Quando Vanessa chega, traz no rosto um sorriso vitorioso que me irrita imediatamente. “Bom dia, senhor Marcelo”, diz ela em tom cordial, a voz tonificada para testar minha paciência. “Que bom que decidiu voltar.”
Minha vontade é mandá-la à merda, mas à oito dias usando essa gaiola, a tensão acumulada nas minhas bolas já beira o insuportável. Engulo o orgulho e, forçando a civilidade, respondo de má vontade: “Bom dia… Senhora.”
O sorriso dela se abre ainda mais, satisfeita com o que acabou de me ouvir dizer. Destranca a porta e entra, movendo-se com calma e elegância. Sem dizer nada, vai até sua mesa, e pega da gaveta mesma calcinha lilás do dia anterior. Ela a deposita sobre a mesa com cuidado, e então me encara — como quem aguarda que o óbvio aconteça.
Observo a peça. O algodão suave, o tom lilás clarinho, a renda delicada na borda. É pequena, feminina, ridiculamente fofa. Tudo nela parece feito para me envergonhar.
“Foda-se…” murmuro, pegando a calcinha da mesa, tentando manter a compostura enquanto a humilhação cresce por dentro. “Onde tem um banheiro?”
Vanessa cruza os braços, sorrindo. “Banheiro? Nós já somos tão íntimos, senhor Marcelo. Esqueceu que fui eu quem trancou o seu pintinho? Pode se trocar aqui mesmo.”
A raiva me consome, mas não há outra saída. O desejo de alívio supera qualquer orgulho. Respiro fundo e começo a me despir, ignorando o olhar fixo dela, que me acompanha como o de uma predadora paciente. A calça e a cueca caem de uma vez só, revelando a gaiola de metal presa entre as pernas.
O canto da boca de Vanessa se curva num sorriso debochado. “Que adorável…” diz, saboreando cada sílaba. “Seu piupiuzinho está tentando ficar durinho na gaiolinha. Está ansioso para usar a calcinha pela primeira vez, é isso?”
“Está assim porque estou há uma semana sem gozar!” rebato, sem conter a irritação.
Vanessa ergue as sobrancelhas, e com medo da retalhação, rapidamente completo corrigindo o tom. “Senhora”.
O rosto dela suaviza, e um sorriso quase maternal se forma, mas à algo cruel escondido em suas feições. “Não precisa ter vergonha, senhor Marcelo. Todos nós estamos curiosos para ver como o senhor vai ficar de calcinha. Aliás… seria muito mais gracioso se ficasse só com ela. Por que não tira o resto da roupa também?”
Isso não soa como um pedido. A retaliação veio de qualquer forma — mas poderia ter sido pior. Para conseguir o orgasmo que tanto necessito, isso se torna apenas um pequeno inconveniente a mais.
Respiro fundo e começo a tirar a camiseta, depois as meias, até ficar completamente nu — exceto pela gaiola metálica. A vergonha pulsa quente no rosto.
“Muito bem”, diz Vanessa, satisfeita. “Pode colocar a calcinha que o senhor tanto queria.”
Seguro a peça com as mãos trêmulas e a deslizo lentamente pelas pernas. O tecido é macio, e o toque suave nas coxas me faz estremecer. A sensação é estranhamente íntima — delicada demais — e isso só torna tudo mais humilhante.
A calcinha cobre a gaiola pela frente escondendo-a completamente, mas atrás, o tecido se ajusta baixo demais, desenhando um cofrinho constrangedor.
“Feliz agora?” pergunto, a voz tensa e amarga.
“Por favor, vire de costas”, diz Vanessa, com toda a calma do mundo.
Obedeço devagar, sentindo o rubor subir pelo pescoço.
“Sua calcinha está mal colocada, senhor Marcelo.”
“É óbvio que está”, retruco. "Essa calcinha é muito pequena, foi feita para mulheres!”
Vanessa balança a cabeça com paciência. “Esse é um erro comum. Ela não está pequena — e não faz a menor diferença ser feita para mulheres, especialmente quando o pênis do usuário se parece mais com um clitóris.”
Sinto o rosto queimar com o comentário.
“O ajuste das calcinhas é diferente das cuecas. Você precisa puxar mais até a cintura para que o tecido se acomode melhor. Tente fazer isso.”
Resignado, puxo a calcinha lilás para cima. O tecido sobe se ajustando rente à poupa, delineando minhas curvas com delicadeza. A sensação é estranha, íntima, humilhante.
“Bem melhor…”, comenta Vanessa, satisfeita. Faz um gesto com a mão. “Sente-se.”
Obedeço, meio constrangido, evitando encará-la. Ela se encosta na mesa, cruza os braços e me observa por um instante que parece longo demais.
“Agora… sobre ontem. Acho que é importante começar esta sessão com um pedido de desculpas pelo comportamento histérico que o senhor demonstrou.”
Respiro fundo. “Desculpe, senhora…” digo, forçando a calma.
Vanessa inclina a cabeça. “Não, senhor Marcelo. Quero que diga a palavra. Que se desculpe por ter agido de forma histérica.”
Fecho os olhos por um instante. Engulo o orgulho. “Desculpa por ter agido de forma histérica ontem, senhora.”
“Assim está melhor.” Ela sorri, satisfeita. “Viu? A calcinha já está fazendo efeito. Eu te desculpo, meu querido. Mas só porque ainda está no início da reabilitação. Da próxima vez, não serei tão benevolente.”
Reviro os olhos, bufando. “Tá… já pedi desculpa. Posso gozar agora?”
Vanessa levanta uma sobrancelha. “Agora? Mas sua sessão nem começou.”
Solto um suspiro frustrado. “Ok… vamos começar, então.”
Vanessa mantém os braços cruzados enquanto me observa com calma. “Antes de qualquer coisa, precisamos reeducar a forma como você se comunica com as mulheres”, diz num tom firme didático. “Vamos simular uma situação real. Uma academia, por exemplo.”
Sinto o desconforto aumentar. Ela continua, impassível: “Imagine que você quer revezar um equipamento com uma garota. Você se aproxima. Como começaria essa conversa?”
Solto o ar com impaciência. “Eu sei lá.”
“Comece com: ‘Com licença, senhora.’”
“Senhora? Mas a Ana tem a minha idade.”
“Ninguém disse que o senhor está falando com a Ana”, ela responde com a voz serena. “E mesmo que estivesse, essa é a forma apropriada de um rapazinho se dirigir a uma jovem desconhecida.”
Reviro os olhos, mas cedo. “Com licença, senhora… posso revezar com você?”
Vanessa muda ligeiramente a postura, como se agora estivesse encenando a tal 'desconhecida' da academia. “Claro”, responde, mantendo o papel com naturalidade. “Não são muitos homens que gostam de treinar glúteos. Já terminei minha sequência, pode fazer a sua.”
Eu paro, confuso. “Glúteos?”
Ela apenas confirma, séria. “Sim, glúteos. Eu estou treinando glúteos. É isso que você quer treinar, não é?” Um pequeno aceno de cabeça indica que eu tenho que continuar.
“Sim. Claro. Quero treinar glúteos.”
“Ótimo Estou fazendo agachamento com uma perna só. Conhece?”
“Sim… conheço.” E conheço mesmo. Não costumo fazer — é mais comum entre mulheres — mas depois de tantos anos de academia, eu sei do que se trata.
Vanessa então se levanta e arrasta suavemente a cadeira para sua lateral. “Vamos lá. Pode começar.”
Meio sem jeito, caminho até a cadeira, viro de costas, apoio o pé esquerdo sobre o assento e começo os agachamentos, a calcinha se ajusta ligeiramente contra minha pele a cada novo movimento.
Vanessa continua falando como se aquilo tudo fosse perfeitamente natural. “Sabe… você tem uma bundinha bem bonitinha, se...”
Paro por um instante. "O que isso tem haver com..."
"Continue." Vanessa ordena firme e seca. E eu volto com os agachamentos.
"Como eu ia dizendo, você tem uma bundinha bem bonitinha. Se treinar bastante, ela vai ficar bem gostosa.”
Fico sem reação por um segundo. Esse não é um comentário que uma mulher faria na academia. Tento permanecer neutro “Hum… obrigado…”
“Me trate por senhora.” Ela corrige imediatamente, serena.
Já um pouco ofegante com o exercício, apenas corrijo: “Hum… obrigado, senhora.”
As coxas já começam a arder. Troco a perna de apoio, posiciono o pé direito na cadeira e continuo.
Vanessa observa com os braços cruzados. “Não é só o bumbum… seu corpo é bem feminino no geral.”
Olho por cima do ombro, sem saber se ela está zombando ou constatando algo sério. Não respondo. Apenas continuo, a perna tremendo levemente.
Ela se inclina um pouco para frente, franzindo suavemente a testa. “Espera… essa marquinha no seu short… é rendinha? Você está usando calcinha?”
Sinto o rosto arder. Termino o último agachamento da série e olho para ela sem entender.
Vanessa inclina a cabeça. “Não? Ah. Deve ter sido impressão minha, então. Pode continuar, já terminei minha sequência.” Ela aponta com a mão para a cadeira — o sinal de que quer que eu prossiga.
“Eu… já tô cansado. Senhora…” digo, tentando manter a formalidade que ela exige.
Ela sorri de leve. “Já? Talvez você devesse mesmo estar usando uma calcinha, então...”
Não entendo onde ela quer chegar, mas, orgulhoso e tentado pelo desafio, volto a posicionar o pé esquerdo na cadeira. Continuo. As pernas queimam mais.
“Muito bem…” ela comenta, sem tirar os olhos de mim. “Ninguém conquista uma bundinha de Panicat sem esforço. Continue.”
Eu respiro fundo e troco mais uma vez a perna. Não respondo. Só aguento. Cada descida parece mais pesada que a anterior.
“Mais abaixo, garoto. Até o chão.” Ela diz como se fosse uma instrutora, apesar de não ser esse o papel que ela estava atuando.
Engulo seco, desço mais. Minhas pernas ardem, a respiração fica pesada. A calcinha já adentrada na minha fenda. A situação é ridícula, mas se isso me aproximar da chave da minha gaiola de castidade, vale aguentar.
Depois da quarta série — já com minhas pernas quase falhando — Vanessa volta com seu tom habitual.
“Muito bem, querido. Pode se sentar.”
Levo a mão à coxa, finalmente podendo descansar. O músculo pulsa, quente e trêmulo. Ajusto discretamente o elástico da calcinha, e vou me sentar de volta na minha cadeira, ainda arfando pesado, o peito subindo e descendo de cansaço.
Vanessa arrasta sua cadeira novamente para perto da mesa e se senta também. Suas costas permanecem eretas, o olhar firme… mas agora há uma suavidade quase carinhosa em seus olhos, como se estivesse satisfeita com o resultado.
“Aprendeu agora como deve tratar uma mulher, querido? Percebeu como a forma que abordou aquela garota foi errada?”
Essa dinâmica nao fez o menor sentido sob nenhuma perspectiva. Mas admito o que for preciso, ainda mais depois de tanto esforço.
“Oh… claro. Percebi sim.” respondo ainda respirando rápido, e sem nenhuma convicção.
Vanessa acena devagar, satisfeita. “Isso é um começo, senhor Marcelo. Reconhecer o impacto de suas atitudes é o primeiro passo para mudar.” Ela cruza as pernas com calma. “Nossa sessão de hoje termina aqui. Você está dispensado. Leve essa calcinha com você e amanhã traga limpa. Vou te entregar outra.”
O calor na minha pele muda de vergonha para irritação. Engulo seco. “Espera… e a minha chave?”
Ela franze levemente a testa, como se realmente não entendesse. “Sua chave?”
“A chave da minha gaiola de castidade”, solto, a voz tensa.
Vanessa inclina a cabeça, um brilho satisfeito nos olhos. “Você não ouviu nada do que conversamos até agora, senhor Marcelo?. Se quer seu alívio, antes precisa se resolver com a garota que assediou.”
Uma onda de raiva me atravessa, participei de toda essa palhaçada para nada. Quero gritar que não assediei ninguém, que tudo está sendo exagerado, mas sei que não adianta. Respiro fundo, tentando não perder o controle.
“Me libera primeiro… depois eu falo com ela”, digo entre os dentes. Tento parecer menos desesperado e acrescento, quase cuspindo as palavras: “Por favor… senhora.”
Ela apenas balança a cabeça, calma, imperturbável. “Não, senhor Marcelo. Primeiro a obrigação. Depois sua recompensa.”
Fico em silêncio por alguns segundos, o maxilar travado. Insistir não vai mudar nada. “Tá… que seja”, murmuro, tentando esconder a frustração.
“Ótimo.” O sorriso dela se alarga, impecável.
Levanto, evitando olhar para ela. Tiro a calcinha, embolo de qualquer jeito para enfiá-la no bolso da calça e, em silêncio, pego o resto das roupas e me visto.
“Até amanhã, querido”, ela diz, como se tudo tivesse sido apenas uma conversa comum.
Não respondo. Apenas giro a maçaneta, saio da sala e sigo pelo resort. Minha mente está em um turbilhão de raiva, vergonha e ansiedade. Caminho atento, observando cuidadosamente cada canto à minha vista.
Preciso encontrar Ana.
