O Dominador foi dominado

Um conto erótico de RICK_XES
Categoria: Gay
Contém 3318 palavras
Data: 30/03/2026 17:47:13

O ar condicionado do escritório sussurra uma melodia monótona, um zumbido branco que se funde com o clique ritmado dos teclados e o rangido distante de uma cadeira. Antônio não ouve. Ele está no topo do seu mundo, um panteão que ele mesmo construiu com tijolos de ambição e cimento de arrogância. A luz da tarde de São Paulo filtra-se através das janelas do piso 32, banhando a sua mesa de mogno num dourado opulento que parece ter sido feito sob medida para ele. Ele recosta-se na sua cadeira ergonómica de couro, o estofado a ceder sob o peso do seu corpo musculado. O fato sob medida, de um cinzento carvão que realça a largura dos seus ombros e a estreiteza da sua cintura, é uma segunda pele, uma armadura de sucesso.

A sua imagem reflete-se no ecrã preto do monitor desligado. Cabelo escuro, penteado para trás com uma precisão militar, a deixar a testa alta e o maxilar quadrado à mostra. Olhos castanhos, amendoados, que ele sabe serem a sua arma mais letal depois do sorriso. Um sorriso que agora paira nos seus lábios, um meio-sorriso cheio de segredos e conquistas. Ele não precisa se lembrar dos rostos. Eles são uma desfile borrado de pele e suspiros, uma coleção de vitórias que validam o seu status. Ele é um alfa. A palavra ecoa na sua mente, não como um conceito, mas como uma verdade fundamental, como a lei da gravidade. Ele é o centro do universo profissional e social, um planeta em torno do qual todos os outros satélites orbitam, atraídos pela sua gravidade inegável.

Ele levanta-se e caminha até à janela de parede inteira. A cidade estende-se abaixo dele, uma teia de luzes e movimento, um formigueiro de vidas anónimas. Daqui, ele é um deus. Ele vê os carros como insetos, os edifícios como monólitos. Ele olha para baixo e não sente empatia, sente poder. A sua mão repousa no vidro frio, os dedos longos e bem cuidados a traçarem os contornos da sua própria reflexão distorcida. Ele pensa no seu corpo, no trabalho que lhe dedica. Os dias na academia, os levantamentos de peso que transformaram o seu torso numa placa de músculo definido, os abdominais que criaram um V profundo que desapare sob o cinto do seu fato. Ele pensa no seu pénis. Uma fonte de orgulho quase viril, uma ferramenta de domínio que ele sabe, por experiência própria, deixar parceiros ofegantes e satisfeitos. Ele é um garanhão, um conquistador. As mulheres entregam-lhe os seus corpos, os homens curvam-se perante a sua força e carisma. Ele é o predador, nunca a presa.

O seu telemóvel vibra sobre a mesa. Ele ignora-o por um momento, saboreando a sensação de estar acima de tudo, de todos. Depois, com um movimento fluido, vira-se e apanha-o. É uma mensagem de um dos seus engenheiros júnior, uma dúvida patética sobre um projeto que Antônio resolveu mentalmente há cinco minutos. Ele digita uma resposta curta, cortante, cheia de jargão técnico que serve para reforçar a sua superioridade. Envia. Missão cumprida. Mais um mortal colocado no seu devido lugar.

Ele precisa de ar. Ou melhor, precisa de um palco. Ele decide ir ao bar no rés do chão, um lugar moderno e minimalista onde os outros funcionários da sua empresa e dos edifícios vizinhos se reúnem após o expediente. É o seu território de caça noturno. Ele desce no elevador espelhado, e a sua imagem acompanha-o em todas as direções, um eco perfeito da sua perfeição. As portas abrem-se para um zumbido de conversas e o som gelado de gelo a bater em copos. O cheiro de perfume caro e álcool flutua no ar.

Ele entra e, num instante, a dinâmica da sala muda. As cabeças viram-se, os olhares pousam nele. Ele sente-o como uma corrente elétrica na pele. É o seu poder a manifestar-se. Ele caminha até ao balcão com uma confiança lenta, deliberada. Cada passo é uma declaração. O barman, um jovem rapaz com um piercing no sobrolho, endireita-se imediatamente.

"Boa noite, Dr. Antônio. O de sempre?"

Antônio assente com um leve movimento de queixo. "Um uísque. Sem gelo."

Enquanto espera, ele deixa o seu olhar percorrer a sala. Ele vê um grupo de secretárias a rir, e uma delas, uma loira de olhos azuis, apanha o seu olhar. Ela cora e baixa o olhar, mas depois olha novamente, um convite silencioso nos seus lábios húmidos. Antônio guarda-a para mais tarde. Ele vê também um homem mais novo, sentado sozinho num canto, a olhá-lo com uma admiração tão crua que quase parece fome. Antônio sente um familiar aperto de satisfação. Ele é desejado. Temido. Admirado. Ele é tudo o que um homem deve ser.

O uísque chega, um dourado líquido num copo de cristal. Ele paga sem olhar para o preço, a gorjeta um gesto automático de generosidade que serve também para reforçar o seu estatuto. Vira-se, encostando-se ao balcão, o copo na mão, um cetro. Ele é o rei neste seu castelo de vidro e aço.

E então, ele sente-o.

Não é um som, nem um toque. É uma mudança na pressão atmosférica, uma perturbação no fluxo de energia da sala. O seu olhar, que tinha estado a passear com uma posse relaxada, trava-se. Através da multidão, perto da entrada, está um homem. Ele não é excepcionalmente bonito, não como Antônio. O seu cabelo é mais curto, mais escavado nas têmporas, sugerindo uma idade um pouco avançada. O seu rosto é marcado, com uma ruga entre as sobrancelhas que parece ter sido cinzelada por anos de concentração. Ele não usa fato, mas uma camisa de linho preto, aberta no pescoço, e calças justas que realçam pernas fortes e uma postura imóvel. Ele não está a olhar para ninguém em particular, mas a sua presença preenche o espaço, um vácuo de poder que sugere toda a atenção da sala para si.

Antônio sente um calor estranho a subir-lhe pelo pescoço. É uma reação que ele não reconhece. Não é desejo, não é ameaça. É… reconhecimento. Como se encontrasse uma criatura da mesma espécie, mas de uma linhagem mais antiga e perigosa. O homem parece sentir o seu olhar. Lentamente, com uma calma que é irritante, ele vira a cabeça e os seus olhos encontram os de Antônio.

Os olhos dele são escuros, tão escuros que parecem absorver a luz do bar. Não há neles a admiração que Antônio está habituado a ver. Não há inveja, nem medo. Há apenas um interesse avaliador, um olhar que desarma e dissecou num único segundo. É o olhar de um entomologista a estudar uma borboleta particularmente vistosa, não pela sua beleza, mas pela sua fragilidade intrínseca.

Antônio sente o seu sorriso habitual congelar no rosto. Pela primeira vez em muitos anos, ele sente-se nu. O seu fato, os seus músculos, o seu estatuto – tudo parece evaporar sob aquele olhar penetrante. Ele força-se a manter o contacto visual, um desafio silencioso. Ele é Antônio. Ele não recua.

O outro homem levanta um copo, um gesto quase impercetível, um aceno que é ao mesmo tempo um reconhecimento e um julgamento. Depois, ele desvia o olhar, a sua atenção já noutra parte da sala, como se o confronto com Antônio tivesse sido uma nota de rodapé trivial.

A raiva, quente e afiada, ferve no estômago de Antônio. Quem era aquele homem para o olhar daquela forma? Para o ignorar? Ele engole um gole de uísque, o líquido a queimar-lhe a garganta, mas não consegue apagar a sensação de ter sido… lido. Como se o seu livro inteiro de conquistas e arrogância tivesse sido aberto e lido num instante, e o leitor tivesse achado o final previsível e aborrecido.

Ele decide agir. Ele não vai deixar que um estranho anónimo abale a sua confiança. Ele afasta-se do balcão, o seu corpo a mover-se com a sua graça predatória habitual. Ele cruza a sala, um navio de guerra a navegar por águas desconhecidas. Ele pára junto à mesa onde o homem está sentado, sozinho agora.

"A mesa está ocupada?", pergunta Antônio, a sua voz um barítono suave e controlado, a mesma voz que usou para fechar negócios de milhões e para sussurrar promessas sujas a incontáveis parceiros.

O homem olha para cima, e Antônio é novamente atingido por aqueles olhos. Há um brilho neles agora, um divertimento frio e distante. "Não", diz ele. A sua voz é mais grave do que Antônio esperava, um som rasgado que parece vir do fundo da terra. "Mas eu gosto da minha solidão."

Um rejeição. Direta. Sem rodeios. Antônio sente o aperto no maxilar. Ele está habituado a ser aceite, a ser bem-vindo. "Só por um momento", insiste ele, sentando-se sem esperar por uma permissão formal. Ele coloca o seu copo na mesa com um clique deliberado. "Antônio."

O homem observa-o por um longo momento, o silêncio a estender-se entre eles, denso e pesado. "Igor", diz ele finalmente, estendendo uma mão.

Antônio aperta-a. A mão de Igor é forte, a pele grossa e quente. O aperto de mão é firme, mas não é um teste de força. É uma afirmação. É como apertar a mão de uma estátua; sente-se a solidez, a permanência. "Nunca o vi por aqui", diz Antônio, a sua mente a trabalhar rapidamente, tentando classificar este homem, colocá-lo numa caixa.

"Eu não venho muito a estes lugares", responde Igor. O seu olhar vagueia pelo rosto de Antônio, não de forma sedutora, mas de forma analítica. "Demasiado ruído. Demasiadas… ambições a gritar umas com as outras."

A observação atinge Antônio como um soco. É uma crítica velada a ele, a este lugar, a toda a sua existência. Ele força um riso, um som que soa falso até aos seus próprios ouvidos. "É a cidade. Todo o mundo tenta chegar ao topo."

"E você?", pergunta Igor, inclinando-se ligeiramente para a frente. O movimento é mínimo, mas muda a dinâmica do poder à mesa. "Parece que já chegou."

A forma como ele diz "chegou" não é um elogio. É uma observação de facto, como se o topo fosse um lugar interessante de visitar, mas não um lugar onde se queira ficar. "Eu gosto de construir coisas", diz Antônio, a sua defensiva a subir à superfície. "Edifícios. Empresas."

"E pessoas?", pergunta Igor, a sua voz baixa, quase um sussurro que corta o barulho do bar. "Você também gosta de construir pessoas?"

A pergunta é tão íntima, tão perspicaz, que Antônio fica sem palavras por um segundo. Ele recupera-se rapidamente, a sua máscara de conquistador a cair novamente no lugar. "Eu gosto de as conhecer. De descobrir o que as faz funcionar." Ele diz as palavras com um tom insinuante, um piscar de olhos que funciona em 99% das pessoas.

Igor não reage. Ele apenas continua a olhar para ele com aquele olhar calmo e avaliador. "Há uma diferença entre conhecer uma máquina e entendê-la. Qualquer pessoa pode carregar num botão. Mas poucos sabem o que acontece dentro dos circuitos."

Antônio sente uma gota de suor a percorrer a sua espinha, apesar do ar condicionado. Esta conversa não está a correr como ele planeou. Ele não está no controlo. "E você, Igor? O que é que você faz?"

"Eu observo", diz ele simplesmente. "Eu estudo sistemas. Como as pessoas interagem. O que as motiva. O que as faz quebrar." Ele faz uma pausa, o seu olhar a aprofundar-se, a tornar-se mais intenso. "Você, Antônio, é um sistema fascinante. Tão bem construído. Tão eficiente. Mas todo o sistema, por mais robusto que seja, tem um ponto de fraqueza. Um interruptor principal."

O ar sai dos pulmões de Antônio. Ele sente-se como um inseto preso em âmbar, observado, analisado, completamente impotente. A sua arrogância, o seu escudo, está a ser rachado diante dos seus olhos por este homem estranho e aterrorizante. Ele quer dizer algo, qualquer coisa, para recuperar o controlo, para virar o jogo. Mas as palavras não vêm. Pela primeira vez na sua vida adulta, ele está genuinamente intimidado.

Igor parece ler a sua confusão. Um pequeno sorriso toca os lábios dele, mas não chega aos olhos. "Não se preocupe", diz ele, a sua voz suavizando, tornando-se quase sedutora. "É uma coisa boa. Ser complexo. Ter profundidades que ninguém ousou explorar." Ele inclina-se um pouco mais, e o cheiro dele chega até Antônio – não é perfume, é algo mais primordial, couro velho, talvez, e um traço de algo metálico, como sangue fresco. "A maioria das pessoas é um lago raso. Você… você é um oceano. Com correntes fortes e profundezas escuras."

Os elogios, vindos dele, soam diferentes. Não são as lisonjas vazias que Antônio está habituado a receber. São palavras que parecem verdadeiras, que parecem ver através da fachada e tocar em algo dentro dele que ele próprio não sabia que existia. A raiva de Antônio começa a dissipar, substituída por uma confusão intrigante e aterrorizante.

"Eu vejo a força em você", continua Igor, a sua voz um murmúrio hipnótico. "A forma como você comanda uma sala. A confiança nos seus movimentos. É uma coisa rara. Uma coisa poderosa." Ele levanta a sua mão e, por um momento, Antônio pensa que ele o vai tocar. Mas a mão para-se a poucos centímetros do seu rosto, no ar. "É essa força que me fascina. A sua certeza absoluta. A sua… alfa."

Ele diz a palavra, a palavra que Antônio usa para se definir, mas da boca de Igor, soa diferente. Soa como uma observação científica, não como um título de honra. "Mas a força sem orientação é apenas uma tempestade. Destrutiva. Ineficaz", diz Igor. "Imagine essa força, essa energia incrível que você tem, canalizada. Focada. Refinada. Imagine o que você poderia alcançar. Não apenas construir edifícios, mas construir impérios. Não apenas conquistar corpos, mas conquistar almas."

As palavras de Igor pintam uma imagem na mente de Antônio, uma imagem dele mesmo, mas amplificada, transcendente. Ele vê-se não apenas como um rei de um pequeno castelo, mas como um imperador do mundo. A ideia é intoxicante, vertiginosa. Ele sente-se a afundar-se no olhar de Igor, a perder-se na promessa de um poder que ele nunca soube que podia alcançar.

"Você tem um potencial incrível, Antônio", diz Igor, a sua voz agora um bálsamo, uma sedução. "Um potencial que está a ser desperdiçado em pequenas vitórias. Em conquistas fáceis." Ele recosta-se na cadeira, quebrando o feitiço, mas o efeito permanece. "Eu posso mostrar-lhe. Eu posso ajudá-lo a desbloquear essa parte de si mesmo. A parte que anseia por mais. Por um desafio real. Por… rendição."

A última palavra paira no ar entre eles. Rendição. Antônio repele-a instintivamente. Ele nunca se renderia a ninguém. Ele é o dominador. Mas a forma como Igor diz a palavra, não como uma derrota, mas como uma libertação, como um ato de poder supremo, de escolher entregar o controlo para alcançar um estado superior, deixa-o confuso.

"Eu não me rendo", diz Antônio, a sua voz mais fraca do que ele gostaria.

"Claro que não", diz Igor com aquele sorriso enigmático. "Não ainda. Porque ainda não encontrou alguém que mereça a sua rendição. Alguém que possa lidar com a sua força, não a quebrá-la, mas moldá-la." Ele levanta-se, o seu corpo a mover-se com uma graça silenciosa e mortal. "Eu tenho de ir. Foi um prazer, Antônio. Um verdadeiro prazer."

Ele estende a mão novamente. Antônio aperta-a, desta vez sentindo uma submissão instintiva, uma vontade de apertar mais forte, de implorar para que ele fique. "Quando é que nos vemos novamente?", pergunta Antônio, as palavras a saírem antes que ele possa pensá-las.

Igor sorri, e desta vez o sorriso atinge os seus olhos, revelando uma profundidade de perigo e promessa que aterroriza e excita Antônio em igual medida. "Eu encontrá-lo-ei", diz ele. E com isso, ele vira-se e sai do bar, desaparecendo na noite como uma sombra.

Antônio fica sentado, o seu copo de uísque meio cheio na sua frente. O bar continua a zumbir à sua volta, mas para ele, o mundo ficou em silêncio. Ele olha para a sua mão, a mão que apertou a de Igor, e sente-a a tremer ligeiramente. Ele olha para a sua reflexão no copo, e pela primeira vez, não vê um alfa seguro de si. Ele vê um homem à beira de um precipício, a olhar para um abismo escuro e tentador, e sente um pavor profundo e uma ânsia desesperada de saltar.

Ele levanta-se, deixa algum dinheiro na mesa e sai do bar. O ar da noite está fresco na sua pele húmida. Ele caminha pela rua, o seu passo habitualmente firme agora um pouco hesitante. A cidade, que há pouco parecia o seu reino, agora parece um labirinto desconhecido. Ele sente os olhares das pessoas na rua, mas pela primeira vez, não se sente observado com desejo. Sente-se observado por Igor. Mesmo na sua ausência, a presença de Igor envolve-o, um manto invisível de poder e controlo.

Ele chega a seu apartamento de luxo, um espaço minimalista com vistas deslumbrantes que antes lhe davam uma sensação de triunfo. Agora, o espaço parece vazio e frio. Ele despe o fato, deixando-o cair numa pilha no chão, um ato de desrespeito pelo seu uniforme de poder que ele nunca cometeria antes. Ele fica em frente à janela, nu, olhando para as luzes da cidade. O seu corpo, que ele sempre viu como uma arma, agora parece uma ferramenta que ele não sabe como usar. O seu pénis, que ele sempre considerou um símbolo do seu domínio, está flácido, inerte.

Ele fecha os olhos e a imagem de Igor enche-lhe a mente. O olhar penetrante. A voz baixa e autoritária. As palavras que o desarmaram e o reconstruíram ao mesmo tempo. "Rendição." A palavra ecoa na sua cabeça, não como uma fraqueza, mas como um chamamento. Um chamamento para algo mais profundo, mais real, mais intenso do que qualquer conquista que ele já teve.

Ele sente uma ereção a começar a formar-se, lenta, hesitante. Não é excitada por uma imagem de uma mulher curvilínea ou de um homem submisso. É excitada pela memória do poder de Igor. Pela ideia de ser dominado, controlado, possuído por aquele homem. A ideia assusta-o até ao osso, mas também o excita como nada o tinha excitado antes. Ele toca-se, a sua mão a envolver o seu pénis crescente. Ele fecha os olhos com mais força, imaginando os olhos de Igor sobre ele, a voz de Igor a dar-lhe ordens. "Ajoelha-se." "Rende-te."

Ele começa a masturbar-se, os seus movimentos rápidos, desesperados. Mas o prazer não vem. Em vez disso, ele sente uma frustração crescente, uma sensação de estar a tentar acender uma fogueira com lenha molhada. As imagens que o excitaram há poucas horas – mulheres a seus pés, homens a suplicar pelo seu toque – agora parecem pálidas, sem interesse. Elas não o satisfazem. A única coisa que o satisfaz, a única coisa que o preenche, é a ideia de se entregar a Igor.

Ele remove a mão, ofegante. O seu pénis está duro, um pedaço de carne pulsante de desejo não realizado. Ele olha para a sua própria imagem na janela escura, um fantasma brilhante sobre a cidade. Ele vê a sua arrogância, o seu orgulho, a sua identidade inteira a desfazer-se. E naquele vácuo, ele sente algo novo a nascer. Uma fome. Uma necessidade. Uma ânsia de ser desmontado peça por peça e remontado à imagem de outro homem.

Ele sabe que a sua vida mudou. Ele sabe que encontrou o seu ponto de fraqueza. O seu interruptor principal. E ele sabe, com uma certeza aterrorizante, que ele vai deixar Igor ligá-lo. Ele vai deixar Igor quebrá-lo. Porque no fundo daquele abismo escuro que Igor lhe mostrou, há uma promessa de um poder que ele nunca soube que existia. E ele quer isso. Ele precisa disso. Ele vai entregar tudo para o ter. A sua primeira noite de transformação começou, e ele está completamente e terrivelmente sozinho para a enfrentar.

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