Ontem à noite eu gozei pensando nele. De novo.
Deitada na cama, calcinha caída nos tornozelos, tentava imaginar aqueles dedos no lugar dos meus. Firmes, pesados. Indo fundo.
Trabalho numa cafeteria dentro da rodoviária de Porto Alegre. Todo dia, no mesmo horário, ele aparece. Pede cappuccino, pão na chapa. Às vezes troca por croissant. Vai direto pra mesa do canto, perto da janela. Abre o jornal e some atrás daquelas páginas.
Rosto fechado. Braços fortes, cabelo liso, escuro, já entregando uns fios brancos. Mas não era isso que me pegava.
Eram as mãos.
Veia saltada, os dedos abrindo o jornal devagar, segurando o canto da folha. Nem aquela aliança ofuscando meus olhos me impedia de ficar… olhando…
— Moça? Moça?
— Oi… desculpa. Em que posso ajudar?
Eu sempre me perdia assim. Quando via, tinha algum cliente me esperando.
Era comum, atrás do balcão, eu me pegar puxando o uniforme. Apertava na barriga, nas coxas… em tudo. Depois que engordei uns quilinhos, o vestido não perdoava. Marcava mesmo. Volta e meia, me olhava no vidro da vitrine. Qual a chance?
Mas também… dane-se.
Meus dias estavam contados. Passei num concurso e São Paulo me esperava.
Quarta-Feira, era meu último dia ali.
Decidi que ia falar com ele, qualquer coisa. Nem que fosse só dizer que estava indo embora. Pra não sair dali com isso entalado. E se ele desse abertura… eu ia. Pensei nisso e ri sozinha. Que ideia de merda.
Caprichei no cappuccino. Fiz um coraçãozinho ridículo na espuma. Ajeitei o vestido, deixei as coxas mais à mostra e levei até a mesa.
Ele pegou o copo. Olhou pra mim subindo devagar pelo meu corpo e sorriu. Mordi o lábio, sem saber o que fazer.
Foi aí que ela entrou.
Loira. Bonita. Daquelas que não pedem atenção. Sentou na frente dele, pediu um expresso curto, forte. Nem levantou o olhar pra mim.
Aproveitando que ajeitava as sacolas no chão, puxei o vestido. Quando levantei o olho, ele ainda estava nas minhas coxas, demorando. Foi a primeira vez.
Depois levou o copo à boca, virou pra ela e disse:
— Amor… achou tudo?
Que merda.
Na sexta cheguei na rodoviária umas sete da noite. Meu ônibus saía às oito.
Parei no farol da Vespasiano Veppo pra atravessar quando vi ele descendo de um táxi. Rindo, solto, falando com os outros no ponto. Sem o jornal. Outro jeito.
Ele me viu. O olhar parou em mim de novo. Mas, infelizmente… ou não… foi só isso. Com o sinal aberto, atravessei e fui embora.
O ônibus saiu no horário, quase vazio.
A noite estava boa. O vestidinho floral caiu bem. Talvez eu só esteja falando isso pelo jeito que o motorista me mediu ao conferir a passagem. Sentada no meu lugar, fiquei rindo sozinha, vendo as luzes borradas passando pela janela.
Tirei da bolsa Implacável Atração, da coleção Sabrina. Estava quase no fim. Eu devorava aqueles livrinhos.
Mas apaguei.
Acordei algum tempo depois com a sensação de alguém por perto. Abri os olhos e vi meu livro sendo colocado na poltrona ao lado. Pulseira prateada no pulso. Pêlos escuros no dorso da mão… aquele charme que eu não consigo ignorar.
Ainda grogue, levantei o olhar. Ele sorriu.
— Desculpa, moça… tava no chão.
Ônibus parado. Luz forte entrando pela janela.
— Onde a gente tá? — perguntei, piscando, me espreguiçando.
— Rodoviária de Joinville.
— Caramba… apaguei. Esse é teu lugar?
Tirei a bolsa da poltrona.
— Parece que ninguém viaja nessa época — ele disse, olhando os bancos vazios. — Posso sentar em outro pra não te incomodar.
— Não. Fica aqui… em Curitiba o ônibus pode encher.
É… nunca fui boa em disfarçar.
Mas, gente… que cara gostoso. Careca, barba curta bem desenhada, camisa preta com a manga dobrada, jeans… e uma mão linda. Parece que a vida resolveu ser boa comigo.
— Tua pulseira… gostei — falei, só pra não ficar muda.
— Presente do meu pai.
Ele esticou o braço. Toquei. Meu polegar passou devagar nos pêlos da mão.
— Linda.
Um calor subiu entre minhas pernas.
Vi o olhar dele descer pelas minhas coxas. Devagar, sem vergonha. E eu gostei.
— Vicente… — li na pulseira. — Teu nome?
Cruzei as pernas devagar. O vestido subiu mais um pouco.
— Sim. À sua disposição.
Ele inclinou o corpo, mão no peito, sorrindo. Fiquei vermelha, já pensando só besteira.
— E você?
— Isabelle.
Fiz uma pausa.
— Mas pode me chamar de Crystal.
— Muito prazer.
Ele sentou.
Disse que estava ali pro casamento do irmão e que ia aproveitar pra rever uns amigos em São Paulo antes de voltar pra Milão, onde morava há sete anos. Longe demais. Não devia, mas meu coração deu uma apertada quando ele falou aquilo. Carente eu? É… talvez um pouco.
Fui me soltando.
Falei de mim, do concurso, de São Paulo… mas o corpo entregava. Cruzava e descruzava as pernas. Quando vi, já tinha passado quase uma hora e meia. Nem percebi.
De repente o assunto morreu e ficamos nos encarando.
Ele foi chegando mais perto, com a certeza de que eu não ia sair dali. E eu já presa na boca dele, olhando, esperando. A mão veio na nuca. A boca encostou na minha, a língua entrou devagar.
A outra mão desceu, pousou na coxa e foi avançando entre as pernas, até me tocar por cima da calcinha. Me encontrou molhada.
Ele sussurrou no meu ouvido que eu era muito gostosa, puxou a calcinha pro lado e foi logo enfiando dois dedos de uma vez. Dois. Me curvei toda, gemendo baixo contra a boca dele, tentando segurar, mas já perdida.
O ônibus estava escuro, só com as luzes de emergência acesas. Os poucos passageiros espalhados, longe demais pra notar qualquer coisa. Mas bastava alguém levantar, ir ao banheiro… pra me pegar com o vestido na cintura, as unhas cravadas no braço dele, meu corpo se movendo contra aquela mão. E isso só aumentava o meu tesão.
— Deixa eu sentar em você…
Abri a calça dele.
Quando peguei aquele pau, sorri. Grosso, do jeito que eu gosto. Ele puxou a calcinha, fez ela descer pelas coxas. Ergui as pernas pra ajudar e ele tirou de vez.
Dei um risinho e sentei no colo dele. Ele abaixou a poltrona e eu já estava tão molhada que entrou de uma vez. Gemi baixo, me contraindo nele.
Nossa… sem camisinha. Nem pensei.
Olha o juízo.
— Caralho, você é muito apertada.
Sorri. Segurei o encosto da poltrona e comecei a cavalgar mais rápido, rebolando. O barulho do ar-condicionado ajudava a esconder a gente. Mesmo assim, dava pra ouvir o som molhado cada vez que eu descia, o ranger da poltrona. Baixo, mas dava.
E eu ia, cada vez mais rápido.
— Goza no meu pau… safada.
Quando ele falou aquilo no meu ouvido, não aguentei. Gozei. Pulsava em volta dele, sugando.
Me segurando pela cintura, passou a me foder por baixo.
— Me enche de porra… vai — sussurrei no ouvido dele.
Vicente soltou um gemido abafado e gozou. Senti ele gozar dentro de mim. Que tesão. Que irresponsabilidade mais gostosa.
Caí na poltrona ao lado, rindo, as pernas em cima dele. Meus pés deslizavam no pau melado.
— Cacete… Essa foi a melhor trepada que já tive — ele confessou.
— Mas eu ainda não terminei com você.
Quando o ônibus entrou na Rodoviária de Curitiba e o clarão invadiu o interior, eu estava no colo dele, sentindo aquele pau enterrado no meu cuzinho, me movendo devagar, enquanto ele gemia no meu pescoço.
Na Rodoviária Tietê, desembarcamos.
Tomamos um cappuccino. Falamos pouco. Às vezes ele encostava a mão na minha, sem falar nada e aquilo me quebrava. Dava um aperto no peito. Trocamos telefone, e-mail.
Na hora de pagar, meu olhar escapou pro canto da cafeteria. Um homem sentado. Jornal aberto, as veias saltadas na mão. Fiquei um segundo a mais.
Vicente puxou minha cintura de leve, me trazendo de volta.
— Ei.
Acenei de leve.
Demos um último beijo, mais calmo agora. Diferente.
Ele foi em direção ao metrô e eu fiquei ali parada, vendo ele se afastar. Depois virei e fui pro banheiro.
Só ali caiu a ficha.
Eu estava sem calcinha.
Vicente Braga
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