Macho pra Caralho! (Parte 03)

Um conto erótico de HS
Categoria: Heterossexual
Contém 1996 palavras
Data: 25/03/2026 14:09:05

Naquele final de tarde, cheguei no estúdio do canal on-line mais badalado da cidade pronto para matar: Terno azul marinho de corte slim-fit, de silhueta ajustada valorizando o corpão mantido a ferro, ombros levemente estruturados para dar mais volume ainda e cintura fina, algo que não é para qualquer um. Desta vez escolhi uma camisa cor de rosa, tradicionalmente aberta no peito o suficiente para mostrar o peitoral, mas sem ser brega.

O cabelo negro e a barba, como sempre, estavam totalmente alinhados sem um fio que destoasse e até coloquei o perfume predileto: não é porque seria uma live que deixaria de irradiar meu brilho pessoal até no cheiro. Fiz bem, o programa seria uma mesa redonda de debate e tinha até uma pequena platéia no local.

Quiseram me maquiar e insistiram muito, mas o máximo que deixei foi passarem um pouco de pó para não parecer um pimentão nas câmaras. Quase bati no maquiador quando veio com um batom pra cima de mim, e dali pra frente o sujeito me deixou em paz. Não suporto viadinho babando em cima, quer dizer, não aceito homossexuais se assanhando comigo – o debate era justamente sobre questões de gênero, e vinha treinando como falar essas merdas sem parecer um troglodita. Estava quase funcionando.

Quando me sentei à mesa, já com as câmeras em posição e os microfones ligados, olhei para a cadeira ao meu lado e ali estava ela, minha arquirrival: Glorinha Montanaro, dona do programa “Papo das Poderosas”, nossa anfitriã. A morena de uns trinta e poucos anos parecia simpática, mas exigia extremo cuidado. Já tinha visto ela acabar ao vivo com vários outros influencers, era uma cobra em pele de víbora, ou seja, venenosa até a última gota pingando dos caninos. Mas estava preparado e confiante, comigo ela não ia se criar.

Completavam a mesa Nanda-Flor, uma garota novinha com cara de burra, dessas que você custa a acreditar que tem mesmo dezoito anos, pelo visto a filha de algum patrocinador que queria impulsionar sua nova linha de roupinhas de ginástica, e o senhor Ramires, um velho grisalho com cara de intelectual, escondido atrás de uns óculos de grau pequenos e redondos e usando gravata borboleta, que veio participar querendo falar de seu novo livro de auto-ajuda.

Conseguir essa dupla foi fruto de muita negociação por parte da minha equipe com a direção da live. A garota burra ia ser o alvo de todos os ataques que eu fizesse sobre as mulheres, me fazendo parecer inteligente e senhor da razão. Já o cara da gravatinha, que provavelmente era bem inteligente mesmo, não conseguiria se destacar sobre mim porque não tinha traquejo social e nem uma gota sequer de sagacidade, algo importante numa live.

Assim, minha preocupação se resumiria à Glorinha Montanaro. Reparei que em pessoa ela era até bem gostosa para uma velha de trinta anos vestida de tailleurzinho bege e saia lisa na mesma cor. Tal como eu, ela usava uma camisa social aberta no peitoral que deixava ver uma boa parte dos peitos, mas sem ser deselegante. Os cabelos negros e provavelmente pintados, lisos e cortados na altura dos ombros, emolduravam o rosto firme de sorriso branco e queixo quadrado, o que lhe conferia certa autoridade. Merda, a velha era parecida comigo, só que com mais idade, e mulher. Aquele papo ia ser mais difícil do que imaginei.

Ao início do programa, ela sorria e apresentava os convidados. Tudo normal, eram só textos que cada um propôs e ela repetiu à risca o que minha equipe tinha escrito, terminando com “um dos homens mais conhecidos e desejados da machosfera na atualidade”. Minha equipe é foda, essa frase era do caralho! E justo aí veio o primeiro golpe.

– HS, pela sua introdução, entendo que os machos da internet desejam você sexualmente, é isso? – a velha perguntou e ficou sorrindo pra mim com ar inocente, mas os olhos estavam me apunhalando e ela gozava por dentro com isso, dava até para sentir o cheiro escorrendo daquela buceta.

– Não Glorinha, desculpe, mas você entendeu mal. Quer dizer que sou um exemplo e que os outros homens se espelham em mim, desejando ser iguais – respondi fazendo esforço para soar calmo e não arrebentar aquele sorriso de puta malvada.

– Se me permite, a frase é um sintagma nominal complexo, pois utiliza dois adjuntos adnominais em seu núcleo para uma base nominal com sentido partitivo, carregando sentido ambíguo na locução adjetiva formada por “conhecidos” e “desejados” – ora essa, o velho inteligente pegou o assunto, agarrou com unhas e dentes e guardou dentro da cueca, junto do saco! – Por exemplo, no meu livro… – e agora parecia que iria engatar um discurso de horas sobre um livro que ninguém queria ler!

– Muito bem, obrigado! – nossa anfitriã o cortou antes mesmo que ele começasse, para alívio de todos. – Mas entendemos que o HS se acha um exemplo para os homens, o que expõe seu narcisismo pré-adolescete… – e começava o show, Glorinha ia me atacar o tempo todo, a ideia de ser um debate era uma tremenda farsa que ela armou para enganar minha equipe e me atrair para sua armadilha!

– Glorinha, sou muito homem, um adulto como poucos. Até o velho aqui do livro chato queria ser como eu. E qualquer um preferiria mil vezes ser um adolescente do que uma velha ridícula em fim de carreira que fica tentando causar para atrair um pouco de público.

– Velha? Quem você está chamando de velha? Moleque, eu sou “a poderosa”, jamais uma velha! E não preciso atrair público, tenho seguidoras fiéis que me amam e…

– Fala sério Glorinha, sei bem quem são suas seguidoras. Umas mulheres fracas, tudo machucada pela vida, que não entendem a razão pela qual existem e ficam com esse papinho de “poderosas” para tentar melhorar a auto-estima!

– Falando sobre auto-estima, no meu livro tem um capítulo…

– Ok, muito obrigado, velhote! Quer dizer, desculpe, senhor Ramires! – Glorinha falou abanando a mão para o cara da gravatinha como se espantasse uma mosca. Ela já estava perdendo a compostura, justo o que eu queria. – Mas HS, queria aprofundar nesse ponto. Qual é a razão pela qual as mulheres existem, na sua opinião?

Glorinha era ardilosa, agora já estava armando outra pra mim. Se falasse o que realmente penso, iam me chamar de machista, de sexista, de red-pill e o caralho. Mas se não falasse a verdade, meu público ia pensar que amarelei, que fiquei fraco, que tremi ante a velha.

A live seguiu por quase uma hora, com Glorinha atacando minha opinião sobre o sexo feminino. Por mais que tentasse desviar desse assunto, ela ficava voltando naquilo uma e outra vez, sem descanso. O programa ia passando e eu estava sendo levado pras cordas, enquanto ela já armava o knock-out.

Precisava sair dessa com elegância, se quisesse derrotar minha rival.

– Glorinha, querida, você me segue? Ou ao menos teve a decência de ler o briefing que a sua equipe fez sobre mim? Você, minimamente, se preparou para o seu programa, ou está improvisando? – falei sorrindo, mas apunhalando a entrevistadora tal como ela havia feito comigo, fugindo da armadilha ao questionar sua credibilidade.

– HS, querido, estou sempre bem preparada. Só quero ouvir da sua boca, aqui, na minha frente, as bobagens que você fala sobre as mulheres no seu programa.

– Sempre bem preparada, é? Interessante. Olha, para uma velha, você até dá um caldo. Se quiser me mostrar essa preparação toda depois, a gente pode conversar – tá bem, agora tinha apelado pro meu sexy appeal, sorrindo amistosamente com todos os dentes e usando o tom de voz grave e macio que aplico quando quero levar uma garota pra cama.

– Hum, abusadinho, hein? Mas olha só, HS… Eu não lavo, não passo, não cozinho, não arrumo casa e nem limpo sujeira dos outros. Então, sinceramente, não sei pra que uma mulher inteligente e educada como eu serviria pra você.

– Não? Olha Glorinha, disso é que se trata. No meu programa, ensino os homens a tratarem as mulheres como elas merecem, mas as mulheres também podem aprender o que os homens esperam realmente delas. Quer uma aulinha particular, “dona poderosa”?

– Eu quero! Topo agora mesmo, depois do programa! Mas só se você prometer que faz um merchandising das minhas roupas de ginástica em troca! – Nanda-Flor, a garota burra que não dissera nem uma palavra até agora, surpreendeu a todos com sua participação especial. Foi uma explosão de risos, ninguém conseguia parar. Até a Glorinha, mal se aguentando, teve que encerrar o programa quinze minutos antes.

Sinceramente? Não sei se a intromissão sem sentido da Nanda-Flor salvou a minha pele ou a da Glorinha. Do jeito que estávamos, parecia um empate técnico, mas daí a garota fez aquilo e todo mundo se cagou de tanto rir…

Caralho, a fedelha burrinha era mais esperta que todos ali, aposto que foi a única a ganhar mais de mil seguidores depois da live! E o pior era que, mesmo já no camarim, não conseguia parar de rir, quando de repente ouvi um baque de porta atrás de mim.

Mal virei e Glorinha já estava em cima, bufando, possessa de raiva. Me segurando pela gola da camisa e falando entre dentes, ela olhava dentro dos meus olhos como se quisesse furá-los.

– Filho da puta, é muita ousadia vir aqui todo bonitinho no meu programa me chamar de velha! Tenho só trinta e dois, porra!

– Pô Glorinha, você veio com a carga toda, tive que me defender! Mas falei que você era uma velha gostosa!

– Seu porco chauvinista, um dia vou mostrar pro mundo a fraude que você é! Vou expor o seu cinismo para o público ver o macho horrível que se esconde aí dentro dessa fachada!

– Tá bem, querida, tá bem. Mas até este dia fictício chegar, você vai continuar expondo pra si mesma o “macho horrível” que se esconde dentro da minha calça?

– Moleque abusado! Tô falando sério HS, ainda vou acabar com esse sorrisinho sacana!

– Sério? Pode vir, Glorinha! Que eu saiba, até hoje quem ficou acabada entre nós foi você!

– Seu safado gostoso… – disse ela me apertando contra a parede, com os peitões comprimindo meu peitoral e a mão lá embaixo, apertando o pau.

– Sua piranha vadia… Você gosta que a maltrate em frente ao público. Aposto que essa bucetinha aí tá até escorrendo, toda meladinha!

– Ai, HS, fala mais sacanagem pra mim… Merda, não consigo resistir! Vamos para a gaiola de cristal? – Disse ela me punhetando sobre a calça, sentindo o pau crescer em sua mão.

– Não vai dar gatinha, lá está ocupado hoje – respondi já com a mão entre suas pernas por baixo da saia, esfregando o grelinho sob a calcinha e arrancando seus primeiros suspiros.

– Canalha… Aposto que é alguma garotinha idiota que você comeu ontem que está lá, toda ilusionada, esperando você voltar…

– É sim, uma loirinha muito gostosa, mas ela vai ter que esperar um pouco mais, porque agora vou comer uma outra garotinha ilusionada…

– Seu escroto… Agora então não sou mais uma velha, né? Sou apenas mais uma garotinha sua?

– Você pode ser, se soltar essa vadia que tem aí dentro. Pode até vir pra gaiola comigo e dividir a cama com a loirinha que está lá – seguia provocando e consolando, apertando e afrouxando, no jogo que a confundia e fazia ceder sempre ao meu desejo.

– Nunca! Isso nunca! Ninguém pode suspeitar desse nosso lance! Eu não… não… – sua voz começava a faltar, ela estava arfando, afogada entre raiva e prazer, à beira de gozar nos meus dedos.

– Então vai ter que ser aqui mesmo. Se prepara, putona, porque agora vou me vingar nessa buceta de tudo que você falou pra mim hoje!

O jogo com a Glorinha Poderosa era sempre assim. Ela chingava, se revoltava, ficava ultrajada, mas era justamente isso que a excitava e a fazia tremer de tesão. No fim, a poderosa era só mais uma vadia querendo um pedacinho de mim.

E eu daria a ela meu pedacinho duro e rombudo de vinte centímetros com muito prazer…

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Comentários

Foto de perfil de Dani Pimentinha CD

Eu não consigo não odiar o HS… Que raiva de cara assim. Kkkkkkkkkkm

Muito bem escrito.

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