Fui na mercearia do João, amigo do meu pai

Um conto erótico de C0nt0s.Divers0s
Categoria: Gay
Contém 894 palavras
Data: 04/03/2026 10:11:32

O tempo passou de um jeito cruel. Cada minuto no relógio da parede da sala parecia um martelo batendo na minha cabeça. Tentei almoçar, mas o tropeiro da minha mãe parecia areia na boca. Eu olhava para o meu pai, sentado à cabeceira, e via o rosto dele se transformando na decepção que o vídeo do João causaria. Eu não tinha escolha. Eu não podia deixar o Rodrigo saber; ele era sangue quente, ele acabaria com a vida dele e com a minha em um segundo de fúria.

​Às seis horas, o céu começou a ganhar tons de um roxo doentio, carregado de eletricidade. Caminhei em direção à mercearia "Ponto Certo" com as pernas pesadas, sentindo o atrito da cueca na minha pele — a mesma pele que o Rodrigo tinha marcado no dia anterior.

​Quando cheguei, o som da porta de aço descendo foi como o fechamento de uma cela. João me esperava lá dentro, sob a luz fria e amarelada das lâmpadas fluorescentes que zumbiam como moscas. O cheiro de sabão em pó, fumo de rolo e terra molhada era sufocante.

​— Pontual. Gosto assim — ele disse, a voz alta e grossa ecoando entre as prateleiras de arroz e feijão.

​Ele caminhou até o fundo da loja, onde ficava o escritório improvisado, um cubículo atrás do balcão de frios. Eu o segui, de cabeça baixa, o par de óculos escorregando pelo nariz suado. Meu coração estava na garganta.

​— Tira a roupa, Igor. Quero ver se o vídeo faz justiça ao que o compadre criou em casa — ele ordenou, sentando-se em uma cadeira de madeira velha que rangeu sob seu peso enorme.

​Eu obedeci. Meus dedos tremiam tanto que levei o dobro do tempo para abrir o jeans. Fiquei ali, nu, exposto sob aquela luz crua que não escondia nada. Eu era um ponto de brancura absoluta naquele depósito escuro. João me olhou com uma fome diferente da do Rodrigo; a dele era uma fome de posse, de quebrar algo que ele considerava puro.

​Ele abriu o zíper da calça de brim, e o que saiu dali me fez perder o fôlego. Era imenso. Um pau negro, pesado, com veias grossas que pareciam cordas sob a pele escura e brilhante. O contraste com a minha mão pálida, quando ele me mandou segurar, era quase irreal.

​— Começa — ele disse.

​Ajoelhei-me no chão de cimento batido. O medo inicial começou a se misturar com aquela eletricidade perversa que o Rodrigo tinha despertado em mim. Quando minha boca envolveu a cabeça daquele membro, o calor era avassalador. O cheiro de homem maduro, forte e rústico, inundou meus sentidos. Eu comecei a chupar com um desespero que me surpreendeu. Minha língua trabalhava frenética, lambendo cada veia, sentindo o gosto salgado. Eu queria que ele ficasse satisfeito logo, mas ao mesmo tempo, a textura daquela carne negra na minha boca me levava a um lugar de luxúria proibida.

​Eu o deixei todo molhado, minha saliva brilhando contra a pele escura dele. João soltava grunhidos baixos, a mão grande e pesada enterrada no meu cabelo, me puxando com força, me fazendo engasgar e lacrimejar por trás das lentes.

​— Você é viciado nisso, né? O Rodrigo te estragou direitinho — ele disse, com a voz embargada.

​Ele me levantou pelo braço, me jogando por cima de um fardo de sacos de farinha. O tecido áspero arranhou meu peito, mas eu não me importei. Eu estava arqueado, oferecendo minha bunda branca para ele, as preguinhas rosadas pulsando de antecipação e pavor. Ele não usou óleo. Ele usou a própria saliva, espalhando com um dedo grosso que parecia me rasgar.

​Quando ele se posicionou e empurrou, o mundo sumiu. Não foi a entrada técnica e paciente do Rodrigo. Foi uma invasão bruta, um preenchimento que parecia deslocar meus órgãos internos. O pau dele era mais grosso, mais pesado, e a cada estocada eu sentia o impacto no fundo do meu ser.

​— Geme... geme pro João — ele mandava, enquanto as mãos imensas dele apertavam minhas nádegas com tanta força que eu sabia que as marcas seriam permanentes.

​Eu gemi. Gemi alto, a voz ecoando entre as latas de conserva e os sacos de grãos. Eu me deliciava naquela dor que virava prazer, naquela sensação de ser usado por um homem que poderia me destruir, mas que no momento estava escravo do meu corpo. A brancura da minha bunda chocando-se contra a barriga negra e peluda dele criava um ritmo hipnótico. Eu estava sendo tomado pela própria ameaça que me cercava.

​Ele acelerou, as estocadas curtas e violentas me fazendo bater a cabeça contra a parede de madeira. Eu estava em transe. Quando ele gozou, foi como uma inundação quente dentro de mim, um jato grosso que me fez contrair inteiro. Ele desabou sobre mim por um segundo, o cheiro de suor dele me sufocando.

​Ele saiu de mim, limpou-se no pano encardido e pegou o celular.

​— O vídeo tá apagado, Igor. Mas você vai ter que voltar aqui toda quarta. O estoque da mercearia sempre precisa de "limpeza".

​Vesti minha roupa em silêncio, sentindo o líquido dele escorrer pelas minhas coxas. Saí pela porta lateral, o mormaço da noite me abraçando. Eu tinha salvado o Rodrigo. Tinha salvado meu pai. Mas, enquanto caminhava para casa, sentindo meu corpo aberto e pulsante, eu sabia que tinha acabado de abrir a porta para um vício ainda mais perigoso.

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