração. Mais gozo. Mais daquela sensação de entrega total que só ele sabia me proporcionar.

— Tô... tô gozando de novo... aaaaiinn... mmmm... que delícia... minha bucetinha... meu cuzinho...

O sol já estava se pondo quando ouvi a chave na porta. Meu coração disparou, não de medo — de tesão. A porta abriu. Valério entrou, parou, me olhou. Fiquei imóvel por um segundo, os vibradores ainda dentro de mim, a baba escorrendo pelo queixo, os olhos vidrados. Meu corpo respondeu à presença dele antes que minha mente pudesse processar. Mais tesão. Mais vontade.

Ele sorriu. Aquele sorriso de canto que eu aprendi a odiar e a desejar ao mesmo tempo.

— Porra, Isabella. Que visão.

— Vo... você demorou... — a voz saiu pastosa, difícil de formar palavras. — Tava... tava te esperando... eu vi esses vibradores... não resisti...

— Tô vendo. Adoro ver minha puta assim. Toda doida de tesão, molhada, gozando muito.

Ele se aproximou, pisando na poça de xixi sem se importar. Ficou na minha frente, o pau já duro, enorme, pulsando. Meu olhar foi direto pra ele. Sempre ia. Era como se aquele pau tivesse um poder hipnótico sobre mim, uma atração que desafiava qualquer lógica, qualquer sentimento.

Ele soltou o cinto, abriu o ziper da calça, liberou aquele monstro, apontou pra mim e mijou. O xixi quente jorrou no meu peito, na minha barriga, no meu rosto. Abri a boca, recebi, tomei tudo. Os vibradores continuavam trabalhando, me fazendo gozar de novo enquanto ele mijava.

— Toma, puta. Toma mijo de macho.

— Tô tomando... tô tomando tudo... aaaaiinn...

Quando ele terminou, me puxou pela coleira. Me arrastou até o quarto, me jogou na cama.

— Agora vou comer você de verdade.

E comeu.

Foi longo, intenso, louco. Ele me fodeu de todas as posições, enquanto eu delirva, pedia mais, xingava, agradecia. Gozei tantas vezes que perdi a noção do tempo, do espaço, de mim mesma.

— Isso... isso... mete nessa puta... fode a cadela...

— Minha putinha favorita. Minha vagabunda.

Quando finalmente terminamos, caímos exaustos na cama, ofegantes, suados, satisfeitos.

Ficamos em silêncio por um longo tempo, só a respiração pesada preenchendo o quarto. Eu olhava pro teto, sentindo o corpo latejar, a mente vagando. E, como sempre, depois que o tesão passava, a culpa chegava.

*Renato.*

Até que ele falou.

— Isa, tenho más notícias.

Meu corpo gelou. A culpa deu lugar ao medo.

— Meus negócios... aqueles esquemas que eu tinha... foram descobertos. Alguém dedurou. A polícia tá atrás de mim.

Sentei na cama, o coração disparado.

— O quê?

— Tenho que fugir. Sair do país. Amanhã.

— Fugir? Pra onde?

— Não posso te dizer. Quanto menos você souber, melhor.

Ele levantou, começou a se vestir. A frieza dele me atingiu como um tapa.

— Não tem outro jeito. Se eu pudesse, levava você. Mas não posso. Você tem que ficar com o corno viado do teu marido. Eu tenho que sumir.

Lágrimas quentes escorreram. Não por ele. Por mim. Pela confusão. Pelo medo de perder algo que eu nem sabia se queria manter.

Fiquei em silêncio, processando. Ele tinha razão. Sempre teve. Eu amava Renato. Amava com toda minha alma. Mas amava também o que Valério me proporcionava. Eram amores diferentes. Um era amor de verdade, construído em anos de história, de planos, de sonhos. O outro era amor pelo prazer, pelo vício, pela entrega.

— Então a gente tem até amanhã? — falei sorrindo.

— Até amanhã. Vamos aproveitar?

Enxuguei as lágrimas. Olhei pra ele. Fodemos até o amanhecer novamente.

---

**Sábado, 23h**

A despedida foi rápida. Um beijo seco, um abraço rápido, e ele sumiu na noite. Sem olhar pra trás. Sem promessas. Sem nada.

Fiquei sozinha na casa, ouvindo o silêncio. O silêncio que sempre vinha depois que o tesão passava. O silêncio que trazia Renato de volta aos meus pensamentos.

Dormi mal. Acordei várias vezes, esperando ouvir a voz dele, o ronco dele. Nada. A cama ao lado vazia. O quarto vazio. A vida vazia.

No dia seguinte, comecei a arrumar a casa. Joguei fora as roupas de puta, as lingeries, os brinquedos. Lavei os lençóis, arejei os quartos, tirei o cheiro de sexo do ar. Cada peça de roupa que jogava fora era um pedaço daquela vida que eu tentava enterrar.

Quando Renato voltou na segunda, a casa estava impecável. Eu estava impecável. Vestida de forma simples, cabelo arrumado, sorriso no rosto.

Ele me abraçou, me beijou, disse que tinha sentido minha falta. Eu correspondi, e pela primeira vez em meses, o abraço dele não veio acompanhado de culpa. Veio acompanhado de alívio.

— Amor, o que é essa tatuagem? — ele perguntou, vendo o morango na minha barriga, como se fosse a primeira vez.

— É uma promessa que eu fiz no retiro. Um símbolo de renovação. De recomeço.

Ele aceitou. Sempre aceitava. Confiava em mim. E eu prometi a mim mesma que nunca mais quebraria essa confiança.

A vida continuou, logo descobri que estava grávida, não sei de quem é o filho, provavelmente de Valério mas minha vida agora era de esposa exemplar novamente, Renato vai amar essa criança e eu vou arcar com essa dúvida consequente do pecado. Voltei pra Igreja, parei de dar aulas devido a gravidez e também por conta das reclamações dos pais das alunas que não estavam gostando do comportamento de suas filhas que inclusive me proibiram de manter contato com elas. Não precisava, foquei na minha vida de dona de casa, tentando esquecer aquela aventura.

A cada dia que passava mais eu sentia que a puta dentro de mim estava insatisfeita, ela não admitia ser acorrentada, o sexo com Renato era cada vez mais selvagem, comigo dominando ele quase todas as vezes, ele era um bom moço não faria mal a mim, mesmo eu querendo. O importante é que ele estava feliz, com seu filho crescendo na minha barriga e formando uma base religiosa como sempre me foi imposto. Eu estava feliz, dizia a mim mesma com um vazio no peito e lágrimas solitárias no rosto.

FIM

---

EPÍLOGO:

**Sete meses depois**

A barriga estava enorme. Sete meses de gravidez. O vestido azul claro, comprido, escondia as formas, escondia as marcas, escondia quem eu fui. Mas não escondia quem eu era agora.

A vida tinha voltado ao normal. Renato e eu éramos felizes. Não na superfície — de verdade. Eu acordava todos os dias ao lado do homem que amava, sentia o bebê mexer, via ele preparar o café da manhã, ouvia ele falar com nossa filha dentro da minha barriga.

— Bom dia, princesa — ele dizia, todas as manhãs, a boca encostada na minha barriga. — Papai já vai fazer o café pra você e pra mamãe.

E eu sorria. Um sorriso verdadeiro.

O quarto do bebê estava pronto. As estrelinhas no teto, o berço montado, os ursinhos na prateleira. Tudo igual ao que a gente sempre sonhou. Agora era real.

— Tá tudo bem, amor? — Renato perguntava, quase toda noite, me vendo com aquele olhar distante.

— Tudo bem. Só cansada. É a gravidez.

Ele aceitava. Sempre aceitava. Me beijava a testa, me puxava pro peito dele, e eu dormia ouvindo as batidas do coração dele. O coração que eu amava.

Mas toda noite, quando ele dormia, algo acontecia.

Os sonhos vinham. As lembranças. O corpo pedia. Não por amor — nunca por amor. Por vício. Por memória. Por aquela parte de mim que eu não conseguia matar, por mais que tentasse.

Eu me masturbava no banheiro. Em silêncio, pra não acordar ele. Lembrava dos tapas, do mijo, da porra, das gozadas sem fim. Meu corpo respondia, gozava, e a culpa vinha logo depois.

Os hormônios da gravidez só pioravam as coisas. O tesão era constante, insuportável, uma loucura que eu não podia compartilhar com ninguém. Nem com Renato. Como explicar que eu amava ele, mas que meu corpo pedia as coisas que ele não podia me dar?

Numa noite, ele viajou a trabalho. Voltaria só segunda. Fiquei sozinha em casa.

A rotina de sempre. Jantar, banho, TV. Mas algo estava diferente. Uma inquietação. Uma lembrança que não vinha há meses.

Fui pra varanda. Olhei o quintal do vizinho. A casa de Valério estava vazia há todo esse tempo. Ninguém morava lá. As luzes apagadas, o mato crescendo.

Sentei, tomei um chá, tentei ler um livro. Não consegui.

Meus olhos voltavam pro mesmo lugar. Pro lugar onde tudo começou. Pro lugar onde ele mijou pela primeira vez na minha frente. Pro lugar onde eu descobri aquela parte de mim que não conseguia matar.

*Ele se foi. Você superou. Você ama Renato. Isso é só vício.*

Mas o corpo não esquecia.

Foi quando vi.

Uma silhueta. No quintal. Debaixo da luz fraca.

Meu coração paralisou. Levantei devagar, sem acreditar. A silhueta se moveu, acendeu um cigarro, e a luz revelou o rosto.

Valério.

Ele estava lá. Olhando pra mim.

Fiquei imóvel por um longo minuto. O coração batendo tão forte que parecia querer sair do peito. A razão gritando pra eu entrar, fechar a porta, esquecer. Lembrar de Renato. Lembrar do bebê. Lembrar da vida que eu construí.

Mas o corpo...

O corpo lembrou primeiro.

A respiração acelerou. Os bicos dos peitos endureceram. Uma umidade quente entre as pernas. A mesma resposta de sempre. A mesma reação química que eu não controlava.

E então, sem que eu pudesse fazer nada para impedir, meu corpo inteiro tremeu. Um orgasmo silencioso, violento, incontrolável. A buceta se contraiu, jorrou, molhou minha calcinha, minhas coxas, o chão da varanda.

Eu gozei ali, parada, olhando pra ele.

Só de vê-lo.

Só de sentir sua presença.

Só de lembrar.

Ele continuou olhando pra mim. Não se moveu. Não disse nada. Só ficou lá, na penumbra, fumando, me observando gozar.

Quando o orgasmo passou, fiquei ofegante, as pernas bambas, a mão apoiada no corrimão da varanda.

Olhei pra ele mais uma vez.

Ele ainda estava lá.

Nós nos olhamos por mais um longo minuto.

Depois, sem dizer uma palavra, virei as costas. Entrei em casa. Fechei a porta.

Deitei na cama, a mão na barriga, sentindo o bebê mexer. As lágrimas escorreram. Não de tristeza. Não de alegria. De confusão. De amor. De desejo. De tudo junto e misturado.

Do lado de fora, a silhueta ainda estava lá. Eu sabia. Podia sentir.

Mas não voltei.

Fiquei ali, na cama, esperando o sono vir. Esperando Renato voltar. Esperando a vida seguir.

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Comentários

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Esse final foi menos pior do que o outro.

No outro houve uma forçação de barra muito grande, apesar da puta, vagabunda e sem caráter que a Isabela, quis se transformar, não chegaria ao ponto que chegou: na rua com o Valério, toda tatuada de puta.

A questão da Isabela descrita nessa trama, é caso de hospício, não acredito que exista alguém com um mínimo de decência, sem drogas, possa não ter força de vontade para dar um basta em tanta humilhação, tanta nojeira, e ainda aliciando umas meninas que tudo indica que são menores de idade.

Mesmo que ela abandone tudo, e viva certinha mil anos com o marido, ainda morre devendo e muito. Eu aqui fico torcendo para que depois dessas mazelas todas, o marido descubra, faça um teste de DNA, porque com tanta fudelanća entre ela e o vagabundo do Valério, essa criança não é do Renato. E aí coloque essa vagabunda porta fora, sem direito a nada.

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Um bom conto para uma continuação

De quem é o filho ?

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Sinceramente eu não gostei nenhum pouco!!!

No outro o cara teve a chance de saber q verdade...nessa ela fez tudo isso e saiu impune e na vida de merda que ela tinha a antes...

Sei que a intenção foi boa mas esse tipo de coisa sem consequências para os traidores e sem o direito de escolha do traído me irrita profundamente...

Mas...o site é o paraíso dos cornos mansos...o cara não ter virado um corno punheteiro já é uma vitória.

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Esse final está tão ruim quanto o outro, Isabela continua vagabunda, mal caráter e egoísta,.ou seja nada mudou, kkkkk

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