Como diz o ditado popular: "não há bem que para sempre dure, nem mal que nunca se acabe". Muitas vezes, situações alheias a nossa vontade, nos fazem ter que mudar de postura frente as adversidades. E, se o nosso caráter foi bem forjado, temos as ferramentas necessárias para suplantar os problemas e tirar proveito. Contudo, para que isso realmente aconteça temos que ter DEDICAÇÃO e fazer tudo o que está ao nosso alcance para que os efeitos negativos não interfiram no nosso bem estar. Mas não podemos viver somente para resolver problemas. Em tempos bons e favoráveis, o DELEITE é uma válvula de escape para a rotina estressante. E temos que aproveitar esses momentos.
Principais Personagens:
Não há personagens novos. As imagens anexada através de link, estão relacionadas às cenas da história.
Continuando ...
Tarnos, França, 1939
A amizade entre Blanche e Hamdi se tornava cada vez mais sólida. Quando viajava sem a companhia da garota, ela sentia muito a ausência dela, mas isso fazia com que, quando retornasse para a mansão, a paixão demonstrada, uma pela outra, fosse ainda mais forte.
Entre as qualidades que Blanche via em Hamdi, uma a deixava cada vez mais impressionada. A garota tinha um sentido de observação impressionante e não deixava nada passar sem que percebesse. Era comum, quando ambas estavam sozinhas depois de uma viagem, que ela desse informações a respeito dos moradores da mansão, ou até mesmo de alguns empregados que ela jamais imaginava que pudesse acontecer. Mas sempre que isso ocorria, ela passava a prestar mais atenção nas pessoas citadas por sua amiga e, dez de cada dez vezes que ela agia dessa forma, tudo o que tinha ouvido se confirmava.
Ela nunca se esqueceria da mais importante informação que Hamdi lhe passou. As duas estavam regressando de um passeio pela mata, alguns dias depois dos bens terem sidos transferidos para Blanche que falava sobre o quanto admirava seu tio Pierre, o quanto ele era bom e que não conseguia entender a decisão dele de renunciar à fortuna da família e ao título de nobreza. Hamdi a ouvia com uma expressão indefinida até que, de repente, a conversa que era apenas sobre Pierre, passou a incluir Gerard, com ambas as garotas concordando que se tratava de um homem especial.
Foi então que, pela primeira vez, Blanche expressou em voz alta que não conseguia entender direito qual era o papel que aquele homem e seus filhos representavam naquele cenário. Hamdi, com seu jeito despachado, começou a falar, mas logo se interrompeu, não completando a frase:
– Seus tios, Pierre e Gerard, são ...
– Espera aí. O Gerard não é o meu tio. Ele é apenas amigo do meu tio.
– Bom ... Legalmente ele não é porque se tentasse ser seu tio seria preso, assim como seu tio Pierre. Mas em um mundo livre, onde as pessoas pudessem fazer o que bem entendessem, eles estariam casados.
Blanche ficou olhando para sua amiga com a boca aberta e os olhos arregalados até que conseguiu falar:
– O que? Mas que sandice é essa, menina? Casados? Como assim?
– Ora, Blanche. Não se faça de tola. Está na cara que os dois são amantes e ...
– Para Hamdi. Pare já. Onde já se viu pensar isso do tio Pierre!
– Pare você, Blanche. Eu não acredito que você, tendo fugido de um país preconceituoso, vai condenar seu tio por ser pédé (em francês, termo que se usa para gay).
– HAMDI. PARE COM ISSO. AGORA.
A garota moveu os ombros e falou:
– Tudo bem. Não falo mais nada. Só que isso não vai mudar o fato que eles se amam.
– Se amam? Que coisa mais estapafúrdia.
– Pois eu acho muito fofo. Os dois juntos são uma graça. Parece que eles leem os pensamentos um do outro, pois estão sempre antecipando e fazendo o que o outro deseja. O seu tio Pierre age como se estivesse disposto a ficar na frente do Gerard se alguém disparasse um tiro contra ele e o Gerard faz de tudo para que qualquer desejo de seu tio se torne realidade.
– Ouvir você falando assim até parece legal. Mas no fundo, é errado.
Foi nesse momento que Hamdi, ficou séria, disparou:
– Blanche, você não acha que está sendo hipócrita?
– Eu? Hipócrita? Por quê?
– Não se faça de boba. A gente tem transado, Blanche. E você gosta disso que eu sei. Ninguém goza daquele jeito se não estiver gostando. O que você acha que diriam de nós se descobrissem, hein? Iriam dizer que somos lésbicas, mulher!
Sem esperar por esse argumento, Blanche ficou encarando Hamdi que sustentou o olhar até que perguntou:
– Hamdi, já conversamos sobre esse assunto. Você acha mesmo que somos lésbicas?
A africana deu um riso alto e depois falou:
– Não. Não acho. Eu pelo menos não sou, pois gosto de homens. Tanto que transei com o Michel. Mas também acho que não tem nada de mal sentir o toque e os beijos de uma mulher bonita e sensual como você. E você? Bom, eu sei que você já transou com homem e confirmei ao notar que você não é virgem. Mas isso não quer dizer nada, pois conheci muitas mulheres lésbicas que são casadas e obrigadas a transar com o marido. Então me diga: já que você não quis transar com o Michel e aliviar o rapaz, você se acha lésbica?
Vencendo a timidez, Blanche respondeu:
– Não entendo nada disso, então vou me basear no que você falou. Sim, você está certa, eu não sou mais virgem e sim também para gostar de homens. Foi bom. – Ao ver uma leve sombra de tristeza no rosto de Hamdi, se apressou a continuar explicando: – E quanto a transar com você, é sempre maravilhoso. Então, vou ficar com sua teoria de que não sou lésbica e que foi bom tocar seu corpo e ser tocada e beijada por você.
Hamdi deu um selinho em Blanche que aceitou, mas logo cobrou dela:
– Está bom, então. Por enquanto vou aceitar sua teoria de que meu tio Pierre e o Gerard mantém um caso. Mas, e ...
– Eles não mantêm um caso, Blanche. Eles se amam de verdade.
– Tudo bem. Depois eu leio sobre isso e vejo qual é a diferença, se é que tem diferença. Agora me fala dos outros dois. Como são Michel e Aimée.
Pelas explicações de Hamdi, o rapaz era exatamente o que ela tinha percebido na noite anterior, com uma informação a mais. Michel era dominado por Aimée, fazia tudo o que ela queria e demonstrava ter medo dela. Ou seja, os dois irmãos tinham uma relação tóxica, onde ele era subjugado por ela em todos os sentidos. Inclusive, ele se afastara de Hamdi por ordem de Aimée.
Quanto a Aimée, a explicação bem-humorada de Hamdi dizia quase tudo:
– Aquela loira aguada, se for picada por uma cobra, quem morre é a cobra. Das duas, ela é a mais venenosa.
Não demorou para que Blanche passasse a ver a relação de seu tio e Gerard da mesma forma que Hamdi o fazia. Ela os achava realmente fofos. Além disso, ela começou uma campanha para conquistar a amizade e confiança de Michel para trazê-lo para o seu lado caso tivesse problemas com Aimée, mas isso foi mais difícil, pois o pobre rapaz tinha mais medo da irmã do que o diabo da cruz.
Michel nunca teve coragem de revelar seu sentimento por Blanche, porém, ele passava horas se imaginando tê-la em seus braços e, quando essa imaginação ousou avançar para o plano sexual, passou a se masturbar diariamente, até mais de uma vez, se imaginando a fazer sexo com sua amada e, mesmo já tendo transado com Hamdi, essa vontade não diminuía.
Em abril, quando aconteceu a transa entre Hamdi e Michel, Blanche já estava bem-informada sobre o mundo dos negócios, pois ela não se limitava a ouvir as preleções que seu tio lhe dava, sempre amparadas em informações concretas que Grace mantinha registradas e fazia questão de mostrar a ela.
Ela lia tudo o que os jornais que recebiam, continha sobre economia e negócios e os catalogava. Além disso, contava com a ajuda de Hamdi que foi providencial, pois a garota se revelou uma ótima organizadora e tinha um faro extraordinário para localizar notícias que eram do interesse de Blanche.
Assim, bastava perguntar a sobre um determinado assunto que logo tinha em mãos vários artigos de jornal tratando do mesmo. O único problema é que não podia contar com cem por cento do tempo de Hamdi que, além de ajudá-la, dividia seu tempo em dar atenção à Bernard. Mas Grace também era muito útil, pois já estava com Pierre há um bom tempo e não ser furtava em dividir a experiência obtida com sua “nova chefe”.
A pedido de Blanche, Pierre, Gerard e até mesmo Grace empreenderam uma verdadeira cruzada no sentido de apresentá-la para membros do governo que atuavam em cargos elevados e a empresários bem-sucedidos, e ela começou a usar sua influência junto a eles. Para confirmar que esse expediente traria frutos, começou com um pedido para que fossem providenciados os documentos que regularizavam a situação de Hamdi na França, deixando assim de ser clandestina e passando a gozar do status de cidadã francesa.
Entretanto, incomodava a Blanche o fato de não poder contar com Hamdi em todas as viagens que fazia, mesmo com a “compensação” que recebia no seu retorno. Em uma das raras ocasiões que Hamdi a acompanhou em uma de suas viagens, Blanche resolveu abrir o jogo com seu tio sobre o relacionamento dele com Gerard. Estavam em Bruxelas, na Bélgica e ela comentou com ele, enquanto preenchiam a ficha de registro no Hotel:
– Tio. O senhor não acha um desperdício ficar pagando dois apartamentos, um para o senhor e outro para o Gerard, quando na verdade vocês sempre usam apenas um?
Aquela pergunta pegou Pierre de surpresa. Sem pensar direito, se entregou e disse:
– Você sabe disso? Desde quando?
– Desde quando comecei a morar com o senhor em Tarnos.
Pierre então sorriu e falou:
– Pode ser. Mas é melhor continuar assim. O mundo dos negócios é muito conservador e encontraríamos dificuldades se meu relacionamento com Gerard se tornasse público.
– É. O senhor tem razão.
Ao concordar com o tio, foi a vez de Blanche ser surpreendida por ele que falou:
– Mas você e Hamdi também podem ocupar um único quarto. Duas mulheres dormindo juntas não desperta a curiosidade das pessoas.
– Tio! Você sabe disso? Mas como, se a gente é tão discreta?
– A discrição pode ser útil para situações esporádicas. Mas para aqueles que moram e viajam juntos, não tem como esconder algo assim.
– Tudo bem. Tenho que admitir que a Hamdi e eu nos divertimos juntas. Mas não se engane com relação a isso, pois é apenas diversão. Nenhuma de nós pretendemos levantar a bandeira do lesbianismo.
– Para mim não faz a menor diferença. Tudo o que eu quero é ver minha sobrinha predileta feliz.
– Ah! Então eu sou sua sobrinha predileta?
– Hoje e sempre.
– Grande coisa. Sou sua única sobrinha!
A fala de Blanche fez com que ambos rissem, o que provocou um olhar de recriminação por parte do homem que estava esperando para que eles acabassem de preencher os documentos do Hotel. Mesmo assim, Pierre se inclinou para falar ao ouvido de Blanche e perguntou:
– Pois é. E voltando ao assunto, um quarto para vocês duas? Ou não?
Blanche olhou para Hamdi que estava perto o suficiente para ouvir toda a conversa e a garota respondeu fazendo o sinal de positivo e ela respondeu ao tio:
– Tudo bem, tio.
Naquela noite, quando retornaram do restaurante onde foram jantar, Blanche deu o tradicional beijo na face de Pierre ao se despedir dele em frente ao seu quarto e, pela primeira vez, beijou também a face de Gerard enquanto dizia:
– Boa noite para vocês dois. E você, cuide bem do meu tio, viu tio Gerard?
Gerard retribuiu ao beijo dela e lhe deu boa noite com um sorriso nos lábios tentando demonstrar que aquilo para ele era normal. Entretanto, não conseguiu evitar que seus olhos marejassem.
Naquela noite, embriagada de felicidade, Blanche se entregou como nunca a Hamdi. Ela já tinha convencido a amiga que estava preparada para retribuir a ela todo o prazer que recebia e havia feito sexo oral nela, mas daquela vez, se dedicou a chupar a suculenta bucetinha dela com tanta volúpia que deixou a pobre garota prostrada na cama depois de ter vários orgasmos sucessivos.
Todavia, nem tudo era alegria na vida de Blanche. Quanto mais ela ia se envolvendo com os negócios da família, mais Aimée se tornava uma ameaçava.
Não era uma ameaça aberta, era velada. A loira não perdia oportunidade de menosprezar tudo o que Blanche fazia e se colocava como um ser superior, apregoando a todos que qualquer coisa que aquela garota inexperiente pudesse fazer, ela tinha a capacidade de fazer melhor. Isso sem falar nas implicâncias com Hamdi que se tornavam cada vez mais agressivas a ponto de Bernard, seu pai, já ter chamado a atenção dela diante dos outros, o que só serviu para que o ressentimento que ela trazia consigo aumentasse.
Isso era a coisa que mais irritava Blanche. Se as indiretas e até diretas ofensivas se dirigiam a ela, ela se fazia de surda e deixava Aimée falar sozinha, porém, quando era com Hamdi, sua reação era diferente e ela saia em defesa da amiga e sempre tinha argumentos que desarmavam Aimée que não tinha preparo para enfrentá-la em uma discussão, pois cresceu se moldando para arrumar um homem rico como esposo e não entendia de mais nada.
E enquanto no ambiente familiar as coisas evoluíam, apesar dos momentos de estresse sempre provocados pela “Cobra Loira”, no cenário mundial as coisas iam se tornando cada vez mais preocupantes. Hitler não tinha limites.
Depois de quebrar o Tratado de Versalhes enviando tropas para a Renânia em 1936, anexar a Áustria e a Tchecoslováquia em 1938 humilhando os ingleses e os franceses no Acordo de Munique, o ditador nazista voltou seus olhos para a Polônia e, o mais preocupante, fez um acordo de não agressão com os russos, o que, na verdade, era uma licença para que os dois países invadissem a quase indefesa Polônia que, não tendo condições de se defender de nenhum deles, teria que enfrentar a ambos.
Acompanhando esses acontecimentos pelos jornais e ouvindo empresários mais experientes que ela, Blanche se convenceu de que a eclosão de um conflito agora era uma questão de ‘quando’ e não mais de ‘se’. Espertamente, ela começou a se preparar para isso, e acelerou a venda de alguns ativos da família, transferindo o dinheiro auferido nessas negociações para bancos da Suíça ou para algum outro paraíso fiscal que já existia naquela época.
No dia 31 de agosto de 1939, depois de mais uma noite tórrida com Hamdi em um hotel em Paris, Blanche foi acordada com o som irritante campainha do telefone. Sonolenta, atendeu e ouviu a voz de Grace soar com preocupação do outro lado da linha:
– Blanche, é seu pai. Ele desapareceu.
Apavorada, a primeira coisa que passou na cabeça de Blanche foi sobre os planos malucos de Bernard para voltar à Alemanha no intuito de buscar Sarah. Só que ela entrou em pânico e cometeu o pior erro que podia ter cometido.
Ela devia ter imaginado que seu pai iria tentar chegar à Alemanha e que, para isso, teria que passar por Paris e ela, em vez de esperar por ele naquela cidade, pegou um carro e se deslocou até Tarnos. Quando ela percebeu seu erro, já era tarde e não dava para retornar no mesmo dia, se preparando para fazer isso na manhã seguinte, porém, quando fazia o percurso de volta à Paris, com Gerard ao volante do carro, parou em uma cidade do caminho ao ver uma multidão concentrada em frente a uma banca de jornais.
Pediu para que Gerard parasse o veículo e foi até o local onde vários jornais franceses exibiam a manchete em edições extraordinárias, pois quando a notícia chegou nas redações, as edições matutinas já estavam nas bancas. Blanche congelou ao ler em letras garrafais: “A ALEMANHA INVADE A POLÔNIA”.
(Imagem: https://postimg.cc/ygQ8kfmV)
Voltou para o carro e exigiu que Gerard dirigisse à toda velocidade, porém, já era tarde. Ao chegarem na estação em Paris de onde partiam os trens com destino à Alemanha, conseguiu falar com o homem que vendia os bilhetes que, ouvindo a descrição que ela fez de seu pai, respondeu:
– Sim. Eu me lembro dele porque ele se atrapalhou todo com o dinheiro na hora de pagar a passagem e nem esperou pelo troco. Ele ficava repetindo que precisava se apressar porque uma tal Sarah estava esperando por ele. O problema vai ser se a fronteira com a Alemanha já estiver fechada.
Durante muito tempo, aquela foi a última notícia que Blanche teve de seu pai. Ela insistiu em viajar para a Alemanha, mas foi proibida de fazê-lo, pois certamente seria presa. Mesmo assim, ela se dirigiu à fronteira, mas não conseguiu nenhuma notícia sobre o paradeiro de Bernard.
Apesar de tomar todas as providências que o dinheiro que possuía permitia, inclusive contratando detetives para procurarem por seu pai em Berlim, nada sobre seu paradeiro foi descoberto. A única informação que ela recebeu e conseguiu confirmar foi a de que, naquele mesmo dia, houve confusão quando o trem atingiu o território alemão, com tropas da SS invadindo o trem e, arrancando dele, qualquer pessoa que fosse identificada como judia ou que tivesse tido alguma participação em partidos comunistas. De Bernard, nenhuma notícia, o que fez com que ela acreditasse que ele tinha conseguido chegar em Berlim. Blanche tinha pesadelos todas as noites com seu pai sendo reconhecido e preso na Alemanha.
Foi Hamdi que a convenceu que estava gastando dinheiro à toa, pois os detetives contratados nunca apresentavam nenhum relatório que pudesse ser considerado útil. Reconhecendo o argumento da amiga, finalmente desistiu.
Entre a preocupação com seu pai e a administração dos negócios, o assunto que mais se ouvia falar nas reuniões das pessoas influentes com quem ela interagia, era a Guerra contra a Alemanha. A França declarou guerra contra eles dois dias depois da invasão à Polônia e a notícia de que os alemães marchavam para o oeste. Naquele cenário, a opinião comum era a de que os alemães seriam detidos na Linha Marginot.
A Linha Marginot era um conjunto de fortificações de concreto, obstáculos e instalações de armas, construída pela França na década de 1930 para impedir a invasão da Alemanha. Quando ouvia isso, Blanche respondia com um sorriso irônico:
– Aquelas fortificações não vão servir de nada. As armas se modernizaram e essa guerra não será igual a anterior. Esperem e verão.
Se a vida familiar de Blanche estava devastada, com ela se culpando pelo desaparecimento de Bernard, na área comercial e financeira Blanche obtinha sucesso atrás de sucesso. A ideia de vender parte dos ativos da família se mostrou benéfica, pois a fortuna que juntou com isso a deixou com uma grande disponibilidade de dinheiro, o que lhe dava vantagem nas negociações que se propunha fazer.
As indústrias que tinham investido dinheiro na Alemanha, de repente se viram em dificuldades. Da noite para o dia, elas viram o trabalho de anos se esvanecer e todo o investimento neles perdido, uma vez que elas foram nacionalizadas e passaram a ser propriedades do governo nazista. Diante dessa dificuldade, era obvio que eles tinham que colocar seus bens a venda para poder arcar com as despesas que tinham na própria França e Blanche, tendo a possibilidade de adquirir esses bens pagando à vista, estava sempre levando vantagens em relação aos demais concorrentes.
E ela não parava por aí. Comprava novas indústrias, injetava dinheiro nelas para sanear os problemas causados pelo início da guerra e as colocava a venda por um preço maior. Não tendo a necessidade premente de recursos, essas vendas também sempre eram favoráveis a ela que assim não precisava se sujeitar às pressões dos compradores. Era a confirmação do ditado que diz ‘que dinheiro gera dinheiro’.
No início de 1940, Blanche já era reconhecida no meio financeiro e industrial da França como uma empresária brilhante e eficaz, atraindo para suas empresas os melhores profissionais do país. Aquela garota, com vinte anos de idade, estava aplicando uma lição em homens que, quando ela nasceu, já se diziam grandes negociadores e implacáveis na direção de seus negócios.
Se no mundo dos negócios ela se destacava, sua vida pessoal era um desastre. O círculo de pessoas que a rodeava se limitava aos protetores Pierre e Gerard, que nunca opinavam nos negócios. De Aimée que nunca se cansava de tentar tornar a vida dela mais difícil e de Michel que nunca se aproximava muito, impedido pela timidez, mas que ficava a distância a admirando sem esconder o interesse que sentia por ela. Além desses, havia ainda Grace a quem ela se recusava a confiar plenamente apesar de nunca ter dado motivos de desconfiança e Hamdi. Essa última sim, responsável pelas poucas horas de descontração e prazer que ela vivia.
Foi por vê-la daquela forma que Hamdi resolveu que estava na hora de Blanche passar por uma experiência nova e acreditou que, para isso, o ideal seria que ela se relacionasse com um homem, pois tendo transado com apenas um durante toda a sua vida e depois se limitou a transar com ela, essa experiência tinha que ser com o sexo oposto e, examinando as opções, descobriu que havia apenas um. Michel era o único disponível para tirar Blanche daquela roda viva e descobrir que no mundo havia muito mais do que dinheiro, negócios e planos para conseguir mais dinheiro e poder estabelecer mais negociações.
A oportunidade só surgiu no início do mês de abril. Exatamente um ano depois da própria Hamdi ter transado com o rapaz. Uma reunião de negócios marcada para aquele período não pode ser realizada porque algumas pessoas que participariam dela estavam retidas na Itália. Como seria na semana seguinte aos feriados da semana santa, ela remarcou a reunião para a última semana de abril e, por estar com a agenda limpa para aqueles dias, resolveu permanecer em Tarnos em uma tentativa de espairecer um pouco.
Foi no segundo dia que se encontrava na mansão, exatamente em 04 de abril, que ela saiu em direção à praia, que se tornara o refúgio particular dela e de Hamdi, levando uma cesta de piquenique. Ela se sentia feliz, leve e solta por estar fazendo coisas que não fazia desde o tempo em que era uma garota descompromissada e sem as obrigações de uma empresária famosa. Ao seu lado, uma saltitante Hamdi a acompanhava fazendo comentários que tinham o intuito de irritá-la, porém, aquele tipo de irritação que, no momento que acontecesse, provocaria o riso nela e Blanche entenderia que se tratava apenas de uma brincadeira.
O que Blanche não sabia era que, a pedido de Hamdi, Michel as acompanhava à distância e foi entre uma brincadeira e outra que ela parou de repente e, alegando que tinha se esquecido de alguma coisa importante, pediu para que Blanche fosse adiante, prometendo se unir ela na praia. Mesmo contrariada, Blanche aceitou, não sem antes esbravejar com a amiga a acusando de estar sempre se esquecendo de alguma coisa importante.
Hamdi voltou, mas não para a mansão. Em vez disso, foi ao encontro de Michel que ao vê-la, revelou sua posição escondida em meio a alguns arbustos. Ela foi até ele e mentiu:
– Consegui me livrar da Blanche. Ela está indo para a nascente daquele curso d’água. Corre até a prainha e me espere lá que daqui a pouco eu chego.
Michel, diante da possibilidade de voltar a transar com Hamdi, apenas acenou com a cabeça e saiu apressando na direção que ela indicava.
Enquanto isso, Blanche chegou na praia, agora banhada pelo sol da primavera e se livrou de suas roupas se deitando na areia. Ela, que vestia somente uma roupa de banho na esperança de que fosse retirada por sua amante africana, ficou se deleitando com a beleza de um cenário com as árvores floridas balançando ao vento e o trinado de uma variedade incontável de pássaros, pensou:
“Um cenário perfeito para uma tarde de prazer”.
Quando ela ouviu o barulho dos galhos que praticamente ocultavam a trilha que levava até aquela praia, resolveu brincar com Hamdi fingindo que estava dormindo. Ela queria saber qual seria a reação da garota. Então, fechou os olhos e os cobriu com o antebraço, ficando à espera.
Mesmo de olhos fechados, ela sentiu a presença de Hamdi. Parecia até que sua pele respondia ao olhar ansioso da garota como se aquilo fosse um toque físico e se esforçou para não sorrir.
Mas, nada acontecia naquela cena totalmente inesperada. Blanche aguardava com ansiedade que Hamdi se livrasse de suas roupas e se deitasse ao lado dela, começando a beijar seu corpo, porém, não conseguia detectar nenhum movimento vindo da outra, apena sentia que ela estava parada a sua frente, pois a sombra dela cobria o sol que deveria estar batendo em seu rosto.
Até que, cansada de esperar, abriu os olhos e o que viu a assustou e fez com que ela se levantasse em um único movimento. Parado diante dela estava Michel com os olhos arregalados como se quisesse gravar em sua mente cada detalhe daquele belo corpo em traje de banho.
(Imagem: https://postimg.cc/kR358f0g)
De relance, viu Hamdi mais afastada e em pé na parte em que a trilha se encontrava com a areia da praia. Numa rápida troca de olhar, ela viu os olhos da garota somali brilharem de uma forma que era como se ela estivesse pedindo alguma coisa e depois desfez o contato visual, se virando e voltando a caminhar pela trilha se afastando do local.
Sem a presença da amiga e diante de um jovem rapaz que a olhava como se estivesse hipnotizado, ela sentiu seu corpo se arrepiar e, sem perceber o que fazia, se colocou de costas para ele, retirou o que ainda a vestia e se virou de perfil, cobrindo os seios, esperando alguma reação dele.
(Imagem: https://postimg.cc/34VQszjT)
Mas, nada aconteceu. Michel estava em estado quase catatônico e não conseguia mover um músculo de seu corpo. Cansada de esperar pela iniciativa dele, Blanche retirou os braços que cobriam seus seios e, se virando de frente, exibiu o seu corpo por inteiro para o deleite daquele jovem rapaz e sorriu em um convite para que ele se apoderasse daquilo que tanto desejava, dizendo em voz alta para ninguém em especial:
– Ah, Hamdi! Você não perde por esperar. Você vai ver o que vou aprontar para você.
– O que ... que foi que ... vo ... você disse?
O som da voz de Blanche serviu para que Michel recuperasse parte de seu controle e ela, ao ver que ele se fazia presente, andou em direção a ele e, tentando agir de forma provocante como viu Hamdi fazer com ela inúmeras vezes, falou:
– E aí? Está gostando do que vê?
– De ... Desculpe ... Eu não sabia que ... vo ...
– Que eu estava aqui. Eu sei disso, não se preocupe. Mas já que estamos os dois aqui, me diga o que você achou?
– Vo ... Você está pe ... pelada!
“Meu Deus ... E agora? Esse rapaz não vai tomar a iniciativa nunca e, já que a Hamdi insiste, vou aproveitar”.
Depois de pensar, Blanche se aproximou mais dele e falou em voz alta:
– Você não me respondeu o que acha. Então fala. Sou melhor com roupa ou sem roupa.
– Vo ... Você é lin ... linda de qualquer jei ... jeito!
– Obrigada, querido. Só que de roupa você só pode olhar e agora, como estou nua, você pode fazer mais que isso.
Ao dizer isso, ela pegou as duas mãos de Michel e as puxou para o seu corpo colocando cada uma delas sobre um de seus seios e, ao ver que ele não teve nenhuma reação, colocou suas mãos sobre a dele e fez pressão enquanto falava:
– O que você acha dos meus seios? Você acha que eles são pequenos demais? Você gosta de seios maiores, como os da Grace?
– Nãããooooo. Nunca. Vo ... Você é perfeita.
– Então você está gostando? – Perguntou ela depois de sorrir.
– Muuiiitooo.
– E o que você vai fazer a respeito disso?
Novamente, nenhuma reação e Blanche resolveu agir. Tudo o que ela sabia sobre as reações de seu corpo foi aprendido com Hamdi. Ela não se lembrava mais como tinha sido suas transas com Kurt. Entretanto, sentir o contato das mãos dele com os seus seios a deixou excitada a ponto de perder o controle e, sem pensar, levou as duas mãos à nuca do rapaz e o puxou para si, beijando a sua boca.
Foi um beijo estranho, onde ela teve que controlar o seu tesão para administrar a situação, pois, a princípio, a única coisa que acontecia era a pressão dos lábios de Michel contra os delas e quando ela forçou sua língua para vencer aquela barreira, não teve sucesso. Com toda a paciência do mundo, ela levou uma das mãos até o queixo dele, afastou o rosto por dois centímetros, no máximo, e forçou para que ele abrisse a boca enquanto sussurrava com a voz rouca de tesão:
– Assim, querido. Abra essa boquinha linda e me deixe sentir a sua língua tocando na minha.
Imediatamente o jovem, ainda “quase” virgem, obedeceu, como se a língua de Blanche tivesse o poder de transmitir a ele todo o ensinamento necessário. Ela notou com alegria que ele começou a reagir, pois enquanto sugava sua língua, livrou um de seus seios e levou a mão às suas costas, primeiro fazendo pressão para que seus corpos ficassem colados e depois deslizou levemente a mão por suas costas indo em direção à sua bunda.
Foi como se um raio atingisse aos dois. De repente, a tímida e insegura Blanche e o quase completo cabaço Michel começaram a agir como se tivessem uma larga experiência no ato de proporcionar prazer ao sexo oposto, com ela praticamente arrancando as roupas dele enquanto ele parecia um polvo que, provido de oito mãos, tocava seu corpo em qualquer parte que pudesse ser alcançada, menos em sua xoxota que já escorria diante da excitação que se encontrava.
Não se podia dizer que Michel era um amante inexperiente. O certo era dizer que ele sequer era um amante, porém, era um belo exemplar de homem e Blanche descobriu algo a respeito dela que a deixou abismada, pois apesar de em sua vida só ter tido contato com um pau, aquele, sem dúvida, era muito maior. Não havia sequer como comparar o tamanho dele com o de Kurt e isso a deixou ansiosa por sentir aquele enorme feixe de nervos vibrantes se afundando em sua buceta sedenta. Então, resolveu que era o momento de agir e pediu:
– Por favor, Michel, querido. Fode a minha buceta que eu não aguento mais.
Foi muita sabedoria dela falar assim, pois o rapaz entendeu aquele pedido como se ele estivesse fazendo um trabalho tão bom que sua amante não conseguiu resistir,
Com uma pressa exagerada, mas na medida certa para aplacar a vontade de Blanche em ter aquela pica no fundo de sua xoxota, Michel fez com que ela se deitasse e cobriu o corpo dela com o seu. Como não queria correr risco, Blanche já estava com a mão na posição certa para agarrar aquele enorme cacete e posicionar na entrada de sua buceta. Não houve nenhuma preparação, pois Blanche arqueou seu corpo para cima e foi fazendo aquele feixe de músculos desaparecer dentro dela, agradecendo ao fato de estar com muito tesão, pois gozou na primeira estocada que ele deu. E o mesmo acontece com ele.
Não fosse isso, ele teria gozado e a deixado a ver navios. Mas a brevidade daquela foda não importava. Eles ainda tinham o resto do dia, pois, de repente, a intenção de Blanche foi a de permanecer ali até o sol se pôr ou até mesmo até raiar no dia seguinte. E para a alegria dela, Michel não a decepcionou e minutos depois de ter gozado, seu pau já estava apontando para o céu.
A segunda foda entre o casal foi mais calma. A chama do desejo já tinha sido satisfeita, o que permitiu que eles transassem sem a urgência da primeira e Blanche, usando uma experiência que nem ela sabia possuir, conseguiu manobrar seu parceiro para que ele agisse mais com calma.
Depois de gozarem, Michel, lentamente tirou seu pau da buceta dela se deixando deitar ao lado dela. Ela se virou de lado, ficando de costas para ele em uma posição que lhe dava a visão da bunda redonda e durinha dela. Sem se conter, ele levou a mão até lá e começou a fazer carinhos e quando percebeu que seus carinhos eram bem recebidos, pois Blanche ronronava tal como uma gatinha, ele correu o dedo indicador pelo rego dela até encontrar o seu cuzinho e pressionou o dedo. Blanche gemeu e arrebitou a bunda se oferecendo ao gesto ousado do jovem que, animado com isso, perguntou permitia que ele fodesse o seu cuzinho. Olhando bem nos olhos dele, ela falou:
– Hoje eu não posso. Talvez um dia.
Fazer sexo anal era algo sobre o qual ela tinha curiosidade. Não foram raras as vezes em que a Hamdi usou a língua ou um dos dedos para estimular o seu rabinho e, em todas elas, teve sucesso em fazê-la gozar. Mas um dedo era uma coisa e, olhando para aquele mastro enorme e grosso, se intimidou e decidiu que quem sabe um dia tentaria, mas não seria naquele. Ela temia não aguentar tudo aquilo rasgando seu rabinho e por isso recusou.
Com os carinhos de Michel por todo o seu corpo, Blanche dormiu na areia e logo ele também foi vencido pelo cansaço, dormindo ao lado dela. Ao acordarem e perceberem que ainda havia a claridade do dia, transaram mais uma vez. Essa última foi totalmente comandada por Blanche que chupou o pau de Michel, apesar do esforço que teve para abocanhar tudo aquilo, mas não permitiu que ele gozasse dentro de sua boca e mais tarde se arrependeu de não ter tido essa experiência pela primeira vez.
Depois disso, se vestiram e fizeram o caminho de volta para a mansão. A princípio, iam de mãos dadas, porém, ao se aproximarem da casa, Michel se afastou de Blanche que viu naquela reação dele que teria muito mais dificuldade em lidar com ele do que imaginava, porque era obvio que a reação dele foi para evitar que Aimée visse os dois tão próximos um do outro.
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PS: Queridas e queridos, se não for pedir muito, eu gostaria que vocês nos dessem um feed-back sobre as imagens que estamos colocando nos capítulos.
Isso seria um grande motivador e encorajador para que essa que vos escreve continuasse nesse trabalho de formiguinha.
Até porque da trabalho !!!
