Roberto, bem tranqüilo ao meu lado no sofá depois de termos devorado nossa pizza de terças-feiras, decidiu me perguntar sobre nossa transa. Se eu tinha gostado, ou se era só uma forma de “esvaziar o saco”.
Respondi com serenidade:
— Sexo nesse momento da vida eu reservo para quando estou com alguém em quem realmente posso confiar. Enquanto a amizade e a lealdade fluírem, a gente pode recorrer de vez em quando à minha pica. No mais, eu evito qualquer situação que eu já sei que vai ameaçar seriamente minha paz interior, minha saúde ou minha estabilidade financeira. Esses itens são infinitamente prioritários quando comparados a sexo, que, no fundo, é só algo gostoso para desfrutar junto de alguém que, acima de tudo, demonstre respeito por mim.
Ele sorriu daquele jeito lento e acolhedor que já conheço tão bem.
— Como sempre, você pensa intensamente e para o futuro. Eu só tinha uma curiosidade mesmo: como seria dar o cu. E que você estaria contando vantagem por comer um virgem.
Revirei os olhos meio rindo, meio exasperado.
— Somos dois homens de meia-idade, Roberto. Esse papo de virgindade está completamente fora de órbita.
Sim, antes, durante e depois eu me senti — e ainda sinto — orgulhoso, premiado de verdade, por o ter tido na minha cama e por poder te comer. Mas não é por causa de “falta de uso” ou coisa parecida. É pela bundona carnuda, com aquela adorável camada de gordura em vez de falta de elasticidade anal.
Ele inclinou a cabeça, curioso.
— Então depois de mais algumas transas é só isso que vai mudar? O rabo ficar mais flexível?
— Mulheres e homens que praticam anal passivo com freqüência tendem a ganhar, com o tempo, um pouco mais de pigmentação. Não dá para prever quanto nem quando exatamente, é só uma tendência. A mesma coisa acontece com a dilatação: pode ficar mais rápida e fácil, mas isso também é incerto. E, no seu caso específico, nem se aplica direito. Eu precisei de uns bons 50 minutos para te penetrar completamente. Já tive outros que exigiram ainda mais tempo de lubrificação e massagem prévia. Mesmo que a gente desenvolva uma vida sexual regular, sempre vai demorar um pouco mais do que se você estivesse dando para outro homem com pinto grosso ou até mediano. Isso é fato concreto: meu pau é horse cock até em pornografia.
Ele deu uma risada rouca, balançando a barriga de leve, e encostou o ombro largo no meu.
Eu prossegui, quando eu consegui que tu parasse de apertar o cuzinho tinha um centímetro para eu trabalhar, eu poderia tentar te fazer gozar, agora um pênis entrar era outra história. Já, algo extremo que é minha rola está fora do alcance de experiência anterior, lubrificante, plugue, preliminares que são coisas que funcionam, porém são só a parte do início de quando eu consigo entrar. Não disse mais nada por alguns segundos. Só ficou ali, respirando junto comigo, o calor do corpo dele se misturando ao meu no silêncio confortável da minha casa.
O silêncio depois da minha última frase durou o tempo exato de duas respirações profundas. O peito largo dele subia e descia contra meu ombro, e eu sentia cada movimento reverberar no meu próprio corpo. O cheiro de orégano seco, molho de tomate e aquele aroma amadeirado quente que sai da pele dele quando está relaxado impregnava o ar da sala. Era como se a pizza tivesse sido só o pretexto; o verdadeiro banquete ali era ele.
Roberto virou o rosto devagar. A barba grisalha roçou de leve na minha têmpora, os fios macios e volumosos fazendo cócegas quentes. Ele não disse nada de imediato. Só deixou a mão pesada cair na minha coxa, palma aberta, dedos abertos cobrindo quase toda a extensão do músculo. Não apertou. Só ficou ali, quente, presente.
— Então… — a voz saiu baixa, quase um ronronar — …se meu cu nunca vai virar algo “fácil”, mesmo depois de várias vezes… o que você ganha com isso? Além do orgulho de ter me enrabado por primeiro?
Olhei para ele. Os olhos castanhos escuros estavam calmos, mas havia uma faísca ali, uma curiosidade que não era só intelectual. Era fome disfarçada de pergunta.
Passei lentamente a língua nos lábios antes de responder, hábito de quando focalizo meu raciocínio em algo a desvendar.
— você se entregando inteiro. Toda vez. — Minha mão subiu pela barriga dele, dedos afundando na camada macia que cede como travesseiro quente. Contornei o umbigo largo, sentindo os pelos grossos se separarem e voltarem. — As nádegas chamam por algo em mim que se satisfaz em acariciar, escondendo o botão embutido que eu sei que consigo estimular e fazer se abrir para mim - mexe com meus instintos.
— Tal qual é instintivo que você vai reagir tremendo e se curvando quando eu empurro mais um centímetro. É animalesco ouvir o gemido grave que nasce lá no fundo do seu peito, como se viesse de outro lugar. É sentir o anel apertado pulsar em volta da glande, resistir, depois ceder… e quando finalmente passa, o calor úmido que me envolve inteiro, como se seu corpo estivesse me abraçando por dentro.
Ele inspirou fundo. O peito subiu tanto que roçou meu braço inteiro. A coxa grossa dele se abriu uns três centímetros, quase sem querer, o tecido do moletom esticando e revelando o contorno pesado do pau que já começava a subir.
— E você não cansa disso? — perguntou, voz mais rouca agora. — De ter que ir tão devagar toda vez?
Sorri contra o pescoço dele, roçando os lábios na pele quente onde os pelos começavam a se eriçar.
— Cansar? — repeti, quase rindo baixo. — Roberto… eu fico louco com isso. Cada vez que você relaxa um pouco mais, que o músculo aprende o formato da minha cabeça, que os pelos ao redor ficam úmidos de lubrificante e suor… é como ganhar de novo o mesmo presente, só que mais profundo. Você geme mais baixo, empurra mais pra trás, pede com o corpo antes de pedir com a boca. E quando eu finalmente chego apoiando minhas bolas contra o teu corpo, aí, você sabe que minha parte mais sensível está desprotegida e você aceita que eu te guie, relaxa os ombros, afasta as coxas, ainda que eu só tenha interesse em penetrar e nenhum no seu pinto.
Ele soltou um suspiro longo, quase um gemido contido. A mão na minha coxa apertou de leve, os dedos grossos cravando na carne.
— Então você gosta mesmo da demora — murmurou. — Não é só paciência. É tesão puro na demora.
— Exato. — Desci a mão pela trilha de pelos que sai da barriga dele, mergulhando os dedos naquele arbusto denso e quente, contornando a virilha eu o senti contraindo o anel em espasmos.
Depois de um tempo, ele falou, voz baixa e lenta:
— Então levanta. Vamos pro quarto. Quero sentir de novo essa demora toda. Quero saber quanto tempo eu agüento antes de pedir pra você não parar nunca mais.
Levantei devagar, puxando ele junto. Quando ficamos de pé, abracei-o por trás, peito colado nas costas largas, pau duro encaixado exatamente no rego generoso por cima da roupa. Senti as nádegas pesadas se acomodarem contra mim, quentes, macias, convidativas.
Sussurrei rente à orelha peluda:
— Banho quente primeiro. Depois você de bruços, pernas abertas, eu lubrificando devagar… dedos, preliminares, tudo. Até você estar gemendo rouco e empurrando pra trás. Até esse cuzinho gostoso lembrar direitinho como se abre pra mim.
Ele virou o rosto só o suficiente pra roçar a barba na minha bochecha.
— Pode começar agora — disse, com um sorriso lento e safado. — porque estou com dificuldade em mover as coxas pela vontade demais de dar.
E fomos andando devagar pelo corredor, corpos colados, respirações sincronizadas, o ar da casa ficando mais denso de desejo e de promessa. Sem pressa. Como sempre. Como a gente gosta.