Uns dias depois da sexta-feira em que Moisés veio em casa e tudo virou um caos de corpos suados e gemidos na nossa cama, o silêncio voltou a pesar. Viviane e eu mal nos falávamos direito — beijos rápidos, “bom dia” seco, “boa noite” murmurado. Pedro era o único que mantinha a casa viva, contando histórias da escola, pedindo pra jogar bola no quintal. Eu trabalhava até tarde no escritório pra não precisar encarar o quarto cedo demais.
Na terça à tarde, meu celular vibrou enquanto eu revisava um processo. Número desconhecido, mas o DDD era de Rio Preto. Atendi.
— Alô?
— Vítor? É a Sofia.
Meu coração deu um pulo. A voz dela era baixa, quase sussurrada, como se estivesse escondida em algum canto da casa.
— Sofia? Como você pegou meu número?
— Moisés... ele me deu. Disse que era pra emergência. Eu... eu preciso conversar com você. Sozinho.
Eu olhei pro relógio. 16h20. Viviane só voltava da escola às 18h.
— Sobre o quê?
— Sobre... o que aconteceu na área de lazer. Eu não paro de pensar. Você foi o primeiro. Tirou minha virgindade. E eu... eu quero de novo. Mas dessa vez só nós dois. Sem Moisés. Sem ninguém olhando.
Eu engoli seco. A imagem dela ajoelhada, corpo pequeno tremendo, olhos arregalados quando viu meu pau, voltou inteira. O jeito que ela choramingou de dor e depois gemeu quando entrei devagar. Meu pau endureceu na calça só de lembrar.
— Sofia, isso é loucura. Você sabe o risco. Sua família, a escola...
— Eu sei. Mas eu não consigo parar de sentir. Toda noite eu me toco pensando em você. No jeito que você foi devagar, no quanto doeu... e no quanto eu gostei depois. Por favor. Só uma vez. Na sua casa. Agora. Minha mãe acha que eu tô na biblioteca estudando.
Eu hesitei. Olhei pro retrato de família na mesa: eu, Viviane e Pedro sorrindo numa praia antiga. Mas o tesão venceu.
— Tá bom. Vem. Mas rápido. A porta dos fundos fica aberta.
Meia hora depois, ela chegou. Vestidinho florido curto, mochila nas costas como se fosse mesmo estudar. Cabelo cacheado solto, rosto de menina com maquiagem leve borrada de nervoso. Entrou pela cozinha, olhos baixos.
— Oi...
Eu fechei a porta, tranquei. O ar ficou pesado na hora.
— Senta — falei, apontando pro sofá da sala.
Ela sentou, pernas juntas, mãos no colo.
— Eu não contei pra ninguém. Nem pro Moisés. Nem pra Viviane. Mas eu... eu preciso sentir de novo. Só nós dois. Sem pressa. Sem dor tanta. Quero aprender direito.
Eu me sentei do lado dela. Toquei o rosto dela devagar. Pele quente, macia.
— Você tem certeza?
Ela assentiu, olhos grandes fixos nos meus.
— Tenho. Me ensina.
Levantei, peguei a mão dela. Subimos pro quarto. Fechei a porta. Tirei a camisa dela devagar. Ela tremia, mas não recuou. Tirei o vestido. Ficou só de calcinha branca simples, seios pequenos empinados, bicos rosados duros. Ajoelhou na frente da cama como da outra vez.
— Posso?
Eu abri a calça. Meu pau saltou duro, 22 cm, grosso. Ela pegou com as duas mãos, olhos arregalados de novo.
— Ainda acho gigante...
Começou a chupar devagar. Língua rodando na cabeça, boca pequena tentando engolir mais. Eu gemi baixo, mão no cabelo cacheado dela. Ela melhorou rápido — lambia as veias, chupava as bolas, olhava pra cima pedindo aprovação.
— Assim tá bom?
— Perfeito...
Levantei ela, joguei na cama de costas. Tirei a calcinha dela. Bucetinha rosada, ainda um pouco inchada da memória da outra vez, mas molhada brilhando. Beijei o pescoço, desci pros seios, chupei os bicos devagar. Ela arqueou as costas, gemeu baixinho.
— Vítor... me fode...
Abri as pernas dela. Encostei a cabeça na entrada. Empurrei devagar. Entrou fácil dessa vez — ela tava molhada pra caralho. Metade dentro. Ela gemeu alto, unhas nas minhas costas.
— Ai... gostoso...
Comecei a meter ritmado. Fundo, devagar, depois mais rápido. Ela rebolava pra encontrar cada estocada, gemendo no meu ouvido.
— Mais forte... por favor...
Acelerei. Batendo fundo, cama rangendo. Ela gozou primeiro — corpo tremendo, buceta apertando meu pau em espasmos, gritando meu nome. Eu continuei, suado, metendo mais forte. Gozei dentro dela, enchendo tudo, pulsando forte.
Caímos lado a lado, ofegantes. Ela virou pro meu lado, beijou minha boca devagar.
— Obrigada... foi melhor que da primeira vez.
Eu sorri, mas o peito apertou. Culpa misturada com tesão.
— Agora vai embora antes que...
A porta do quarto abriu de repente.
Viviane parada ali, bolsa no ombro, uniforme de educação física, olhos arregalados.
— Que porra é essa?
Sofia pulou da cama, tentando cobrir o corpo com o lençol. Eu fiquei sentado, pau ainda semi-duro, sem reação.
Viviane entrou, fechou a porta atrás dela. Voz tremendo de raiva.
— Sofia? Aqui? Na nossa cama?
Sofia começou a chorar.
— Professora... eu... eu pedi pra ele...
Viviane olhou pra mim. Lágrimas nos olhos.
— Você... trouxe ela aqui? Enquanto eu tava na escola?
Eu levantei devagar.
— Viviane... foi ela que ligou. Disse que precisava conversar...
Ela riu amargo, voz quebrada.
— Conversar? Com o pau dentro dela? Igual eu fiz com Moisés?
Silêncio pesado. Sofia chorando baixo. Eu sem palavras.
Viviane jogou a bolsa no chão.
— Agora a gente tá quites. Mas isso... isso não acaba aqui.
Ela virou e saiu do quarto, porta batendo forte.
Sofia olhou pra mim, olhos cheios d’água.
— Eu... eu estraguei tudo.
Eu abracei ela rápido.
— Vai embora. Agora.
Ela se vestiu depressa, saiu correndo pela porta dos fundos.
Eu fiquei sozinho no quarto, cheiro de sexo no ar, lençol bagunçado. Viviane na sala, chorando alto.
Discutimos naquela mesma noite, depois que Sofia saiu correndo pela porta dos fundos e Viviane ficou parada na sala, olhando pra mim como se eu fosse um estranho. A bolsa dela ainda no chão, o uniforme suado da escola, os olhos verdes cheios de lágrimas que não caíam mais — só queimavam.
— Como você pôde? — ela perguntou, voz baixa, quase morta. — Com uma aluna minha. Na nossa cama. Enquanto eu tava dando aula pra crianças.
Eu sentei no sofá, cabeça baixa, sem defesa.
— Ela ligou. Disse que precisava conversar. Eu... eu não pensei direito. Foi erro. Igual o seu com Moisés.
Ela riu seco, amargo.
— Igual? Você me flagrou com ele porque a gente combinou. Eu te deixei assistir. Eu te puxei pra cama depois. E você... você trouxe ela escondido. Enquanto eu tava trabalhando pra sustentar essa casa.
O silêncio caiu pesado. Pedro dormia no quarto, alheio a tudo. Eu levantei os olhos.
— A gente tá destruindo isso tudo, Viviane. Moisés, Sofia, as mentiras... não dá mais.
Ela assentiu devagar, enxugando o rosto com a manga.
— Eu sei. Eu também não aguento mais. O ciúme me come por dentro. Ver você com ela... foi como uma facada. Mas eu fiz o mesmo com você.
Sentamos na cozinha até de madrugada. Tomamos café frio, falamos baixo pra não acordar o moleque. Admitimos que o “abrir a relação” virou uma guerra de quem machucava mais. Que o tesão inicial virou veneno. Que Pedro merecia mais que pais que se odiavam em silêncio.
No final, decidimos: acabar por ali. Separação. Guarda compartilhada do Pedro — ele ficaria uma semana com cada um, feriados alternados, férias divididas. Nada de briga na justiça. Eu pagaria pensão, ela continuaria na escola. A casa seria vendida depois, dividimos o dinheiro. Sem ódio declarado. Só cansaço.
— Eu ainda te amo — ela disse, voz embargada. — Mas não dá mais pra viver assim.
— Eu também te amo. Mas a gente se perdeu.
Assinamos um acordo informal no dia seguinte, com advogado amigo meu. Pedro chorou quando contamos, mas entendia que “mamãe e papai precisam de um tempo”. Ele era novo, mas era esperto demais.
Uma semana depois, meu celular tocou de novo. Número da Sofia.
— Vítor... eu tô grávida.
Meu mundo parou. Sentei na cama do hotel barato onde eu tava hospedado enquanto procurava apartamento.
— Como assim? Você tem certeza?
— Fiz dois testes. E fui no posto. É verdade. Eu nunca tomei remédio... nem pílula, nem nada. Meus pais são evangélicos radicais, achavam pecado. Eu nunca pensei que ia acontecer tão rápido.
Eu respirei fundo.
— E agora?
— Eu não quero abortar. Quero ter. Mas meus pais... vão me expulsar de casa. Já me olham torto por causa das fofocas na escola. Se souberem que é de um homem casado... de um advogado... eles me matam de vergonha.
Silêncio.
— Vem pra cá — falei. — A gente resolve juntos.
Ela chegou no dia seguinte com uma mala pequena e os olhos vermelhos. Abandonou os pais sem aviso. Tinha 18 anos recém-completos, não devia satisfação legal. Mas o coração dela tava partido — a mãe chorou na porta, o pai gritou “pecadora” e bateu a porta na cara dela. Ela não olhou pra trás.
Viviane soube logo. Moisés contou — ele ainda rondava ela, ainda ia na casa dela às vezes. Ela não brigou comigo. Só disse:
— Cuida dela. E do bebê. Pedro vai querer conhecer o irmãozinho.
Viviane ficou com Moisés. Não casaram, mas ele se mudou pra casa dela. Viraram um casal estranho — ela professora, ele o “aluno repetente” que virou companheiro. Pedro ia pra lá nas semanas dele, voltava contando que “o tio Moisés joga bola melhor que o papai”. Doía, mas eu aceitava.
Eu me mudei pra capital — São Paulo. Aluguei um apartamento pequeno no Brooklin, perto do escritório. Sofia veio comigo. Ela abandonou a escola, mas se matriculou num supletivo à distância. Eu trabalhava muito, pagava tudo. Ela cuidava da casa, da barriga que crescia.
A gravidez foi tranquila. Ela chorava às vezes à noite, saudade da mãe, medo do futuro. Eu abraçava ela, beijava a barriga. “Vai dar certo. A gente vai ser família.”
Nasceu uma menina linda. Ana. Cabelo cacheado como a mãe, olhos verdes como os da Viviane — ou talvez só impressão minha. Nasceu de cesárea, chorou forte no primeiro segundo. Quando colocaram ela no meu peito, eu chorei como criança. Sofia sorriu fraca, exausta.
— Ela é nossa.
Viviane veio visitar no hospital. Trouxe Pedro. Ele olhou pra irmãzinha com olhos grandes.
— Ela é minha irmã de verdade?
— Metade sim, metade não — expliquei. — Mas é família.
Viviane segurou Ana no colo. Olhou pra mim por cima da cabecinha.
— Ela é linda. Parabéns.
Não tinha raiva nos olhos dela. Só uma tristeza quieta, e talvez alívio.
Viviane continuou com Moisés. Eles tiveram um filho depois — um menino forte, pele escura como o pai. Pedro adorava os dois irmãos. Ia e voltava entre as casas, feliz com as duas famílias.
Eu e Sofia moramos bem. Não era perfeito. Ela sentia falta da família, eu sentia falta de Viviane às vezes. Mas a gente construiu algo. Eu trabalhava no escritório, defendia causas grandes. Ela fez faculdade de pedagogia à noite, virou professora como Viviane. Ana cresceu correndo no apartamento, depois numa casa pequena que compramos em Cotia.
Nas noites em que Ana dormia, Sofia deitava no meu peito e sussurrava:
— Obrigada por não me deixar sozinha.
Eu beijava a testa dela.
— Obrigado por me dar uma família de novo.
Viviane e eu nos falávamos por causa do Pedro. Encontros neutros, sorrisos forçados que viraram sinceros com o tempo. Moisés me cumprimentava no campinho quando eu levava Pedro jogar bola. “Professor.” Eu respondia: “Moisés.”
O cruzamento perigoso que começou no bar, no campinho, na cachoeira... terminou assim. Não como eu imaginava. Não com vingança, nem com destruição total. Com duas famílias quebradas que, aos poucos, aprenderam a conviver.
Ana chamava Viviane de “tia Vivi”. Pedro chamava Sofia de “tia Sofia”. E eu, no meio de tudo, olhava pras duas mulheres que amei de jeitos diferentes, pros filhos que tinha com cada uma, e pensava:
“Eu destruí muita coisa. Mas, no final, construí algo que não esperava.”
E isso, de algum jeito torto, era suficiente.