Casada Evangélica Recomeço

Um conto erótico de Casada Certinha
Categoria: Heterossexual
Contém 1488 palavras
Data: 27/03/2026 10:40:52

Para quem ainda não leu meus contos sou Carla 32 Anos casada

Morava em Campinas e agora mudamos para Porto Alegre sempre fui evangelica e de um tempo pra cá mudaram muitas coisas em minha vida. Bom continuando:

Porto Alegre era outra coisa. O apartamento que a empresa deu para Rogério ficava num bairro tranquilo, com vista para o rio Guaíba, paredes brancas, móveis novos, cheiro de tinta fresca. Tudo parecia limpo, organizado, novo. Rogério andava pela casa sorrindo como criança, falando de planos: “Aqui a gente vai criar raízes de verdade, amor. Igreja maior, grupo de casais mais forte, um futuro abençoado.”

Eu sorria. Respondia com voz suave. Me voluntariei na creche da nova igreja no primeiro domingo. Cantei no louvor. Li a Bíblia com ele todas as noites antes de dormir. Vestia as saias longas de sempre, prendia o cabelo no coque baixo, passava perfume discreto. Era a Clara de novo. A certinha. A esposa virtuosa.

Mas por dentro eu estava em guerra.

A primeira semana foi suportável. Eu me ocupava o dia inteiro: arrumava a casa, ia ao supermercado, preparava almoços elaborados, frequentava os cultos. À noite, quando Rogério dormia, eu ficava olhando o teto e repetia para mim mesma: “Acabou. Foi bonito enquanto durou. Agora eu vou ser só isso. Só Clara.”

Mas o corpo não obedecia à mente.

No segundo banho que tomei sozinha no apartamento novo, aconteceu.

A água quente batia nas minhas costas. Eu fechei os olhos e, sem querer, minha mão desceu. Comecei devagar, só passando os dedos entre as pernas, tentando me tocar como uma mulher normal. Mas a mente traiu. De repente eu estava de volta na casinha. Via os doze paus. Sentia o peso da coleira. Ouvia o som molhado dos socos nas costelas. Sentia o gosto terroso quando limpava um pau sujo. E, pior: lembrava daquele último orgasmo — o squirt violento, o jato quente saindo de mim enquanto dois paus me rasgavam o cu, o corpo convulsionando, as lágrimas, a sensação de estar explodindo por dentro.

Eu tentei recriar aquilo.

Apertei dois dedos dentro de mim, depois três. Curvei-os, procurei o ponto que tinha feito tudo acontecer naquela noite. Comecei a mexer mais rápido, a outra mão beliscando o mamilo com força, como Big fazia. Fechei os olhos com mais força e sussurrei baixinho, só para mim:

— Isso… dois no cu… me fode… sou a puta da galera… última vez…

Meu corpo respondeu um pouco. O clitóris inchou, a buceta ficou molhada, mas não era a mesma coisa. Faltava o peso real. Faltava o cheiro de suor e cimento. Faltava o cuspe na cara, o soco na costela tirando meu ar, os dois paus esticando meu cu ao limite. Faltava a consciência de que era a última vez — aquela certeza pesada que tinha transformado tudo em explosão.

Eu acelerei os dedos, quase desesperada. Tentei apertar a própria garganta com a outra mão, imitando o controle de respiração. Tentei imaginar o jato quente de mijo na boca. Nada. O orgasmo vinha, mas pequeno, fraco, seco. Só um espasmo curto que me deixou frustrada, ofegante, com água escorrendo pelo rosto misturada com lágrimas.

Eu apoiei a testa na parede do box e chorei de verdade.

“Por que eu não consigo mais?”

A resposta veio clara, cruel: porque aquilo não era só sexo. Era a quebra. Era ser nada. Era ser usada, humilhada, reduzida a buraco e boca e pele. Era a hipocrisia perfeita — santa de dia, cadela de noite. Em Porto Alegre eu tinha só a parte santa. E a parte cadela estava morrendo de fome.

Eu saí do banho tremendo. Me olhei no espelho embaçado. O corpo ainda tinha algumas marcas leves das últimas noites em Campinas — um roxo quase apagado na costela, uma vermelhidão na bunda. Toquei nelas com os dedos e senti um latejar distante entre as pernas.

“Eu vou parar. Eu preciso parar. Vou ser só a Clara agora. Para o Rogério. Para Deus. Para mim.”

Mas enquanto eu vestia a camisola de algodão simples e deitava ao lado do meu marido que dormia tranquilo, eu já sabia que estava mentindo para mim mesma.

A guerra estava só começando.

Porque toda vez que eu entrava no banho, toda vez que fechava os olhos, toda vez que Rogério me abraçava à noite, eu voltava para aquela casinha. Voltava para os doze homens. Voltava para aquele squirt violento que tinha sido o maior orgasmo da minha vida.

E o pior: eu sentia saudade.

Não só do prazer.

Saudade de ser nada.

Os dias em Porto Alegre começaram a se arrastar como uma penitência que eu mesma tinha imposto.

De manhã eu acordava antes de Rogério, preparava o café com capricho, lia um versículo do dia em voz alta para ele (“A mulher virtuosa é como a lã e o linho…”, Provérbios 31), sorria quando ele me chamava de “minha bênção”. Na igreja nova eu era a novata exemplar: chegava cedo, ajudava na creche, cantava no louvor com voz suave e olhos fechados, como se estivesse realmente em comunhão com Deus. As irmãs me abraçavam e diziam: “Você tem um espírito tão manso, Clara. Deus te escolheu para ser exemplo.”

Eu sorria. Dizia “Glória a Deus”. E por dentro eu gritava.

Porque a Clara que elas viam era uma mentira tão bem construída que até eu quase acreditava. Mas a outra Clara — a verdadeira, a que tinha sido usada por doze homens na casinha, a que tinha squirted como nunca na vida enquanto dois paus rasgavam seu cu — não tinha morrido. Ela só estava presa, sufocada, gritando dentro de mim.

O conflito era constante, silencioso e devastador.

Eu me pegava rezando e, no meio da oração, minha mente escapava. “Senhor, me perdoa pelos meus pecados passados…” e de repente eu via Marcinho cuspindo na minha cara, sentia o gosto terroso na língua, ouvia o som molhado dos socos nas costelas. A oração virava fantasia sem eu querer. Eu apertava as coxas na cadeira do culto, sentia a umidade crescer e tinha que sair correndo para o banheiro, fingindo que precisava lavar as mãos.

O pior eram os banhos.

Todo dia, quando Rogério saía para o trabalho, eu entrava no box e tentava me tocar. Tentava recuperar aquele orgasmo monstruoso da última noite. Eu fechava os olhos, enfiava três dedos, depois quatro, curvava-os com força, beliscava o mamilo até doer, apertava a própria garganta imitando a mão de Marcinho. Eu sussurrava baixinho as mesmas palavras que tinha dito naquela noite:

— Isso… dois no cu… me fode… sou a puta da galera… última vez…

Meu corpo respondia um pouco. O clitóris inchava, a buceta ficava molhada, o ventre contraía. Mas nunca chegava perto. O orgasmo vinha raso, seco, quase mecânico — só um espasmo rápido que me deixava mais frustrada do que satisfeita. Eu saía do banho tremendo, lágrimas misturadas com água, olhando meu reflexo no espelho embaçado e pensando:

“Por que eu não consigo mais? Por que só consigo gozar de verdade quando estou sendo destruída?”

A resposta era cruel e eu sabia: porque o prazer não tinha sido só físico. Tinha sido psicológico. Tinha sido a quebra total da minha identidade. Tinha sido a humilhação perfeita — ser a “santinha” que todo mundo respeitava e, ao mesmo tempo, a cadela que engolia mijo, limpava pau sujo e squirava enquanto era rasgada. O orgasmo daquela noite tinha sido tão forte exatamente porque eu sabia que era o fim. A consciência de que eu estava perdendo tudo tinha transformado dor, sujeira e degradação em êxtase absoluto.

Agora, em Porto Alegre, eu não tinha mais nada para perder. Não tinha mais risco. Não tinha mais a galera. Não tinha mais a coleira apertada, os socos, o cuspe, o ATM coletivo. Eu era só Clara. A esposa. A crente. A mulher virtuosa.

E isso me matava por dentro.

Eu comecei a ter crises de choro no banho. Chorava de raiva de mim mesma. Chorava de saudade do que eu tinha sido. Chorava de culpa por sentir saudade. E o pior: eu rezava pedindo força para esquecer… e ao mesmo tempo rezava pedindo para sentir aquilo de novo, só mais uma vez.

“Senhor, me limpa. Me purifica. Me faz esquecer.”

Mas a voz dentro de mim respondia, baixa e cruel:

“Você não quer esquecer. Você quer voltar a ser nada.”

Eu saía do banho, vestia a camisola comportada, deitava ao lado de Rogério e fingia dormir. Mas ficava acordada horas, sentindo o vazio entre as pernas latejar como uma ferida aberta. Tentava me tocar de novo na cama, em silêncio, imaginando a casinha, os doze homens, o squirt violento… e de novo o orgasmo vinha pequeno, frustrante, quase ofensivo.

Eu apertava o travesseiro contra o rosto e pensava:

“Eu sou duas pessoas. E uma delas está morrendo. A outra está feliz com Rogério. Mas qual delas sou eu de verdade?”

A resposta me aterrorizava.

Porque eu já sabia.

E a luta estava só começando.

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