40. O container

Da série Eu sou novinho
Um conto erótico de Mateus
Categoria: Gay
Contém 2581 palavras
Data: 05/03/2026 06:00:51
Assuntos: Gay

40. O container

Eu estava no quarto de Hélio e Marcos dormia no meu peito; sentado e mexendo no celular, Galvão me observava, sorriu pra mim, senti uma vontade de dar pra ele novamente, ele disse não com a cabeça, ele deve ter visto um pedido por pica na minha cara. Volto a dormir. Marcos me acorda com um beijo, “Acorda, meu amor, são quase onze da manhã, você não tem fome?”

Estava uma confusão. André (filho de Rui) estava chorando no abraço de Galvão. Joel me explica que Douglas foi com Sam buscar as coisas de Samuel, afinal ele estava com a roupa do corpo e ia precisar fechar a casa dele (desligar o registro da água e do gás, essas coisas), por sorte haviam levado Rui para ajudar com um equipamento de som e levaram o carro de Marcos que é enorme, Marcos estava a meu lado. Acontece que a mãe de André estava provocando uma briga com Murilo desde que roubou esse número no telefone do filho, pelo simples prazer de infernizar a vida do ex, e conseguiu, mandou as coisas do filho por um ônibus e disse que pra casa dela ele não retornava, e que queria ver se a presença de André não ia acabar com a felicidade de Rui.

Claro que o garoto expulso de casa pela mãe entra em surto, e já sem paciência era vez de Murilo surtar e expulsar Murilo e Rui de casa, coloca o garoto num Uber pra cá e depois quando a ficha cai liga desesperado para Rui que está na estrada e fica puto e rompem, evidentemente. Marcos respira fundo e diz que precisamos almoçar, diz que a tarde vai ao shopping comprar dois colchões simples para André que pode dormir na biblioteca, com o pai, olha para Galvão que fica empurrado (como se fosse menino), “A menos que o namorado de seu pai faça questão de dormir com Rui, não sei…”, André fala que o pai não falou pouca coisa para Murilo, pareceu sério, “Sou seu padrasto, moleque, a gente conversa depois”, um sorriso surge na cara de André.

Marcos liga para Douglas para avisar que resolveu a situação, diz que André estava na cozinha ajudando o namorado do pai a fazer um arroz, conversamos um pouco. O tapete da sala estava secando depois de lavado na rampa da garagem, se ficar estragado compro outro, valeu cada centavo. Iríamos almoçar arroz com frango assado, salada e suco do que tiver na geladeira. Domingo pra descanso. Rui liga depois do almoço, dizendo que iam comer em algum lugar, estava tudo dentro do carro, e pergunta se me machucou, faço um momento de silêncio vendo Marcos babando por Galvão, respondo que quero mais, e que ele se prepare, vou cortar o cabelo dele, ele ri, digo que falo sério e ele concorda, diz que não vai esquecer que é a segunda vez que o acolhi em minha casa, “É a nossa casa, a casa onde seumfilho vai se tornar adulto.”

André vai ao escritório e observa, diz que o estudo dele foi fraco e ele mesmo foi um péssimo aluno, não se interessa muito por escola e tá na cara que vai ser um Zé Ninguém, que entende Murilo não querer nada com ele por perto. Digo que Caio adora ler, nunca terminou o ensino fundamental, não teve tempo, mas lia filosofia, economia e história, e muita ficção, eu detestava ler até conhecer Caio e Galvão que adora livros de ficção científica e terror, e eu fui melhorando com as leituras deles e depois com meus livros, ele ia ter tempo, ele sentou na cadeira da mesa de escritório e pegou uma folha de papel, começou a desenhar com uma caneta, desenhou um cartoon de mim, eu sentado sobre um livro enorme, lendo outro livro, ele me deu e agradeceu por eu estar ajudando ele esses dias até ele arrumar onde ficar, “... não mostra esse desenho a ninguém, é coisa de desocupado”.

Foi justamente o que não fiz, todos ficaram maravilhados, perguntei a Galvão se foi bom me receber na casa dele quando precisei, ele disse que não, que eu não cabia ali, mas olhando para trás foi o momento onde todas as grandes aventuras começaram, as orgias, as mudanças de trabalho, o aumento da grana que ele pegou, a África, ter ajudado a investigar o desaparecimento de Murilo, tudo de incrível em sua vida começou com um magrelo medroso se desculpando por entrar em sua casa. Bagunçou o cabelo de André e disse que isso estava acontecendo novamente, a boca seca e as mãos suadas quando beijou Rui em sua cama, “Seu pai, disse que ficava nervoso perto de mim, que eu o impressiono, o assusto, me apaixonei, só é preciso cortar o cabelo dele. E eu vou ter um enteado, e sabendo que você estava levando as meninas do cerimonial para o lavabo, bem… talvez eu seja um jovem vovô logo, não é Picasso? Que desenho é esse? Você podia fazer um curso de barbearia e abrirmos um salão de barbeiro, sabia que sou tatuador, aprendi quando larguei meu último namorado, ele disse que eu era um inútil pobre, cuspiu na minha cara, e mandou eu me foder, eu sorri e fui fazer minha mala, ele surtou. Eu sei quem eu sou, André, me amo, gosto de minha dignidade, não sou melhor que ninguém, mas nunca encontrei ninguém melhor que eu. E se nosso salão se chamar só de André?”, “Pode ter uma mesa de sinuca para os caras saírem do telefone enquanto esperam a vez…”, “Quanto custa o container que você falou para Caio?”

Ele deixou os talheres que secava caírem no chão, ainda bem que não eram de louça como os pratos que ele secava. A história do container é que Caio falou que um dia seus filhos vão fugir para perto do primo e minha casa não teria mais espaço, André falou-me tem containers que tem banheiro, quarto, uma cozinha, janela, ar condicionado e negra solar, queria ter grana e ter esse luxo, olho para Marcos que logo procura o celular, pergunto onde ele o colocaria, “Eu abriria o muro para passar e depois levantaria de volta, colocaria entre o quintal e a lavanderia, e quando subir o muro deixaria uma portinhola e… meu pai vai brigar comigo por falar essas coisas.”, “Mateus, três desses é o preço de um carro. O que você acha? Um guindaste põe eles no quintal, puxamos água e esgoto da lavanderia e abrimos uma saída para os meninos usarem a área de lazer como copa cozinha a noite… três suítes para eles ficarem semi-independentes e nos darem privacidade, o que você acha? Amon vai adorar de cara, Amós vai falar super mal por não ter sido ideia dele, se o enteado sem talento de Galvão disser que pode grafitar por fora como meus filhos com certeza vão pedir… posso comprar amanhã pela manhã.” Pois é… olhando a felicidade na cara de André posso dizer que o ditado está certo, ‘Dinheiro não traz felicidade. Mas manda buscar.’

À noite o garoto preto, da quimbanda e favelado dizia pelo Meet para dois loiros judeus abastados que não ia desenhar Overwatch nos containers, ia envelhecer rápido, os garotos diziam que era só pintar por cima. Saí de casa para fazer um lanche com meu marido, andar pelo bairro, ele falava com a mãe ao telefone, ela disse que estava se sentindo um ser humano detestável, havia sido Renato que foi ver seu marido, o cara que estava fodendo a bunda dela enquanto Caio o fodia, “Homens gays são a solução da vida de uma mulher, meus filhos, úmero realizada como mãe, a minha felicidade veio quando eu te amamentei pela primeira vez, senti o mesmo quando Caio e Renato chuparam meus peitos pra me acordar, estou dormindo no quarto de hóspedes, combinamos de dizer a verdade para a assistência social, vim ajudar com as crianças e estou morando no quarto de hóspedes, ninguém precisa saber de mais por enquanto. Estou feliz, por eu ser Magali, ter o melhor filho do mundo, ter netos maravilhosos, um genro que é um encanto, ter a oportunidade de ser mãe outra vez, e de três crianças… ah, como são carinhosos! E me sinto amada e cuidada como mulher, já fui desejada, amada é a primeira vez, e ainda temos algum tempo. Eu sou feliz” Jantamos depois de ouvir essa declaração de amor à vida feito por minha sogra.

Comemos em silêncio, eu não precisava dizer nada a Marcos, ele se revelava em cada olhar pra mim, comemos x burguer e dividimos uma batata frita da maior que havia, a garçonete pediu perdão e perguntou se éramos um casal, mostramos as alianças, “Desculpa novamente, mas sem tocar um no outro, sem dizer nada… aquele é meu marido, ele tava comentando que estava com inveja dessa parceria entre vocês, disse que a gente vai treinar se olhar assim em casa, desculpa, mas é o casal mais lindo que eu vi.”, “Eu não acho, achei vocês dois bem mais charmosos. E viramos clientes da melhor batata de minha vida, adorei o sanduíche também. Quanto deu?”, ele é elegante até nesse momento.

Na segunda conversei com Murilo, concordei com tudo o que ele falou, a ex de Rui foi só a gota d'água, mas exigi que ele pedisse desculpas a Ruj na hora do almoço, relembrei de como conheci um garoto assustado com o mundo em meu aniversário de dezoito anos, de como ele se parecia com André, de como o pai de André se parecia com a mãe daquele garoto, e… bang, a ficha caiu. Na hora do almoço Rui veio pedir perdão a Murilo e formam chororô no meu escritório e concordaram que tinham muito de pai e filho entre eles, e seguem em paz como se fossem isso um do outro. Bosco diz que sou um filho da puta manipulador, mas que felizmente uso meus poderes para o bem.

Os meus enteados chegaram na terça, estavam ansiosos para me conhecer, “Mas ninguém pode ser implicante com essa besta quadrada que é Douglas não, se não o tratarem com respeito e carinho eu paro de o xingar em público”, ambos concordaram em tratar ele bem se eu o xingar na frente de todo mundo, spoiler: em pouco mais de um mês tio Doug é incrível. Gostaram da barraca de camping amarela na biblioteca, mas pediram para montar na frente da churrasqueira a primeira noite, Marcos disse que não ia dar certo mas concordou quando eu liberei, disse a André que passasse para a sala de madrugada quando tudo desse errado.

De madrugada eles disseram que alguém peidou na barraca e estava impossível dormir lá fora no frio com cheiro de peido. Se agarraram ao pai enquanto eu fui fazer uma pipoca, estavam achando tudo diferente, tio Douglas com um namorado que fez ele se matricular na academia, disseram que iam ver o apartamento de tio Douglas, disseram que quando tivessem idade iriam fazer tatuagens com tio Galvão, mas que as de Henna que estavam orgulhosos de exibir iam fazer as avós gritarem de horror. Eram crianças inocentes, quase bobas, como eu não pude ser, dormiram agarrados aos pais, na quarta quiseram passar o dia no trabalho comigo, saí com eles para comprar ternos para nós três, para a inauguração da escola e o coquetel, iam estudar nessa escola, já que estavam mudando de cidade.

“Ele não é nosso irmão, é o marido de meu pai, a gente é filho dele.” Repetiam com raiva quando diziam que meus irmãos pareciam muito comigo, mostrei uma foto minha mais ou menos na idade deles e eles reconheceram que a gente parecia muito, eles disseram que Rui era louco e que ia ficar mais feio que agora, mas cortei o cabelo de Rui, deixei pontinhas como o de Chaldish Gambino, um bigode de malandro e o queixo cabeludo e pontudo como a de um sátiro, ele ficou muito lindo, André disse que eu tinha de ensinar a ele fazer isso, ele queria fazer isso, melhorar as pessoas por fora, ao dizer isso pra mim, André fez os olhos do pai brilharem agradecidos, “Pai dois, corta meu cabelo”, “Vai, pai dois, corta o cabelo deles, mas de jatos diferentes, eles não gostam de serem confundidos”, se o pai um mandou… Amon com mullet e Amós com lenhador, vieram de madrugada, sem frio e sem desculpas de pum, cada um abraçou um dos pais. Menos sexo em minha vida, mas era meu momento de ser pai.

A inauguração aconteceu, meus filhos em ternos cinza claro, suspensórios como o ‘pai um’, no discurso Joel reclama que depois de quase dez anos dedicados ao ensino, no auge de sua vida profissional é a beleza de seus sobrinhos quem rouba a atenção que deveria ser só sua. Fala que seu marido e ele fizeram o cursinho e tiveram sucesso, não inesperado, apenas a velocidade em que esse sucesso chegou é que foi inesperada, mas foi feito com muito trabalho, grande esforço, dedicação e amor, o mesmo acontecia com a escola que estavam inaugurando, falou que o sol não deixava falar muito, tinha de ser breve, o nome da escola era em homenagem a quem deu o primeiro passo para que o cursinho e a escola fossem uma realidade, ele dá o sinal e o pano que encobria a placa cai e eu vejo o nome: Colégio São Mateus, desde 2025.

Lá dentro ainda me recuperando do choque Hélio fala que são morenas independentes, o colégio sob a tutela de Joel e o curso sob a dele, que o colégio tem Rui como sócio em quinze por cento e o cursinho tem Benjamim com vinte e cinco por cento, que era o reconhecimento de quem ajudou a construir e trata as coisas com o zelo e o amor de dono. Ovacionado. “Eu?”, “Pois, é Rui, você deveria ler os documentos que te dou para assinar.”, Joel estava feliz demais, muito mais felizes do que havíamos planejado no passado.

Os containers chegaram depois que Murilo e Danilo vieram buscar Luana e Tiago, o mesmo amor, mas a intimidade estava modificada, eu precisava fazer uma viagem por ano para visitar meus irmãos da vida toda, Daniel disse que em cinco anos voltam, o tempo certo de expulsar Amon e Amós de casa e morar em seus futuros quartos. Chegou a tempo de eu não surtar, estava louco para não ter filhos em minha cama de madrugada, de toda forma coloquei uma porta com ferrolho interno no corredor das suítes, meu marido estava de pau duro se masturbando com um caralho de silicone no cu quando eu saí do banho, disse que queria que eu o fodesse forte e depois desse meu cuzinho, disse que queria me arrombar, foi delicioso.

Eu amo demais Marcos. Cada hora que eu o encontro eu quero beijar aquela boca. Jogou aquele mamilo pontudo, pequenininho e rosado, tão perto de se perder nos desenhos de seu corpo, eu abocanhou seu pau, detesto meia nove, perco concentração, mas com ele… chupo mal eu sei, mas estou encantado em ver aquele pau falso em meu marido, não aguento, quero substituir aquele brinquedo, fazer Marcos gemer na minha pica, eu sinto a facilidade depois de ele ter facilitado com o brinquedo, ele geme e diz que o pau de Rui é bem maior, o de Galvão mais grosso mas nada é como seu homem e sou eu.

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