O Barman e o Confeiteiro (Capítulo 9)

Um conto erótico de R. Valentim
Categoria: Gay
Contém 2377 palavras
Data: 29/03/2026 09:34:13
Assuntos: Gay, Sauna, Sexo, Sexo oral

Capítulo 9

Adriano

Quarta-feira. O dia seguinte à noite em que eu descobri o poder destrutivo de uma jockstrap vermelha. Eu acordei sentindo que o mundo finalmente estava girando a meu favor, o que, na minha vida, costuma ser o primeiro sinal de que um meteoro tá vindo na minha direção.

Eu estava na cozinha da minha casa, passando um café forte e fritando um ovo, com a cabeça ainda presa nas lembranças da bunda do Nathan no espelho do teto daquele motel. Foi quando a assombração matinal apareceu.

O Caio, que tinha capotado no meu sofá depois que o Breno deixou a gente aqui ontem à noite, surgiu na porta da cozinha. Ele tava com o cabelo amassado, vestindo uma blusa minha que ficava enorme nele, e já ostentava aquele olhar de quem ia me julgar até a quinta geração da minha família. Como ele não mora aqui, ele sempre faz questão de agir como se a casa fosse um hotel e eu, o "room service".

— Já acordou sorrindo pro vento, né, sua vagabunda emocionada? — ele disparou, encostando no batente da porta e cruzando os braços. — Eu escutei você suspirando enquanto fazia o café.

— Bom dia pra você também, encosto — respondi, virando o ovo na frigideira. — E pra sua informação, o meu sorriso é de quem tá muito bem servido, obrigado.

— Mentira. O seu sorriso é de quem tá achando que encontrou o príncipe encantado no meio das baias daquele call center de merda. — Ele apontou um dedo na minha direção. — Adriano, senta e escuta. Tu acabou de sair daquele lixo tóxico que foi o teu namoro com o Doutor Mário. Aquele cara te deixou em frangalhos, viado. Namorar outra pessoa agora, se jogar de cabeça no primeiro bofé de telemarketing que te dá um chá bem dado, é um erro crasso. Tu tem que explorar a tua solteirice! Vai dar pra cidade inteira, vai beber, vai viver! Tu quer casar com o primeiro que te paga um motel no centro!

Eu revirei os olhos, apagando o fogo do fogão.

— Caio, o Nathan é diferente. Ele não é um babaca engravatado cheio de si. Ele é um garoto incrível, que tá começando a vida, que me trata bem pra caralho. Qual o problema de eu querer investir numa coisa que tá me fazendo bem?

— O problema é que você não sabe a diferença entre 'dar uns pegas' e 'encomendar os convites de casamento'. Cuidado pra não quebrar a cara, Adriano. Tô te avisando como amigo.

Eu não respondi. O Caio tinha esse dom de jogar um balde de água fria nas minhas expectativas, mas eu me recusei a deixar a amargura dele estragar a minha quarta-feira.

Mais tarde, no meu sagrado horário de almoço antes de ir pro trabalho, sentei na mesa do nosso *self-service* de lei, de frente para o Luan. O gigante ainda tava com aquele olhar meio distante, meio perdido no espaço sideral, que ele vinha carregando nos últimos dias.

— Luan, terra chamando — estalei os dedos. — O Caio quase me engoliu vivo hoje de manhã lá em casa. Falou que eu tô sendo emocionado com o Nathan e que eu deveria estar na pista passando o rodo em vez de me apegar a um cara só.

Luan piscou, voltando pro planeta Terra. Ele tomou um gole de suco, limpou a boca com o guardanapo de papel e, pra minha total e absoluta surpresa, soltou um suspiro pesado.

— Pior que eu tenho que concordar com a jararaca, Dri. Mesmo a contragosto.

Eu arregalei os olhos, quase derrubando o garfo.

— Até você, Luan? Sério? Achei que você era o presidente do fã-clube do amor!

— E eu sou, mano. — A voz grave dele tentou me acalmar. — Mas você sabe que o Caio tem um ponto. Você se entrega demais, sem freio. O doutor lá te fez muito mal, a gente viu você chorando pelos cantos da casa. Eu não quero ver meu amigo destruído de novo por causa de um moleque. Vai na calma.

Aquelas palavras me bateram diferente. O Luan não falava com veneno igual o Caio, ele falava com instinto de proteção. Fiquei cutucando a comida, a mente girando. Eu sabia que o Nathan era o cara certo, eu só precisava provar isso pra eles. E foi aí que a lâmpada acendeu.

— Já sei. — Olhei pro Luan com convicção. — Eu vou apresentar o Nathan pra vocês. Esse domingo. O Caio tá julgando sem nem conhecer o menino. Se vocês sentarem numa mesa com ele lá no quintal de casa, beberem uma cerveja, vão perceber que ele gosta de mim de verdade.

Luan ergueu as sobrancelhas, avaliando a ideia. Ele deu um sorriso pequeno.

— Por mim, beleza. Pode ser massa. Mas e o Ykaro? Você vai chamar ele também, né? Vocês dividem a casa, é importante que o Ykaro conheça o moleque também.

O nome do Ykaro me deu um estalo. Eu lembrava perfeitamente dele saindo com a moto na noite anterior, com uma cara de enterro, no dia de folga. Eu mal via o cara ultimamente.

— É, eu chamo o Ykaro sim. Se ele parar em casa no domingo, ele participa. Fechado.

Voltei pro trabalho com uma missão. Durante uma das pausas no call center, enquanto o Henrique não tava farejando meu pescoço, mandei mensagem pro Nathan jogando a ideia do domingo. A resposta demorou uns minutos e veio cheia de hesitação. O principezinho se mostrou super inseguro, digitando que tinha medo dos meus amigos não gostarem dele, que o Caio parecia ser "bravo" pelas minhas histórias. Eu passei a tarde inteira tranquilizando ele.

Quando deu sete da noite e nós nos encontramos na saída da empresa, o Nathan finalmente cedeu.

— Eu encaro. Domingo eu tô lá na sua casa — ele disse, com aquele sorriso que me desmontava. — Mas... hoje é quarta-feira, Dri. E a gente tem a noite toda pela frente.

O tom de voz dele caiu uma oitava.

— O que você quer fazer? Outro motel brega? — provoquei.

Nathan desviou o olhar por um segundo, a bochecha corando levemente, mas a atitude continuou.

— Na verdade... eu tenho um pedido meio inusitado. — Ele engoliu em seco. — Eu sempre tive vontade de conhecer uma sauna gay. Daquelas de verdade. Mas eu confesso que eu morro de medo de ir sozinho. Você... você me levaria?

Eu fiquei mudo. O meu principezinho de comercial de margarina tava me pedindo pra levar ele no antro da putaria de Fortaleza. O contraste entre a carinha de anjo dele e as vontades sujas que ele tinha era o maior afrodisíaco do mundo.

— Você tem certeza, Nathan? Lá não é bagunça, o negócio é carne crua.

— Eu tô com você. Não tenho medo se você tiver lá.

A resposta dele me encheu de um orgulho besta. Pegamos um Uber direto pro centro.

A chegada ao local já é uma experiência por si só. Não tem placa colorida ou letreiro piscando. Por fora, o prédio parece uma fábrica abandonada, um galpão cinza sujo com um portão de ferro. Nathan apertou minha mão quando o porteiro, um cara enorme de cara fechada, abriu a portinhola pra gente.

Entramos. De cara, aproveitamos a promoção do dia: "duas pessoas por um ingresso". Pagamos na bilheteria escura, recebemos a chave de um único armário e fomos pro vestiário.

O ambiente fedia a cloro, suor e poppers. No balcão, pegamos duas toalhas brancas e chinelos. Quando o Nathan tirou a roupa na frente do nosso armário estreito, eu fiquei admirando cada detalhe. O corpo dele, liso, esguio, com a bunda perfeita exposta sob a luz fraca, era uma obra de arte. Ele amarrou a toalha na cintura, me olhando de rabo de olho.

Deixamos as roupas, trancamos a porta, coloquei a chave no pulso e fomos explorar o ambiente, sentindo o piso frio no chinelo de dedo.

Passamos primeiro pela área do bar. O ambiente era enfumaçado e mal iluminado. Logo na bancada, um "ursão" — alto, peludo e de barriga marcando — estava bebendo. Assim que nós passamos, os olhos do cara desceram do meu peito direto pra bunda do Nathan, e depois voltaram pra mim com um olhar de "bela caça". Nathan se encolheu de leve, chegando mais perto de mim. Eu passei o braço pelos ombros dele, marcando meu território.

Fizemos uma visita rápida à sauna a vapor. Abri a porta de vidro pesada e uma nuvem escaldante nos atingiu. Era impossível enxergar um palmo, só se ouvia gemidos molhados vindo do escuro.

— Quente demais. Não dá pra respirar — o Nathan reclamou, tossindo e recuando.

— Concordo. Vamos dar uma volta lá por cima.

Subimos as escadas úmidas e fomos explorar o labirinto e a área de TV. Foi caminhando por esse corredor escuro que aconteceu algo que fez meu ego ir parar na estratosfera.

Um homem estava encostado na parede. Ele era o puro suco do que chamam de "padrão": alto, ombros largos, abdômen trincado, barba feita a laser e um sorriso arrogante. O tipo de cara inalcançável. Quando passamos, ele não olhou pro Nathan. Ele olhou pra *mim*. Ele me mediu de cima a baixo, mordeu o lábio e deu um passo na minha direção, levantando uma sobrancelha num convite mudo.

Eu até dei um sorrisinho vaidoso de volta, surpreso pra caralho, mas antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, a mão do Nathan agarrou o meu braço com força. O principezinho se enfiou no meio do caminho, fuzilou o cara "padrão" com um olhar escuro e assassino, e me arrastou pro corredor oposto.

— Ele tá comigo — Nathan rosnou pro cara, num tom de posse que me deixou de perna bamba.

Chegamos no final do corredor: a sauna seca. A porta de madeira estava entreaberta. Nós entramos. O calor aqui era suportável, cheirando a pinho. A luz era apenas um filete avermelhado. Sentamos no degrau do meio. No degrau mais alto, no fundo, um casal estava no meio de uma foda concentrada.

Eu encostei as costas na madeira quente. Olhei pro Nathan. Ele estava vidrado. Os olhos dele acompanhavam cada movimento do casal no fundo, o tesão puro estampado no rosto. O ambiente de exibicionismo tinha ativado um botão na cabeça dele.

De repente, dois outros homens entraram e sentaram no degrau de baixo, de frente pra gente. Eles cruzaram as pernas, observando a gente em silêncio. Era a plateia.

Eu achei que o Nathan ia recuar por causa dos desconhecidos, mas ele não disse uma palavra. Ele simplesmente olhou nos meus olhos, levou as mãos até o nó da própria toalha e a deixou cair no chão de madeira. Ele ficou de joelhos, no meio dos meus pés, completamente nu. Os dois homens no degrau de baixo se inclinaram pra frente, os olhos grudados nele.

Nathan afastou as minhas pernas, desfez a minha toalha e tirou o meu pau pra fora. Minha rola já tava dura, latejando com o calor e a adrenalina de estar sendo assistido.

Ele segurou o meu pau, deslizou o polegar pela cabeça e caiu de boca.

O som molhado da boca dele chupando a minha rola ecoou na sauna de madeira. Eu joguei a cabeça pra trás, batendo na parede, soltando um gemido grave. A língua dele trabalhava rápido, sugando com técnica. A visão da cabeça dele no meu colo, com dois caras babando pela cena logo abaixo da gente, fritou a porra do meu cérebro. O exibicionismo dele era uma arma letal.

Quando eu senti que ia gozar na garganta dele na frente de todo mundo, puxei ele pelos cabelos.

— Bora sair daqui — ofeguei. — Preciso foder você.

Ele sorriu malicioso. Pegamos nossas toalhas e saímos da sauna quente, passando pelos dois caras que ficaram nitidamente frustrados.

Caminhamos a passos largos até a área das duchas individuais, divididas apenas por paredes de azulejo branco sujo. Puxei ele pra um dos chuveiros vazios, liguei a água gelada, que bateu como um choque nos nossos corpos fervendo.

Eu prensei o Nathan contra o azulejo molhado. Tirei uma camisinha que eu tinha escondido no bolso da toalha. Coloquei rápido, lubrifiquei a entrada dele usando a urgência do momento, e entrei nele de uma vez.

Nathan gritou alto, um som que reverberou pelo banheiro inteiro, misturando com o barulho da água.

Eu fodi o Nathan naquele chuveiro com uma intensidade absurda. O corpo dele escorregava no azulejo, as minhas mãos apertavam as coxas dele. Ele passava os braços no meu pescoço, gemendo solto, alto, sem se importar com quem pudesse estar ouvindo. O som da nossa pele batendo na água corrente era a trilha sonora de uma paixão cega.

A experiência chegou ao limite muito rápido. Quando o Nathan gozou, contraindo os músculos lá dentro, eu meti mais três vezes com toda a força e gozei pesadamente dentro da borracha, rosnando no ouvido dele.

Ficamos ali por uns minutos, a água gelada limpando o suor. Nos vestimos no vestiário em silêncio, apenas trocando olhares e sorrisos bobos.

Quando saímos pra rua escura, Nathan pediu um Uber.

— A gente se vê amanhã, e domingo lá na sua casa — ele disse, me dando um último beijo de língua intenso antes de entrar no carro.

Fiquei na calçada vendo as luzes vermelhas sumirem. Fui caminhando até a avenida pra pegar o meu ônibus de volta pra casa. Eu sentei no banco do coletivo, sorrindo pra janela suja. A noite tinha sido perfeita. Eu estava louco, desesperado pra chegar em casa e contar tudo pro Caio, pra jogar na cara daquela jararaca que o Nathan não era só um menino fofo, mas que a gente tinha uma química absurda e que ele me levou numa sauna.

Mas, enquanto o ônibus cruzava a 13 de Maio, meu sorriso foi diminuindo.

Parei pra pensar no que o Caio ia dizer. Se eu contasse que o Nathan me levou pra uma sauna gay, o Caio ia virar os olhos e soltar o pior veneno dele. Ia dizer que o moleque era uma piranha, que me usou pra não ir sozinho, e ia finalizar dizendo que eu tava cego.

Respirei fundo. Eu não ia deixar o Caio estragar isso. A experiência na sauna ia ser um segredo nosso. Pro Caio, pro Luan e pro Ykaro no domingo, a versão oficial ia continuar sendo a do principezinho perfeito que toma sorvete no Benfica. E eu ia garantir que essa bolha não estourasse.

Siga a Casa dos Contos no Instagram!

Este conto recebeu 3 estrelas.
Incentive R Valentim a escrever mais dando estrelas.
Cadastre-se gratuitamente ou faça login para prestigiar e incentivar o autor dando estrelas.
Foto de perfil de R ValentimR ValentimContos: 191Seguidores: 116Seguindo: 3Mensagem não recebo mensagens por aqui apenas por e-mail: rvalentim.autor@gmail.com

Comentários

Foto de perfil de Jota_

Adriano está aproveitando mais a vida nessa reescrita! Fico feliz por ele e pelas cenas de sexo heheh

0 0