As amizades de Melissa 1

Um conto erótico de Adam
Categoria: Heterossexual
Contém 4289 palavras
Data: 03/03/2026 16:47:11

As amizades de Melissa 1

Cuidado com os amigos

As duas mulheres atraentes, almoçando no restaurante, chamavam bastante a atenção dos homens que passavam. Mas as amigas estavam tão absortas em colocar o papo em dia que nem ligaram para os olhares alheios.

—Há quanto tempo, Melissa? — Perguntou a mulher alta de cabelos escuros. —Parece que faz uma eternidade que não te vejo.

A outra mulher era loira e um ou dois anos mais nova que a amiga.

—Eu sei, Jeane, e me sinto mal por isso. Mas entre a pós-graduação e a vida de casada, tem sido difícil arranjar tempo para qualquer outra coisa.

—Como está indo a faculdade de administração? Você já deve estar perto de concluir seu MBA.

—Sim, está praticamente tudo resolvido. Temos um recesso na próxima semana e depois faltam apenas algumas semanas de aulas antes de eu receber meu diploma. Já entreguei minha tese, então não preciso me preocupar com isso. E melhor ainda, parece que serei dispensada de todas as provas finais. Daqui para frente, tudo deve correr bem.

—Que maravilha, Melissa, parabéns! Você já conseguiu um emprego?

—Não. Trabalhei muito nos últimos dois anos, então pretendo tirar umas férias antes de voltar com tudo ao mercado de trabalho. Quero relaxar e me divertir um pouco antes de voltar a me dedicar ao trabalho. Mas chega de falar de mim, como você está? Tem um homem especial na sua vida?

—Tudo está indo bem para mim, mas ainda estou à procura do homem certo.

A loira lançou um olhar avaliador para a amiga morena.

—Com a sua beleza, eu não teria pressa nenhuma em sossegar. Aposto que você poderia sair para festejar com um gato diferente todas as noites, se quisesse.

Jeane deu um sorriso irônico para a amiga.

—Acredite em mim, Melissa, a vida de solteira não é tudo isso que dizem hoje em dia. Para encontrar um cara decente, você tem que passar por uma dúzia de idiotas, e outra dúzia de enrustidos ou narcisistas e francamente, isso está começando a ficar chato. Para falar a verdade, tenho um pouco de inveja de você, felizmente casada com um cara ótimo como o Adam. E falando em Adam, como está seu marido bonitão?

—Acho que ele está bem.

—Ooh, acho que acabei de ouvir uma palavra desanimadora. O que houve, Melissa? As coisas não estão indo bem entre vocês dois?

A loira balançou a cabeça. —Não é que estejamos tendo problemas, exatamente. É só que o Adam está tão ocupado tentando fazer o negócio dele decolar que não temos muito tempo para nos divertir juntos. E mesmo quando conseguimos, não temos muito dinheiro para gastar com entretenimento.

—Bem, todo esse tempo que ele dedica à empresa é para construir um futuro para vocês dois. E quanto ao dinheiro, suspeito que pagar seus estudos de pós-graduação não seja barato.

—Eu sei, e agradeço. Mas às vezes eu só queria sair e me divertir um pouco como fazíamos antes. Na escola, meus colegas só falam de ir a festas e conhecer gente em bares. Enquanto isso, eu fico presa em casa assistindo reprises na TV.

A mulher de cabelos escuros lançou um olhar astuto para a amiga.

—Hum. Tem alguém em particular na escola com quem você gostaria de sair para festejar?

Melissa riu. —Você sempre soube me ler muito bem — Então, inclinou-se para frente para que ninguém a ouvisse —Na verdade, tem um aluno do primeiro ano, o Cal, meio tímido, mas é muito bonito. — Ela corou —E ele também está interessado em mim. Toda vez que estamos juntos, ele faz questão de dizer algo muito carinhoso sobre como eu estou bonita e como estou indo bem na faculdade. Ele sempre me dá um abraço para me cumprimentar ou se despedir. Já senti a ereção dele algumas vezes e parece ser bem grandinho ali em baixo rsrsrsrsrs.

Jane inclinou a cabeça. —Acho que Adam não ficaria muito feliz em ouvir isso.

—É só uma paquera inofensiva, não significa nada. Mas você tem razão, o Adam é bem antiquado com essas coisas. É por isso que não prudente mencionar. — Ela se ajeitou na cadeira —Mas não consigo deixar de lembrar como as coisas eram antes de eu me casar. Era tão divertido curtir a vida de solteira e sair com caras diferentes. Sinto falta disso tudo sabe.

— Sei.

— Teve um dia que a gente ficou de bobeira esperando nosso ônibus, agente deu um amasso, nossa, a temperatura subiu, se a gente tivesse tempo, tenho certeza que ele me comeria ali mesmo. Ele fala pouco, mas tem uma pegada.

—Você precisa tomar cuidado, amiga. Você tem um marido muito bom e não quer correr o risco de perdê-lo. Você sabe que o Adam jamais toleraria se pegasse você se envolvendo com outro homem. E se isso acontecesse, aposto que haveria muitas outras mulheres dispostas a consolá-lo.

—Eu sei, eu sei. E, sinceramente, quero passar a minha vida com ele, formar uma família e tudo mais. É só que eu gostaria de me divertir um pouco antes de tudo ficar mais difícil, com filhos e tudo. — Ela baixou a voz e se inclinou para mais perto novamente. —O Cal, ontem ele me convidou para ir com ele para Floripa durante o recesso. Se houvesse algum jeito de eu fazer isso sem o Adam saber, eu provavelmente aceitaria. — Ela se recostou e deu uma risada desdenhosa. —Mas é só uma fantasia; isso nunca vai acontecer.

Jeane recostou-se e lançou um longo olhar para Melissa. Finalmente, assentiu com a cabeça como se tivesse tomado uma decisão. —Não tenha tanta certeza. Eu sei um jeito de você fazer isso e sair impune.

Melissa soltou um suspiro que era uma mistura de incredulidade e entusiasmo. —Você está brincando! Como?

—Tem certeza de que quer colocar seu casamento em risco por causa de um caso de uma semana? O cara pode nem ser tudo isso que você está pintando.

—Com certeza valeria a pena, se eu tivesse certeza de que Adam nunca descobriria, por que não? Mas você está só brincando comigo, Jeane. Não tem como eu me safar de uma coisa dessas.

—Existe sim, e é bem simples. — Jeane começou a enumerar cada passo nos dedos. —Primeiro, você precisa criar uma nova conta de e-mail. Crie uma com um sinônimo, algo como 'Um Amigo'. Depois, use essa conta para enviar um e-mail anônimo para Adam, avisando-o de que sua esposa está tendo um caso.

—Dizer a ele que estou tendo um caso? Isso é loucura - por que eu faria isso?

Jeane prosseguiu inabalável. —Especificamente, você diria que Melissa está tendo um caso com alguém que Adam não conhece e não consegue investigar facilmente.

—Como isso me ajudaria se é isso que eu vou fazer?

—Isso desviaria a atenção dele do seu gato da pós-graduação.

—Sim, mas isso deixaria Adam desconfiado de mim da mesma forma. Agora eu estaria dando a ele motivo para procurar.

—Exatamente. Mas quando ele não tiver sorte em encontrar o cara com quem você supostamente está tendo um caso, ele não terá outra escolha a não ser confrontá-la e exigir saber o que está acontecendo.

—Mas eu não quero que ele desconfie de mim! Isso não ajuda em nada, só piora.

—Vai por mim, vai dar certo. Então, quando ele a confrontar, você fica muito brava com ele por não confiar em você. Na verdade, você fica tão irritada que decide dar um 'tempo' no seu casamento. Sua mãe não mora perto de Floripa?

Melissa foi pega de surpresa pela mudança repentina. —Hum, sim, por quê?

—Perfeito. Na sua raiva, você diz para o Adam que vai para Floripa durante o recesso para ficar com a sua mãe e decidir o que fazer em relação ao seu casamento. Aí, enquanto ele está aqui na cidade tentando desesperadamente encontrar o homem misterioso, você está em Floripa com o Cal tendo o seu pequeno encontro romantico.

—Como vou explicar tudo isso para minha mãe?

Jeane revirou os olhos (será que eu vou ter que desenhar) —Você não precisa. Aliás, você nem precisa ver sua mãe enquanto estiver lá embaixo.

—Mas e se Adam ligar para ela?

— Calma pequeno gafanhoto, diga a ele para não fazer isso. Diga que você precisa de um tempo longe dele para colocar as coisas em ordem. Ele não deve tentar entrar em contato com você ou com sua mãe enquanto você estiver fora. Avise-o que, se ele tentar, você pode não voltar para casa.

Melissa encarou a amiga por um instante, pensando em seu plano. Finalmente, seu rosto se iluminou. —Sabe, Jeane, eu consigo ver como isso poderia funcionar. Mas o que acontece quando eu voltar?

—Isso é fácil. Vc manda um email com uma foto de alguém que se parece com você junto com outro cara e manda pra ele, quando ele ver que não é você na foto, ele vai ficar aliviado e arrependido de ter acreditado no email. A essa altura, Adam estará morrendo de saudades de você. Ele se sentirá muito culpado e vai implorar pelo seu perdão por não ter confiado em você. Você volta com essa buceta saciada e o perdoa e tudo fica bem. Você terá se divertido e apagado o seu fogo no rabo e agora você e Adam estarão juntos novamente, mais próximos do que nunca.

—Perfeito! Você é um gênio.

Melissa estendeu a mão por cima da mesa de repente e apertou a mão da amiga. —Você é a melhor, Jeane! Estou tão animada, acho mesmo que vai dar certo. Mal posso esperar para contar para o Cal.

########

Adam Whateli

—Alguma notícia do fornecedor sobre as peças que encomendamos?

Quando seu encarregado balançou a cabeça negativamente, Adam voltou para seu escritório e se deixou cair em sua cadeira giratória de segunda mão. Preocupado, esfregou a testa.

—Se essas peças não chegarem logo, vamos perder o prazo para entregar os protótipos.

Depois que o encarregado saiu, Adam ficou sentado tentando bolar um plano B. Quando seu e-mail apitou, ele se virou rapidamente para verificar a caixa de entrada, na esperança de boas notícias. Mas quando viu que o assunto era "Sobre sua esposa", quase jogou fora. Porém, a curiosidade falou mais alto e ele abriu a mensagem.

“Sinto muito por ter que lhe dizer isso, mas Melissa está tendo um caso com professor Marcel Aguiar.

Só achei que você deveria saber.”

Ass. Um amigo.

—Que diabos? — Atônito, Adam leu a mensagem novamente, incapaz de compreender aquelas palavras terríveis. —Que tipo de besteira é essa? Não pode ser verdade; Melissa não me trairia. Alguém deve estar tentando criar problemas entre nós. Mas quem faria uma coisa dessas, e por quê?

Ele começou a apagar a mensagem, mas hesitou. —É a última coisa com que preciso lidar agora. Deve ser um engano, um mal-entendido. — Mas seu lado prático não o deixava ignorar. —Droga, droga, isso não pode ser verdade.

Com raiva, ele clicou em "Responder" no e-mail. "Quem é você? Por que está fazendo uma acusação tão terrível? Que provas você tem?" Clicou em "Enviar" e ficou encarando a tela, impotente e furioso. Isso não vai adiantar nada. Não dá para saber quando ou se esse cara vai responder. E não há como rastreá-lo. Acho melhor começar a tentar descobrir por mim mesmo.

Ele abriu o navegador, acessou a página da universidade e procurou o corpo docente da Escola de Administração de Empresas. Não havia nenhum professor Marcelo Aguiar entre os membros do corpo docente. Voltou ao cadastro de professores para pesquisar em toda a universidade. Novamente, sem sucesso. Frustrado, tentou outras instituições de ensino da região, também sem sucesso.

"Isso é loucura", murmurou para si mesmo. "Será que meu 'bom amigo' inventou um nome?" Em seguida, tentou uma busca no Google, e o mecanismo de busca rapidamente apresentou cinco nomes. Mas nenhum era da região ou professor. Eu sabia que era falso! Alguém está tentando me enganar — ou me enlouquecer!

Mas, mais uma vez, ele não conseguiu se obrigar a apagar o e-mail. Agora que a ideia estava plantada, a semente da dúvida começou a germinar em sua mente.

Meu Deus, e se ela estiver me traindo? Não vi nenhum sinal, mas isso não significa nada. Além disso, tenho estado tão ocupado no trabalho que quase não passei tempo com ela. E se ela ficou chateada por ser ignorada? Sei que houve vezes em que ela quis sair para se divertir e eu recusei. Mas, droga, estou trabalhando quase setenta horas por semana tentando fazer o negócio decolar. Ela não entende isso? Não vê que estou fazendo tudo isso por nós? E, para ser honesto, não temos condições de fazer nada extravagante. A mensalidade dela na faculdade de administração aumenta a cada ano, e tenho investido tudo o que sobra para tentar dar um impulso inicial no meu projeto. Mesmo assim, acho que tenho negligenciado ela.

Com um sentimento de culpa, ele começou a consultar seu calendário, tentando encontrar a última vez que tinham saído juntos. Depois de procurar por três meses sem encontrar nada, ele desistiu. Droga, droga, droga!

Mas, mesmo com a crescente culpa, ele sentiu uma onda correspondente de raiva. Talvez eu não tenha dado à Melissa toda a atenção que ela quer, mas isso não lhe dá o direito de me trair. Além disso, nós conversamos sobre os sacrifícios que teríamos que fazer quando decidimos abrir o negócio. Ela acreditou totalmente na ideia naquela época, então não tem o direito de reclamar agora.

Seus pensamentos foram interrompidos quando seu encarregado enfiou a cabeça pela porta. —Ei, Adam, boas notícias, os componentes que precisávamos acabaram de chegar!

—Graças a Deus! Ótimo, vamos desembalar tudo e levar para a bancada o mais rápido possível!

Quando o capataz se afastou apressadamente, Adam respirou fundo. —Bom, pelo menos uma crise foi evitada. —Deu uma risada irônica. —Acho que isso significa que posso passar mais tempo me preocupando com a minha esposa. Vou tirar isso a limpo.

Depois de perder mais tempo pesquisando inutilmente na internet, ele se recostou e tentou pensar. Se Mel realmente está tendo um caso, só pode ser com alguém da universidade. Talvez meu "bom amigo" tenha se enganado quanto ao nome, ou talvez a universidade simplesmente não tenha o nome dele em seu site.

Ele voltou à página da universidade na internet e encontrou o número de telefone do departamento de Recursos Humanos. Quando uma secretária atendeu, ele perguntou se havia um professor Marcelo Aguiar no corpo docente.

—Qual escola, por favor?

—Acho que é a Escola de Pós-Graduação em Administração de Empresas, mas não tenho certeza.

Houve uma pausa e então a voz voltou à linha. —Sinto muito, senhor, mas não temos nenhum Professor “Aguiar” na escola, nem na faculdade.

—E quanto às outras escolas?

Ouviu-se um suspiro. —Aguarde, por favor.

Desta vez, a espera foi mais longa. Quando a mulher finalmente voltou à linha, sua educação havia desaparecido. —Senhor, não há nenhum Professor Marcelo Aguiar empregado pela universidade.

Um pensamento lhe ocorreu. —Será que ele poderia ter sido um funcionário há um ou dois anos?

—Só posso confirmar o nosso corpo docente atual.

—Não tem outro jeito?

—É norma da universidade, senhor. Agora, há mais alguma coisa em que eu possa ajudá-lo?

—Não, você já fez tudo o que podia— disse ele, tentando não parecer muito sarcástico.

Ele fez mais uma tentativa, ligando para o reitor da faculdade de administração. Falou várias vezes com uma assistente administrativa, mas no fim não conseguiu nenhuma informação adicional.

A essa altura, a cabeça de Adam latejava. —Preciso de uma boa bebida! — exclamou ele, após desligar o telefone com desgosto. Mas esse pensamento lhe deu uma ideia, e ele pegou o telefone mais uma vez.

—Oi, Jeane, é o Adam. Olha, será que você poderia me encontrar depois do trabalho no Amsterdam Lounge para tomar um drinque? Estou com um problema e preciso muito do seu conselho. Não, prefiro não falar sobre isso por telefone. Você pode? Ótimo! Te vejo lá às 18h.

Antes de sair, ele checou seu e-mail mais uma vez. Não havia mais mensagens de “Um Amigo”.

Ao entrar no Amsterdam Lounge, Adam viu Jeane sentada a uma mesa num canto tranquilo. À sua frente, havia uma taça de vinho branco e uma caneca da sua cerveja favorita. Ele aproximou-se e deu-lhe um beijo no rosto.

—Obrigado pela cerveja e, mais importante, por ter vindo esta noite.

Depois que ele se sentou, ela tomou um gole de vinho e o encarou demoradamente. —Muito bem, Adam, desembucha, o que está acontecendo? Há algum problema com a sua empresa?

Sem saber por onde começar, ele encarou a caneca por um instante e então disparou: —Por acaso você conhece um professor Marcelo Aguiar na universidade?

Ela balançou a cabeça, confusa. —Aguiar? Nunca ouvi falar dele. Por quê?

Ele suspirou e entregou a ela uma cópia impressa do e-mail. —Recebi isso hoje.

Ela deu uma olhada rápida, deu um suspiro e leu novamente. Então, olhou para ele com olhos compassivos.

—Pobre Adam, não me admira que você não quisesse falar sobre isso ao telefone. O que você acha disso?

—Não sei o que pensar, Jeane. Não consigo acreditar que seja verdade, mas também não quero ignorar a situação e fingir que nada está errado. Perdi a tarde inteira tentando encontrar esse misterioso Professor Aguiar, mas não encontrei nada na universidade.

—Agora não sei o que fazer. Não tenho dinheiro para contratar um detetive particular e não tenho tempo para bancar o detetive. Por isso queria falar com você. Você tem sido uma boa amiga nossa por muito tempo. Por favor, me diga o que você acha.

Ela tomou outro gole da bebida e estendeu a mão para apertar rapidamente a dele. —O que você realmente está perguntando é se eu acho que ela está tendo um caso. Não posso lhe dar essa certeza absoluta. Por um lado, não vi nem ouvi nada que me faça pensar que ela esteja sendo infiel a você. Por outro lado, não a tenho visto muito nos últimos meses.

O rosto dele se contorceu em angustia, e ela apressou o passo. —Você sabe tão bem quanto eu que existem pessoas por aí que gostam de causar problemas, e isso pode ser algo assim. Tem também os que tentam separar para conquistar. Ou você pode ter inimigos nos negócios que gostariam de vê-lo distraído por atritos no seu casamento. Provavelmente existem outros cenários que eu nem sequer imaginei.

—O que eu sei é que você não pode ignorar isso e esperar que desapareça. Eu sei o quanto você acredita na fidelidade conjugal e sei que qualquer indício de que seu casamento foi violado vai te corroer por dentro. Se você não lidar com isso, no fim das contas, a dúvida vai destruir seu relacionamento com a Melissa tão eficazmente quanto um caso extraconjugal.

Ele a encarou com uma expressão atormentada. —Eu sei que você tem razão, Jeane, mas o que posso fazer?

—Na minha opinião, você deveria mostrar essa maldita coisa para a Melissa. Ela precisa saber que alguém a acusou de infidelidade e merece a chance de esclarecer o assunto. Afinal, Adam, se alguém fizesse esse tipo de acusação contra você, você também gostaria de saber, não é? E depois você analisa as expressões dela. Você sabe, o corpo não mente.

Ele ficou sentado em silêncio por um minuto, depois assentiu com a cabeça. —Você tem razão. Se eu não compartilhar isso com a Melissa, isso vai influenciar a maneira como eu ajo perto dela. A longo prazo, isso vai nos afastar tanto quanto se ela estivesse realmente me traindo.

Ele se levantou e abraçou a mulher de cabelos escuros. —Obrigado por me ajudar a pensar sobre isso, Jeane. Não sei o que faria sem você.

—Você sabe o quanto me importo com vocês dois, Adam. Se eu puder fazer alguma coisa para ajudar, por favor, não pense duas vezes em me pedir.

Ele acenou com a cabeça em agradecimento e dirigiu-se para a porta enquanto ela permanecia ali observando.

Quando ele chegou em casa, Melissa estava esperando por ele. —Onde você esteve, Adam? Tentei ligar, mas você não atendeu.

Ele ignorou a pergunta dela. Pegando em sua mão, conduziu-a até o sofá e sentou-se ao seu lado. —Preciso te mostrar uma coisa, Mel, algo que realmente me deixou perplexo.

Ela sentou-se ao lado dele, e seu rosto denunciava seu nervosismo.

Ele entregou a cópia impressa para ela. —Recebi isso no meu e-mail hoje. Você pode me dizer algo sobre isso?

Ela leu rapidamente. Então, para surpresa dele, ela se levantou de um salto e começou a gritar: —Você acha que estou te traindo? Não acredito nisso! Você recebe uma acusação qualquer de um 'amigo' anônimo e já vem me acusar de adultério, eu nunca te dei motivo pra duvidar de mim?

—Não, não, querida, eu não estava te acusando de nada. Eu...

—Se você não estava me acusando, por que me mostrou essa mentira imunda? — Ela pegou a cópia impressa, amassou-a e atirou-a nele. —Poderia muito bem me apunhalar no coração! Isso me machuca profundamente. Você acredita em alguém que é covarde demais para assinar o próprio nome mais do que confia na sua própria esposa?

Ela pegou a bolsa e foi até a porta da frente. —Não consigo nem olhar para você agora. Vou sair e não sei quando volto. — Dito isso, saiu furiosa, batendo a porta. Em um instante, ele ouviu o ronco do motor do carro dela e, em seguida, os pneus cantando enquanto ela saía em disparada da garagem.

—Ah, droga, eu não esperava por isso. Estou pior agora do que antes. —Lamentou ele, deixando-se cair de volta no sofá e levando as mãos à cabeça.

Enquanto estava sentado ali, os primeiros pensamentos de Adam foram defensivos. Por que ela ficaria tão irritada? Ela nem me deixou terminar. Eu não a acusei de traição, apenas mostrei a ela o que outra pessoa disse, só isso.

Mas ele já sabia a resposta antes mesmo de terminar. Se Mel tivesse me entregado aquele bilhete, eu provavelmente também teria explodido. Mas o que eu deveria fazer? Fingir que estava tudo bem? Jeri tinha razão: eu não podia simplesmente ignorar o e-mail. Isso não seria justo nem com Mel, nem comigo.

Apesar de ter passado o resto da noite repassando mentalmente a situação, ele não estava mais perto de descobrir o que fazer do que quando começou. Ele sabia que ele e Mel precisavam conversar, mas não conseguia nem decidir o que dizer a ela. Tudo o que ele sabia com certeza era que queria sua esposa em casa para tentar consertar as coisas.

Emocionalmente exausto, Adam sentiu-se cada vez mais cansado, mas estava determinado a não ir para a cama até que Melissa voltasse. Depois de mais uma hora de espera, deitou-se no sofá e logo adormeceu.

Algum tempo depois da meia-noite, ele foi acordado pelo som da porta se abrindo. Enquanto se sentava grogue, Melissa entrou na sala de estar e o encarou, com as mãos na cintura.

—Mel, nós realmente precisamos...

—Não quero falar sobre isso agora. —Ela o interrompeu bruscamente. —Você pode ficar aí no sofá esta noite, e conversamos amanhã de manhã. — Sem esperar por uma resposta, ela deu meia-volta e seguiu pelo corredor até o quarto deles. Quando ele ouviu a porta bater, gemeu e se deitou novamente no sofá, na esperança de que o sono voltasse. Demorou bastante.

Normalmente, Adam acordava cedo para chegar ao escritório antes de todos. Mas, embora seu relógio biológico o despertasse no horário de sempre, ele se sentia na obrigação de não sair até que Melissa aparecesse para que pudessem conversar. Preparou um café e sentou-se em frente ao laptop para ler as notícias enquanto esperava.

Eram quase oito horas quando Melissa entrou na cozinha. Adam ficou surpreso ao vê-la arrastando a mala. —Aonde você vai, Mel? Eu pensei que íamos...

Antes que ele pudesse terminar, ela ergueu a mão para interrompê-lo. —Isso foi um choque terrível, Adam. Coloca todo o nosso casamento em xeque. Preciso de um tempo sozinha para pensar no que aconteceu. O recesso na escola começa amanhã, então vou dirigir até Floripa para visitar minha mãe. A gente conversa semana que vem. Enquanto isso reflete sobre as acusações que me fez.

Ela o encarou com um olhar furioso. —Pretendo passar a semana toda lá e voltar a tempo para as aulas na segunda-feira. Enquanto eu estiver fora, não quero ouvir uma palavra sua. Preciso desse tempo para mim. Não me ligue, não ligue para minha mãe. Entendeu?

Ele assentiu com a cabeça, impotente.

—Estou falando sério, Adam. Se você tentar ligar, posso nem voltar para casa. Entendeu?

Ele assentiu novamente.

—Tudo bem. —Disse ela secamente, e saiu pela porta em direção ao carro, arrastando a mala.

Quando ela saiu, Adam ficou sentado ali por alguns minutos, em estado de choque. Finalmente, voltou arrastando os pés até o banheiro para fazer a barba e trocar de roupa. Depois, dirigiu cabisbaixo até o trabalho.

Ao chegar ao escritório, ele foi recebido com boas notícias. Seu supervisor havia tomado a iniciativa de distribuir os componentes faltantes para os locais corretos na linha de produção do modelo, e os testes estavam progredindo sem problemas. “Pelo menos a empresa não vai à falência hoje, ao contrário do meu casamento", pensou Adam, com um tom de pesar.

Naquela tarde, ele estava trabalhando em uma planilha quando seu telefone tocou. Ao atender, ouviu Jeane na linha. —Fiquei preocupada e queria saber como você está. Como foi tudo ontem à noite com a Melissa?

—Nossa, é uma longa e triste história — disse ele, desanimado.

—Ih, isso não parece bom. Quer se encontrar comigo para conversar sobre isso tomando um drinque?

—Isso seria ótimo, Jeane. No mesmo lugar, ok?

Continua...

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