Olá amores, como foi prometido, estou dando início a essa nova série de contos.
O Contrato da Autenticidade". É uma história que trata sobre Feminização, e até onde você estaria disposto a ir para ter riqueza e alcançar o sucesso. Espero que se sintam na pele da personagem e acompanhem toda essa sua jornada de descoberta.
Espero que gostem da série, beijinhos a todos.
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Carlos, um rapaz tímido, com ombros ligeiramente curvados pela insegurança, usava roupas modestas, de pele branca, e cabelos pretos pouco abaixo dos ombros, e traços delicados, aos seus 20 anos, um jovem retraído, com grande ambição financeira, mas atormentado por uma tristeza interna, por um fato de sua personalidade que tentava esconder, reprimir. Era apenas uma engrenagem menor no gigantesco complexo de escritórios da Mirana Corp. Seu "ambiente de trabalho" era um cubículo apertado e cinza no setor de arquivos, onde a luz do sol parecia ser um luxo negado. Seu trabalho consistia em catalogar e escanear pilhas infinitas de documentos de terceirização, ganhando um salário que mal cobria as contas e a promessa de um futuro distante e incerto. Ele vestia o mesmo blazer surrado de poliéster todos os dias e sonhava com o dia em que teria uma mesa com vista, e não apenas a visão da divisória do colega.
Foi no final de uma terça-feira particularmente maçante que o elevador executivo se abriu em seu andar. De lá, saiu Letícia, 29 anos uma das vice-presidentes, conhecida por sua elegância fria e por jamais pisar naquele nível da empresa. Letícia vestia um conjunto impecável de seda e saltos que ecoavam no carpete silencioso. De grande beleza, ela é elegante e chic, mas sua beleza é controlada e profissional. Seu semblante era de quem estava ali a negócios urgentes, e ela parou diretamente em frente ao cubículo de Carlos, que quase derrubou sua caneca de café de susto.
— Carlos de Souza?, ela perguntou, a voz polida. — A Presidente Mirtes deseja conversar com você. Agora.
Mirtes, 62 anos, a presidente geral da Mirana Corp, é uma mulher impecável e atemporal. Usa tailleurs de alta costura, joias discretas e caras, e tem uma postura que exige respeito. Seu cabelo é sempre perfeitamente arrumado, e seu olhar é frio e analítico. a personificação da linha dura e da busca implacável pela perfeição. Para Mirtes, as pessoas são peças de xadrez em um tabuleiro corporativo. Sua moral é ditada pelo lucro e pela imagem da empresa.
O escritório da Presidente Mirtes ficava no topo, no 35º andar. Depois de uma tensa espera no hall de mármore, Carlos foi conduzido à presença de Mirtes. A presidente, uma mulher de poder discreto, não enrolou. Ela o elogiou por sua discrição e foco, e depois foi direto ao ponto.
— O que você acha de ganhar um milhão de euros ao ano?"
Carlos não soube o que dizer. - Mirtes continuou.
— Temos uma vaga no escalão superior, Carlos, que exige um tipo muito específico de... apresentação. Esta vaga exige que você passe por um treinamento intensivo de imagem e comportamento, supervisionado por mim. Ao final, você assumirá a posição como Carla de Souza. Carlos sentiu o ar rarefeito do andar superior se tornar mais rarefeito ainda.
— A Mirana Corp precisa de Carla. E você, Carlos, precisa deste salário. A proposta está na mesa.
O silêncio na sala de Mirtes se tornou pesado, quebrando apenas pelo som distante do tráfego lá embaixo.
Carlos sentiu o sangue sumir do rosto, as palavras da presidente pairando no ar como uma névoa irreal. Ele não conseguiu responder imediatamente; o choque era profundo demais. Transformar-se em... Carla? Por um salário que mudaria sua vida? Seu olhar vagueou da face impassível de Mirtes para a indiferença calculada de Letícia, que estava encostada na parede, observando-o.
Finalmente, ele conseguiu forçar as palavras para fora, a voz mais baixa e rouca do que esperava.
— Eu... eu não entendi, Sra. Mirtes, ele gaguejou, apertando as mãos suadas no colo.
— O treinamento é para a posição, claro, mas... por que... por que 'Carla'? Eu não... eu não sou trans.
Mirtes esboçou um sorriso fino, quase imperceptível.
— Não é uma questão de quem você é, Carlos, mas de quem a empresa precisa que você seja. A vaga é de Relações Públicas Estratégicas Sênior, e neste momento, essa vaga exige uma figura feminina forte, carismática e, acima de tudo, única. Uma 'Carla' que se destaca. O treinamento irá garantir que você, como Carla, seja a pessoa ideal para o cargo. Ele abrange tudo: postura, comunicação, vestuário, e a apresentação completa. Eu vou te moldar, pessoalmente. Ela inclinou-se ligeiramente. — É um processo intensivo, e é a única condição. O salário é um milhão de euros por ano. Oportunidades como essa não esperam. Pense bem.
O passado de Carlos era uma tapeçaria tecida com ausência e resiliência silenciosa. O eixo da vida familiar havia sido sua mãe, Sandra, mulher de 49 anos, com marcas de expressão discretas que contam sua história de luta; usa roupas simples e confortáveis, mas sempre arrumadas. Seus olhos são atentos e calorosos. que, após a morte trágica do marido Gerson no acidente de carro, vestiu a armadura da matriarca solitária para criar os dois filhos pequenos. Sandra não era fria, mas era pragmática; ela transformou a dor da perda na energia para garantir que Tatiana e Carlos tivessem o essencial, focando na estabilidade material em detrimento da exploração emocional. Sua principal motivação é a estabilidade material e a felicidade dos filhos. Ela é carinhosa, mas sua expressão de amor é frequentemente traduzida em preocupação e trabalho duro. Ela valoriza mais a essência do que a aparência social.
A irmã, Tatiana, 22 anos, radiante e despojada, com um estilo que reflete sua atitude descontraída. É expressiva e cheia de energia era o contraste vibrante. Tatiana é uma mulher de bem com a vida, focada no presente e com uma capacidade natural de ver o lado positivo. Ela é a "âncora da alegria" na família, contrastando com a seriedade de Sandra. E o primeiro ponto de confusão de Carlos sobre si mesmo.
Houve um período, quando criança, em que Carlos sentia uma atração inexplicável pelas roupas da irmã – as saias rodadas, os tecidos coloridos. Ele as pedia, e quando a recusa inicial de Sandra vinha, ele chorava com uma intensidade que partia o coração da mãe. A contragosto, e com um nó na garganta que ela jamais confessou, Sandra acabava cedendo. Ela permitia que ele vestisse o que pedia, talvez como uma tentativa de estancar a dor da criança, ou talvez temendo o que a teimosia poderia esconder. Era um segredo silencioso, uma fase que, para alívio de Sandra, pareceu se esvair com a adolescência.
O tempo passou, e Carlos se adaptou ao papel esperado. Ele vestiu as roupas de "homem", buscou empregos e até tentou encaixar-se em relacionamentos superficiais. Os namoros com mulheres eram sempre breves e nunca evoluíam para algo sério, como se houvesse uma porta trancada em seu interior que ele temia abrir para qualquer pessoa, inclusive para si mesmo. A pressão de ser o "homem da casa" e o trauma silenciado da infância criaram um Carlos adulto discreto, quase invisível, que encontrava refúgio no anonimato do seu cubículo.
Agora, a proposta de Mirtes – a de se transformar em Carla – não era apenas uma oferta de emprego, mas um terremoto que revisitava aquele quarto de criança. O dilema não era apenas sobre o salário; era sobre a oportunidade de dar uma voz e um corpo àquela atração há muito reprimida, sob o pretexto seguro de um "treinamento de imagem" corporativo. A ambição e o segredo de infância haviam convergido de forma explosiva no topo do 35º andar.
