A semana que se seguiu à primeira dose injetável foi um borrão de transformações químicas e sociais. O comprimido bloqueador de testosterona, tomado religiosamente em jejum todas as manhãs, agia como um silenciador interno. A agressividade masculina que restava em mim evaporava, dando lugar a uma docilidade líquida e uma vontade quase instintiva de servir. Meus trejeitos mudavam naturalmente; as mãos, agora sempre com unhas pintadas em um rosa claro perolado, moviam-se com uma delicadeza que atraía olhares curiosos no escritório.
— Obrigada, Márcia — respondi no café, na quarta-feira, quando uma colega segurou a porta para mim. O uso do feminino saiu sem esforço, uma música que minha mente já aceitava.
No escritório, a transição era sutil, mas implacável. Eu usava maquiagem leve, quase imperceptível, apenas um corretivo e um rímel transparente para destacar os cílios. Minhas roupas de academia, cada vez mais curtas e femininas, já não eram segredo para ninguém. Eu era a "Andrea" em formação, um segredo aberto que todos começavam a respeitar, ou por medo de Valquíria, ou pela aura de submissão que eu exalava.
Na sexta-feira, o grande teste: a festa da Câmara de Comércio. Valquíria me dera ordens estritas de ser "elegante e inesquecível". Comecei a me preparar às 17h. Iniciei pela base: uma calcinha branca de renda francesa, delicada e sem costura. Não era um fio-dental, mas o tecido era tão fino que, se o vestido fosse removido, deixaria minha gaiolinha de metal plana em total evidência. Valquíria, em um gesto de "misericórdia", permitiu que eu a limpasse antes de sair, mas a trancou novamente logo em seguida. A chave ficou no pescoço dela.
Decidi ir sem sutiã; queria sentir o cetim do vestido diretamente na pele. Usei apenas adesivos de silicone nos mamilos para dar a ilusão de seios pequenos e firmes. A maquiagem foi um ritual: contorno labial rosa para lábios carnudos com gloss de brilho intenso, sombra rosé e um delineado que alongava meu olhar. O cabelo, preso em um rabo de cavalo alto com um aplique liso de um metro, transformou-me completamente.
O vestido rosé longo, com fenda lateral e costas totalmente nuas até o cóccix, era a armadilha perfeita. Na festa, Valquíria desfilava comigo como se eu fosse um troféu. Percebi rapidamente que eu era uma moeda de troca. Ela me apresentava a acionistas influentes, e eu sentia as mãos bobas desses homens passarem pelo meu rabo, apertando a seda do vestido enquanto eu era obrigada a sorrir e servir vinho.
— Minha assistente é muito... dedicada — Valquíria dizia, com um brilho sádico, enquanto um investidor sussurrava obscenidades no meu ouvido enquanto dançávamos. Eu era o lubrificante dos seus negócios.
O fim de semana, porém, trouxe o isolamento. Valquíria não me convocou, mas não me deixou em paz. Durante todo o sábado e domingo, ela me enviou fotos de seu "fim de semana de verdade". Nas imagens, ela aparecia com um homem negro, imenso, de músculos definidos e um membro que lembrava assustadoramente o consolo que ela usara em mim.
"Veja o que um homem de verdade faz, Andrea. Aprenda a diferença", dizia a legenda.
Sozinha em casa, trancada na gaiola e consumida pelos hormônios que deixavam meu corpo em brasa, eu não tinha saída. O desejo era uma tortura. Sem poder tocar meu próprio pênis, recorri ao plug anal para tentar aliviar a pressão. Eu me dava prazer sozinha, chorando e gemendo, imaginando o homem das fotos enquanto a joia de metal me preenchia. Gozei de forma patética, sem ereção, apenas uma descarga de fluidos e espasmos de uma criatura que desistira de sua masculinidade para ser o brinquedo de Valquíria.
Na noite de domingo, a campainha tocou. Era um pacote de luxo: uma saia lápis cinza, um blazer feminino e saltos brancos clássicos.
A mensagem de Valquíria no WhatsApp foi o golpe final: "André morreu na festa de sexta. Amanhã, às 9h, Andrea assume o cargo oficialmente. Não quero ver calças no meu escritório novamente."
Vesti o conjunto. A saia apertava meu quadril, o blazer moldava minha nova cintura e o salto branco me dava a postura de uma serva de elite. Eu olhei para o espelho e soube: a segunda-feira seria o primeiro dia do meu novo mundo.
Entrei no hall do prédio às 9h, atraindo todos os olhares com o som dos meus saltos. Ao chegar na porta da sala de Valquíria, vi que ela não estava sozinha. O homem das fotos estava sentado na cadeira dela, e a forma como ele me olhou, de cima a baixo, fez meu corpo tremer.
— Valquíria me falou muito de você, Andrea — ele disse, levantando-se. — Ela disse que você está pronta para novas... funções.
