História de Carol - Pt. 13

Um conto erótico de Carol Neves
Categoria: Crossdresser
Contém 708 palavras
Data: 04/03/2026 23:41:41

A água quente escorria pelo corpo enquanto ele repetia cada etapa do ritual com atenção quase cerimonial. Esfoliante suave. Sabonete perfumado. Hidratante espalhado com calma. Não era pressa — era presença.

Quando vestiu a lingerie delicada que Júlia havia deixado separada, algo mudou por dentro. Não era só tecido. Era intenção. Era permissão.

Passou o roupão rosa por cima, ajustou a faixa na cintura e respirou fundo antes de abrir a porta.

— Tô indo… — avisou, com a voz um pouco trêmula.

— Vem, eu tô no quarto de visitas! — respondeu Júlia.

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Ao entrar no quarto, Carol ficou imóvel.

O guarda-roupa estava aberto revelando uma variedade impressionante de roupas: vestidos, saias, shorts, blusas de diferentes estilos, cores e tecidos. Sapatos organizados em pares. Lingeries dobradas com cuidado.

Sobre a penteadeira, uma coleção completa de maquiagem.

E, ao lado, a maior surpresa:

uma peruca de cabelos castanhos ondulados, longos, com movimento natural.

— Júlia… — ela murmurou, os olhos percorrendo tudo. — De onde você tirou tanta coisa?

Júlia cruzou os braços, orgulhosa.

— Doações que eu recolho de vez em quando. Minhas irmãs sempre deixam peças aqui quando vêm me visitar. Eu guardo o que tá em ótimo estado. Sabia que um dia isso ia servir pra algo especial.

Carol levou a mão ao peito.

— Você pensou nisso tudo… pra mim?

— Claro que pensei. Você achou que eu ia fazer um “dia de meninas” meia boca?

As duas riram.

Júlia então pegou um conjunto já separado na cama.

— Pra começar o dia: short jeans curto, bem desfiado nas bordas. Blusinha branca de alcinha. E essa rasteirinha com pedrinhas. Casual, leve, confortável.

Entregou as peças.

— Veste no seu tempo. Se olha. Sente. Eu volto pra te maquiar.

Carol assentiu, ainda absorvendo tudo.

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Trocar o roupão pelo look foi quase simbólico. O short justo abraçou o quadril. A blusinha de alcinha deixou os ombros delicadamente expostos. A rasteirinha trouxe leveza.

Ela se olhou no espelho do guarda-roupa por alguns segundos.

Ainda sem maquiagem, já se reconhecia ali.

Criou coragem e chamou:

— Júlia… pode vir.

A amiga entrou com um sorriso que dizia tudo antes mesmo de falar.

— Olha você…

Carol desviou o olhar, envergonhada.

— Tá estranho?

— Tá lindo. Agora senta aqui.

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Ela se acomodou na cadeira diante da penteadeira. O coração acelerado, mas feliz.

Júlia começou com uma base leve, espalhando com cuidado.

— Durante o dia, menos é mais — explicou. — Pele bem feita, mas natural. Nada pesado.

— Eu sempre exagero no iluminador — Carol confessou, rindo.

— Porque você gosta de brilhar. E tá tudo bem. Mas cada ocasião pede um equilíbrio.

Enquanto aplicava blush suave, continuaram conversando.

— O mundo feminino tem muito disso — disse Júlia. — Não é só roupa. É detalhe. É contexto. É sentir o ambiente.

— Eu fico pensando se um dia eu vou saber escolher sozinha…

— Vai. Com prática. E errando também. Toda mulher já saiu de casa achando que tava arrasando e depois viu foto e pensou “meu Deus”. Faz parte.

As duas riram alto.

— E sobre maquiagem? — Carol perguntou.

— Treino e referência. Descobre o que valoriza seu rosto. Não tenta copiar exatamente ninguém. Adapta.

Máscara nos cílios. Um batom rosado suave.

Por fim, Júlia pegou a peruca.

— Preparada?

Carol engoliu em seco.

— Preparada.

Júlia posicionou cuidadosamente os fios castanhos ondulados, ajustando com delicadeza. Penteou levemente com os dedos, alinhando a franja lateral.

— Agora olha.

Carol ergueu os olhos devagar.

O reflexo devolveu alguém inteiro.

Não havia traços de improviso.

Não havia pressa.

Não havia medo.

Não via Carlos ali.

Viu Carol.

Os olhos marejaram antes que pudesse controlar.

— Júlia… — a voz falhou.

Ela levantou da cadeira e abraçou a amiga com força.

— Obrigada. De verdade.

— Você merece se ver assim — Júlia respondeu, apertando de volta. — Isso sempre esteve aí.

Respiraram fundo juntas.

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Foram para a sala como duas amigas em um sábado qualquer.

Sentaram no sofá, ligaram a TV, comentaram sobre programas bobos, riram de comerciais, mexeram no celular.

Carol cruzava as pernas com naturalidade, ajustava o short distraidamente, passava a mão pelos fios ondulados como se sempre tivesse feito aquilo.

Era simples.

E justamente por isso, especial.

Entre conversas leves e pequenas tarefas do dia a dia, o relógio avançava em direção ao almoço.

Mas, diferente de outras vezes, não havia contagem regressiva para desmontar tudo.

Havia apenas um dia inteiro pela frente.

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