Transição - Capítulo 28 - Decisões difíceis!
Transição, Transex, Crossdresser, Aventuras e Bissexualidade
(Esta série é uma continuação de Aventura na Universidade e Sendo Livre, muitos fatos aqui relatados tem relação com elas, recomendo ler, mas pode ser lida separadamente.)
Havia se passado mais um fim de semana, sem Vanessa, os estágios de ambos com atividade fora, somado as mudanças do retorno delas as aulas, a ruptura com seu até então namorado, davam um ar muito pesado ao lar, que já fora de muita alegria, descobertas e por não dizer travessuras. Vanessa também estava diferente, quando ela ligou pedindo para se encontrarem, pois conseguiu uma brecha para voltar para casa, deixou Simone mais apreensiva, entrou no prédio, pensando num banho, depois fazer algo para esperar Vanessa.
Totalmente desligada, parada na frente da porta procurando a chave na bolsa, riu da cena, pois quando Vicente, estava sempre ali a chave pendurada num cordão, agora no meio da bolsa de mulher, ainda não dominava o que tanto guardava, percebeu a luz no apto, bateu a porta, e voltou-se a bolsa procurando algo tão fácil de encontrar.
Vanessa abriu a porta antes mesmo de Simone bater de novo, entre o susto, a alegria e a vergonha de não ter encontrando a chave na bolsa.
— Ué, ainda bem que chegou, acredita que não acho a chave, mas aconteceu algo que chegou mais cedo, aconteceu alguma coisa Vanessa.
Realmente a carinha de Vanessa parecia triste, um lampejo de alegria de encontrar sua amiga, ou melhor sua namorada de outrora.
– Não, nada, apenas não imaginei que este ultimo semestre fosse tão cansativo, o estágio esta me matando, olha nós duas aqui, quase 4 semanas e só agora estamos nos vendo.
— Só isso mesmo, bom eu ia para o banho e depois preparar algo para te esperar, se quiser me acompanhar, enquanto tomo um banho vai me contando do estagio, depois juntas decidimos o que comer.
Tudo isso ainda li parado as duas na soleira da porta, então apos um segundo de silencio, e Simone entrou
Passou por ela devagar, largou a bolsa no sofá e ficou de pé por alguns segundos, como se não soubesse o que fazer com o próprio corpo.
Como não houve resposta, ela foi até Vanessa, deu um selinho e foi para seu quarto, despindo-se e indo para o banho, Vanessa fechou a porta do apto e foi para quarto, esperou ela terminar o banho e la da cama começou a conversa.
– Ontem o Robson me procurou, na verdade me ligou, nossa ficamos 1 hora conversando, ele me contou que vocês não estao mais juntos, ele parecia bem triste.
– Sim, ele me procurou, na verdade precisava resolver esta pendência.
– Conversaram sobre o que ?
– Ele queria saber como você estava.
Então Simone apareceu na porta, e olhando para Vanessa disse
— E o que você falou com ele.
– Nada ne Simone, eu nem sabia que iriam terminar, não falamos sobre isso, na verdade, estas ultimas 4 semanas, nem nos falando estamos.
Simone assentiu.
Silêncio. Mas Vanessa levantou-se foi ate porta e num gesto de quem esta perdido disse.
— E?
Demorou um pouco.
— Acabou.
A palavra saiu baixa. Sem força. Vanessa respirou fundo, devagar. Não demonstrou surpresa. Só chegou mais perto.
— Vem cá…
Simone não resistiu. Encostou nela. E ali… desmoronou. Sem controle. Sem postura. Vanessa segurou firme, uma mão na cabeça dela, outra nas costas.
— Tá… tá tudo bem…
Por mais que soubesse que foi uma decisão de Simone, ela sabia que a amiga estava se sentindo mal, sabia que isso era algo importante, que fez parte das mudanças, não sabia como a amiga reagiria com o termino definitivo, Simone demonstrava uma leve fragilidade, embora não demonstrasse mas Vanessa sabia, o tá tudo bem saiu na iniciativa de confortar, de estar presente.
Mas sabia que não estava. Ficaram assim por alguns minutos. Só respiração, choro e silêncio. Até Simone se afastar um pouco, passando a mão no rosto.
— Foi pior do que eu achei que ia ser.
Vanessa soltou um meio sorriso triste.
— Sempre é.
Vanessa então falou, vista-se, vou na cozinha fazer um lanche para nós, não se demore.
Entrou na sala, de camisola e por baixo uma calcinha que mais amava. Simone sentou no sofá.
Vanessa terminou de trazer o ultimo utensílio para o lanche, ficou em pé, olhando pra ela. Observando. Pensando.
— Ele não conseguiu entender, né?
Simone negou com a cabeça.
— Não.
Pausa.
— A família…
Vanessa assentiu, como se já soubesse.
— Eu imaginei.
Silêncio. Simone olhou pra frente, distante.
— Mas não foi só isso.
Vanessa cruzou os braços, leve.
— Eu sei.
Simone virou o rosto, surpresa.
— Você sabe?
— Sei.
Ela se aproximou e sentou ao lado dela. Além de ter ficado 1 hora ouvindo Robson, elas já haviam muitas vezes falado sobre o assunto de términos, de como poderia ser dolorosos, que dependeria muito de quem tomasse a iniciativa, haviam pensado inúmeros cenários, mas agora era real. Então Vanessa puxando o ar com calma falou.
— Você já não tava mais ali faz tempo.
Aquilo ficou no ar. Simone não negou.
— Eu tentei…
— Eu sei que tentou.
Vanessa olhou direto pra ela agora.
— Mas você mudou.
Sem julgamento. Só fato e continuo.
– Uma mudança importante para você, necessária, mas impactante para todos a sua volta né amiga. — E não foi só por fora.
Simone respirou fundo.
— Eu finalizei tudo.
— Eu percebi.
— Não… oficial. Deixei claro para ele, inclusive oficializei meu nome feminino.
Uma pausa.
— Simone Bueno.
Vanessa ficou em silêncio por um segundo. Depois sorriu. De verdade.
— É bonito. Também já tínhamos pensado neste nome. Acariciou o rosto da amiga.
— E agora? — Vanessa perguntou.
Simone hesitou.
— Eu recebi propostas de trabalho. Mesmos faltando uns 40 dias pra terminar o estágio e a 2 meses da formatura.
— Me conte.
— Uma empresa… e uma fazenda.
Vanessa assentiu devagar.
— E você já sabe qual vai escolher.
Simone olhou pra ela.
— Não sei.
Vanessa deu um leve sorriso.
— Sabe sim. Pausa.
— A mais difícil.
Simone soltou um ar curto.
— Provavelmente.
Silêncio. Mais longo dessa vez. Vanessa olhou pra frente. Depois pra Simone. E então disse, com calma:
— A gente também vai ter que mudar !? Foi num tom que nem parecia uma pergunta, ou seria talvez uma afirmação que Vanessa já imaginava, pelas conversas curtas das ultimas semanas, a distância, noticias escassas.
Simone ficou imóvel.
— Como assim?
Vanessa não respondeu na hora. Escolheu as palavras.
— Do jeito que tá… não dá pra continuar.
Aquilo doeu diferente.
— Você quer terminar?
A pergunta veio mais rápida do que ela queria. Vanessa virou o rosto pra ela.
— Eu não quero te perder. Pausa.
— Mas também não quero ser o lugar onde você se esconde.
Silêncio. Simone sentiu aquilo. Fundo.
— Eu não me escondo com você.
— Se esconde sim. Não estou te cobrando, mas o que me diz destes últimos 30 dias.
Vanessa foi suave… mas firme.
— Aqui você não precisa enfrentar nada. — Não precisa se provar. — Não precisa escolher.
Simone não respondeu. Porque sabia.
— E você precisa disso agora — Vanessa continuou. — Precisa crescer sem ter onde voltar quando ficar difícil.
Silêncio pesado.
— Você tá me afastando — Simone disse, quase num sussurro.
Vanessa respirou fundo.
— Eu tô te soltando.
Os olhos da Simone encheram de novo.
— É diferente.
Vanessa segurou a mão dela.
— Eu sei o que a gente tem. — Sei o que a gente é. Pausa. — E por isso mesmo… eu não vou transformar isso em algo que te prende.
Silêncio. Longo. Dolorido.
— E a gente? — Simone perguntou.
Vanessa apertou de leve a mão dela.
— A gente não acaba. Pausa. — A gente só… não é isso agora.
Simone deixou uma lágrima cair.
— Eu não queria perder você. Vanessa se aproximou mais. Encostou a testa na dela. — Você não vai.
Silêncio. Respiração misturada.
— Só não vai me ter do mesmo jeito.
Ficaram ali. Sem pressa. Sem definição exata. Mas com uma verdade que as duas entendiam. O tempo delas… não tinha acabado.
Só estava mudando.
