Eu Me Mordo de Ciúme

Um conto erótico de Lore <3
Categoria: Lésbicas
Contém 2712 palavras
Data: 25/03/2026 17:39:25
Assuntos: Lésbicas

Era o nosso último dia na pousada, e o tempo parecia ter decidido colaborar. O sol nasceu mais aberto do que nos outros dias, iluminando tudo de um jeito muito acolhedor. Acordamos e acabamos decidindo pegar um quadriciclo e ir até a cachoeira; dessa vez, ainda não tínhamos ido, e é algo de que gostamos de fazer.

Eu vinha percebendo que, nos últimos dias, a Júlia acordava mais quietinha, como se ainda estivesse organizando algo por dentro, e, ao decorrer do dia, ela ia voltando ao normal. Então, fomos o caminho inteiro em silêncio, apenas sentindo o vento no rosto, e eu adorando a sensação de ela estar agarradinha a mim, com as mãos por baixo da minha blusa, fazendo um singelo carinho de vez em quando.

Seguimos a pé e me sentei com ela entre as minhas pernas, ali, bem próximas da água, e começamos a conversar. Entre um carinho e outro, contemplávamos a beleza do lugar, a nossa companhia e a paz que somente aquela cachoeira nos proporcionava. Falamos de Milena e Kaique, que iam ficar mais um pouco, como sempre acontecia. Mas, dessa vez, as férias seriam mais curtas; no fim de janeiro, as aulas se iniciariam, o que não estava sendo um problema, visto que eles estavam ansiosos para o retorno.

— Bora entrar um pouquinho? — propus.

— Não, essa água deve estar super, hiper, mega gelada — Juh respondeu, recostando-se sobre o meu braço e olhando para mim.

— Um pouquinho só... — insisti e roubei um selinho.

— Huuuuuuum, não quero molhar essa calça que você me emprestou... Não vai dar tempo de secar — ela justificou.

— Que desculpinha esfarrapada, é só deixar que nossos filhos levam — brinquei, enquanto roubava inúmeros beijinhos e ela ria.

— Eu sei que você quer, vai — Juh falou, fazendo um leve carinho no meu rosto.

— Não vou demorar — garanti.

Entrei na água devagar, sentindo o meu corpo reagir no mesmo instante, porque ela realmente estava fria, bem fria, porém do jeito que eu gosto. Não senti desconforto; é como um choque que acorda e me acalma. Fechei os olhos por um segundo, colocando o máximo do meu corpo em contato, enquanto eu respirava fundo e me acostumava com a temperatura.

Olhei para trás, e Juh estava me observando, ainda ali na beira, dando um sorrisinho.

— Você deveria vir... — falei.

— Está MUITO gelada? — ela quis saber.

— Tá do jeito que eu gosto — respondi.

— Na temperatura do Polo Norte — Júlia zoou.

Dei uma risadinha, passando a mão pela água e a chamando com as mãos.

— Vem, mô — a chamei, erguendo os braços.

— A calça — Juh falou novamente, e nós rimos.

— Tira, uai — sugeri.

— Huuuuum, querendo tirar minha roupa aqui, Lorena? — Juh brincou.

— Algo que nunca fiz — ironizei.

— Amor, se eu ficar espirrando, a culpa vai ser sua — ela disse, levantando-se, enquanto eu comemorava.

Fiquei acompanhando cada movimento, apenas mais uma vez apreciando a bela vista à minha frente. Júlia tirou não só a calça, mas também a camiseta, e não enrolou muito; apenas desceu o corpo ao encontro dos meus braços. Eu a segurei firme, rindo baixinho quando senti o corpo dela se encolher com o frio.

— Meu Deus, meu Deus, meu Deus... Como que isso aqui é bom? — ela reclamou, com a voz meio presa, mas já rindo junto.

— Acostuma rápido — falei, encostando o rosto no dela.

— Que gelooooo, estamos fazendo picolé de Dom — ela falou, bem-humorada.

— Beijinho ajuda a esquentar? — perguntei, enfiando o rosto no pescoço dela, enquanto Juh cruzava as pernas na minha cintura.

— Hunrum... — ela confirmou, acenando positivamente com a cabeça.

Beijei o pescoço dela devagar, subindo os lábios até a boca para um selinho rápido. Júlia retribuiu imediatamente, inclinando a cabeça e me dando outro beijinho de volta, bem suave. Logo em seguida, ela me beijou de novo, pressionando os lábios nos meus por mais tempo, enquanto passava as mãos devagar pelas minhas costas. Eu respondi com mais um beijinho, e ela veio com outro, depois outro, e demos início a uma longa sequência, em uma disputa não verbal de quem daria o último beijinho.

Juh se aconchegou mais, cruzando os braços atrás do meu pescoço e me puxando para si, intercalando os beijinhos com carinhos nos meus cabelos e no rosto. Ela deu um beijo mais demorado no canto da minha boca, depois prosseguiu nos meus lábios, e eu devolvi com dois seguidos. Ela riu baixinho entre um e outro, traçando o contorno do meu queixo com os dedos, e continuou com mais beijinhos, toda carinhosa, alternando entre selinhos rápidos e outros por toda a extensão do meu rosto. Ficamos assim por um tempo, até que entramos em um consenso, também não verbal, e nos beijamos ao mesmo tempo.

Ficamos mais um tempo ali, até o corpo se acostumar de vez com a água e a gente cansar naturalmente. Saímos sem pressa, pegando as roupas e voltando pelo mesmo caminho, agora com o sol já mais alto.

Dessa vez, quem pilotou foi Juh. Eu subi atrás, envolvendo a barriguinha dela com os meus braços, e fomos seguindo tranquilas, sem muita pressa de chegar. Até que, em determinado momento, vi um movimento mais à frente. Era o tio dela; ele fez um sinal com a mão, pedindo para parar.

— Afffff! — ela disse baixinho.

— Se você não tiver a fim, é só a gente ignorar e seguir, amor — falei no ouvido dela.

— Vou parar... — Juh me respondeu, desanimada.

Ela reduziu a velocidade e parou o quadriciclo. O tio se aproximou, andando devagar, com um semblante diferente da última noite em que nos vimos. Antes que ele começasse a falar, passei a mão de leve nas costas da Juh, em um carinho, tentando mantê-la tranquila.

— Ô, minha filha, eu queria pedir perdão por aquilo que falei. Não foi por mal, não. Você sabe que eu falo muita besteira e depois me arrependo. Se eu tivesse noção de que ia te ferir, não falaria nada, ficaria mudo — ele disse.

Júlia não respondeu de imediato. Ficou em silêncio por alguns segundos, olhando para ele.

— O senhor entende o que me machucou e por quê? — ela quis saber.

— Conversando com Lícia, a gente foi entendendo... Mas, na hora ali, eu não entendi, não... Essas coisas não vão se repetir. Eu erro, mas aprendo rápido. Não estava acostumado com esse tipo de relação, e eu adoro vocês. Com o tempo, vou entendendo — ele respondeu.

— Ai... — Juh deixou escapar, sem paciência.

— É... Olha, fiquei sabendo do que aconteceu e, como o senhor deve imaginar, me machucou muito também. Juh está grávida, e, em nenhum momento, ninguém lembrou disso, deixando que ela chegasse naquele nível de estresse sem um pingo de preocupação e de forma completamente desnecessária. Esse bebê é fruto do nosso amor, e somente isso importa. Ele terá duas mães esforçadas, que farão de tudo por ele. Nada faltará para ele. A fala do senhor nos machucou porque vai direto no coração da nossa família, que é completa. Consegue entender? Esse tipo de questionamento não se faz... com ninguém! — completei.

— Ô, Lore, me desculpe de verdade... Eu não fazia ideia, mas já entendi — ele foi falando, apoiando-se na cerca.

Deu para perceber que ele não estava bem. Ele procurou um lugar para se apoiar melhor, como se estivesse perdendo um pouco da força. Antes que eu pudesse reagir, Juh desceu rápido do quadriciclo, me fazendo até levar um susto. Foi direto onde ele estava e o abraçou.

Perguntei se estava tudo bem, e ele confirmou. Ainda ficamos ali por mais um tempo, só observando, até ter certeza de que ele realmente estava melhor.

Depois disso, voltamos.

— Meu Deus, eu ia matar seu tio — falei, quando partimos.

— Amor! Não diz isso, tá repreendido!!! — ela exclamou e deu um tapinha na minha coxa.

— Sua mãe ia me matar — falei, rindo.

— Essa é sua preocupação? — Júlia questionou, rindo também.

— Não acha compreensível? — perguntei, seguindo o tom cômico.

— É... você tem razão... — Juh respondeu, rindo.

— Você é tão coração, gatinha... Se fosse um tio meu, seria pior. Ainda bem que foi um seu... — falei, pensativa.

— E ainda bem que você falou tudo aquilo. Sei que a gente prefere deixar que a outra resolva quando se trata da família, mas você entrou muito bem — ela falou e virou o rosto para me dar um beijinho.

— Ah, meu amor, se tem uma coisa que eu faço bem é entrar — zoei.

— Aiiii, não acredito — Júlia falou, rindo.

De tardezinha, o clima de despedida tomou conta da casa. Seríamos as primeiras a ir embora, e, esse ano, esse reencontro tinha sido muito bom — com certeza por conta da pandemia, que embaçou o nosso convívio. Na saída, bateu vontade de continuar ali, mas nossos compromissos nos próximos dias já solicitavam a nossa presença.

— Sem cachoeira para os dois, tá bom? Está muito gelada... — Juh falou para Kaká e Mih.

— E piscina eu poooosso? — Kaique perguntou, dramaticamente.

— Pode — Júlia respondeu, rindo.

— Obedeçam direitinho — recomendei, como sempre, e eles confirmaram.

— Dom, não esquece minha voz, tá bom? — Mih falou, ajoelhando na frente da barriga de Juh.

— A minha também não, Ninho — Kaká disse, chegando mais perto.

A gente ficou ali por mais alguns segundos, com todo mundo se olhando e falando ao mesmo tempo, daquele jeito que só acontece em despedida. Depois, abraçamos nossos filhotes com calma, e eles nos levaram até o carro.

No caminho para casa, fui fazendo carinho na barriga de Júlia e, em certo momento, ela começou a rir sozinha e virou o rosto para mim.

— O que foi? — perguntei, rindo também.

— Nada... Acho bonitinho que antes sua mão ficava sempre na minha coxa, e agora fica fazendo carinho no nosso neném — Juh disse, sorrindo.

— Eu nem percebi a mudança — falei.

E, sem pensar muito, desci a mão para a pepeca dela e apertei de leve. Ela me olhou na mesma hora, surpresa.

— Ops, mudei de novo — brinquei.

— Por que você é assim, amor??? — ela perguntou, rindo.

— E por que você gosta tanto? — questionei, e ganhei um beijinho.

Voltei a mão para a barriga e continuei fazendo carinho enquanto seguia em frente. Mais adiante, o trânsito estava parado, e Juh logo estranhou o monte de carros.

— Que monte de carro é esse? — ela perguntou.

— Pela data, é normal, mas não deveria estar tão travado assim... — comentei.

Quando nos aproximamos, ficou claro que era uma blitz. Logo pedi para ela pegar o documento no porta-luvas, e ela começou a procurar, o que foi estranho, porque eu só deixo lá a documentação e um kit fuleiro de primeiros socorros.

— Achou? — perguntei, e Juh parecia confusa.

— Por que tem camisinha e lubrificante aqui? — Júlia me perguntou.

— Quê???? — respondi e fui conferir também.

— Camisinha e lubrificante — ela repetiu.

Na hora, lembrei que tinha emprestado o carro para o meu querido cunhado dar uma fugidinha com Thais e o sacana, aparentemente, esqueceu os pertences lá. Reconheci pelo lubrificante, porque eu mesma havia dado para a primeira vez que eles saíram juntos.

— Só pode ser do seu irmão, amor. Ele saiu com Thais, lembra? — perguntei, para confirmar.

— Ahhhh... Nossa, que susto! — Júlia falou, aliviada, e a gente começou a rir.

A blitz demorou mais do que gostaríamos, e, quando finalmente chegamos em casa, estávamos as duas cansadas. Entramos, largamos as coisas e nos jogamos no sofá. Sem ligar para nada, colocamos qualquer coisa para assistir e ficamos ali, lado a lado.

— O que vamos fazer amanhã, amor? — minha gatinha quis saber.

— Tenho que conferir o mobiliário e ligar para o montador — falei.

— E depois? — ela continuou.

— Depois temos que arrumar tudo? — questionei, porque também não sabia.

— Quero ficar com você — ela disse e me beijou, depois manteve o rosto bem pertinho do meu.

— Então a gente fica, amor... — confirmei e dei um beijinho na testa dela.

A noite chegou, e decidimos pedir uma pizza. A desculpa foi não ter passado no mercado, mas a verdade é que estávamos com preguiça mesmo.

Eu estava ajudando a Juh com os exercícios quando a pizza chegou. Desci para buscar e subi tranquila, mas, na hora de entrar no condomínio, o reconhecimento facial simplesmente não funcionava. A tela não carregava de jeito nenhum. Tentei algumas vezes, mas parecia travado.

Olhei para a portaria, e não tinha ninguém na guarita. Meu cartão estava dentro do carro, então não tinha muito o que fazer além de esperar.

Peguei o celular e mandei mensagem para o meu amô.

— Amor, você não vai acreditar... Estou presa do lado de fora do condomínio, segurando pizzas... E ninguém na portaria... — falei, rindo da situação.

Enquanto eu esperava, um carro encostou atrás de mim. Fui para o outro lado para tentar entrar, mas ele não conseguiu também. O rapaz ficou irritado, começou a chamar, levantar a voz, mas não adiantou nada.

— Meu Deus, amor, eu vou achar alguém, pera!!! — Juh me respondeu em áudio, claramente preocupada.

Falei que estava tudo bem, que eu ia esperar e que não precisava se preocupar, porém ela não visualizou mais.

Outros carros foram chegando, e logo formou uma pequena fila. A maioria das pessoas, assim como eu, ficou tranquila, tentando resolver da forma que dava, ligando para alguém ou apenas aguardando aparecer algum funcionário.

Até que toda a minha tranquilidade e bom humor foram embora quando avistei o porteiro e a minha esposa vindo na nossa direção. O que deveria ser a salvação me tirou do eixo.

A roupa de Juh estava minúscula, e o ciúme bateu forte quando percebi alguns olhares.

O porteiro abriu o portão manualmente, falando rápido sobre a troca de turno, mas eu nem prestei atenção direito. Juh veio direto em mim, me abraçou, e entramos juntas.

— Você ficou irritada esperando? Foi troca de turno, eles estavam reportando o problema — Júlia me explicou.

— Não... Só tinha um cara irritado; o restante estava tranquilo — respondi.

Subimos sem falar muito. Entramos em casa, e fui direto para a poltrona. Sentei e fiquei ali um tempo, tentando organizar o que eu estava sentindo e também sem acreditar que eu estava daquele jeito por causa de roupa.

— Por que você está assim? — Juh questionou, sentando no meu colo e me dando um selinho.

Pensei se falaria ou esperava passar, mas meu tempo de silêncio ficou extenso demais para não responder a verdade, por mais tosca que parecesse.

— Estou puta, desceu gostosa demais — falei de uma vez.

Em voz alta, pareceu ainda mais tosco.

Juh olhou para si mesma, como se estivesse conferindo, e começou a rir.

— A culpa é sua, falei várias vezes para você ir comigo comprar umas roupinhas, porque nenhuma está cabendo em mim — ela respondeu, segurando meu rosto para me beijar.

Balancei a cabeça, puxando-a um pouco mais para perto.

— Sabe os planos de amanhã? Que você estava me perguntando o que a gente ia fazer? Coloque como primeiro compromisso COMPRAR ROUPAS! Não vamos adiar mais nenhum dia — brinquei.

— Ciumentaaaaa — ela me zoou.

Não liguei muito; Júlia estava na razão. Só segurei o pescoço dela e enchi de beijinhos.

— Ficou com um biquinho tão bonitinho — Júlia disse, tocando na minha boca.

— Chega, bora comer — falei, querendo pôr um fim na brincadeira.

Contudo, não acabou por aí. Mais tarde, fizemos um FaceTime com nossos guris. Conversamos, matamos um pouco da saudade e, no meio da conversa, Juh resolveu explanar o que tinha acontecido. E, obviamente, eles começaram a zoar na mesma hora.

Quando íamos finalizar, pedi para passarem para Iury.

— Ô, seu filho da puta, eu empresto meu carro e você larga camisinha e lubrificante no porta-luvas? — perguntei, rindo.

— E fui eu quem achou, tá? Levei um susto — Juh falou.

Ele começou a rir desesperadamente e só respondeu coçando a cabeça: — Droga... Guarda aí para mim...

Encerramos a ligação e fomos tomar um banho. Depois, fui deitar ao lado da minha gatinha, que estava no celular. Não sabia explicar, mas eu estava sentindo uma angústia no peito. Encostei o rosto no pescoço dela e a cheirei... Tudo o que eu queria era respirar minha muié!

Júlia largou o celular de lado e se virou um pouco mais para mim. Com cuidado, trouxe minha cabeça para mais perto, encaixando no vão do pescoço dela. Seus braços vieram em volta dos meus ombros, me puxando com carinho. Os dedos dela começaram a deslizar pelo meu rosto, devagar, e iniciaram um leve cafuné no meu cabelo.

— Pronto... — ela sussurrou, com a voz baixa.

Fechei os olhos ali mesmo e apaguei.

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